terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

REDES DE VAREJO TENTAM SALVAR BREGA-POPULARESCO


UMA REDE DE LOJAS DE PRODUTOS FEMININOS PASSOU A TOCAR ATÉ O GROSSEIRO "PAGODÃO" BAIANO.

O brega-popularesco, a suposta "música popular" que ainda impera no rádio FM, está decaindo, juntamente com diversos ícones, símbolos e valores a ele ligados.

Os ídolos que fizeram sucesso dentro de um cenário político-midiático que viveu seu auge na Era FHC, até tentaram sobreviver quando, mesmo no auge da carreira e do sucesso, tiveram que se autoproclamar "vítimas de preconceito" para tentarem se passar por artistas sérios.

Não convencendo, até porque adotaram a péssima publicidade de lançar sucessivos álbuns ao vivo - o que dava a impressão de esgotamento criativo, ou de que eram ídolos do passado em revival de carreira, ou ao menos de que esses tais "grandes ídolos" do axé, sambrega e breganejo não passam de crooners - , eles veem também a mídia a que estão associados viver sua séria crise.

Com o desgaste desses ídolos e o começo da redescoberta gradual da MPB autêntica pelas classes populares, prinicpalmente pela nova classe média que não quer repetir os mesmos vícios dos "novos ricos" da Era FHC, a Música de Cabresto Brasileira tenta seus últimos fôlegos através do apoio de redes de varejo.

Mantendo o vínculo com a grande mídia - que quase foi posto a perder - , apesar da queda de audiência das chamadas "FMs populares" (acompanhando o ritmo declinante que atinge quase toda a Frequência Modulada, em todo o país), os ídolos do brega-popularesco têm que se consolar com seus DVD's ao vivo sendo tocados a todo momento nas televisões ou no som ambiente de uma rede de varejo, ligada a uma corporação norte-americana.

São cantores de axé-music, "sertanejo" (breganejo) e "pagode romântico" (sambrega), cujos discos (eventuais) de estúdio e os sucessivos discos ao vivo que também lançam, que apelam para o derradeiro sucesso às custas sobretudo dos fregueses que se juntam nas filas para pagar suas mercadorias, ou para curiosos que pesquisam os mesmos produtos nas suas visitas a essas lojas.

Pois agora uma outra rede de produtos femininos, pegando carona no carnaval baiano, passou a tocar até mesmo sucessos do chamado "pagodão baiano", tendência que durante um bom tempo permaneceu isolada nas rádios baianas, até que o esquema jabazeiro da axé-music pudesse incluir alguns grupos - como Parangolé e Psirico - no "pacote nacional".

ATORES GLOBAIS - Por outro lado, alguns grupos de sambrega "convidaram" atores de novelas da TV Globo para assistirem a suas apresentações, numa clara demonstração de marketing, já que não são somente atores jovens, mas aqueles que exercem empatia ao público jovem. Em certos casos, uma parte do elenco de uma das novelas em transmissão foi toda para "assistir" à apresentação de um conhecido grupo de sambrega.

Como se vê, a Música do PiG Brasileira, claramente comercial, tenta de tudo para não perder o sucesso de outros tempos.