sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

AS MENTIRAS EM TORNO DO BREGA-POPULARESCO


SEGUNDO A INTELECTUALIDADE ETNOCÊNTRICA, ESTA É, DE FATO, A VOVOZINHA.

A pretensa "música popular" das rádios FM e da TV aberta, patrocinada por políticos conservadores, pelos barões do atacado e varejo, pelos coronéis do latifúndio e pelas elites do entretenimento em geral, não é mais do que a música comercial do Brasil, algo como o nosso hit-parade.

Mas, no país do politicamente correto, nos últimos anos esse hit-parade à brasileira veio com um monte de alegações, várias delas mentirosas, para tentar prevalecer no sucesso, muitas vezes sob o título de "verdadeira cultura popular".

De repente, aqueles estilos postiços alimentados pelo jabaculê, pela politicagem midiática, tentam desmentir todo o passado e, nos últimos oito anos, acumulou desculpas para se perpetuar na mídia.

Em muitos aspectos, há não somente a recusa em assumir a realidade, como acusa opositores dos mesmos procedimentos que, na prática, os defensores do brega-popularesco fazem.

Só para citar algumas mentiras ou inverdades em torno do brega-popularesco, podemos enumerar as mais marcantes:

1) OS ÍDOLOS BREGA-POPULARESCOS SÃO TIDOS COMO "VÍTIMAS DE PRECONCEITO" - Essa desculpa envolve até mesmo gente no auge da carreira, só porque nunca é levada a sério. Pura malandragem para levar vantagem fácil, até porque quem os rejeita não os faz porque os desconhece, mas porque os conhecem até demais.

2) OS ÍDOLOS BREGA-POPULARESCOS DIZEM QUE NÃO APARECEM NA GRANDE MÍDIA - Domingão do Faustão, Ilustrada da Folha, revistas Contigo e Caras, Segundo Caderno de O Globo, além de outros exemplos nacionais e regionais de grande mídia, não nos deixam mentir: o brega-popularesco foi criado, amamentado, alimentado, fortalecido pela grande mídia. Mas agora que a grande mídia está desacreditada por setores da opinião pública, os ídolos popularescos, mesmo aqueles surgidos antes da Internet, agora dizem que seu sucesso se deve tão somente às "redes sociais" ou à "mídia alternativa". Narizes bregas e neo-bregas crescem astronomicamente.

3) A "CULTURA" BREGA-POPULARESCA JURA QUE NÃO É "IDEALIZADA" PELAS ELITES - Como não? Sua qualidade artística duvidosa mostra isso. A domesticação do público, a higienização ideológica, a mediocrização artística e cultural, mostram o quanto essa "cultura popular" é milimetricamente calculada pelos barões do entretenimento para que se torne um padrão ao mesmo tempo patético, grotesco, piegas, para o consumo das massas através da grande mídia. Isso é "idealização". No duro.

4) O BREGA-POPULARESCO DIZ REPRESENTAR A LUTA CONTRA O APARTHEID CULTURAL BRASILEIRO - Nada disso. Pelo contrário, sua mediocridade cultural reforça o apartheid sócio-cultural que diz combater. Mesmo sua penetração nos círculos universitários, nos redutos de MPB autêntica, nos circuitos culturais mais sérios, não impede que esse apartheid aconteça. Ocorre exatamente o oposto, cada vez mais um grupo seleto de pessoas acaba fugindo de tais redutos e circuitos, preservando para si a cultura de qualidade, que continua fazendo um grande diferencial nos critérios de personalidade de determinadas pessoas. Até porque a mediocridade cultural, por mais que seja jogada para a Fundição Progresso, Circo Voador, Rec Beat ou mesmo Madison Square Garden e Montreux Festival, não a faz enobrecer, mas acaba desqualificando tais eventos e redutos.