sábado, 28 de janeiro de 2012

A DECADÊNCIA DO FESTIVAL DE VERÃO EM 2012



Numa época de mediocridade cultural dominante, o Festival de Verão de Salvador, como de praxe, tinha que seguir a cartilha.

Há dez anos eu fui a uma edição, e, se não era muito grande coisa, pelo menos pôde ter atrações mais interessantes, havendo até as bandas australianas Spy Vs Spy e Hoodoo Gurus.

Mas hoje o festival está entregue ao império da axé-music, um gênero do brega-popularesco tão imperialista que houve um tempo em que os "grandes nomes" (como Ivete Sangalo, Chiclete Com Banana e o restante da "panela" comandada pelos blocos de trios elétricos, verdadeiras corporações) se esqueceram da própria região de origem, tentando impor reserva de mercado até em áreas que não costumam ser receptivas a eles, como Niterói e Porto Alegre.

Num erro estratégico, os axezeiros tiveram que voltar a "estar em alta" na capital baiana. Em Salvador, nomes como Ivete, Chicletão e Cláudia Leitte são tidos como "sofisticados", eufemismo para dizer que a axé-music é consumida por um público mais abastado. Mas, fora de Salvador, eles são ídolos popularescos como quaisquer outros.

É só perceber, por exemplo, para onde eles vão quando se apresentam no Grande Rio, em galpões da Baixada Fluminense e de São Gonçalo (ironicamente, terra natal de Cláudia Leitte) destinados a tudo que for lixo cultural que rola nas rádios FM e na TV aberta.

Mas, no Festival de Verão de Salvador, os axezeiros são os "donos da festa". Infelizmente, poucas opções legais, e cada vez menos legais, aparecem no festival. De estrangeiro, há nesta edição o mediano James Blunt. Há o Capital Inicial, mas há muito o grupo não é mais aquela banda que mandou, há quase 30 anos, demo para a Fluminense FM. E o Frejat, também.

Todavia, de resto a coisa piora cada vez mais. E, para ver a catástrofe que será "movimentos" como o Fora do Eixo abraçarem a causa brega-popularesca, e se temos uma bosta tipo Gang do Eletro no outrora relevante Rec Beat, o "palco alternativo" do Festival de Verão de Salvador inclui barbaridades como Saia Rodada e grupos como Oz Bambaz e Nossa Juventude.

Isso será um bom gancho para a "panelinha" de intelectuais, acadêmicos e produtores culturais que usarão em causa própria a mediocrização cultural, reciclando-a nos seus discursos "científicos" de reportagens, documentários, monografias e outras formas textuais, para assim o povo brasileiro continuar ser tratado como idiota pela "nova" velha mídia.

Pena. O Parque de Exposições de Salvador é um local agradável. Neste sentido tenho saudades do Festival. Só que não moro mais na capital baiana e não iria gastar dinheiro para um evento cuja maioria das atrações é de péssima qualidade, inclusive o "genial" Chicletão.

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