sábado, 31 de março de 2012

ESTAMOS RINDO DE QUÊ, AFINAL?


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Marco Antônio Araújo faz um comentário coerente sobre a questão do humor, depois que Chico Anysio faleceu. Detalhe: o texto foi escrito pouco antes do falecimento de Millôr Fernandes, mas fica velando em relação a este. Afinal, há cerca de 50 anos atrás tínhamos um humorismo de qualidade, do qual sobram poucos mestres.

Estamos rindo do que, afinal? 

Por Marco Antônio Araújo - Blogue O Provocador

Estamos rindo do que, afinal?

A morte de Chico Anysio encerra simbolicamente um ciclo histórico do humorismo brasileiro. A rigor, Chico representa o tempo em que havia humoristas no Brasil. Acabou, podem fechar o caixão.

O que restou espalhado por aí é de chorar. E pensar que José Vasconcelos, Ronald Golias e Juca Chaves eram considerados pornográficos e vulgares. Tristeza não tem fim, felicidade sim. 

Após as homenagens justas e veríssimas ao professor Raimundo, sobrará o Renato Aragão que, convenhamos, é outro tipo de palhaço, bem menos virtuoso. 

Vai ficar cada dia mais sem graça. Estamos rindo do que, afinal? Dos playboyzinhos do CQC e Pânico? Ou das ridículas patrulhas ideológicas politicamente corretas ainda mais mal-humoradas?

Esses neuróticos que se acham engraçados sendo racistas, homofóbicos, machistas e misóginos deviam rever os quadros do Chico Anysio com negros, gays e mulheres. Sugiro que assistam ajoelhados.

Sapeca, Chico Anysio resolveu morrer ao mesmo tempo que um evento anual chamado Risadaria reúne em São Paulo um amontoado de artistas desesperados por arrancar alguma risada da inadvertida plateia.

Tivessem realmente algum senso de humor e dignidade, cancelavam o evento e botavam uma respeitosa placa na porta: “Fechado por motivo de luto”.

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