sexta-feira, 18 de novembro de 2011

EM CRISE, BREGA-POPULARESCO AGORA USA EX-BBB'S PARA SE PROMOVER


EX-BBB RODRIGO NUM TRIO ELÉTRICO, DURANTE UMA MICARETA.

Sofrendo o começo de uma séria crise, a música brega-popularesca, que antes alugava jovens atores de TV em ascensão para fazer propaganda de seus eventos, agora conta apenas com a participação de ex-integrantes do Big Brother Brasil para sua promoção.

O desgaste do brega-popularesco torna-se notório com os recentes episódios vividos pelos seus ídolos, inclusive crises e tensões, tragédias ou quase tragédias.

Até pouco tempo atrás, havia o auge dos ídolos bregas e neo-bregas na mídia, que ameaçavam até mesmo colocar a MPB no ostracismo. Só para se ter uma ideia, enquanto cantores neo-bregas (de "sertanejo" e "pagode romântico") pegavam carona até em eventos como o Samba Social Clube (MPB FM) e Viola Minha Viola (TV Cultura), cantando repertório alheio, nomes como Milton Nascimento e Djavan pareciam condenados ao esquecimento do grande público.

Com a gradual reabilitação da MPB, em que pese o patrulhamento da intelectualidade elitista - representada, sobretudo, pelo crítico Pedro Alexandre Sanches - que quer que o brega-popularesco continue hegemônico na cultura brasileira, os ídolos brega-popularescos, não mais podendo convencer com os sucessivos CDs e DVDs ao vivo que gravam ano após ano, vivem o impasse de um sucesso comercial que não volta mais.

E isso tem causa e efeito no mercado. As rádios FM perecem rapidamente, trocam de donos constantemente e sofrem o mercado perverso da Aemização e do proselitismo religioso. O comércio pirata de CDs até aumentou a visibilidade dos ídolos brega-popularescos em detrimento da MPB autêntica, mas não lhes trouxe dinheiro para sustentar suas carreiras.

Para agravar, a velha mídia que representava a arena segura dos ídolos brega-popularescos está em crise de credibilidade, mas por outro lado também não convenceu a manobra dos mesmos ídolos que aparecem no Domingão do Faustão ou no Caldeirão do Huck venderem a falsa imagem de "discriminados pela mídia" para voltarem ao sucesso. E a ação de troleiros na Internet defendendo neuroticamente os ídolos bregas e neo-bregas só prejudica a imagem publicitária deles, associados a fãs ou assessores violentos.

Com esse quadro, a indústria do brega-popularesco, movida por micaretas, vaquejadas, "bailes funk", "aparelhagens" e outros eventos similares, antes tinha dinheiro para comprar atores em ascensão e até a fazer combinações contratuais com redes de televisão. A atriz tal, se quisesse ser protagonista da nova novela das nove ou fazer comercial de cosméticos, teria que defender o "funk carioca" ou ir a uma micareta ou vaquejada.

Mas como isso também não funcionou, agora o mercadão popularesco, com menos recursos financeiros, têm que recrutar os ex-integrantes do Big Brother Brasil, que topam qualquer parada para aparecerem.

Além do mais, muitos atores jovens, hoje em dia, evitam se associar ao brega-popularesco, porque pega mal, ainda que haja outros que aderem a ele abertamente. Mas estes se tornam cada vez menos comuns e cada vez mais visados, e a coisa torna-se cada vez mais tendenciosa e lamentável.

Por outro lado, a mediocridade da maioria dos ex-BBB se encaixa muito bem na mediocridade espetacular dos ídolos neo-bregas que se promovem nesses eventos.

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