sábado, 10 de dezembro de 2011

"NOVO" JORNAL NACIONAL CONTINUA NA MESMA



O "novo" Jornal Nacional está no ar, com Patrícia Poeta fazendo dobradinha como titular ao lado de William Bonner, enquanto a esposa deste, Fátima Bernardes, se retirou para planejar um novo programa, a ser transmitido de manhã, e que já foi previamente anunciado como um programa de entrevistas.

Mas foi muito barulho por nada, e já se esperava disso. Como emissora comercial, a Rede Globo não iria mesmo mexer muita coisa no JN, como não havia mexido em sua essência quando trocou a dupla Cid Moreira e Sérgio Chapelin pelo casal William e Fátima. Apenas precisam renovar o produto, com novas embalagens.

O que muda no programa é a perda daquele caráter "família" do casal telejornal, e também as maiores mudanças estão por conta dos bastidores, dentro das relações de poder internas no setor jornalístico da emissora.

Pois o "padrão Globo" de jornalismo continua com o mesmo ar asséptico de sempre, com seu tendenciosismo ideológico conservador, mas que certamente terá o tom mais ameno, já que as próprias relações de poder se relacionam justamente com isso.

Isso porque a apresentadora Patrícia Poeta é esposa do jornalista Amaury Soares, que, devido às disputas internas, foi viver em Nova York como diretor de eventos da Globo International, braço estrangeiro da TV Globo e principal canalizador da emissora na exportação de suas novelas.

Amaury havia se afastado da TV Globo carioca pela ascensão de seu desafeto Ali Kamel, protegido de Evandro Carlos de Andrade, depois que este, oriundo do jornal O Globo, faleceu quando era diretor de jornalismo da emissora. Ali assumiu a direção da Central Globo de Jornalismo, impedindo a ascensão de Amaury Soares na hierarquia executiva do jornalismo da emissora. Amaury, do contrário de Kamel, possuía vínculo apenas com a televisão.

Com a entrada de Patrícia no JN, a influência de Amaury Soares, ainda que Ali continue como "chefão" do "jornalismo global", começa a aumentar. Certamente Amaury voltou para o jornalismo da emissora e aos poucos deve abocanhar postos hierárquicos na medida em que Kamel se "queima" sobretudo pelas críticas feitas pela blogosfera e seu modelo telejornalístico tenha resultado em muitas derrotas no Ibope da Globo.

Pois são apenas essas as grandes novidades na Globo. E que, mesmo assim, não se comparam à rivalidade dos antigos aliados Walter Clark e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, na direção geral de programação da Globo. Os tempos eram outros e Clark, embora tenha trabalhado na TV Rio, aproveitou também ideias da TV Excelsior para adaptá-las ao contexto político da época, o regime militar.

Sabe-se que a TV Excelsior transformou os noticiários da televisão brasileira, os programas de auditório e as novelas, modernizando a linguagem televisiva como um todo, além de criar uma grade fixa para os dias da semana, tendo horários fixos para novelas, filmes, infantis e outros programas básicos de segunda a sexta.

Mas foram, repetimos, outros tempos. Hoje a Rede Globo que anuncia seu casamento midiático com o "funk carioca" (tendo como padrinhos de casamento a revista Contigo e a Folha de São Paulo) em 2012 é apenas a Rede Globo neoliberal que tenta sobreviver muitos anos após o fim da ditadura militar que a consagrou e após o fim do governo Collor apadrinhado pela emissora.

Os tempos são outros. Mas a Rede Globo continua a mesma coisa.

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