quinta-feira, 21 de abril de 2011

VEJA E SEUS "BULLIES"



A revista Veja publicou, no último domingo - mas em edição creditada ao dia de ontem - , a matéria de capa do bullying, que é o fenômeno social da humilhação feita contra jovens típico nas escolas e nos ambientes sociais infanto-juvenis, e é um dos assuntos da moda na atualidade.

Eu mesmo já entendia muito o bullying desde meus 11 anos de idade, em 1982, e eu mesmo definia a violência psicológica como "implicância", na falta de um nome melhor. Os bullies, ou seja, "valentões", eu chamava de "implicantes".

E é uma pena que somente nos últimos cinco anos o tema tenha sido discutido com mais frequência, depois que tragédias envolvendo vítimas de bullying - seja cometendo chacinas, como na escola de Columbine, nos EUA, seja cometendo suicídios, como num episódio que inspirou a música "Jeremy" do Pearl Jam - aconteceram dos anos 90 para cá.

Mas esse é um assunto que mereceria mais destaque em outras discussões, porque não deixa de ser uma ironia um tanto hipócrita que Veja embarque na reportagem sobre bullying. Isso porque a própria Veja é praticante dessa mesma violência, num outro contexto, o contexto da imprensa e da sociedade em que se vive.

Veja chega a ser a mídia golpista nas suas últimas consequências. Vemos que O Globo, a Rede Globo, a Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e Zero Hora são tomadas constantemente de surtos anti-jornalísticos, condenando os movimentos sociais, esbanjando reacionarismo mal-humorado. E que mesmo veículos da "mídia boazinha" - que é capaz de fazer reportagens sobre Che Guevara e Fidel Castro sem xingá-los nem dizer desaforos sobre eles - , como a TV Bandeirantes e a baiana Rádio Metrópole, também sofrem eventuais ataques de neurose direitista aguda.

Mas nenhuma delas chega ao radicalismo extremo de Veja, que simboliza a grande imprensa com mau humor. Veja condena os movimentos sociais como um todo, como os movimentos estudantis, os movimentos operários, os movimentos camponeses e mesmo as populações indígenas. Não há como respirar diante de uma linha editorial tão rancorosa desse veículo da Editora Abril.

Colunistas como André Petry, o falecido Tales Alvarenga, e os atuais "feras" (no pior sentido) Reinaldo Azevedo e, sobretudo, Diogo Mainardi (que teve que arrumar as malas definitivamente para o exterior, talvez frustrado por ter nascido no Brasil), são os verdadeiros bullies da grande imprensa.

E não são poucos os momentos de puro bullying praticado pela valentona Veja. O Movimento dos Sem-Terra, então, pode se orgulhar em ser vítima de um verdadeiro bullying - ou "implicância", ou talvez algum termo em português que se criar para isso - dos calunistas da tenebrosa revista.

O próprio economista e filósofo Karl Marx, mais de cem anos depois de falecido, teve a oportunidade de também sofrer o bullying de Veja, que o implicou com os furúnculos sofridos pelo pensador do socialismo científico.

Estes calunistas aliás, como verdadeiros pitboys jornalísticos, tentam derrubar processos judiciais com equipes de advogados, mas as vitórias judiciais não são totais e o ringue jurídico desgasta sua imagem frente a opinião pública.

Por isso, é muito fácil falar da cidadania que ocorre fora de casa, quando ela é combatida dentro dela. A Veja condena a tirania dos valentões das escolas, mas deveria saber que ela mesma expressa a tirania dos valentões da grande imprensa. Que atacam, humilham, depreciam os movimentos sociais, as grandes personalidades e mesmo as tão sofridas populações indígenas.

Isso para depois, como todo bully tenta dizer quando denunciado, que tudo não passa de uma "inocente brincadeirinha".