terça-feira, 8 de novembro de 2011

R.E.M. E A CONSCIÊNCIA DO FIM



É duro ver que um grupo talentoso e íntegro como o R. E. M. declara que está definitivamente extinto, com seus integrantes dizendo até que o ato foi uma libertação.

Descaso com os fãs? Evidentemente, não. O R. E. M. é que deu ponto final às suas atividades porque se achou com a missão cumprida. Simplesmente tudo o que seus integrantes tiveram por missão fazer já foi feito. E isso já estava anunciado pela "contagem regressiva" dos discos gravados nos anos 80.

Mas isso é uma grande lição para a vida. De fato o R. E. M. deu início às suas atividades, em 1980, já pensando um dia em acabar, mas produzindo músicas, discos e apresentações como uma forma de atividade enquanto eles se interessavam em fazê-las. E ver que o grupo se extinguiu sem conflitos ou tragédias - mesmo o ex-baterista Bill Berry sobreviveu ao aneurisma e, mesmo vivendo em sua fazenda, continua muito amigo dos ex-parceiros mas sempre amigos - é, por incrível que pareça, algo gratificante.

Isso porque o grupo é bastante sincero nesta posição. Simplesmente a inspiração de seguir a carreira acabou e seus integrantes passaram a ter outros projetos pessoais. Isso desaponta os fãs, é verdade, mas é a vida. E a gente fica pensando na comparação entre o fim do R. E. M. e o prolongamento desnecessário dessa "cultura popular" do brega-popularesco.

Aí vai uma grande diferença. Duplas breganejas que ameaçam acabar e até seus pais ordenam que não, isso sem falar da "pressão" das fãs. Se um grupo de sambrega "some" por dois anos, já é "catastrófico". Como nos respectivos casos de Zezé di Camargo & Luciano e Exaltasamba.

As popozudas, então, ultrapassando a marca dos 35 anos fazendo a mesma coisa, a mesma mesmice de "mostrar demais" seus corpos inflados, que, de tanto exibidos, não têm a menor graça. E a cada dia "musas" como Valesca Popozuda, Solange Gomes, Mulher Melão e Mulher Melancia se tornam as menos desejadas do país, por insistirem na mesma mesmice pasmaceira de suas "sensualidades" falsas, grotescas e entediantes.

O brega-popularesco, que deveria ter-se encerrado em 2002, teve a infeliz ideia de usar o pretexto de "vítima de preconceito" para continuar hegemônico no mercado do entretenimento brasileiro. Não têm a menor noção de quando vai acabar, e olha que seu fôlego sempre foi pequeno, seu sucesso já é coisa do passado e seus ídolos e celebridades não sabem.

Não dá para perseguir 1990 como se fosse 2020. Há dez anos a turma de 1990-1997 que "animou" a axé-music, o breganejo e o sambrega não tem um grande sucesso nas rádios. O último grande sucesso de Ivete Sangalo, por exemplo, "Sorte Grande (Poeira)", foi há quase dez anos.

Ela e nomes como Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Zezé di Camargo & Luciano, Banda Calypso, DJ Marlboro, Calcinha Preta e tantos outros ficam apenas "enrolando" seus fãs com discos ao vivo ou com pontuais músicas de trabalho que não ficam na história, e que são meramente sombra de seus antigos sucessos.

A coisa chegou ao nível patético de uma dupla medíocre como César Menotti & Fabiano lançar uma coletânea de vários discos ao vivo, que já são um revival do revival de uma dupla que não é mais do que um one hit wonder totalmente dispensável, clone do Bruno & Marrone que já gerou outro clone, Jorge & Mateus. Todos eles não fazem a menor falta.

A arrogância desses "artistas", como o temperamentalismo das musas "boazudas" - que Joaquim Ferreira dos Santos usou, como eufemismo, o termo "geração coxão" - , que contagia seus fãs e adeptos (sobretudo os cabos anselmos de miniatura que são os trollers ou troleiros) na sua intolerância verborrágica, mostra o quanto ninguém tem consciência do fim, quando ele está próximo.

Isso acaba atraindo os infortúnios que os ídolos brega-popularescos enfrentam nos últimos meses. Quedas de palcos, doenças graves, brigas internas, acidentes de carro, surtos nervosos no avião, socos em cunhadas, morte de membros na equipe técnica. Avisos de um crepúsculo de músicos e celebridades pouco inspirados e sem qualquer grande missão para a humanidade - descontado o consumismo e a vaidade de fãs fanáticos - e que, pelo menos, poderia ter consciência de que são a expressão de uma época que não é a de hoje, como os "pragmáticos" anos 90.

Afinal, fica constrangedor que esses ídolos persistam na carreira com sucessão de álbuns ao vivo, com repertório claramente revivalista, que contrasta violentamente com a imagem pretensa de "artistas da atualidade" que tentam trabalhar a todo custo na mídia.

Passados seus dois anos de uns parcos sucessos inéditos, esses "artistas" investem em álbuns ao vivo, para comemorar qualquer coisa, da primeira apresentação ao vivo em São Paulo aos 25 anos de carreira (comemorados com apenas 15 anos de existência, em vários casos), do especial de programa de TV ao CD comemorativo dos cinco anos do filho do vocalista.

Da mesma forma, será humilhante ver Solange Gomes e Valesca Popozuda fazendo aos 50 anos a mesma coisa de hoje. Sempre mostrando seus glúteos e peitos siliconados, sua arrogância pseudo-sensual, que faz a gente sentir saudade de tempos em que as "boazudas" eram mais simpáticas, menos grotescas fisicamente, menos temperamentais e, quando o tempo passava, elas sumiam de cena quando deixavam de dar conta do recado.

Toda desculpa e todo tendenciosismo ocorrem para que esses verdadeiros "malas" do entretenimento continuem e continuem em evidência, principalmente quando deixam de dar conta do recado. E não se fala em relação aos fanáticos, para os quais até espirro de breganejo é mensagem de sabedoria. Fala-se, isso sim, dessa baixa importância dessas celebridades supérfluas, disfarçada pelo marketing obsessivo, compulsivo e persistente, que nos faz entediar dessa turma toda, mas o tédio não os convence a saírem de cena quando a situação pedir.

Daí que vemos o quanto o brega-popularesco não tem vida. É um cativeiro artístico-cultural da velha grande mídia. Nada há de autêntico, de vibrante. É tudo apenas mercado, marketing, além do fascismo digital dos troleiros. Que, com seu temperamentalismo, só contribuem para a má fama dos ídolos que defendem. E isso só é mais um infortúnio para a carreira deles, porque cabeça quente demais dá em pé frio.

Gostaríamos de ver ídolos brega-popularescos se aposentando quando não conseguem mais produzir novos sucessos, em vez de gravar repetidos discos ao vivo auto-reverentes que só se diferem na ordem de músicas ou em algum cover oportunista inserido. Gostaríamos de ver popozudas se aposentando, casando com empresários e vivendo no interior do Brasil.

Só que eles são expressão de uma sociedade sem referências. Uma sociedade de crise de valores, sem passado, com um presente prepotente que se impõe como dono do futuro. Um futuro que é arrogantemente ordenado pela fauna brega-popularesca a ser um simples plágio do presente.

Certamente os ídolos e musas brega-popularescos não possuem a humildade de Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry, que, com toda a simpatia, pede desculpas aos fãs dizendo que sua missão chegou ao fim.

E, mesmo assim, três boas inéditas esperam serem ouvidas pelos fãs do R. E. M. na coletânea que fechará a carreira desse importante grupo de Athens, Georgia, EUA. E, em que pese a saudade que o R. E. M. irá causar, a gente agradece ao grupo pelos 31 anos em que estiveram juntos.

Nenhum comentário: