quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ALUGAM-SE OS TITÃS



Sim, nossos heróis dos anos 80 podem não terem morrido todos de overdose, mas vários deles se venderam para o mercado e para os pactos da visibilidade.

Se já vimos Dado Villa-Lobos e os paralamas Bi Ribeiro e João Barone se venderem para a Banda Calypso, a troco de possíveis inclusões em festivais do interior do país - agora com a articulação de produtores culturais no Coletivo Fora do Eixo, isso ficou mais fácil - , e ver um Clemente tendo clemência com Gaby Amarantos, agora são os Titãs que se vendem para o funqueiro Mr. Catra, a preço de banana.

Pode ser influência espiritual de Marcelo Fromer, o titã que não via o brega-popularesco como se fosse uma piada. Nos idos de 1984, quando os Titãs lançaram seu primeiro LP, eles parodiavam a música brega, a viam como piada, e os caras no fundo preferiam a MPB autêntica, algo que eles apresentaram depois ao público através de O Blésq Blom, de 1989.

Eram grandes tempos, e víamos como Os Paralamas do Sucesso e os Titãs, através das influências da MPB, estimularam o fortalecimento de cenas como a do mangue beat, em 1994. E até mesmo a Legião Urbana tinha uma pegada de MPB, "Andréa Dórea" poderia ser gravada por Chico Buarque, sem problema. E Renato Russo virou parceiro de Marisa Monte, Leila Pinheiro e Flávio Venturini.

O Rock Brasil podia se integrar à MPB. Tinha conhecimento de causa. Não é o mesmo que o brega-popularesco que domina hoje na mídia, porque este sempre desprezou a MPB e nunca se interessou por ela de verdade. Só recorre à MPB quando as circunstâncias exigem, algo bastante tendencioso.

E ver que os Titãs se renderam a um funqueiro machista e retrógrado é um horror. Se tentaram ser provocadores com isso, não tiveram resultado. O que fizeram foi desagradar mesmo, como os paralamas e o legionário com Chimbinha.

Na verdade, foi mais uma mendicância que os roqueiros atuais, já perdendo espaço nas rádios, pedem aos verdadeiros "donos do poder", que são os ídolos brega-popularescos que estão abraçados aos barões da grande mídia. Os Titãs, como outros roqueiros brasileiros, se alugaram em troca de vaquejadas, micaretas e festivais de agronegócio no interior do país.

É justamente isso que faz os roqueiros brasileiros e os medalhões da MPB fazerem duetos com ídolos bregas, neo-bregas e pós-bregas (sim, existe pós-brega agora, Gaby Amarantos e Michel Teló são exemplos). Não se trata de confraternização cultural alguma e também não é uma forma de reconhecer o brega-popularesco como "a nova força da MPB". Muito pelo contrário, porque o brega-popularesco é algo altamente perecível, descartável.

Hoje os roqueiros brasileiros mais parecem dinossauros. Para quem tem menos de 35 anos, então, a Legião Urbana é tão "geriátrica" quanto Os Cariocas. Os Titãs mais parecem os Demônios da Garoa. Mas isso não é desculpa para os roqueiros se venderem para o popularesco fazendo "parcerias" com os canhestros da hora.

Nem os dinossauros do rock internacional chegariam a tanto. Mas aqui, se na próxima vez Nazi fazer dueto com Michel Teló, sabemos qual será o motivo. Em nome do mercado e da visibilidade, vale tudo. Até sacrificar princípios.

MULHERES INTERESSANTES ESTÃO CADA VEZ MAIS DIFÍCEIS



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Infelizmente, a péssima educação machista, num país em crises de valores, desnorteou muitas meninas que passaram a adotar referenciais cafonas, pretensamente "modernos", para se acharem as tais. E se acham despretensiosas, avançadas, emancipadas, com essas personalidades tolas e submissas à velha mídia. Pode isso?

Porre é aguentar essas mulheres que só querem saber de ir a apresentações de "sertanejos" e "pagodeiros" da moda, e ainda acham que podem conquistar homens recatados e caseiros.

Mulheres interessantes estão cada vez mais difíceis

Por Marcos Niemeyer - Blogue Cacarejadas & Alfinetadas

>> Jamais me iludi com essas mulheres moderninhas do tipo que usam piercing, tatuagens berrantes ou cabelos exageradamente pintados de amarelo (falsas loiras), ouvem axé, pagode, funk e breganejo em alto volume no celular de última geração - olha que elas jamais conseguem aprender o funcionamento de todas aquelas teclas - além de outras atitudes desnecessárias para chamar atenção dos machos.

E o que falar sobre as saradonas musculosas com aspecto de “patricinhas” ou periguetchys irresponsáveis?

- Ah! Você ta velho, parou no tempo, não acompanha as tendências, diriam algumas inconformadas com a reação deste aprendiz de escriba.

Minha tréplica garante que apesar da idade, 55, não estou velho e nem tampouco parei no tempo. Pra começar, ninguém fala que nasci em l957. Todos, principalmente mulheres, acreditam que eu tenha no máximo uns 43 anos, por exemplo.

Há poucos dias resolvi tirar a prova dos nove. Conversava com uma conhecida na faixa dos trinta. O papo rolava numa boa, quando resolvi perguntá-la: - Que idade aparento ter?

- Você é jovem ainda. Deve ter no máximo 38...

Não sei se falou para agradar-me ou se foi com "sinceridade". - Claro que exagerou na dose, pensei. Mas como eu vociferava no início desta conversa, não se trata de preconceito ou algo parecido diante do que vejo na imagem das mulheres de hoje.

Em qualquer esquina da vida é possível encontrá-las aos montes. Algumas, ávidas por sexo a preço de banana. As ninfomaníacas atacam até por telepatia. Fêmea de verdade, porém, está cada vez difícil. Aquelas interessantes já estão comprometidas ou são necessariamente discretas.

Tenho conversado com amigos sobre o tema e a maioria não discorda que a mulher quanto mais natural, melhor. Em contrapartida, a dama verdadeira jamais aceitaria aquele tipo de homem com as orelhas cheias de brincos (charme ou boiolagem?), trocentos piercings espalhados pelo corpo ou com a calça caída mostrando a metade da cueca.

Beberrões, fumantes inveterados, brigões, imaturos, dependentes, mentirosos e preguiçosos também não contam ponto para aquelas que se prezam. Não resta dúvida que quem vê cara, não enxerga o coração. Mas a primeira imagem é sempre a que fica. E uma imagem vale por mil palavras.

O curso da história pode ser mudado, conforme as circunstâncias. Existe, porém uma velha máxima que não costuma falhar: “Pau que nasce torto, morre torto.”

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A CAMPANHA DA MÍDIA BRASILEIRA CONTRA MORRISSEY



O cantor inglês Morrissey, de grande talento até mesmo na escolha dos músicos que vão tocar com ele e musicar seus poemas, deu uma entrevista recentemente em que falou da sua preocupação com os rumos da música na atualidade.

Segundo ele, que está sem gravadora mais uma vez, não há uma loja, mesmo na Inglaterra, que toque em seu sistema de som uma canção dotada de mensagem social. Em vez disso, há músicas inexpressivas, como os sucessos de techno dance que são tocados nas boutiques e grandes lojas de roupas.

Eu mesmo ouvi várias delas quando estava numa loja de departamentos. Um desses sucessos tem como refrão "Give-me Everything Tonight" ("Dê-me Tudo Esta Noite"), e aí deu uma ideia de contar uma piada para meu irmão, em que o cantorzinho desse "poperó" recebe uma imagem de que não poderá "receber tudo esta noite" porque não é mais horário comercial e ele terá que esperar a manhã seguinte para que tudo aquilo que ele pediu seja recebido em mãos.

Morrissey é uma figura de destaque dos anos 80, ex-vocalista do maravilhoso grupo The Smiths (do hoje subestimado guitarrista Johnny Marr, um dos maiores compositores e guitarristas de todos os tempos, sem o menor exagero), e por isso é de um tempo em que havia pop descartável, sim, mas havia ainda músicos e músicas de excelente qualidade, como os Smiths e os primeiros trabalhos solo do vocalista gravados então.

A campanha brasileira contra Morrissey não é coisa recente. A mídia brasileira criou um "outro" Morrissey, escrevendo seu nome até com um "s". Era um ser surreal, uma espécie de Boy George de cara limpa e penteado tipo James Dean, meio ranzinza, meio deprê, um chato de galocha que só fazia chiliques no palco. Nem parece a figura admirável que esteve à frente dos Smiths entre 1982 e 1987.

Morrissey, na verdade, é um sujeito solitário, que se desiludiu com as mulheres - um drama que muitos homens brasileiros já vivenciam, com tantas moças legais comprometidas com outros homens e com a maioria de moças estúpidas sobrando no "mercado" - , e por isso prefere viver sua vida do que ser um garanhão estúpido e boçal, desses que não sabem que podem ser abandonados por suas namoradas a qualquer momento, por conta da arrogância deles.

Com tantas desilusões na vida, Morrissey preferiu seguir a carreira de cantor. Seu hobby é escrever letras sobre sua vida e soltar sua voz ao lado de seus músicos, como seus escudeiros Martin Boz Boorer e Alain White, que transformam em melodias os poemas do cantor.

E Morrissey faz turnê sem ter disco gravado, sem ter qualquer pretexto comercial em vista. E faz isso de forma brilhante, o que garante plateias lotadas de fiéis em todo o mundo. Sua apresentação em São Paulo, por exemplo, ficou com ingressos esgotados.

Isso porque Morrissey é um artista que, dentro da crise que vivemos sob o domínio da mediocridade cultural, temos que definir como sendo "da moda antiga". Para ele, a música não pode se desvencilhar da realidade da vida, e realidade mesmo, nada de letras "confessionais" ou atitudes "autênticas" de astros pop que só sabem criar polêmica do nada, fazer Contracultura num copo d'água.

Semanas atrás, eu estava triste em casa, e resolvi ouvir o Louder Than Bombs, coletânea norte-americana dos Smiths, e me animei com o contato auditivo da boa música do grupo de Manchester. E mostra o quanto Morrissey é um grande vocalista e letrista, uma pessoa de credibilidade nem sempre bem compreendida no Brasil.

Afinal, Morrissey também foi hostilizado pela Bizz da fase André Forastieri e seu estúpido niilismo meio poser, meio grunge, sempre pseudo-alternativo. E agora O Globo diz que o cantor reprova o "pop moderno".

O que eles esperavam de Morrissey? Que ele aderisse ao vocoder e gravasse discos com drum machine, vocal robotizado e letras "polêmicas"? Não. Morrissey continua sendo o que sempre foi, e esse é o mérito. Ele mantém coerência com o que ele sempre fez, e por isso mesmo ele têm um público fiel e expressivo, que pode confiar no cantor, porque ele sempre manterá o brilho de seu talento em sua trajetória de mais de 25 anos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O OSCAR E O DECLÍNIO DO IMPÉRIO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O Oscar deste ano se destaca por ser menos pretensioso e por dar mais prêmios a um filme estrangeiro mudo, O Artista, cuja história justamente remete aos primórdios do filme sonoro e também das premiações do Oscar, o histórico prêmio da indústria cinematográfica norte-americana. E parece ser um reflexo dos novos tempos em que o mundo vive.

O Oscar e o declínio do império

Por Oscar Guisoni, com tradução de Libório Junior - Agência Carta Maior

Os prêmios da Academia de Hollywood foram entregues pela primeira vez no dia 16 de maio de 1929. O contexto político e social não pode ser mais significativo: faltam apenas alguns meses para o grande Crack de outubro, os Estados Unidos vive montado na maior bolha especulativa de sua história, a Europa se contorce no caos sob os efeitos das crises políticas que afetam a maior parte de seus países e, na periferia do mundo, poucos sabem ainda o que significa a palavra Hollywood, embora muitos já tenham percebido na própria pele em que consiste o novo poderio norte americano.

O prêmio de melhor filme coube a Wings, um melodrama de William Wellman sem nenhuma importância cinematográfica hoje em dia, mas cuja história se mostra reveladora do papel que jogou o cinema norte americano ao longo da maior parte do século XX. O filme conta a história de dois homens (Jack Powell e David Armstrong) confrontados pelo amor de uma mulher (Jobyna Ralston), até que estoura a Primeira Guerra Mundial e os sentimentos patrióticos se colocam acima das disputas amorosas. No final, todos terminam contentes e felizes, os homens compreendem que não existe mulher que valha mais que a amizade que se estabelece entre eles na frente de guerra e matar o inimigo é mais importante que qualquer ciúme doméstico.

Desde que sintetizou sua extraordinária maneira de narrar, no começo do século XX, baseada na síntese extrema dos relatos, a importância das imagens acima dos textos e na construção de heróis de fácil assimilação pública, o cinema americano cumpriu dois papéis de vital importância em nível político: enviou uma mensagem de unificação nacional à convulsionada América da época, construindo uma potente mitologia patriótica e estabeleceu um modelo ideal de relato impregnado de densos valores morais, que seria estabelecido como padrão de um modelo de contar as histórias na periferia do mundo. O novo império político e econômico havia encontrado no cinema um instrumento de poder soft de primeiríssima importância.

Ao glamour das novas estrelas, que começariam a brilhar com mais força a partir do cinema sonoro em 1930, se oporia, após 1933, um relato muito mais tosco e menos soft: a delirante propaganda nazista instrumentalizada por Joseph Goebbels. Como Hollywood, Goebbels também pretendia criar heróis e exaltar os valores patrióticos. Mas não tinha em conta que os principais recursos artísticos alemães marcharam para o exílio e estavam pondo todo seu conhecimento cinematográfico à serviço dos Estados Unidos.

Iluminadores, atrizes, diretores, muitos dos grandes mestres do esplendor em preto e branco do cinema americano da convulsa década de 40 provêm da Alemanha e deixaram sua marca indelével na nova estética de Hollywood.

O relato americano se torna tão potente, sobretudo depois da vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, que não tarda em começar a ser assumido como o grande modelo por excelência, sendo copiado sem clemência pela incipiente indústria cinematográfica da periferia, sobretudo na América Latina. Para perceber esta influência bastaria realizar um simples exercício de mistura de imagens tomadas ao acaso dos filmes mais populares produzidos no continente durante esses 20 anos cruciais, especialmente pelas potentes cinematografias nacionais mexicanas e argentinas: a mesma iluminação, o mesmo uso da música, os mesmos temas amorosos, o mesmo modo de construir os heróis.

Hollywood impõe desta maneira uma poderosa narrativa própria que se reproduz internamente em cada país graças à numerosa trupe de imitadores que surgem em cada canto do mundo. Em 1956, como uma espécie de resposta indireta aos primeiros questionamentos europeus a esta narrativa invasiva – sobretudo franceses –, a Academia cria o Oscar ao Melhor Filme de língua não-inglesa. O prêmio havia começado a ser outorgado de fato em 1947, ao mesmo tempo em que os EUA estreavam como nova potência hegemônica mundial, mas não se afirmou até meados dos anos 50, quando ficou estabelecido como um prêmio a mais, como categoria permanente.

Durante as primeiras épocas o galardão foi utilizado para premiar o melhor do cinema europeu contemporâneo. Premiando De Sica, Fellini, Buñuel, Truffaut ou Bergman, Hollywood se permitia um toque de arte diferente do que surgia de sua própria colheita e tratava de driblar as críticas à sua narrativa mais ideológica. O chamado Terceiro Mundo, enquanto isso, não merecia sua atenção. Com a exceção de um ou outro filme japonês e de algum filme de diretor europeu produzido em países africanos, a periferia cinematográfica do mundo não obteve nenhum prêmio da Academia até 1985 quando o argentino Luis Puenzo ganhou o prêmio com "A história oficial", um duro relato sobre os desaparecidos durante a ditadura militar do general Videla. E teve que esperar até a primeira década do presente século para ver premiadas produções da África do Sul, Taiwan ou Bósnia-Herzegovina.

Na atualidade a Academia padece da mesma anemia de poder que pouco a pouco foi se apoderando do império americano. Embora não tenha deixado de impor densos valores culturais ao resto do mundo, o glamour de suas estrelas já não brilha como antes e seu modelo narrativo já não produz tanto impacto. Vítima de seu próprio êxito, Hollywood se esforça a cada ano em renovar as expectativas em um mundo no qual os relatos se tornaram mais dispersos e menos hegemônicos graças à proliferação das novas tecnologias da comunicação. And the winner is… a periferia do mundo, que tem ainda muito para dizer e não pode nem quer dizer do jeito hollywoodiano.

CONCURSO DA CAIXA PARA NÍVEL MÉDIO TEM PROGRAMA DE NÍVEL SUPERIOR





O concurso para a Caixa Econômica Federal deste ano, para o nível médio, dedicado ao cargo de técnico bancário, apresenta exigências dignas de concurso de nível superior.

Isso mostra o quanto os concursos públicos, fora de nossa realidade social, usam o truque de criar seleções de nível médio com programa de nível universitário só para atrair mais candidatos e arrecadar mais dinheiro nas inscrições.

Diante de uma situação educacional problemática que vivemos, só mesmo a velha visão moralista do estudo pesado para permitir isso. O que se nota, no programa de conhecimentos específicos para o citado cargo, além da sobrecarga de assuntos para um prazo limitado de estudos, os temas se referem claramente à Faculdade de Economia, em muitos pontos.

Mas nem mesmo tendo um padrão educacional de uma Noruega um concurso que se defina como "nível médio" tenha que ter esse conteúdo de nível superior, que o formando de nível médio das classes populares nunca ouviu falar.

O que significa em tudo isso é que, embora o programa seja teoricamente de "nível médio", dá para perceber que os que levarão mais vantagens no concurso para este nível são aqueles que se formaram nas faculdades de Economia.

Em outras palavras, o concurso de "nível médio" da Caixa é outro concurso de nível superior.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O LADO NADA LIBERTÁRIO DE RONALDO LEMOS


RONALDO LEMOS - O ar "jovial" a-la Yoani Sanchez não nos deixa mentir sobre seu perfil neoliberal.

Ronaldo Lemos, advogado e professor da Fundação Getúlio Vargas, autor de um livro sobre o tecnobrega (ritmo brega-popularesco de Belém do Pará), há quase um mês se envolve numa causa bastante oposta àquela que o fez parecer aos seus seguidores um líder "libertário" da cibercultura brasileira.

Lemos é um dos conselheiros-membros do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, do Ministério da Justiça, desde o dia primeiro deste mês. O "combate à pirataria" é um dos pretextos usados pela grande indústria a título de combater a veiculação livre de informações digitais.

Afinal, embora seja necessário fortalecer o mercado legal de CDs e DVDs e garantir a renda de artistas, compositores, roteiristas, atores etc, o argumento de "combate à pirataria" é tão somente um ato de repressão à livre informação, sem representar benefícios reais àqueles que deixam de arrecadar em direitos autorais (a maioria do "bolo" fica nas mãos dos grandes editores).

Embora festejado como um "teórico rebelde" da mídia digital, não e esse o único aspecto estranho que envolve a carreira desse advogado, especializado em informática e tecnologia digital. Ronaldo, além da "insuspeita" Fundação Ford, é sustentado pelo Open Society Foundation, organização comandada por George Soros.

Soros é um magnata e especulador financeiro que coopta, para si, os movimentos sociais de todo o mundo, sendo uma das figuras mais perigosas do planeta. Além disso, Soros, um dos maiores defensores do neoliberalismo em todo o mundo, havia dito, sobre a campanha presidencial brasileira de 2010, a célebre frase "ou Serra, ou caos".

Discordâncias com o governo Dilma à parte (já que o assunto aqui não é este), George Soros é autor da teoria do "negócio aberto", que, por trás da fachada de "mídias livres", junta os princípios da "livre iniciativa" (que facilita a competição desleal entre empresas) e da desmobilização dos movimentos sociais, além de, no caso brasileiro, da desqualificação profissional e artística das expressões culturais.

Ou seja, trata-se de um processo nada libertário. Embora, aparentemente, o processo de mediocrização cultural seja feito sob o pano de fundo das "novas mídias digitais", através de um aparato de CDs caseiros ou de sucessos musicais lançados primeiro nas redes sociais (YouTube, com divulgação no Twitter e Facebook), ou de um mercado "independente" de "pequenas" gravadoras e o comércio informal de camelôs, o processo do "negócio aberto" não parece contrariar os interesses dos barões da mídia como se alardeia por aí.

Pelo contrário, Ronaldo Lemos é articulista do jornal O Estado de São Paulo, e sua concepção de mídias digitais é compartilhada até mesmo pelo também articulista do Estadão, Carlos Alberto di Franco, um dos seguidores, ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, da filial brasileira da seita medieval Opus Dei (que, nos EUA, inclui membros do reacionário Tea Party).

Mas mesmo o tecnobrega defendido por Ronaldo Lemos também é alvo de incoerências de informação. Enquanto Ronaldo, em seu livro co-escrito com Oona Castro (da Fundação Cultural Banco do Brasil - eu a vi pessoalmente), intitulado Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música, afirma que o ritmo paraense foi boicotado pela grande mídia, a realidade mostra o extremo oposto ocorrido com o "fenômeno".

Primeiro, porque no calor do fenômeno, o grupo Maiorana, da maior oligarquia midiática do Estado do Pará e sócia das Organizações Globo no serviço de radiodifusão, sempre deu apoio ao tecnobrega (também conhecido como tecnomelody). A data, 12 de março de 2006, não deixa mentir, e um texto entusiasmado foi publicado no jornal dos Maiorana, O Liberal, além da rádio Liberal FM dar sempre espaço a seus ídolos.

No plano nacional, o tecnobrega ganhou espaço total na velha grande mídia que seus ideólogos dizem "discriminar" o ritmo paraense. Mesmo artistas "menos conhecidos" do gênero, como Viviane Batidão e Mike do Mosqueiro, sem falar da mais conhecida, Gaby Amarantos, a Beyoncé do Pará, apareceram no Domingão do Faustão, da Rede Globo.

E até Nelson Motta deu o maior aval ao tecnobrega e a Gaby, em especial. Mas, como "tudo passa, tudo sempre passará", não é mais o Nelson Motta bacana, o jornalista cultural dos anos 60 nem o letrista de Lulu Santos, mas o cronista do Jornal da Globo e membro do Instituto Millenium que defende o tecnobrega como defende o "funk carioca" e "reconhece" a "importância" de Zezé di Camargo & Luciano.

A Folha de São Paulo, O Globo, o Estadão, a grande mídia toda deu aval ao tecnobrega. Só Caras ainda não, mas um dia receberá Gaby Amarantos de braços abertos. E até a revista Veja, que costuma condenar tudo e todos e falar mal até de movimentos indígenas, se derreteu com a musa do tecnobrega. Que depois foi ao último Congresso Fora do Eixo reclamar que é "discriminada" pela grande mídia.

Se isso acontece com o tecnobrega, então isso mostra o quanto o neoliberalismo "rebelde" de Ronaldo Lemos, o maior propagandista do estilo paraense, quer mesmo dizer. Ele não quer a ruptura com as atuais leis do mercado. Ele não quer romper com a velha mídia que lhe dá uma coluna num de seus principais veículos. E ele não quer que as mídias digitais possam ir além do pragmatismo digital que não assusta as grandes corporações.

Na melhor das hipóteses, Ronaldo Lemos defende apenas a "flexibilização" do mercado, sem que outras regras venham a substituir o neoliberalismo. E, embora ele seja visto pelos menos avisados como uma figura "libertária", o que ele quer é evitar que os efeitos revolucionários das primaveras árabes e das "ocupações" mundiais se reflitam no Brasil, pelo menos da forma como refletiram nos países de origem.

Por isso ele defende a mediocrização cultural, já dominante na nossa mídia, apenas com a diferença do apoio das novas tecnologias digitais. Em outras palavras, ele quer informatizar o brega-popularesco, através de uma fachada "libertária" que não liberta, "contestatória" que nada contesta, "problemática" que não tenha problemas e "transformadora" que não transforme coisa alguma.

As "novas mídias" de Ronaldo Lemos, no fundo, são mais do mesmo. O apoio da velha grande mídia às suas ideias comprova isso, da forma mais clara possível. Só não vê quem nada entende.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

MORRE AOS 74 ANOS O CANTOR PERY RIBEIRO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Logo que eu começava a pesquisar sobre Dalva de Oliveira para um capítulo sobre meu livro sobre 1961, ainda em andamento, ocorreu a notícia do falecimento de seu filho, Pery Ribeiro, que teve como pai o compositor e maestro Herivelto Martins. Pery, no entanto, era mais influenciado musicalmente, em sua carreira, com o cantor Dick Farney, sobretudo pelos elementos da Bossa Nova.

O próprio Pery já era um personagem de 1961 e de qualquer forma será citado no meu livro.

Morre aos 74 anos o cantor Pery Ribeiro

Do JB Online

Morreu nesta sexta-feira, no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Niterói, aos 74 anos, o cantor e compositor Pery Ribeiro. Ele sofreu um enfarte fulminante.

A mulher de Pery, a empresária Ana Duarte, informou que o cantor estava internado há 30 dias para tratamento de uma endocardite e tinha alta programada para esta semana. O velório será na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia.

Peri Oliveira Martins nasceu no Rio de Janeiro no dia 27 de outubro de 1937.

Era filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Tinha seis irmãos (quatro por parte de pai, um de pai e mãe, e uma irmã adotiva, por parte de mãe). Foi um grande admirador da obra artística de seus pais, e através deles conseguiu se decidir e apreciar a música, seguindo a carreira de cantor.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

OS 18 ANOS DE DAKOTA FANNING



Hoje é o dia do grande acontecimento do ano, que é a esperada entrada na maioridade da atriz Dakota Fanning, outrora estrela mirim de filmes como Guerra dos Mundos, A Menina e o Porquinho e Grande Menina, Pequena Mulher.

A atriz mirim foi famosa por sua desenvoltura e inteligência que, mesmo na infância, dava nas entrevistas, e pelo talento intuitivo que a destacou e que faz escola até para sua irmã mais nova, Elle Fanning, que também surpreende, como Dakota, pela fascinante beleza.

Aos poucos, Dakota decidiu se afastar da imagem infantil e em 2009 havia aceitado participar do filme The Runaways, sobre o grupo punk norte-americano. Dakota fez o papel da vocalista Cherrie Curie e a estrela de Crepúsculo, Kristen Stewart, da guitarrista Joan Jett (conhecida pelo sucesso "I Love Rock'n'roll"). Tanto Cherrie e Joan tornaram-se amigas das duas atrizes e apareceram juntas a elas na divulgação do filme.

Depois, Dakota foi fazer outros papéis dramáticos, como uma doente de câncer do filme Now is Good, já em divulgação de lançamento. E já está envolvida em outro filme, Elfie, no papel de uma jovem mulher casada.

Nos últimos anos, Dakota Fanning também moldou sua beleza em traços deslumbrantes, além da admirável formosura física. No curso de high school, equivalente ao nosso ensino médio, ela chegou até a ser cheerleader (animadora de torcida) de um time de sua turma.

Hoje, quando Dakota finalmente se transforma de "pequena mulher" para mulher de fato, entra numa nova fase e, certamente, será uma das maiores musas da década. E, como atriz, também surpreenderá em novos e diversificados papéis.

Parabéns, Dakota, e desejamos todo o sucesso na sua vida e trajetória.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SEPARADAS POR UMA COR DE CABELO



Vemos aqui as fotos da modelo alemã e neo-solteira Heidi Klum, à esquerda, e, à direita, da atriz norte-americana Angie Harmon, do seriado Rissoli & Isles, do canal TNT. Note aqui a incrível semelhança das duas beldades, pelo menos nessas duas fotos, ótimos colírios para esse final de Carnaval.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

QUITÉRIA CHAGAS REJEITA VULGARIDADE NAS ESCOLAS DE SAMBA



A belíssima atriz Quitéria Chagas deu uma amostra de coerência e sensatez há poucos dias, quando reclamou da vulgarização do posto de rainha de bateria nas escolas de samba. "Essa posição precisa ser respeitada, tem que ser ocupada por quem tem samba no pé", declarou Quitéria, preocupada com o ingresso de muitas musas que usam o posto apenas como propaganda pessoal e não como meio de mostrar seu gingado.

A atriz, que é rainha de bateria da Escola de Samba Vila Maria, de São Paulo, até explica o porquê da situação. "Ultimamente, isso acontece muito no Rio de Janeiro. Cada vez mais as escolas comercializam por conta do alto custo do Carnaval".

No entanto, ela, que tem conhecimento de causa no seu posto, não deixa de ficar preocupada com a redução do posto a meras vitrines de musas calipígias, em detrimento da competência. Quitéria, no entanto, faz a sua parte, se destacando como uma das talentosas rainhas de bateria de nosso carnaval.

Boa sorte a Quitéria Chagas e que ela consiga ser reconhecida pelos seus diversos trabalhos, sendo a mulher linda, inteligente e charmosa que é.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O EXAGERO DE FERNANDO MEIRELLES



Elis Regina, Raul Seixas, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Itamar Assumpção, Renato Russo, Leila Diniz, Dom Rossé Cavaca, Chico Science, Glauber Rocha. Se o pior é a ausência deles do nosso convívio e a impossibilidade dos mesmos de lançar novas obras e ideias atuais, é o fato de que eles não podem mais reclamar quando são "usados" em contextos que estão fora de seus propósitos originais.

Para não dizer também os casos de Gregório de Matos, o poeta baiano usado para "justificar" qualquer baixaria da mediocrização cultural de hoje, e Antônio Conselheiro, o ativista social agora usado para "defender" até o "funk carioca".

Não bastasse um Chitãozinho & Xororó (ab)usando de Raul Seixas em nome da promoção pessoal da medíocre dupla, Alexandre Pires se dizendo "influenciado" por Maysa, um Pedro Alexandre Sanches "dono" das ideias de Oswald de Andrade e de Itamar Assumpção e, em outros tempos, Fernando Collor "psicografando" (ou melhor, plagiando) frases de José Guilherme Merquior, vemos o pretensiosismo render ainda novos exageros.

Num desfile de uma escola de samba de São Paulo, Águia de Ouro, cujo tema homenageou o Tropicalismo, o cineasta Fernando Meirelles, num tom de exagero pretensioso, disse que "sentiu-se o próprio Glauber Rocha".

Com todo o talento que possa ter Fernando Meirelles, ele não pode ser comparado a uma mente audaciosa, revolucionária e altamente crítica como Glauber. O cineasta baiano foi uma figura ímpar, e uma personalidade tão difícil quanto controversa, uma mente tão audaciosa, criativa e agitadora que dizia-se, sobre o sentido de ser do Cinema Novo, que ele só existia quando Glauber estava no Rio de Janeiro.

Fernando, por sua vez, é de um contexto muito diferente, menos ousado até do que os menos ousados do Cinema Novo. Ele é de um outro contexto, de cineastas com experiência de comerciais de TV, da produtora Conspiração Filmes (mais identificada a uma mentalidade comercial, em que pese sua competência e profissionalismo inegáveis), de uma mentalidade crítica ainda menos ousada do que os menos ousados do Cinema Novo.

Quando muito, Fernando Meirelles poderia ter se comparado a Cacá Diegues, mas este, vivo e ativo - quase que um "Nelson Pereira dos Santos" da turma da Conspiração - , dificilmente renderia uma comparação de impacto.

Se a comparação tivesse como alvo o Anselmo Duarte, talvez fosse menos pretensioso. Mas Anselmo, que há 50 anos finalizou o filme O Pagador de Promessas, não tinha a ver com o Cinema Novo e muito menos com o Tropicalismo.

É bom deixar claro que o filho de Glauber, Erik Rocha, havia comprado uma briga com os cineastas da Conspiração, acusando estes de fazer "cinema novinho e arrumadinho". Se o pai falava na "estética da fome", como proposta de cinema crítico, analítico e combativo - seguido, com as devidas diferenças de estilo, pelo seu filho - , Erik ironizava a pretensa herança cinemanovista que os diretores da Conspiração julgam ter, quando na verdade eles estão muito distantes dos propósitos originais do Cinema Novo.

E, com toda a certeza, os cineastas da Conspiração, por mais que tenham seus méritos, estão muito distantes de Glauber Rocha. Não dá para comparar o pragmatismo daqueles com as ousadias deste. E, num tempo de mediocrização cultural dominante, qualquer um quer ser gênio e revolucionário.

É como diz o ditado popular, "Água benta e pretensão, todo mundo toma quando quer". E, como havia lembrado Luiz Antônio Mello, que aniversariou ontem (parabéns LAM), no seu livro A Onda Maldita, toma-se muito da primeira, mas toma-se ainda mais da segunda.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

ÔNIBUS DE CURITIBA: A AGONIA DE UM MODELO



A recém-encerrada greve dos rodoviários de Curitiba mostra o lado sombrio e decadente que está por trás de um modelo de transporte coletivo e de mobilidade urbana que, a dois anos da Copa de 2014, demonstra total decadência e saturação.

Um sistema de ônibus baseado no poder concentrado das secretarias de transportes, municipais ou metropolitanas, intermediado por uma paraestatal (tipo SPTrans) que controla o sistema de ônibus, restringindo a autonomia das empresas apenas ao âmbito operacional, técnico e financeiro, e também na organização política de consórcios, demonstra, na prática, estar muito longe do perfil futurista prometido, e já começa a deixar de responder às atuais demandas urbanas da sociedade.

Idealizado por Jaime Lerner em 1974, depois de todo um planejamento técnico na primeira metade dos anos 70, o modelo tecnocrático de transporte coletivo hoje está desgastado, antiquado, complicado e difícil de ser mantido, apesar das promessas mirabolantes de sucessivos secretários de transportes, que se acham dotados de poderes extraordinários para enfrentar qualquer dificuldade.

Pois as dificuldades são tantas e os poderes não são tão extraordinários assim. O portal R7 noticiou, certa vez, que a SPTrans, a "paraestatal" que controla os ônibus da capital paulista, afirmou ter dificuldades para contornar todos os problemas do sistema. Em entrevista a O Globo, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, admitiu que o transporte é um setor muito difícil de ser administrado.

Mesmo assim, parece que impera a vontade masoquista de enfrentar dificuldades tão complicadas e cada vez mais crescentes. Nos últimos anos, numa irônica coincidência da implantação do modelo "curitibanizado" (com devidas adaptações) a cidades como Rio de Janeiro, Niterói e João Pessoa, o modelo já começa a se desgastar, até de forma trágica, nas suas principais cidades de origem, como Curitiba e São Paulo.

Juntando as várias cidades que adotam esse tipo de sistema, os fracassos são sucessivos. Pressões violentas no trabalho de motoristas, que afetam seriamente a saúde destes e ameaçam a vida dos passageiros, ônibus enguiçados, outros queimados, outros acidentados.

Só nas últimas semanas, um micro-ônibus em São Paulo provocou um acidente, com dois mortos e nove feridos. Um ônibus no Rio de Janeiro bateu num poste, que caiu e matou um transeunte em um ponto de ônibus em Madureira. Outro ônibus do Rio de Janeiro foi incendiado na Av. Brasil. E houve a greve dos rodoviários de Curitiba, que afetaram tanto a vida na cidade que bancos chegaram a ficar fechados.

Isso é só o começo. Afinal, o modelo "moderno" de transporte coletivo, na verdade, é uma herança de uma mentalidade tecnocrática que, tida como "atual", no entanto é derivada de uma racionalidade velha, originária da ditadura militar.

Em Curitiba e São Paulo, por exemplo, a implantação desse modelo remete a governos conservadores. Jaime Lerner, o arquiteto e prefeito curitibano em 1974, era filiado à ARENA e bom aluno da UFPR comandada pelo reitor Flávio Suplicy de Lacerda, que depois virou ministro do general Castelo Branco e, com o acordo MEC-USAID, tentou desmantelar o movimento estudantil.

Já em São Paulo, o sistema foi implantado pelo prefeito e banqueiro Olavo Setúbal, já falecido, ligado ao ex-prefeito Paulo Egydio Martins, então filiado à ARENA e hoje ligado ao PSDB. Egydio foi conhecido também quando, nos anos 50, como presidente da UNE, tentou vincular o movimento estudantil à ideologia conservadora da UDN, numa fase trevosa da entidade estudantil.

Se percebermos bem, essa "curitibanização" dos ônibus também está associada a políticos que cometem descasos em setores como Educação e Saúde, são maníacos em privatizar estatais, demitem funcionários públicos com frequência e cometem descasos até na fiscalização de prédios antigos.

Em outras palavras, são políticos totalmente indiferentes ao interesse público, que parecem governar para turistas e investidores estrangeiros, ou, quando muito, para empresários e tecnocratas locais. Eles tentam parecer "inocentes" com seus projetos de transporte coletivo, mas a farsa já começa a ser desmascarada.

É como ocorre na grande imprensa, quando os antigos "senhores" da opinião pública também gozavam de uma "superioridade" invencível, antes que uma geração de blogueiros se encorajasse em desqualificá-los, a ponto da antes inatacável Folha de São Paulo ser apelidada de "falha" e os comentaristas políticos, antes quase santos, fossem classificados como "urubólogos", "calunistas" e "hidrófobos".

As primeiras críticas já começam a vir contra esse modelo de transporte planejado por Jaime Lerner. A padronização visual dos ônibus, "vedete" desse modelo, já começa a perder totalmente o sentido, irritando quem ainda aposta na medida e se recusa a reconhecer o fracasso.

Afinal, os passageiros comuns, sejam aqueles dotados de limitações específicas - gestantes, analfabetos, idosos e deficientes - como aqueles que estão atarefados demais para redobrarem a atenção na espera de um ônibus, sentem dificuldades óbvias para reconhecer um ônibus dentro da mesmice das cores padronizadas, que camuflam diferentes empresas num mesmo visual ou "racham" as frotas de dadas empresas em duas pinturas conforme o tipo de serviço.

Esse modelo, que conta também com um método autoritário de concessão de linhas, da concentração de poder dos secretários de transportes e da formação política de consórcios, também se desgasta na medida em que favorece a corrupção, dificulta a transparência (afinal, não há identidade visual que possibilite o reconhecimento fácil de uma empresa) e cria transtornos para rodoviários e passageiros.

Presentear as populações com ônibus BRTs, piso baixo e motor de marcas suecas não é a solução. Pelo contrário, a sucessão tendenciosa desses paliativos de "renovações" de frotas pode esconder esquemas de superfaturamento e lavagem de dinheiro, sem falar que as construções de "corredores exclusivos" muitas vezes passa por cima de reservas ecológicas e, se deixar, até de patrimônios históricos, tudo em nome de um trajeto planejado por tecnocratas.

A crise, em seus primeiros momentos, parece não sensibilizar as autoridades, que batem o pé e mantém o modelo, como se ele fosse "a mais alta definição em sistema de transporte coletivo". Só que a realidade mostrará mais problemas, mais transtornos, mais dificuldades e até mesmo mais tragédias, e ainda se espera as confusões em que os turistas se meterão diante dos ônibus com visual padronizado que terão que pegar.

Pelo jeito, Jaime Lerner, o "FHC da busologia", tem cada vez menos chances de chegar a 2014 em alta reputação. Seu modelo já se comprova decadente, saturado, ineficaz, cheio de desvantagens. E o povo não merece se sacrificar tanto em nome de supostos benefícios que cada vez mais se revelam insuficientes para os novos tempos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O INFERNO ASTRAL DO BIG BROTHER BRASIL



No último fim de semana, mais um sério incidente ocorreu no programa Big Brother Brasil, da Rede Globo de Televisão. O competidor mineiro João Carvalho, numa prova envolvendo comida, se feriu numa das barras de ferro que faziam parte de um obstáculo. Ele foi internado com a cabeça sangrando.

Pouco tempo atrás, outro integrante do BBB havia sido acusado de um suposto estupro de uma parceira no reality show. O incidente causou uma séria crise no programa, que perde audiência de forma irreversível, e que podem representar, no futuro, a extinção do programa, franquia brasileira da produtora holandesa Endemol.

Os incidentes da desocupação policial da favela de Pinheirinho, em São José dos Campos, até tentaram ofuscar a crise do BBB, dando um tempo para a velha grande mídia reagir, fazendo propaganda "positiva" do programa e enchendo de notas sobre ex-membros de outras edições do programa.

Houve até mesmo a "intervenção" do apresentador Fausto Silva que, por lei, não podia entrevistar o ex-integrante Daniel, o acusado do suposto estupro, que foi criticada pelo temperamental diretor Boninho: "Faustão, não cuida do BBB não!", disse o diretor, irritado.

Em todo o caso, a campanha da velha grande mídia para salvar o programa não está dando muito certo. O Big Brother Brasil, inevitavelmente, já mostra sinais de cansaço. O mercado da vida noturna também viu que os ex-BBBs não passam de chatos de galocha usando boates, bares e casas noturnas para expor sua vaidade vazia, sua alienação narcisista.

O programa não tem mais fôlego para apresentar novidades. Terminado o BBB 12, será mais um "lote" de pseudo-famosos frequentando noitadas e criando factoides. A mesmice é trabalhada pela velha mídia para durar o máximo de tempo possível, mas tudo tem limites. E o Big Brother Brasil está "no limite" de sua existência, se sobreviver agonizará em mais um desgaste, no ano que vem.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

MARJORIE ESTIANO ESTÁ SOLTEIRA!!



Numa pesquisa na Internet. deparei com uma entrevista com a atriz da novela A Vida da Gente, da TV Globo, a estonteante Marjorie Estiano, que afirmou que está solteira há dois meses, depois que acabou um longo namoro com um músico.

Essa informação é dada numa época em que é anunciado o fim de namoro da sua colega de novela, Fernanda Vasconcellos, com o ator Henri Castelli. Só que esta separação é fato muito recente, e até o momento, a volta é possível, nessa onda de relações vai-e-vem.

Mas Marjorie, pelo menos, já está sozinha há dois meses, o que vale uma comemoração, com mais uma mulher bela, fascinante e bacana no mercado, coisa que não é fácil no nosso Brasil varonil.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O BREGA NUNCA ESTEVE FORA DA GRANDE MÍDIA


LUCIANO HUCK E WANDO - Como é, o brega está mesmo fora da grande mídia?

"O brega nunca esteve fora da grande mídia, você é que andou bebendo demais e dormiu na hora do Domingão". Essa declaração é o que qualquer pessoa sensata deveria dizer para intelectuais e críticos, artistas e celebridades que insistem dizendo que o brega não tem espaço na grande mídia.

Muitas "pérolas" acontecem em relação ao brega e seus derivados. Houve o caso do Mr. Catra, que depois de aparecer "facinho, facinho" na TV Globo, foi tido por uma repórter de Caros Amigos como "invisível às corporações da grande mídia". O que é um absurdo, porque a essas alturas o funqueiro já apareceu na maior das corporações da grande mídia, as Organizações Globo. A "verídica" declaração acabou tendo um sabor amargo de mentira descarada.

Agora temos a "pérola" do crítico Odair Braz Júnior, do portal R7, sobre o cantor Wando. Parece que ele só teve a consciência de que o falecido ídolo brega apareceu na Globo no último domingo. Segue a frase hilária do crítico, no portal, relativo ao vídeo tributo de cantores brasileiros transmitido no Fantástico da Rede Globo:

"Enfim, nada deu certo nesse vídeo e o que fica no fim das contas é uma sensação grande de oportunismo. Alguém lembra de algum programa global em que Wando tenha aparecido com muito destaque nos últimos tempos? E agora, que está morto, vira um gênio que recebe inúmeras homenagens. O mais engraçado disso tudo é que boa parte destes artistas que estão endeusando Wando hoje, não estavam nem aí para ele há algum tempo. Quem gostava mesmo do cantor era o povão que o seguia há anos, independentemente da grande mídia."

É um parágrafo meio delirante, mas agora com o sentido de "verdade absoluta" por conta do cantor em questão estar falecido, o que indica um endeusamento contra o qual qualquer contestação é arriscada. Afinal, se os ídolos brega-popularescos, vivos, contam com sua horda de fanáticos e troleiros, mortos então parecem que contam com uma "milícia talifã" pronta para "bombardear" quem usar uma vírgula contra seu ídolo.

Primeiro, Wando nunca esteve fora da grande mídia. Talvez tenha tido uma entressafra no mercado, mas ele sempre teve as portas das Organizações Globo abertas para ele. Vide uma recente entrevista no Caldeirão do Huck, como mostra claramente a foto acima, e não foi no momento de agonia, não.

Do jeito que Odair Jr. (não por acaso, xará de outro cantor brega tido como "cult", Odair José) fala, até parece que Wando foi um ídolo proto-punk, o que é um grande absurdo. O brega, do contrário do punk rock, sempre foi pró-establishment, e Wando se popularizou, sim, com a ajuda da velha grande mídia.

Mas a intelectualidade é que joga sua visão etnocêntrica como se ela fosse "universal". É ela, encastelada nos seus apartamentos de luxo, que vê no brega uma "novidade revolucionária". Até parece que descobriram a origem do universo. E falam tantas bobagens camufladas em documentários, monografias, reportagens etc que os incautos acabam acreditando.

E, agora, a "sem mídia" Gaby Amarantos, um ícone "emergente" do brega atual, está contratada pela Som Livre (Organizações Globo) e terá música em trilha sonora da novela das sete da Rede Globo (Organizações Globo).

E, se pesquisarmos bem a velha grande mídia, nunca o brega teve tanto cartaz dentro dela. Se o brega sempre foi integrado aos barões da grande mídia, hoje então a coisa até aumentou de forma radical e indiscutível.

Mas a intelectualidade, isolada nos seus apês, gabinetes e escritórios, ainda acredita que o brega está fora da mídia. Seriam eles idiotas, ou seríamos nós?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

GOSTO MUSICAL E RESPONSABILIDADE SÓCIO-CULTURAL


CINARA LEAL DIZ CURTIR IVETE SANGALO; NATÁLIA RODRIGUES NEM CHEGA PERTO.

Quem é que gosta de brega-popularesco mesmo? Dizem que gosto não se discute, mas boa parte do "gosto natural" das pessoas vem da indigência ditada pelas emissoras de rádio e de TV aberta, controladas por empresários ligados a famílias que detém o poder econômico de nosso país.

Por isso é que, independente de gostar ou não de intérpretes popularescos, o gosto musical, aparente ou não, declarado por gente famosa acaba por influir negativamente na cultura brasileira, tão carente de bons referenciais.

Sobretudo quando envolvem mulheres solteiras que, famosas ou não, têm preguiça de desapegar-se aos péssimos referenciais culturais ditados pelo rádio e pela TV. As atrizes, sobretudo, acabam influindo mal nisso, porque elas são formadoras de opinião e influem mesmo na "ditabranda do mau gosto" que emperra o progresso cultural brasileiro, seja musical, seja em outros valores.

Me lembro dos tempos em que havia o Menudo, nos anos 80. Era um grupinho vocal muito tolo, com péssimas músicas, cujos integrantes quase nada faziam, porque tudo era feito pelos seus produtores e empresários. Tudo bem, as garotas adolescentes adoravam o grupo, eram fãs histéricas, mas passada a moda, elas deixaram de curti-los naturalmente e a idolatria tornou-se coisa do passado.

Só que hoje envergonha o apego que os jovens adultos, sobretudo moças, têm ao brega-popularesco. Nomes como Exaltasamba e Ivete Sangalo não são muito diferentes do Menudo, artisticamente são igualmente intragáveis. Só que a idolatria ultrapassa mesmo a marca dos 35 anos, os diplomas universitários, os estágios probatórios dos serviços públicos.

Não é à toa que o jornalista Carlos Nascimento disse que um dia fomos mais inteligentes. Eram tempos em que as pessoas não eram robôs de trios elétricos, e naquela época a mediocrização cultural existia, mas não atingia índices tão avassaladores. Ver Michael Sullivan entre os mais tocados da MPB FM, por exemplo, é uma grande vergonha. É como dar o Prêmio Nobel da Paz a Paulo Maluf.

Deixar de curtir Ivete Sangalo, longe de ser uma covardia, é um ato de coragem. Existem centenas e centenas de cantoras mil vezes melhores do que ela. Ivete é mera entertainer, juntando a si os chiliques da Gisele Bündchen, os aparatos tecnológicos da Britney Spears e o poder massificante de Madonna. E além disso, Ivete não é uma figura humana que justifique tamanho fanatismo ou qualquer apego de tietagem.

A atriz Cinara Leal, numa revista, citou como cantoras preferidas Ivete e Marisa Monte. Por que não citou somente a Marisa Monte? Ou poderia ter citado também Maria Rita Mariano, cuja desenvoltura no palco dá um belo banho na "Madonna baiana".

Pode-se citar outros casos. Roberta Sá é musicalmente mais instigante que Ivete Sangalo. E, dentro da música baiana, Margareth Menezes é bem mais representativa e expressiva que a "Yoani Sanchez da música baiana".

Garimpando as lojas de discos e fugindo dos ditames do rádio FM e da TV aberta mais comerciais, encontra-se coisas muito mais interessantes, mil vezes melhores. Não precisa esperar que a música de qualidade chegue nas trilhas de novela da Globo para ela ser apreciada.

Muitas solteiras acham que são felizes quando ouvem Ivete Sangalo, Exaltasamba e Bruno & Marrone. Grande engano. Não raro, eles eram ouvidos nos momentos de pura infelicidade, raiva ou depressão, e de repente virou vício. O "pagode romântico", o "sertanejo" e a axé-music de sua coleção de CDs nem de longe acrescentou coisa alguma nas suas vidas, o apego viciado se assemelha à chupeta usada por um bebê.

É certo que atores e atrizes que "defendem" os ídolos brega-popularescos precisam de ganha-pão. Afinal, eles vão para os camarins de Ivete, Exaltasamba, Chiclete Com Banana, Victor & Léo e até Psirico e MC Naldo não porque gostam deles - no fundo detestam - , mas porque está no contrato.

Até mesmo as baixarias do tecnobrega, forró-brega e "funk carioca" fazem parte do caminho de atores emergentes para obter papéis de destaque na novela da Globo ou para atrizes fazerem comerciais de cosméticos e atores fazerem comerciais de cursos de inglês.

Portanto, isso é um ato de responsabilidade sócio-cultural. A curto prazo, ir às apresentações de Ivete Sangalo, Exaltasamba e companhia pode representar um bom contrato para um grande papel na próxima "novela das nove".

Mas, a longo prazo, poderá representar uma propaganda da mediocrização cultural, já que no fundo gostar de brega-popularesco soa tão "espontâneo" quanto fazer um comercial de automóvel ou de sabão em pó. E pode pegar tão mal quanto Débora Falabella, a gracinha superbacana de Belo Horizonte, fazer um comercial para o governo do Estado.

Daí que quem se apega ao brega-popularesco acaba marcado por ser uma celebridade sem diferencial, sem vontade própria, que, apesar de ter talento para atuar e desenvoltura para dar entrevistas, ainda é um fantoche dos programadores de rádio e TV e do mercado do entretenimento. E sempre ganha quem rompe corajosamente com tudo isso, como a atriz Natália Rodrigues, que recentemente disse que não curte axé-music.

A RECEITA DA FELICIDADE NÃO ESTÁ COM OS PROGRAMADORES DE RÁDIO FM

Daí que não custa romper com os ditames da mídia sobre a cultura popular. A felicidade humana não está no cardápio radiofônico da Nativa FM, Band FM, Piatã FM, Beat 98, Atlântida FM, O Liberal FM, Transcontinental FM e outras rádios porqueiras. Depender dos programadores dessas rádios para ser feliz é uma das coisas mais humilhantes que se pode haver na vida.

A felicidade envolve autoestima, e nada melhor do as pessoas famosas darem um exemplo para a sociedade e desligarem o rádio, deixarem micaretas, vaquejadas e "bailes funk" de lado e partir para referenciais musicais de qualidade, ler bons livros, ver exposições de artes plásticas, se interessar por coisas melhores.

Talvez isso possa fazer também atores e atrizes se imporem, a ponto de não aceitarem essa pouca vergonha de "defender" referenciais musicais duvidosos em troca de papéis melhores em novelas. Quanto mais atores e atrizes se rebelarem com isso, menos riscos terão de depender de funqueiros, axezeiros, "pagodeiros românticos" e "sertanejos" para subirem na carreira.

Melhor: rompendo com o mercadão popularesco, atores e atrizes ainda estarão fazendo um grande benefício para a sociedade.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

PARA OS QUE FICAM EM CIMA DO MURO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: É certo que as esquerdas andam muito falhas. O Brasil não tem tradição esquerdista, e as tentativas de políticas esquerdistas até conseguem êxitos, mas são muito longe do ideal. E os defeitos dos movimentos esquerdistas são muitos, diga-se de passagem. Muitos, mesmo.

Mas isso não é desculpa para sentir um rancor ao esquerdismo, condenar os movimentos sociais porque "são sempre corruptos", e dar ouvidos até a gente suspeita como Reinaldo Azevedo e Yoani Sanchez só pelos ataques ao PT. Também chamar os petistas de "petralhas" é compactuar com o medievalismo de Veja.

Vale aqui um bom artigo que o humorista Bemvindo Sequeira, muito experiente na vida, escreveu brilhantemente.

PARA OS QUE FICAM EM CIMA DO MURO

Por Bemvindo Sequeira - Blog do Bemvindo Sequeira

Desconheço a posição de neutralidade.

Sempre tomei partido.

Sempre estive de algum lado.

E em todas as querelas que vi na vida sempre ouvi as acusações em relação aos indecisos:

"Fulano está em cima do muro"... "Fulano nunca sai de cima do muro"...

Para os que acham que ficar em cima do muro é uma boa posição tenho hoje uma pequena história- maniqueísta como todas as lendas- para contar:

Havia um grande muro separando dois grandes grupos.
De um lado do muro estava o Bem. Do outro, o Mal.
Em cima do muro, um jovem. Indeciso, queria ficar por lá, em cima do muro.
O pessoal do lado do Bem sempre o chamava: vem pra cá,desce do muro, junte-se a nós.
Já o grupo do Mal, calado, não dizia nada.
A situação continuou até que um dia o jovem perguntou ao grupo do Mal:
Porque o Bem vive pedindo para eu descer do muro e ir juntar-me a eles, e vocês não ?
E respondeu-lhe o Mal:
Porque o muro já é Meu!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

OS NARLOQUINHOS


MATHEUS PICHONELLI E LEANDRO NARLOCH - Separados ao nascer.

Recentemente, em Carta Capital, o colunista Matheus Pichonelli lançou um "manual" de "como se comportar bem" nas chamadas redes sociais da Internet.

O texto, intitulado "O clichê anti-BBB", embora veiculado num portal da imprensa esquerdista, segue exatamente a mesma linha dos "Guias do Politicamente Incorreto" lançados pelo jornalista neoconservador Leandro Narloch, que havia trabalhado na revista Veja.

Narloch, por sua vez, havia se inspirado no Manual do Idiota Latino Americano, livro que alguns jornalistas latino-americanos, incluindo o filho do escritor peruano Vargas Llosa, Álvaro Vargas Llosa, para fazer seus "guias".

Eles seguem o mesmo caminho, fazer gozação contra aqueles que procuram valores culturais mais sólidos. Tudo bem que toda a unanimidade é burra, mas o caráter iconoclasta de Narloch, como é também o caso de Pichonelli, mostram o que é a campanha neocon de ridicularizar valores progressistas, usando um reacionarismo sutil, expresso pela ironia.

No "manual" de Pichonelli, ele deixa claro que certos procedimentos são "pecaminosos". Como gostar de Chico Buarque e Strokes, odiar Michel Teló como quem odeia José Sarney, e sobretudo odiar o Big Brother Brasil. Como quem quisesse apagar um incêndio com querosene, Pichonelli havia feito sua defesa ao BBB pouco antes de estourar o escândalo que hoje ameaça a sobrevida do reality show da Globo.

Nos seus "guias politicamente incorretos", Narloch seguiu o mesmo caminho, condenando os movimentos sociais, o princípio de soberania nacional, os líderes esquerdistas, sempre em comentários irônicos e exagerando nos pecados que cada ser humano pode cometer. De Karl Marx a Che Guevara, passando por João Goulart e Mahatma Gandhi, ninguém é poupado pela metralhadora giratória de Narloch.

A grande diferença entre Narloch e Pichonelli, mas que não traz grande efeito prático, é que este último, que ridiculariza a cartilha dos outros, segue a mesma cartilha pseudo-esquerdista à qual seguem comodamente figuras como o professor mineiro Eugênio Raggi e o jornalista Pedro Alexandre Sanches, queridinho da intelectualidade etnocêntrica.

Isso porque reza a cartilha pseudo-esquerdista que o neocon que adota tais posturas tem que "colaborar para a imprensa de esquerda", "atacar o PSDB", "falar mal da velha mídia", "seguir" o Emir Sader no Twitter (embora sinta ódio mortal às ideias deste renomado sociólogo), como muitos troleiros que, vendo seu reacionarismo extremo, se prontificam logo a "falar mal da Globo" para não pegar mal entre os amigos.

Talvez seja até uma forma de sobrevivência dos neocons atacar o demotucanato. É como um pirata que, vendo seu barco afundar, se refugia no navio inimigo e atira uma pedra na antiga embarcação. Mas isso também é uma forma de proteger os dedos, jogando fora os antigos anéis.

Só que as ideias conservadoras se mostram, de uma forma ou de outra, na fauna pseudo-esquerdista que ridiculariza quem procura valores culturais de qualidade, já que, no fundo, isso é o mesmo que os direitistas fazem, quando ridicularizam o desejo da América Latina de recuperar sua soberania e suas identidades nacionais, além de buscar melhor qualidade de vida.

E mostra o quanto certas pessoas, em nome do estabelecido, ainda se incomodam quando veem outras pessoas defendendo a qualidade de vida e o progresso social. Daí os Narloquinhos que pipocam em qualquer lugar, com suas ironias neocon que a ninguém enganam, mesmo escondidas na mídia de esquerda.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

COMERCIAIS NÃO-MUSICAIS LEVAM A PIOR EM FMS 'AEMIZADAS'



Não bastasse a overdose de informação que as FMs que adotam programação tipo "rádio AM", como as repetidoras das próprias AMs ou as tais "FMs allnews", os intervalos comerciais também não ajudam muito, apenas se "misturando" a essa overdose informativa.

É só ouvir, por exemplo, o programa de Ricardo Boechat na Band News FM e ver que o intervalo comercial é um horror. Os mesmos comerciais com os mesmos diálogos - talvez esperando algum segundo prêmio de publicidade, depois do primeiro prêmio obtido em 1990 - , além daqueles comerciais pachorrentos de consultórios médicos com um locutor que mais parece leitor de bula (provavelmente sem habilitação para ler receitas médicas, de caligrafia bastante truncada).

Não há um jingle em boa parte desses comerciais e, quando há, é aquela coisa caricata, com "cantores" que mais parecem dubladores de desenhos animados, com vozes caricatas e um instrumental horrível de sintetizador barato. Quanta falta faz um Zé Rodrix para mexer nas nossas canções publicitárias. Saudades do Rum Creosotado, das Casas Pernambucanas, da Varig e outros jingles...

O que os anunciantes não percebem, com isso, é que eles levam muito a pior com isso. Sobretudo os comerciais não-musicais, transmitidos em FMs com roupagem de AM, que simplesmente passam em branco na mente dos ouvintes que, ocupados com seus afazeres, pouco estão atentos se um comercial de consultório ou de concessionária de carro é diferente de uma notícia sobre seu time de futebol ou sobre uma medida de governo.

Já basta que muitas rádios empurram notícia 24 horas por dia, a maioria delas supérflua - o showrnalismo acaba sendo inevitável, até para tentar estimular o Ibope anoréxico dessas emissoras FM - , e outras empurram transmissões esportivas cujos narradores soam como marimbondos voando nos nossos ouvidos, e aí vão os comerciais com seu blablablá que não faz venderem seus produtos?

É bastante irônico que até os espaços das emissoras de TV são mais musicais. Um comercial de carro, pelo menos, mostrou uma música do Madness para os telespectadores. Um comercial da Petrobras veio com uma melodia bonita de violões e teclado. E o jingle do Bradesco lembra a boa MPB dos anos 70, ameaçada de desaparecimento hoje em dia.

Mas a mentalidade atrasada de nossos publicitários ignora que uma boa canção publicitária, com bons arranjos, bons cantores e instrumentos de verdade, faz vender muito mais o produto do que um comercial não-musical. O freguês sai feliz assobiando um comercial de rádio e vai animado comprar seu produto.

O investimento é compensado. É a lei do custo-benefício. Em compensação, o comercial não-musical de um consultório médico, por exemplo, pode ser barato mas ele sai no prejuízo, pela mensagem previsível e maçante. Sendo assim, seria melhor apenas que o consultório dissesse o seu endereço, e só, porque na prática é esse o seu propósito.

Por isso é que o rádio FM, cada vez mais anacrônico, não consegue emplacar. É irônico que a Frequência Modulada queira ser o "novo rádio AM", porque, do rádio AM, as FMs só estão conseguindo a triste sina de ter uma audiência baixíssima (sobretudo motivada pela surra das TVs pagas), que por debaixo dos panos já pesa mal nos quadros profissionais. E já tem redator de rádio fazendo falsete para se passar por ouvinte de um "Aemão de FM" desses...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A VOLTA À MODA DOS CASACÕES DE CORRIDA



Há muito tempo os famosos racer jackets, que nos anos 80 fizeram muito sucesso, sumiram. Dos anos 90 até pouco tempo atrás, o que imperaram eram apenas os casacos de couro comuns, sem mangas ou bases de tecidos, quase que meros blazers de couro, só um pouco mais curtos.

Agora vemos a belíssima cantora Lana Del Rey, inglesa que retoma a canção de qualidade nas paradas de sucessos, vestindo esse casaco, numa aparente moda retrô, que no entanto a faz elegantemente sexy.

Ela aparece aqui numa foto do cotidiano, numa rua em Nova York, onde ela esteve como convidada para divulgar seu trabalho no programa de David Letterman.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

PEDRO ALEXANDRE SANCHES USA "IDADE" COMO CRITÉRIO PARA OCULTAR PASSADO FOLHISTA



Enquanto crescem na Internet os questionamentos sobre a elite de intelectuais que defende a "indústria cultural" popularesca, seus principais pensadores tentam manobras para evitar a má reputação na medida do possível.

Pois um deles, Pedro Alexandre Sanches, que demonstrou em seus textos ideias sobre "cultura popular" claramente influenciadas pelo pensamento do historiador Francis Fukuyama e pelo sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, usou uma estratégia para continuar ludibriando a intelectualidade esquerdista com seu poder de influência e manobra.

Tanto no texto sobre o Brega Pop Cult, publicado pela Caros Amigos em dezembro passado, quanto sobre o Coletivo Fora do Eixo, publicado na revista Fórum em janeiro recente, Pedro apela para a "juventude etária" como pretexto para a "sabedoria cultural" que defende e como forma de ocultar seu passado a serviço da chamada mídia golpista.

No primeiro texto, Sanches chega, em certo momento, a dizer que os jovens de "vinte e poucos anos" não possuem os "preconceitos estéticos" dos mais velhos. No segundo, ele chega a enfatizar o fato de um dos "palestrantes" do "microfone aberto" do Congresso Fora do Eixo ter nascido em 1988.

Sabemos que idade não é critério algum para fulano ser ou não mais sábio, mas Sanches exalta a juventude por oportunismo: incapaz de obter apoio da intelectualidade mais velha, o colonista-paçoca tenta obter o apoio daqueles que pouco têm acesso a referenciais culturais mais antigos, um bom gancho para as manobras ideológicas do jornalista.

Mas isso tudo só mostra o quanto Sanches tem de preconceituoso e o quanto de influência do temível Francis Fukuyama, o ideólogo do "fim da história", o jornalista paranaense radicado em São Paulo possui.

Primeiro, porque Sanches anda fazendo comentários agressivos contra o ato de ter uma consciência crítica do brega-popularesco (a tal "cultura popular" da velha mídia), tida não só como "preconceituosa" e "moralista", mas como "higienista" e até "racista", o que é uma incoerência.

Afinal, quem critica o brega-popularesco tende a reprovar não uma cantora talentosa como Mart'nália, a filha de Martinho da Vila e seguidora de Elza Soares, expressões da nossa rica e fértil negritude, mas de branquelos mauriçolas como Michel Teló.

E todos nós sabemos que o brega-popularesco tem muito mais de "higienista" do que as vozes que o rejeitam, porque propõe uma "cultura popular" asséptica, com base numa imagem "sorridente" do povo pobre, de uma "periferia" de contos de fadas, culturalmente medíocre e sem qualquer serventia para melhorias sociais profundas.

Pelo contrário, a cafonice dominante, em que pese todo o delirante discurso apologista, só serve para inserir o povo pobre na "massa" de consumo das grandes indústrias do entretenimento. As "melhorias sociais" defendidas se limitam puramente à inserção plena das populações pobres no consumismo do entretenimento, sem muitos avanços quanto à cidadania e qualidade de vida.

A propósito, o Coletivo Fora do Eixo, que recebeu Pedro Alexandre Sanches no congresso passado da entidade, resolveu, através de seu "ponto" em Jequié (BA), o Coletivo Borda da Mata, realizar uma manifestação de apoio à reacionária blogueira cubana Yoani Sanchez, além de um documentário sobre ela realizado por um cineasta ligado ao Instituto Millenium.

Mas depois que Pedro Alexandre Sanches concordou com os elogios ao general Emílio Médici de um de seus entrevistados e espinafrou os "excessos" das esquerdas dos anos 60, juntando o entrosamento da APAFUNK com o cineasta José Padilha, também sócio do Millenium, o mesmo "imil" de Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, Otávio Frias Filho e outras figuras temíveis do neoliberalismo político, jornalístico e cultural.

Só mesmo sendo "dente de leite" para não perceber essas armadilhas todas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A MORTE DE CHICO SCIENCE E A CRISE NA VANGUARDA MUSICAL BRASILEIRA



Há quinze anos, na manhã de 02 de fevereiro de 1997, um acidente de carro tirou a vida do cantor Francisco de Assis França, o Chico Science. Ele estava a pouco mais de um mês para completar 31 anos de idade e, coincidência ou não, ele faleceu num dois de fevereiro, feriado celebrado em Salvador, terra da axé-music.

Afinal, o líder do mangue bit era visto com muita inveja pelos medalhões da axé-music (com algumas exceções, como Daniela Mercury, que sempre respeitou o legado do pernambucano). Afinal, o mangue bit (ou mangue beat) não tinha a visibilidade e o sucesso comercial da axé-music, mas em compensação a axé-music não tinha o prestígio cultural dos garotos-mangues. E a axé-music já tinha essa obsessão imperialista de expandir suas reservas de mercado, até mesmo em Recife.

Chico Science, na ocasião, iria visitar o músico Jorge Du Peixe, percussionista do grupo Chico Science & Nação Zumbi, quando morreu. Jorge acabou sentindo a herança, pois o grupo segue até hoje, apenas como Nação Zumbi, sendo Jorge o atual vocalista.

O grupo pernambucano liderou uma cena produtiva e transformadora que foi o mangue bit. Havia outros grupos no movimento, o mais famoso deles o Mundo Livre S/A, de Fred 04. Era a verdadeira amostra da antropofagia cultural de Oswald de Andrade, tão deturpada pelos oportunistas de plantão, mas respeitada pelos garotos-mangues.

Afinal, o mangue bit assimilava o hip hop norte-americano, além do rock pesado e do pós-punk. E ainda assimilava o Rock Brasil independente, da linha dos contratados das Baratos Afins, como Fellini (cujo vocalista Cadão Volpato tornou-se fã e amigo dos garotos-mangues e teve uma música gravada por CS&NZ).

Mas, por outro lado, o mangue bit também assimilava as tradições pernambucanas, como o maracatu, o coco, o maxixe e outros ritmos brasileiros. E falava em novas tecnologias e novas mídias sem esse exagero de submeter periferias e underground à subordinação às máquinas.

Chico Science era um grande agitador cultural. Por isso seu falecimento prematuro e no auge da carreira fez a cena pernambucana perder seu grande líder e mentor. O mangue bit tentou continuar, e até alguns de seus intérpretes (Mundo Livre S/A, Otto e Nação Zumbi) continuam bem, mas o movimento, tal qual era entre 1993 e 1996, acabou.

A mediocrização cultural, na época puxada pela axé-music e seus subprodutos (como o "pagodão" do É O Tchan, Terrasamba e Companhia do Pagode, entre outros), cresceu de forma assustadora com a associação entre indústria cultural, velha mídia, intelectuais etnocêntricos, rádios FM oligarquicas e os maiores comandantes dessa farra toda, Fernando Henrique Cardoso e o senador Antônio Carlos Magalhães, o maior "mecenas" da axé-music no plano nacional.

Com o tempo, veio a "panela" de intelectuais defensores da mediocridade cultural, que pelo seu violento lobby fez o brega-popularesco, mesmo desgastado, se prolongar e se repetir em tendências apenas recicladas nas estratégias de marketing (que não tornam nomes como Mr. Catra, Gaby Amarantos, Banda Calypso e Michel Teló mais "geniais", mas tão somente produtos mais "digestíveis").

Isso acabou fazendo o brega-popularesco se expandir como um câncer, ameaçando a cultura brasileira através da "ditabranda" mercadológica. E logo vieram vozes dignas de um Francis Fukuyama, como a de Pedro Alexandre Sanches que, modernizando o dramalhão monográfico de Paulo César Araújo e sofisticalizando o discurso de Hermano Vianna, anunciou o "fim da História" da MPB, submetendo a cultura brasileira a um "deus mercado" tão defendido na prática quanto negado no discurso.

E isso refletiu até mesmo em antigos eventos do mangue bit, como o Abril Pro Rock e, sobretudo, o Recbeat - entregue à mediocrização mais escancarada, acolhendo bregas, funqueiros e tecnobregas - , que simplesmente viraram meros realimentadores do mercadão musical da velha grande mídia, mesmo sob o rótulo de "novas culturas" e "novas mídias".

E, com a mediocrização cultural que havia sido forte entre 1990 e 1994, mas por um breve momento foi ameaçada por um cenário produtivo de MPB autêntica, para depois voltar ainda com muito mais força, Chico Science é pouco lembrado hoje.

Num país onde muitos incautos pensam que o "funk carioca" é "vanguarda" - tudo isso por conta de um irritante som que, na sua forma atual, reúne buzinas, balbuciações, sons de galopes e letras chulas ou risíveis - , o falecido cantor é tratado com grande desdém por aqueles que pensam que vivemos um grande momento de nossa cultura. Infelizmente, não vivemos.

Até a vanguarda cultural está em crise, quando vemos artistas performáticos que preferem a provocação como um fim em si mesmo nunca representarem uma ameaça ao mercadão musical. E mesmo cantores do porte de Zeca Baleiro e seus sucessores, gente cheia de referenciais culturais, acaba adotando uma atitude cordeirinha com o mercadão brega-popularesco, consentindo com a mediocridade cultural dominante.

Não temos mais grandes movimentos criadores, enquanto colecionamos grandes nomes da música brasileira que faleceram precocemente, como Noel Rosa, Assis Valente, Garoto, Newton Mendonça, Sílvia Telles, Sidney Miller, Nara Leão, Raul Seixas, Renato Russo, Elis Regina, Cazuza, Chico Science, entre outros.

Tudo isso quando muita gente é enganada pela choradeira dos "coitadinhos" do brega-popularesco (Waldick Soriano, Zezé di Camargo & Luciano, Gaby Amarantos, Leandro Lehart, Mr. Catra etc) que no fundo não passa de um artifício das tendências brega-popularescas, a pretexto de "serem incluídas no panteão da MPB", participarem do mesmo bacanal da "MPB burguesa" já complacente com o mercadão fonográfico.

Dessa forma, o Brasil, em vez de ter uma cultura de verdade, sólida e vigorosa, se submete ao comercialismo que transforma tanto a MPB mais sofisticada quanto a antiga música das classes populares em formas diluídas, assépticas, inofensivas, conformistas.

Chico Science até que tentou. Sua tentativa valeu. Mas ela servirá para uma outra análise sobre nossa cultura, depois de passar a euforia demagoga da intelectualidade etnocêntrica.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ACIDENTE PÕE EM XEQUE MODELO DE "TRANSPORTE COLETIVO" NO RIO DE JANEIRO



Um trágico acidente aconteceu na noite de ontem, no bairro de Madureira, no Rio de Janeiro. Um ônibus da Viação Andorinha - com o incômodo visual padronizado, diga-se de passagem - bateu em uma caçamba de entulho e a arrastou, derrubando um poste e matando uma pessoa. Quatro outras saíram feridas.

Os passageiros da Rua Maria Freitas, onde ocorreu a tragédia, reclamam que o logradouro, para o qual foi transferido o tráfego de ônibus devido às obras da Transcarioca, reclamam da alta velocidade dos ônibus. A rua também é esburacada e os passageiros correm sempre o risco de serem atropelados por algum ônibus.

Só para sentir a "sensibilidade" dos técnicos da Prefeitura, os peritos demoraram quatro horas para chegar ao local, fizeram a vistoria e foram embora. O corpo do homem de 45 anos ficou no local aguardando o prometido rabecão, que só chegou sete horas depois do ocorrido.

Pressão de horários e outras imposições profissionais mostram o quanto esse "novo" modelo de transporte coletivo definido por Alexandre Sansão está decadente, desgastado e agora trágico. É o primeiro morto que esse "modelo" produz no Rio de Janeiro, depois de outros mortos em cidades como Curitiba e São Paulo.

É uma forma de alertar que o Estado não pode brincar de ser empresário de ônibus, sustentado por empresas particulares politicamente "amarradas" em consórcios. E isso faz com que o sistema de ônibus do Rio de Janeiro piorasse consideravelmente.

E, agora, depois de muitos ônibus enguiçados, outros destruídos por acidentes e até um (da Translitorânea) queimado, é a vez de um ônibus causar um acidente com morte.