terça-feira, 17 de janeiro de 2012

INCIDENTE NO BIG BROTHER BRASIL SINALIZA DECADÊNCIA DO PROGRAMA



Um incidente ocorrido no Big Brother Brasil na madrugada de domingo para segunda-feira passada pode sinalizar a decadência do programa, já expressa com a mais baixa audiência do programa observada ontem, no "paredão" habitual do programa, de 20 pontos, menos que os já preocupantes 22 da edição do ano passado. E a tendência é cair ainda mais a audiência.

Pois, na referida madrugada pós-dominical, dois integrantes, Daniel e Monique, pareciam se azarar sob o edredom da casa em que estão confinados, e, de repente, Daniel agia como se cometesse abuso sexual contra a parceira.

A cena, a princípio, não causou estranheza no apresentador, o jornalista Pedro Bial, que com seu humor cínico dizia que isso "era o amor". Mas o episódio causou repercussão tão negativa que Bial voltou atrás e disse que Daniel "estava infringindo" as regras do programa.

Daniel acabou sendo expulso no último "paredão", realizado ontem, mas a situação só complicou para o programa. Afinal, o paredão registrou uma queda histórica de audiência, 20 pontos, contra 22 na edição anterior, que já sinalizava decadência.

O episódio ainda rende discussões, a respeito da bebedeira e do machismo. Monique foi acusada por vários internautas de "não saber beber" (eufemismo para não saber se "equilibrar" durante uma embriaguez). E isso é apenas um detalhe diante das constantes violações éticas e morais no programa.

O desgaste se reflete também na redução de cachês de ex-integrantes do Big Brother Brasil, que se limitam a exibir suas vaidades nas noitadas. Afinal, ninguém aguenta mais pseudo-famosos que se preocupam mais com seus egos, numa espécie de complexo de superioridade sem causa, o que é pior ainda.

Além disso, confusões como a que a ex-BBB Priscila Pires - uma das "estrelas" entre os ex-BBBs - fez contra a cunhada, agredida depois que defendeu o irmão, marido de Priscila (hoje grávida), durante o Festival de Barretos, são ilustrativas.

Aliás, a música brega-popularesca, decadente - os factóides acerca do "fenômeno" Michel Teló (cujo "sucesso mundial" não passa de mentira propagada pela velha mídia através da interpretação exagerada de fatos menores) não deixam mentir, embora pareçam sugerir o contrário - , deixou de investir no aluguel de atores globais para propaganda de ídolos da axé-music e breganejo para contratar ex-BBBs.

Tudo isso porque já bastou arrumar um romance entre um ídolo do sambrega e uma jovem atriz global. E isso numa época em que o "funk carioca" não conseguiu convencer com seu ativismo de araque.

Pois o brega-popularesco - o "popular" de mentirinha da velha mídia - perde cada vez mais sentido. Decaem os funqueiros, decaem as popozudas, decaem os intelectuais associados, decai o Pânico na TV, decai o Big Brother Brasil.

A queda da cafonice dominante, em que pese a "urubologia" rosnar contra essa crise - "É a revolta do moralismo contra a linda festa do mau-gosto!! É a velha reação do preconceito contra o que é popular", tentam dizer cinicamente - , é um reflexo das mudanças sociais ocorridas no mundo, nas quais não escapa nosso país.

Isso se deve porque a cultura não é algo isolado do contexto sócio-político em que vivemos. E a "cultura do mau gosto" mostra problemas tão graves quanto a privataria dos tucanos.

Felizmente, a intelectualidade ativista deixou de se dedicar exclusivamente às revoltas no Oriente Médio e a cada dia se preocupam com os deslizes da "cultura de massa" brasileira, sejam os escândalos do Big Brother Brasil, seja as lorotas em torno do "fenômeno" Michel Teló.

A evolução sócio-econômica do Brasil não deixaria escapar tais mudanças.

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