quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

DEPUTADA QUER PUNIR CANTOR POR CONSIDERAR MÚSICA RACISTA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A axé-music não tem compromissos éticos. Seja com fricotes, chicletões, pagodões etc. Isso se vê tanto no É O Tchan quanto no Pagodart e até num Luiz Caldas que, na sua breve guinada "metal", cantou música sobre suicídio.

A deputada Luíza Maia tornou-se corajosa no esforço de querer punir o machismo de grupos de "pagodão" baiano - também conhecidos pela exploração racista da própria imagem dos negros, tratados de forma caricata - e quer punir Luiz Caldas pela letra racista de "Fricote", seu primeiro sucesso.

Em Salvador, felizmente, surgem esforços para cometer abusos de cantores e grupos. Como a regulação da mídia que começa a se esboçar com o Conselho Estadual de Comunicação, para combater o já famigerado poderio dos barões regionais da velha mídia baiana (Marcos Medrado, Mário Kertèsz, Pedro Irujo etc).

BA: deputada quer punir cantor por considerar música racista

Do Portal Terra

Depois de apresentar um projeto propondo proibir, em nível estadual, o patrocínio público para artistas de pagode que cantem músicas com letras que humilhariam as mulheres, a deputada estadual Luiza Maia (PT) investiu nesta quarta-feira contra o criador da axé music Luiz Caldas e uma das músicas-símbolo do movimento, surgido na década de 1980, Fricote, de autoria de Caldas e Paulinho Camafeu.

Casada com o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT) e, portanto, primeira-dama do município, ela resolveu "punir" Luiz Caldas determinando que fosse cortado 30% do cachê do artista que se apresentou recentemente na cidade e cantou Fricote, "cuja letra apresenta cunho racista e depreciativo às mulheres negras", acredita a parlamentar.

Conforme ainda a deputada a canção "abala a autoestima da mulher negra, internalizando no imaginário coletivo a imagem de que ela é, entre outras coisas, feia e desleixada, o que se constitui também como uma forma de violência simbólica".

Em viagem pelo interior da Bahia, Luiz Caldas preferiu não comentar a atitude da deputada, mas sua assessoria de imprensa lamentou que Luiza Maia não saiba separar "obras lúdicas das chulas" e acredita ainda que a deputada está "desconectada" com a realidade. A assessoria negou que a proibição de cantar Fricote estaria em contrato mesmo porque isso seria inconstitucional, pois caracterizaria censura.

Luiz Caldas teria cantando os versos "nega do cabelo duro/que não gosta de pentear/ quando passa na Baixa do Tubo/ O negão começa a gritar..." pois foi uma exigência do público que assistia ao seu show. A assessoria não quis revelar quanto foi o cachê do cantor, mas disse que não pretende reclamar judicialmente devido ao corte.

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