sexta-feira, 24 de junho de 2011

ALI KAMEL E A DANÇA DAS CADEIRAS NA GLOBO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Mudanças no telejornalismo das Organizações Globo. Renato Machado deixa o Bom Dia Brasil e entra Chico Pinheiro, que corre o risco de interagir com a ex-mulher Carla Vilhena, a não ser que ela também arrume outro lugar num telejornal. Enfim, as mudanças, que envolvem também a Globo News, têm como objetivo tornar o jornalismo das OG mais "populares".

Ali Kamel e a dança das cadeiras na Globo

Por Marco Aurélio Mello - Blogue DoLaDoDeLá

Alertado por Paulo Henrique Amorim fui checar a informação de quem é o primeiro e o segundo na hierarquia da TV Globo: No início do mês de julho de 2009, Ali Kamel foi promovido ao cargo de diretor da Central Globo de Jornalismo (CGJ), que era ocupado antes por Carlos Henrique Schroder.

Na ocasião, Schroeder passou para a Direção Geral de Jornalismo e Esporte (DGJE), ou seja, caiu para cima. Neste caso, sustento o primeiro e segundo lugares com o argumento de que nem sempre quem tem poder de fato o tem de direito. Mas numa coisa o PHA tem razão: no papel o Ali é segundo.

Chama atenção a dança das cadeiras na TV Globo por várias razões. Primeiro, quem fez o anúncio foi Carlos Henrique Schroder, o número dois, e não Ali Kamel, o número um. Corre pelos corredores da emissora a notícia de que Ali atualmente não apita mais tanto quanto antes. Contribuiram para sua derrocada o tipo de jornalismo que ele empreendeu, desde que assumiu, centralizando as decisões e condicionando a cobertura à sua vontade (ou seria à vontade expressa do patrão?). Outro episódio definitivo para a queda teria sido o "bolinhagate", a tentativa de comprovar que o então candidato à presidência José Serra tinha sofrido um traumatismo craniano, depois de atingido por uma bolinha de papel.

Até o perito Ricardo Molina foi convocado às pressas para dar legitimidade ao caso, que atingiu em cheio a credibilidade da emissora. Sabe-se que naquela noite o Jornal Nacional foi vaiado pelos próprios jornalistas e que, em Brasília, a exemplo do que aconteceu em São Paulo em 2006, a diretora de jornalismo Silvia Faria teria dito o mesmo que Mariano Boni em São Paulo, anos antes: "quem não estiver satisfeito procure a Record".

Quem frequenta a emissora conta que, agora, raramente Ali desce do quarto andar onde se refugiou para escrever seus artigos, comprar suas polêmicas e processar seus "detratores". Agora há dois subalternos que fazem o serviço para ele no Jornal Nacional: Renato Ribeiro (ex-editor chefe do Jornal Nacional) e Luis Claudio Latgé (ex-diretor de jornalismo de São Paulo). Ali só é consultado quando o assunto é muito cabeludo.

O sinal já havia sido dado no começo do ano, quando o diretor superintendente Octávio Florisbal anunciou em alto e bom som que o jornalismo da emissora ía mudar. Recente pesquisa mostra preocupação com os índices de audiência do jornalismo, sobretudo no periodo matutino onde, não raro, a emissora amarga o segundo lugar durante toda a manhã.

Não por acaso a dança das cadeiras começou por Renato Machado, que será uma espécie de embaixador em Londres. Para quem gosta de vinho e música clássica, como ele, é um prêmio e tanto para quem se dedicou 15 anos ao Bom Dia Brasil, acordando às 4 horas da manhã. Renato estará a um passo de Paris, Geneve, Roma e Frankfurt. É tudo o que ele sempre pediu a Dionísio.

Para o seu lugar assume Chico Pinheiro. O veterano jornalista e apresentador vai tentar popularizar o jornal. Está sendo reabilitado depois de amargar uma geladeira no SPTV. É sinal também de que a emissora está disposta a atrair os extratos mais à esquerda do espectro político de seu público. Chico - como antítese de Renato - é a MPB e a caipirinha no poder.

Outra veterana da apresentação, Mariana Godoy, segue agora para o Jornal das 10 da Globo News, reflexo do incômodo causado pela chegada de Heródoto Barbeiro à Record News. Para o seu lugar vai César Tralli, que realiza um sonho antigo, que é ocupar uma bancada de telejornal. Na reportagem ele se consagrou, mas pagou um preço muito alto: os colegas detestam seu estilo e seus modos, considerados por muitos bastante pragmáticos, se é que podemos dizer assim.

Se a volta de Schroder pode aplacar os ânimos? Só o tempo dirá. Minha aposta é que sim. Ele tem o apoio da família Marinho e uma capacidade de sobrevivência invejável. Ele pode ser reabilitado e quem sabe a emissora faça as pazes com a notícia. Talento dos colegas e recursos técnicos não faltam. Mas como na Globo tudo demora um pouco, as mudanças só virão quando entrar setembro. Portanto, o inverno tem tudo para ser quente.