sexta-feira, 25 de novembro de 2011

CINEMA BRASILEIRO DESPERDIÇA POTENCIAL HISTORIOGRÁFICO



O cinema brasileiro perde uma boa oportunidade de relembrar a memória oculta de nossa cultura e apresentá-la às novas gerações.

Boa parte da produção dramatúrgica ou documentarista do nosso cinema se perde na reafirmação do mesmo brega-popularesco que nem saiu de cena, embora se desgaste seriamente. Zezé di Camargo & Luciano, Waldick Soriano, Tati Quebra-Barraco, Frank Aguiar, Valesca Popozuda, Leandro & Leonardo e Banda Calypso nem precisavam ser relançados no cinema, já que eles estão no establishment da grande mídia. E relembrá-los, pra quê?

Enquanto isso, não se resgata, por exemplo, a memória de nossa televisão. Muito do acervo televisivo dos anos 50 e 60 se perdeu em incêndios e regravações, e mesmo históricos programas como Wilson em Si Monal e a participação de Leila Diniz em novelas só se conhece praticamente através de relatos registrados em livros.

Não há uma reconstituição, uma relembrança, do histórico televisivo do passado. Seria uma garimpagem ótima e nos traria à atualidade nomes lendários como Don Rossé Cavaca, Silveira Sampaio e a experiência de Sérgio Porto como apresentador de televisão.

E eram tempos em que a cultura era valorizada, e não deturpada e descaraterizada pela mediocrização pseudo-moderna e pseudo-popular. Tempos que vão até além dos manjados festivais da canção ou telenovelas, porque a televisão da década de 1960 é muito rica para se restringir a esses exemplos facilmente repetidos.

Era uma televisão mais instigante, e relembrá-la talvez oferecesse subsídios para pensarmos a televisão de amanhã, já que a mediocrização televisiva dos anos 90 - suporte visual para os ídolos brega-popularescos - cresceu tanto que hoje atinge até a TV por assinatura.

Em vez de usar o cinema para reafirmar os mesmos ídolos medíocres de hoje, deveriam-se resgatar verdadeiros valores e fatos culturais, e precisamos dessa garimpagem, porque há muito vivemos numa democracia, mas nos falta aquela cultura forte e vibrante que existia antes do golpe de 1964.

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