quarta-feira, 28 de março de 2012

MILLÔR FERNANDES E LEGIÃO URBANA



Ontem Renato Russo teria feito 52 anos. Não que eu não me lembrasse dele, preferindo escrever sobre o drama de seu xará e ex-colega da Legião Urbana, Renato Rocha - que agora vive na miséria - , mas não tinha um assunto para trabalhar em pouco tempo que tinha para usar a Internet. Me limitei a colocar um linque para o vídeo da música "Legião Urbana", do Aborto Elétrico, uma curiosidade que, de fato, existiu e está no YouTube.

E hoje Millôr Fernandes faleceu. Aparentemente, não há uma relação entre o humorista da seção O Pif Paf, da revista O Cruzeiro - embrião de uma revista homônima, de curta duração, que circulou em 1964 - , de uma geração mais próxima dos anos 1950 e começo dos 1960, e o vocalista de um dos principais grupos de Rock Brasil, dos anos 80.

Mas havia, sim, e era uma dedicação singela que o humorista e autor teatral, também um dos mentores do jornal O Pasquim, que colocou no encarte do disco As Quatro Estações (1989) uma tradução da letra de "Feedback Song for a Dying Friend", composta em inglês por Renato (que havia vivido nos EUA). A canção não teve versão em português, a tradução está apenas para a leitura dos fãs que se dispuserem a lê-la.

Aqui está a letra original e a respectiva tradução, numa homenagem aos dois que fazem falta neste país tão sofrido pela mediocridade:

Feedback Song for a Dying Friend

Soothe the young man's sweating forehead
Touch the naked stem held hidden there
Safe in such dark hayseed wired nest
Then his light brown eyes are quick
Once touch is what he thought was grip

Tis not his hands those there but mine
And safe,my hands do seek to gain
All knowledge of my master's manly rain
The scented taste that stills my tongue
Is wrong that is set but not undone

His fiery eyes can slash my savage skin

And force all seriousness away

He wades in close waters
Deep sleep alters his senses
I must obey my only rival

He will command our twin revival
The same insane sustain again
(The two of us so close to our own hearts)
I silence and wrote
This awe of coincidence

Feedback Song For A Dying Friend (tradução de Millôr Fernandes)

Alisa a testa suada do rapaz
Toca o talo nu ali escondido
Protegido nesse ninho farpado sombrio da semente
Então seus olhos castanhos ficam vivos
Antes afago pensava ele era domínio
Essas aí não são suas mãos são as minhas
E seguras. Minhas mãos buscam se impor
Todo conhecimento do jorro viril do meu senhor
O gosto perfumado que retém minha língua
É engano instalado e não desfeito
Seus olhos chispantes podem retalhar minha pele bárbara
Força toda gravidade ir embora.
Ele vadeia em águas fechadas Sono profundo altera meus sentidos A meu único rival eu devo obedecer Vai comandar nosso duplo renascerO mesmo
Insano
Sustenta
Outra vez
(Os dois juntos junto de nossos próprios corações)
Calei e escrevi
Isto em reverência
Pela coincidência.

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