quarta-feira, 21 de março de 2012

SINAL DOS TEMPOS: SUPERMERCADO VIROU PONTO DE PAQUERA



Os tempos estão mudando, aos poucos. Depois que as boates e bares noturnos decaíram, por causa das inúmeras ocorrências criminais associadas à "vida noturna", a busca pela vida amorosa começa a buscar outras alternativas além dos mesmos redutos da "noite".

É certo que ainda não voltamos àqueles tempos em que se paquerava alguém numa praça ou mesmo num campus universitário ou praça pública. Pelo menos, com a frequência e a facilidade que se tinha há 50 anos atrás. Mas a gradual guinada a ser descrita mostra que o monopólio da "vida noturna" começa a ser quebrado de forma significativa.

Há poucos anos, restaurantes começaram a quebrar esse monopólio. Ainda era no período noturno, mas já era bem mais cedo, entre 19 e 21 horas. Por outro lado, as paqueras deixavam de ser feitas entre desconhecidos, passando a ser feitas por pessoas que se conheciam de vista em ambientes sociais, como os de trabalho e de estudo.

Isso se devia por medida de segurança, e derrubava de vez o mito de que todo mundo que estava nos bares e boates é "irmão", o que fazia a "festa" de gente traiçoeira que usa a "vida amorosa" para assaltar ou até violentar pessoas. E que custou a vida de muita gente, incluindo mulheres.

Também os assaltos nas ruas, a dificuldade de voltar para casa de ônibus, a carestia das boates e bares e o próprio caso da embriaguez causada pelo alcoolismo, que faz de muitas pessoas encrenqueiras em potencial, afastaram muitas pessoas da "vida noturna", pelo natural desejo de sobrevivência e segurança.

Muitas vezes, a ilusão "fraternal" de bares e boates não passava de um artifício publicitário de seus donos e gerentes, não raro em parceria com a velha grande mídia - sempre ela - , visando unicamente o lucro.

O "amor" é um tema publicitário eficaz, de forte apelo popular e, portanto, de fácil e alto retorno financeiro. Mas quando começam a serem considerados valores éticos e relacionados à segurança, a situação começa a mudar e aquele "paraíso" dotado de mesas, cadeiras, luzes e bebedeira - para não dizer outras coisas - começa a ser desmitificado drasticamente.

Agora, além dos restaurantes terem virado uma opção, a mudança se amplia pelos supermercados, ambientes que se tornam redutos de paqueras até no período diurno, uma grande heresia se levarmos em conta que, nas redes sociais, ainda impera a visão preconceituosa de que paquera em período diurno é "coisa de mané".

Felizmente, muitos jovens tomam coragem e começam a romper com essa visão preconceituosa, apesar dos gracejos vistos no Orkut e no Facebook pela chamada "galera irada". E aí a antes impensável prática de paquerar nos supermercados - até dez anos atrás isso era visto quase que unanimemente como piada - começa a se tornar uma realidade constante.

A grande novidade, também, é que, embora os supermercados sejam notáveis estabelecimentos comerciais, as paqueras tornam-se mais espontâneas, já que nem todo mundo entra num supermercado para fazer alguma compra. Em muitos casos, apenas há consulta de produtos, para ver se "aquela marca" ou "aquele produto" há naquele estabelecimento.

Por isso, vemos acontecer um quadro bastante transformador. E que pode contribuir para a democratização dos ambientes de paqueras e azarações no Brasil. A nem sempre - ou, talvez, quase nunca - segura ilusão das boates começa a perder terreno, e olha que parecia ontem que até o Fantástico e o Jornal da Band promoviam o "amor" sob o monopólio da "vida noturna".

Por isso, vamos saudar essa nova realidade, de um país que não sacrifica sua cidadania em nome do consumo e dos modismos. E que existem pessoas com autoestima suficiente para entenderem a diferença entre o amor e a simples busca de emoções baratas.

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