terça-feira, 24 de janeiro de 2012

BIG BROTHER BRASIL AGONIZA, MAS RESISTE


ATÉ PRODUTOS PATROCINADORES SE COMPLICARAM COM A PÉSSIMA REPUTAÇÃO DO BIG BROTHER BRASIL.

A péssima repercussão do incidente do suposto estupro no programa Big Brother Brasil, na Rede Globo de Televisão, ocorrida há uma semana, trouxe efeitos ainda mais complicados diante da reação maciça que houve contra o programa, na Internet.

Se pouco antes um colunista de Carta Capital, Matheus Pichonelli, havia ridicularizado as manifestações anti-BBB, hoje ele, reduzido a um sub-Leandro Narloch (o tenebroso autor dos "guias do politicamente incorreto", expressão do pensamento conservador travestido de "hilárias tiradas histórico-humorísticas"), teve que encarar a relevância das reações que condenou.

Afinal, na blogosfera progressista, as vozes que vieram contra o BBB pouco tinham a ver com a "antissepsia" de uns moleques do Facebook, indo de Raphael Tsavkko Garcia a Paulo Henrique Amorim, passando por Renato Rovai, Altamiro Borges, Eduardo Guimarães, entre outros.

Tudo isso, unido à reprodução viral do "vídeo do possível estupro" e outros vídeos relacionados, mostra o desgaste avançado do programa Big Brother Brasil. A extinção do similar inglês da franquia holandesa Big Brother, no final de 2010, foi um aviso que a mídia brasileira, arrogantemente, se recusou a ouvir.

Pelo contrário. O claro desgaste dos ex-BBBs que só vão para as noitadas mostrarem seus egos - ou, quando muito, "atacar" de DJs - , além do fim de acesso de vários deles para outros eventos "sociais", era contrastado pela insistência da mídia em relançar as Priscilas e Anamaras, os Rodrigos e Rodolfos, as Maíras e Cacaus, nas mesmas noitadas, micaretas e vaquejadas de sempre.

Tudo isso sem qualquer importância alguma, tudo muito supérfluo. Afinal, é o país cujo maior ídolo musical é uma bobagem chamada Michel Teló, e que se surpreendeu com o factóide da tal "Luíza, que ficou no Canadá" (e que já está de volta ao Brasil - atenção, Censo do IBGE: ela tem namorado).

Como país recente, só agora a opinião pública brasileira conhece as armadilhas da velha mídia sensacionalista através do Big Brother Brasil. São questões que, na Europa e nos EUA, são conhecidas há mais de 50 anos, mas cuja expressão, por pensadores brasileiros, ainda é vista como "preconceituosa".

Sim, em nome do "estabelecido" pela indústria cultural, criticar seus fenômenos é visto por uma "panelinha" de intelectuais "sem preconceitos" como se fosse uma perigosa atitude preconceituosa.

Mas, no fundo, são esses mesmos intelectuais "sem preconceitos" que possuem os piores preconceitos. Eles é que discriminam o senso crítico, não suportam o debate sobre conceitos estéticos, não querem que fenômenos da grande mídia sejam contestados.

Na Europa e nos EUA, intelectuais expressam o senso crítico sem que sejam vistos como "preconceituosos" - em que pese haver uma discordância ou outra de seus pontos de vista - e ninguém tem medo de pôr na berlinda "grandes sucessos" do rádio FM e da TV aberta. Mas, se fosse aqui, Lady Gaga seria um totem inabalável.

Mas somos mais ridicularizados quando defendemos Chico Buarque do que quando a intelectualidade sente um "medinho" de alguém que fale mal de Michel Teló. Somos acusados de "patrulha ideológica" quando atacamos certos "totens midiáticos", mas esses acusadores é que são os "patrulheiros". A trolagem que esteve a serviço de nomes como Zezé di Camargo & Luciano, Alexandre Pires e Ivete Sangalo não nos deixa mentir.

Os defensores da velha indústria cultural é que são os "patrulheiros", "moralistas", "preconceituosos", e possuem um horror elitista de ver as atrações que classificam como "populares" sejam contestadas em larga escala.

Talvez seja um medo de que possa falir um mercado poderoso que existe por trás dessa "cultura popular", talvez seja um temor de que, sem "seu" entretenimento, o povo pobre reaja como pequenos Pinheirinhos explodindo nas várias esquinas dos apartamentos confortáveis da classe média alta.

Em todo caso, o Big Brother Brasil repercute tão mal que até os anunciantes estão preocupados. E já houve manifestação de protesto em frente à principal e primeira afiliada da TV Globo, a de São Paulo, cujo canal era antes da TV Paulista, das Organizações Victor Costa.

Por isso, um dos totens da noção de "popular" vista por nossa intelectualidade elitista "sem preconceitos" começa a ser derrubado. É pouco provável que o Big Brother Brasil, daqui para a frente, seja mantido. Quando muito, talvez atrações como Hipertensão e No Limite possam substitui-lo na grade "global". Mas o certo é que o BBB, aquele tipo de "riélite" limitado a mera curtição e ócio, está em desgaste avançado, que é provável que seja irrecuperável.

O BBB agoniza, mas ainda resiste, nas chamadas comerciais da Globo e nas notas publicadas nos sítios de celebridades. Mas são apenas os últimos sinais de um ciclo prestes a se encerrar.

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