terça-feira, 1 de novembro de 2011

O VANDALISMO COMO FALSA REBELDIA CONTRA A MÍDIA



Ontem, durante uma reportagem ao vivo no Jornal Hoje, da Rede Globo, a belíssima repórter Monalisa Perrone tomou um grande susto, depois que dois jovens correram atrás dela e a empurraram, um deles tentando falar alguma bobagem na TV.

Certamente, o episódio, que é um desrespeito natural a uma profissional competente - nem todos os jornalistas da mídia conservadora são incompetentes, vários deles são bons profissionais e apenas cumprem seu trabalho - , gerou exageros de dois lados.

A pseudo-esquerda histérica, de "socialistas" com QI demotucano, comemoraram o episódio como um "valente protesto" contra a velha grande mídia que, no fundo, admiram e seguem, mas, como alguém que quer se jogar sobre a plateia, dizem abominar de forma grotesca e caricatural.

Sobretudo muitos troleiros de Internet, reaças de carteirinha, pequenos-burgueses que defendem o brega-popularesco pelo puro complexo de nunca terem visto uma comunidade pobre realmente de perto, eles devem falar, como "Cabos Anselmos" emo-funqueiros, que "é isso mesmo, vamos derrubar essa m... de Globo!".

Já a direita creditou o episódio como um "terrorismo" contra o que entendem como "liberdade de imprensa". Criam todo um dramalhão e até promovem a imagem de pretensos mártires dos seus empregados, mas no fundo os despreza como uma massa proletária "inferior".

Em ambos os casos, reina a hipocrisia pseudo-heróica, diante de um ato que não foi mais do que um vandalismo de puro mau gosto. Principalmente quando se noticia sobre a quimioterapia do presidente Lula, uma notícia que, independente de posições ideológicas, se refere a uma situação delicada.

A oposição à grande mídia certamente atrai oportunistas e vândalos. Como há muito arruaceiro (em boa parte pelego) que se infiltra em manifestações sociais para fazer bagunça, desordem e vandalismo.

Mas a verdadeira oposição midiática, ainda que seja enérgica, não deve chegar a esse ponto de assustar uma repórter em plantão, ainda que seja a pretexto de "estragar" o trabalho de veículos midiáticos relacionados à oposição a Lula.

Semana passada, uma manifestação de estudantes da USP se recusaram a receber repórteres da Globo. Eles protestavam contra a prisão de três colegas acusados de envolvimento com drogas. Neste caso, a medida, ainda que enérgica e aparentemente antipática, foi equilibrada. Os estudantes sabiam do que estavam fazendo, e sabiam da distorção que a Globo poderia fazer do movimento deles, contra a grotesca atuação da polícia de São Paulo no campus.

Portanto, é muito diferente do vandalismo contra a repórter, que só diverte os pseudo-esquerdistas mais grosseiros, que por puro oportunismo dizem apoiar tudo que for esquerda, pouco se importando se é a Hidrelétrica de Belo Monte ou a regulação da mídia, fazem um apoio quase robótico e caricatural, sem reflexão crítica, sem aparente discordância. No fundo discordam de tudo, mas precisam dar a impressão de que são "modernos" e estão com a "maioria".

Também a direita não pode se aproveitar disso para clamar uma "liberdade" que não tem. Porque também não há a diferença entre os vândalos que derrubam uma repórter e os vândalos de uma revista como Veja que querem derrubar os movimentos sociais. Ou um William Waack que derruba a soberania nacional se transformando em um informante da CIA.

Se os dois idiotas que apareceram no Jornal Hoje queriam ser considerados "heróis do combate à grande mídia", erraram feio, porque não cometeram mais do que uma gafe. Mas se a grande mídia queria se passar por "trágica vítima" do episódio, também errou feio, porque o incidente apenas atrapalhou, de forma aberrante e desrespeitosa, o digno trabalho de uma profissional.

Daria no mesmo se a repórter atacada fosse, por exemplo, de uma Rede Record.

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