sábado, 14 de maio de 2011

RAFINHA BASTOS: PSEUDO-NERD E MACHISTA



Foi muito constrangedor para mim e meu irmão Marcelo, do blogue Planeta Laranja, ver a capa da revista Info Exame, que agora apelido de Desinfo Sem Exame. Nela aparece um barbudão que nada tem a ver com o tipo originalmente nerd que aprendemos nos filmes Vingança dos Nerds 1, 2 e 3.

Sei que visual não influi muito, mas no Brasil o tipo nerd passou a ser obrigatoriamente do rapagão barbudo e folgazão. Nada mais daquele rapaz de cara limpa e óculos. Só porque entende alguma coisa de computador - ou melhor, quando consegue montar e desmontar o drive de seu pen drive em poucos minutos - tem muito carinha valentão que está se achando e virou o "maior nerd".

Aí vem aquelas distorções do pseudo-nerd: gostar de futebol, valorizar mulher como mero objeto sexual, ser fanático por cerveja e achar que Buddy Holly é tão somente uma canção do Weezer. E olha que o nosso saudoso Charles Hardin Holley foi um roqueiro tão importante quanto Elvis Presley, era o "Elvis" de nós, nerds autênticos.

De repente o "paradigma" dos nerds brasileiros deixou de ser Vingança dos Nerds e passou a ser Se Beber Não Case. De uma hora para outra, Zach Galifianakis desbancou Robert Carradine da simbologia nerd, no Brasil.

Muitos dos nerds autênticos têm dificuldade de desenvolver uma barba razoável, sentem tédio de assistir a um jogo de futebol e passam mal se beberem mais de uma lata de cerveja, e ainda têm que aguentar a distorção gratuita que a grande mídia faz do nerd no Brasil.

E que irmandade esses "nerds" pertencem, se a tribo Tri-Lambs foi posta para escanteio? A irmandade Cervejão-ão-ão?

Vendo aliás como é a figura que a Desinfo Sem Exame ilustrou o tal "poder nerd", o comediante do CQC Rafinha Bastos, que mais parece uma versão emo do jornalista Carlos Monforte (Globo News), dá para perceber que ele nada tem a ver com os verdadeiros nerds.

Primeiro, porque ele também faz uma comédia teatral em pé - os stand up comedies - que se baseia em dizer insultos. Rafinha não é o ridicularizado, é quem ridiculariza os outros. Só isso já elimina de vez o rótulo de nerd desse rapaz.

Segundo, ele deu uma declaração infeliz numa entrevista, dizendo que as mulheres feias deveriam ser felizes quando forem estupradas. Além de pseudo-nerd, Rafinha é machista. E isso rendeu protesto de uma entidade feminista que, sabiamente, enviou logo um ofício para o Ministério Público Federal, acusando Rafinha de estar estimulando a prática de estupro no país.

Terceiro, quem faz insulto é "valentão". Os nerds de verdade foram vítimas de bullying na infância e adolescência. Ou seja, os nerds não fazem insultos, são vítimas deles. Portanto, faz mais sentido o Rafinha Bastos fazer parte da tribo dos pit-boys. He's a Bully, Charlie Brown (*)!!

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(*) Alusão ao último desenho animado inspirado na turma do Charlie Brown e do cachorro Snoopy. A frase é o título original da produção, feita em 2006 baseado num último projeto de animação de Charles M. Schulz, que morreu antes de sua realização. Charlie Brown foi um personagem-símbolo dos nerds autênticos. E o citado longa-metragem foi também o último do produtor Bill Melendez, que morreu em 2008. Só apenas uma curiosidade: o ator Taylor Lautner, criancinha, fez parte da equipe de dubladores.