segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

COMERCIAIS NÃO-MUSICAIS LEVAM A PIOR EM FMS 'AEMIZADAS'



Não bastasse a overdose de informação que as FMs que adotam programação tipo "rádio AM", como as repetidoras das próprias AMs ou as tais "FMs allnews", os intervalos comerciais também não ajudam muito, apenas se "misturando" a essa overdose informativa.

É só ouvir, por exemplo, o programa de Ricardo Boechat na Band News FM e ver que o intervalo comercial é um horror. Os mesmos comerciais com os mesmos diálogos - talvez esperando algum segundo prêmio de publicidade, depois do primeiro prêmio obtido em 1990 - , além daqueles comerciais pachorrentos de consultórios médicos com um locutor que mais parece leitor de bula (provavelmente sem habilitação para ler receitas médicas, de caligrafia bastante truncada).

Não há um jingle em boa parte desses comerciais e, quando há, é aquela coisa caricata, com "cantores" que mais parecem dubladores de desenhos animados, com vozes caricatas e um instrumental horrível de sintetizador barato. Quanta falta faz um Zé Rodrix para mexer nas nossas canções publicitárias. Saudades do Rum Creosotado, das Casas Pernambucanas, da Varig e outros jingles...

O que os anunciantes não percebem, com isso, é que eles levam muito a pior com isso. Sobretudo os comerciais não-musicais, transmitidos em FMs com roupagem de AM, que simplesmente passam em branco na mente dos ouvintes que, ocupados com seus afazeres, pouco estão atentos se um comercial de consultório ou de concessionária de carro é diferente de uma notícia sobre seu time de futebol ou sobre uma medida de governo.

Já basta que muitas rádios empurram notícia 24 horas por dia, a maioria delas supérflua - o showrnalismo acaba sendo inevitável, até para tentar estimular o Ibope anoréxico dessas emissoras FM - , e outras empurram transmissões esportivas cujos narradores soam como marimbondos voando nos nossos ouvidos, e aí vão os comerciais com seu blablablá que não faz venderem seus produtos?

É bastante irônico que até os espaços das emissoras de TV são mais musicais. Um comercial de carro, pelo menos, mostrou uma música do Madness para os telespectadores. Um comercial da Petrobras veio com uma melodia bonita de violões e teclado. E o jingle do Bradesco lembra a boa MPB dos anos 70, ameaçada de desaparecimento hoje em dia.

Mas a mentalidade atrasada de nossos publicitários ignora que uma boa canção publicitária, com bons arranjos, bons cantores e instrumentos de verdade, faz vender muito mais o produto do que um comercial não-musical. O freguês sai feliz assobiando um comercial de rádio e vai animado comprar seu produto.

O investimento é compensado. É a lei do custo-benefício. Em compensação, o comercial não-musical de um consultório médico, por exemplo, pode ser barato mas ele sai no prejuízo, pela mensagem previsível e maçante. Sendo assim, seria melhor apenas que o consultório dissesse o seu endereço, e só, porque na prática é esse o seu propósito.

Por isso é que o rádio FM, cada vez mais anacrônico, não consegue emplacar. É irônico que a Frequência Modulada queira ser o "novo rádio AM", porque, do rádio AM, as FMs só estão conseguindo a triste sina de ter uma audiência baixíssima (sobretudo motivada pela surra das TVs pagas), que por debaixo dos panos já pesa mal nos quadros profissionais. E já tem redator de rádio fazendo falsete para se passar por ouvinte de um "Aemão de FM" desses...

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