segunda-feira, 26 de março de 2012

GLOBO REPÓRTER PODERIA TER FEITO ESPECIAL COM CHICO ANYSIO



É verdade que a Rede Globo está fazendo várias homenagens ao recém-falecido humorista Chico Anysio, mas cometeu um erro ao não criar uma edição especial do Globo Repórter a ele, na ocasião de seu falecimento.

Em outros tempos, a Globo mudava a pauta do Globo Repórter toda vez que falecia uma ilustre personalidade. Muitas vezes, corria-se contra o tempo para criar um especial, mas o acervo da emissora já dispunha de material suficiente para montar um bom programa de 45 minutos.

Pois isso não foi feito com Chico Anysio. E, pelo tempo de carreira dele e sua trajetória riquíssima, ainda é pouco falar de seus feitos nos telejornais e programas de variedades. Só na televisão ele tinha pouco mais de 50 anos de carreira e foi o primeiro comediante a usar o videoteipe (em 1960), além de ter sido roteirista, produtor e diretor de humorísticos, homem de rádio, de teatro, de cinema, literatura etc.

Só a legião de atores, cartunistas, diretores de TV, humoristas, músicos etc com quem Chico Anysio conviveu dão depoimentos de surpreendente variedade. Afinal, a experiência do humorista cearense foi tão rica que deve um bom livro biográfico, desses com mais de 700 páginas, pelo menos.

E uma boa oportunidade de criar um Globo Repórter mostrando fatos pouco conhecidos da carreira de Chico Anysio, sobretudo numa época áurea e hoje pouco conhecida da TV brasileira - a virada dos anos 50/60, de 1958 até 1964, na qual a televisão vivia a transição do amadorismo e do profissionalismo, da TV ao vivo e do videoteipe, da sofisticação e da popularização - , quando a TV vivia o fervor de muitas boas ideias.

Aliás, é até irônico que Chico Anysio, naqueles tempos, tenha uma reputação que hoje se compara a Bruno Mazzeo, seu filho e parceiro, e que certamente honrou e continuará honrando as lições de humor do pai, com o qual já escreveu muitos números de humor, antes de ser conhecido pelo seu caminho próprio em atrações como o seriado Cilada.

Até mesmo Bruno tem muita coisa a dizer do pai e seria uma boa presença no Globo Repórter que deveria ter sido feito. E não havia desculpa da "última hora".

Afinal, quando celebridades se tornam muito doentes, a mídia já prepara obtuários antecipados ou homenagens prévias, e desde que Chico Anysio ficou seriamente doente, em dezembro passado, havia tempo de sobra para a produção da Globo correr para fazer um Globo Repórter especial para ser colocado em qualquer semana que houvesse o falecimento do humorista.

Foi uma boa oportunidade perdida, porque o espaço de homenagens ao humorista é pouco, pela grandeza de seu talento e pela riqueza e versatilidade de sua experiência. E teria sido uma bela e relevante homenagem a uma das figuras mais atuantes e populares da televisão brasileira.

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