sábado, 5 de março de 2011

BELEZA FACIAL NÃO É TUDO


FRANCINE PIAIA VERSUS ELAINE BAST - A jornalista da Rede Globo tem a personalidade como diferencial.

Dá uma tristeza muito grande ver que, no Brasil, a maioria das mulheres se expôs para referenciais horríveis, ligados à cafonice cultural ditada pela grande mídia. E boa parte delas sucumbiu a esse esquema ideológico.

Isso fez com que várias dessas mulheres tivessem uma formação medíocre, mesmo com escola, faculdade e tudo, devido à influência nefasta de rádios "populares" controladas por deputados ou latifundiários, e que formataram aquilo que os ideólogos ainda insistem em se referir como "a atual cultura popular".

Isso não se refere apenas ao grotesco de tendências como o "funk", o tecnobrega, o forró-brega ou o porno-pagode. Se refere também à pieguice do "pagode romântico", o sambrega, ou do dito "sertanejo", o breganejo.

Mas, fora da música, também se refere à obsessão pelos reality shows, por comunidades tolas do Orkut (do tipo "Me segura senão eu caio", "Eu choro quando espirro", "Já contei os dedos três vezes" ou "Passei 24 h só no Orkut"), por festinhas tipo Ploc 80 ou revistinhas de fofocas.

Por isso vemos mulheres que pensam ter alto estima, mas não têm. Foram manipuladas pela mídia para ter um comportamento medíocre e infantilizado, com desejos ao mesmo tempo exagerados, confusos e hesitantes.

Sonham com um sósia do Rodrigo Faro em suas camas, mas quando aparece alguém do tipo num evento de agropecuária, pedindo uma dessas moças em casamento, essa moça hesita e acaba dizendo não.

Mas se aparece um sósia do Peter Garrett (o ex-vocalista do Midnight Oil) no Orkut afirmando que é excêntrico, mora com a mãe, adora comer biscoitos Mabel e sonha com uma mulher carinhosa, a mesma moça fica afoita e até insistente demais nos assédios.

Daí o nome de "maria-coitada", porque são moças muito sonhadoras, mas não sabem realmente quais são os seus desejos. São tão convencionais, mas parecem meio masoquistas quando querem assediar homens mais excêntricos, nerds (autênticos) ou coisa parecida, porque eles claramente nunca se identificariam com o perfil piegas-infantilizado delas.

Vejo o caso de Francine Piaia, que foi integrante do Big Brother Brasil. Podemos admitir que ela é belíssima de rosto, mas o fato dela ser uma solteira irremediável, dentro do contexto do brasilzinho brega de hoje, mostra que o ditado "esmola quando é muita, o santo desconfia" se aplica neste caso.

Sim, o rosto de Francine é belíssimo, mas a moça não tem um jeito meigo nem sexy de falar ou gesticular, e ainda é fissurada por eventos de breganejo ou sambrega. Não digo que ela não se esforce nas suas poses de modelo ou quando tenta ser atriz, mas entristece que seu perfil esteja aquém do que todo homem gostaria de ter numa mulher.

Se comparar com uma Elaine Bast, hoje correspondente da Rede Globo em Nova York, a diferença será gritante. Elaine, com uma combinação entre uma voz firme e potente e uma graciosidade feminina, tem bons referenciais culturais. Mas é casada com um executivo do banco Itaú.

A "encalhada" Francine Piaia pode até ser melhorzinha, em perfil, do que uma Priscila Pires ou Anamara, talvez até desperte alguma simpatia. Mas dá vontade de chorar quando se vê que Francine é apenas uma moça insossa por trás de um rosto belíssimo, por mais que ela tente ser a mais atraente possível e tenha até, em parte, boas intenções.

Mas como sair com uma moça dessas hoje? Por mais que se vá até a algumas lojas bacanas num shopping center, ou mesmo entrar numa livraria, no final das contas também haverá a obrigação de ir a um desses eventos com as terríveis duplas "sertanejas" que, sabemos, nada têm a ver com a música caipira originalmente feita no nosso país.

Eu não quero bancar o professor, numa relação amorosa, e dizer que aquela dupla "universitária" nada em a ver com o perfil realmente universitário e que sua sonoridade é risível feito uma banda emo convertida em "caipira". Não quero dizer para a mulher que jeito ela deve falar alguma coisa, ou que roupas vestir, ou que músicas ouvir.

Mas será que são essas que sobram e são acessíveis? E que poderão namorar a gente mesmo quando a gente se dirigir a elas só para perguntar as horas?

Infelizmente tivemos uma mídia vergonhosamente ruim, não apenas a Globo, a Veja, o Estadão e a Folha. A Rede TV! e as FMs "populares", assim como a dita "imprensa popular" (que eu defino como jornalismo-jagunço) e as revistas de fofocas ou as de forma-e-beleza de segunda categoria, fazem muito mais pela degradação social do Brasil do que qualquer artigo mal-humorado de Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Merval Pereira, Carlos Alberto Sardenberg, Miriam Leitão, Josias de Souza e tantos outros.

Mas como o brasilzinho brega é "inocente", ninguém desconfia. Por isso é que muitos sentem simpatia pelo MST, mas no plano musical ficam com a UDR, sem saber. Hoje se fala do perigo da reacionária senadora Kátia Abreu virar pseudo-esquerdista, mas outros animadores do udenismo rural como Zezé Di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó e Daniel também seduziram a blogosfera progressista mais frágil. E Paula Fernandes, feito uma Kátia Abreu de voz e violão, já seduziu um blogueiro que dizia "ser contra o PiG", mesmo sendo a cantora protegida da Rede Globo.

Por isso dá tristeza, muita tristeza. Esse brasilzinho brega e medíocre que promoveu a multiplicação de marias-coitadas obrigou as mulheres a ouvirem a Música de Cabresto Brasileira que tenta frear sua luta pela melhoria de vida (tolerada pela grande mídia nos limites formais de independência econômica e profissional, mas não na compreensão crítica do mundo em volta).

Mas o brasilzinho brega não faz a sociedade crescer. Não emancipa o povo. E, portanto, também não emancipa as mulheres. Que, independente da aparência ou não, as faz menos interessantes.

Não seria hora dessas marias-coitadas reverem seus valores?