quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

OS NARLOQUINHOS


MATHEUS PICHONELLI E LEANDRO NARLOCH - Separados ao nascer.

Recentemente, em Carta Capital, o colunista Matheus Pichonelli lançou um "manual" de "como se comportar bem" nas chamadas redes sociais da Internet.

O texto, intitulado "O clichê anti-BBB", embora veiculado num portal da imprensa esquerdista, segue exatamente a mesma linha dos "Guias do Politicamente Incorreto" lançados pelo jornalista neoconservador Leandro Narloch, que havia trabalhado na revista Veja.

Narloch, por sua vez, havia se inspirado no Manual do Idiota Latino Americano, livro que alguns jornalistas latino-americanos, incluindo o filho do escritor peruano Vargas Llosa, Álvaro Vargas Llosa, para fazer seus "guias".

Eles seguem o mesmo caminho, fazer gozação contra aqueles que procuram valores culturais mais sólidos. Tudo bem que toda a unanimidade é burra, mas o caráter iconoclasta de Narloch, como é também o caso de Pichonelli, mostram o que é a campanha neocon de ridicularizar valores progressistas, usando um reacionarismo sutil, expresso pela ironia.

No "manual" de Pichonelli, ele deixa claro que certos procedimentos são "pecaminosos". Como gostar de Chico Buarque e Strokes, odiar Michel Teló como quem odeia José Sarney, e sobretudo odiar o Big Brother Brasil. Como quem quisesse apagar um incêndio com querosene, Pichonelli havia feito sua defesa ao BBB pouco antes de estourar o escândalo que hoje ameaça a sobrevida do reality show da Globo.

Nos seus "guias politicamente incorretos", Narloch seguiu o mesmo caminho, condenando os movimentos sociais, o princípio de soberania nacional, os líderes esquerdistas, sempre em comentários irônicos e exagerando nos pecados que cada ser humano pode cometer. De Karl Marx a Che Guevara, passando por João Goulart e Mahatma Gandhi, ninguém é poupado pela metralhadora giratória de Narloch.

A grande diferença entre Narloch e Pichonelli, mas que não traz grande efeito prático, é que este último, que ridiculariza a cartilha dos outros, segue a mesma cartilha pseudo-esquerdista à qual seguem comodamente figuras como o professor mineiro Eugênio Raggi e o jornalista Pedro Alexandre Sanches, queridinho da intelectualidade etnocêntrica.

Isso porque reza a cartilha pseudo-esquerdista que o neocon que adota tais posturas tem que "colaborar para a imprensa de esquerda", "atacar o PSDB", "falar mal da velha mídia", "seguir" o Emir Sader no Twitter (embora sinta ódio mortal às ideias deste renomado sociólogo), como muitos troleiros que, vendo seu reacionarismo extremo, se prontificam logo a "falar mal da Globo" para não pegar mal entre os amigos.

Talvez seja até uma forma de sobrevivência dos neocons atacar o demotucanato. É como um pirata que, vendo seu barco afundar, se refugia no navio inimigo e atira uma pedra na antiga embarcação. Mas isso também é uma forma de proteger os dedos, jogando fora os antigos anéis.

Só que as ideias conservadoras se mostram, de uma forma ou de outra, na fauna pseudo-esquerdista que ridiculariza quem procura valores culturais de qualidade, já que, no fundo, isso é o mesmo que os direitistas fazem, quando ridicularizam o desejo da América Latina de recuperar sua soberania e suas identidades nacionais, além de buscar melhor qualidade de vida.

E mostra o quanto certas pessoas, em nome do estabelecido, ainda se incomodam quando veem outras pessoas defendendo a qualidade de vida e o progresso social. Daí os Narloquinhos que pipocam em qualquer lugar, com suas ironias neocon que a ninguém enganam, mesmo escondidas na mídia de esquerda.

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