domingo, 15 de janeiro de 2012

PATRÕES NO TRABALHO, VASSALOS NO LAZER



Pesquisas feitas nas grandes cidades mostram que os homens que desempenham cargos de liderança no expediente do trabalho praticamente não sabem se comportar na hora do lazer. Na prática, tornam-se o inverso quando a situação requer diversão e lazer.

Muitos dos empresários, executivos e profissionais liberais (médicos, economistas, advogados e diretores de veículos ou eventos de mídia) possuem dependência psicológica de normas de etiqueta, além de estarem preocupados com sua rotina de trabalho. Em cerca de 48 horas que possuem para se desocuparem, eles praticamente não sabem o que fazer.

Há exceções, é claro, mas a maior parte do lazer envolvendo empresários, executivos e profissionais liberais ainda está ligada à técnica - mesmo quando se envolvem com aeromodelismo e atividades ciclísticas - ou ao mesmo espírito de "racionalidade" ligado ao ambiente de trabalho.

Neste último caso, o que se vê é o desperdício pedante de amigos em almoços formais ou festas de todo tipo em bate-papo sobre política, artes, esportes e cotidiano de trabalho. Não que eles não devam falar sobre isso, mas além dessa prática ser obsessiva e única - eles sabem fazer isso - , o conteúdo das conversas é dotado de profundo pedantismo.

Afinal, são simulacros de debates políticos, críticas de arte, crônicas esportivas, como se um empresário ou um economista, um médico ou um advogado, juntos tentassem competir para ver quem sabe mais coisas sobre o outro. Sem falar que a vaidade faz com que basta ser um bom médico para ele achar que é um bom crítico de arte ou basta ser um bom empresário para ele bancar o cientista político do seu grupo social.

Nessas conversas, cada "palestrante" dá sua solução pronta sobre tal coisa, sua opinião "precisa", dando falsa impressão de sabedoria. Mas, muitas vezes, não passa de um "saber" básico retirado dos jornais, revistas e telejornais de véspera.

Mas, quando o assunto é diversão, falta desenvoltura, falta humor, falta prazer. O estresse é notável até nas caminhadas da praia, onde o corpo pratica atividades físicas, mas o espírito continua sedentário.

Não existe aquele espírito de diversão dos calouros universitários, aquela espontaneidade, aquela naturalidade. Pelo contrário, mesmo quando dançam e brincam, empresários, executivos e profissionais liberais, na hora do lazer, parecem estar seguindo normas de etiqueta ou recomendações colhidas de alguma teoria organizacional recente, frequentemente aprendida em algum workshop.

Desse modo, patrões profissionais se tornam vassalos no lazer, talvez piores do que qualquer estagiário de primeiro minuto. Há situações na vida em que os que mandam também experimentam a sensação de poderem ser mandados. E é justamente quando o cartão de ponto do final de expediente semanal é registrado.

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