sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

PEDRO ALEXANDRE SANCHES USA "IDADE" COMO CRITÉRIO PARA OCULTAR PASSADO FOLHISTA



Enquanto crescem na Internet os questionamentos sobre a elite de intelectuais que defende a "indústria cultural" popularesca, seus principais pensadores tentam manobras para evitar a má reputação na medida do possível.

Pois um deles, Pedro Alexandre Sanches, que demonstrou em seus textos ideias sobre "cultura popular" claramente influenciadas pelo pensamento do historiador Francis Fukuyama e pelo sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, usou uma estratégia para continuar ludibriando a intelectualidade esquerdista com seu poder de influência e manobra.

Tanto no texto sobre o Brega Pop Cult, publicado pela Caros Amigos em dezembro passado, quanto sobre o Coletivo Fora do Eixo, publicado na revista Fórum em janeiro recente, Pedro apela para a "juventude etária" como pretexto para a "sabedoria cultural" que defende e como forma de ocultar seu passado a serviço da chamada mídia golpista.

No primeiro texto, Sanches chega, em certo momento, a dizer que os jovens de "vinte e poucos anos" não possuem os "preconceitos estéticos" dos mais velhos. No segundo, ele chega a enfatizar o fato de um dos "palestrantes" do "microfone aberto" do Congresso Fora do Eixo ter nascido em 1988.

Sabemos que idade não é critério algum para fulano ser ou não mais sábio, mas Sanches exalta a juventude por oportunismo: incapaz de obter apoio da intelectualidade mais velha, o colonista-paçoca tenta obter o apoio daqueles que pouco têm acesso a referenciais culturais mais antigos, um bom gancho para as manobras ideológicas do jornalista.

Mas isso tudo só mostra o quanto Sanches tem de preconceituoso e o quanto de influência do temível Francis Fukuyama, o ideólogo do "fim da história", o jornalista paranaense radicado em São Paulo possui.

Primeiro, porque Sanches anda fazendo comentários agressivos contra o ato de ter uma consciência crítica do brega-popularesco (a tal "cultura popular" da velha mídia), tida não só como "preconceituosa" e "moralista", mas como "higienista" e até "racista", o que é uma incoerência.

Afinal, quem critica o brega-popularesco tende a reprovar não uma cantora talentosa como Mart'nália, a filha de Martinho da Vila e seguidora de Elza Soares, expressões da nossa rica e fértil negritude, mas de branquelos mauriçolas como Michel Teló.

E todos nós sabemos que o brega-popularesco tem muito mais de "higienista" do que as vozes que o rejeitam, porque propõe uma "cultura popular" asséptica, com base numa imagem "sorridente" do povo pobre, de uma "periferia" de contos de fadas, culturalmente medíocre e sem qualquer serventia para melhorias sociais profundas.

Pelo contrário, a cafonice dominante, em que pese todo o delirante discurso apologista, só serve para inserir o povo pobre na "massa" de consumo das grandes indústrias do entretenimento. As "melhorias sociais" defendidas se limitam puramente à inserção plena das populações pobres no consumismo do entretenimento, sem muitos avanços quanto à cidadania e qualidade de vida.

A propósito, o Coletivo Fora do Eixo, que recebeu Pedro Alexandre Sanches no congresso passado da entidade, resolveu, através de seu "ponto" em Jequié (BA), o Coletivo Borda da Mata, realizar uma manifestação de apoio à reacionária blogueira cubana Yoani Sanchez, além de um documentário sobre ela realizado por um cineasta ligado ao Instituto Millenium.

Mas depois que Pedro Alexandre Sanches concordou com os elogios ao general Emílio Médici de um de seus entrevistados e espinafrou os "excessos" das esquerdas dos anos 60, juntando o entrosamento da APAFUNK com o cineasta José Padilha, também sócio do Millenium, o mesmo "imil" de Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, Otávio Frias Filho e outras figuras temíveis do neoliberalismo político, jornalístico e cultural.

Só mesmo sendo "dente de leite" para não perceber essas armadilhas todas.

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