terça-feira, 29 de novembro de 2011

10 ANOS SEM GEORGE HARRISON



Há dez anos, o mundo perdeu um de seus mais prestigiados músicos, o ex-beatle George Harrison.

Quando eu recebi a notícia, era sexta-feira, 30, quando, num dia bastante chuvoso em que eu e meu irmão Marcelo nos deslocamos do Costa Azul para a Boca do Rio, em Salvador, tivemos que esperar a chuva passar na Rua Coronel Durval de Matos, e aí passou a chamada do Jornal Hoje anunciando o falecimento do músico.

Me lembro de 1995 quando George havia participado da gravação de três músicas inéditas para a série de coletâneas Anthology dos Beatles, junto aos ex-colegas de banda Paul McCartney e Ringo Starr, que gerou até o sucesso "Free as a Bird".

Na verdade, essas gravações eram em cima de demos deixadas por John Lennon, e que foram acrescidas de gravações dos outros três ex-Beatles, mais o escudeiro de George, o frontman da Electric Light Orchestra, Jeff Lynne (lembram de "Last Train to London"? Pois é) e o produtor George Martin, que, pouco depois da coletânea, se aposentou como produtor.

Os cinco acrescentaram melodias e letras em "Free as a Bird" e acrescentaram também arranjos. À voz e piano de Lennon, se juntou o baixo e o piano de Paul, a guitarra de George e a bateria de Ringo, e um novo refrão foi composto, na primeira parte cantada por Paul, na segunda por George, já com a voz mais frágil devido ao câncer na garganta, mas com seu pique de guitarrista a todo o vapor.

Foi George, aliás, que deu um trato "anos 70" em "Real Love", com seu solo caraterístico em outra das três gravações que fez com Paul e Ringo, e que foram ridicularizadas pela crítica, injustamente. Afinal, são bons overdubs feitos para acompanhar as gravações de Lennon de 1977. Além do mais, a boçal crítica musical estava mais preocupada com bobagens tipo Mamonas Assassinas, que pavimentariam a mediocridade cultural que teria essa mesma crítica como sua propagandista maior.

Pois não há como falar em mediocridade quando o assunto são os Beatles. O grupo sempre foi de grande talento desde o começo, e seus músicos, no auge da popularidade, tiveram que sacrificar o próprio sucesso para se imporem como artistas. Deixaram de se apresentar ao vivo, mesmo com garantia de plateias lotadas, e se dedicaram ao aperfeiçoamento musical. Isso irritou e decepcionou muitos na época, mas fez com que os quatro rapazes de Liverpool se amadurecessem como músicos.

E George, adepto da religião hindu, usava essa influência em sua música, tocando até cítara. O rapaz que, quietinho, tocava sua guitarra solo na primeira fase dos Beatles, mostrava que era um artista ímpar como ímpares eram os outros membros do grupo, que em 1970 tiveram que desfazer a banda porque o nome Beatles estava pequeno demais para a individualidade musical de seus integrantes.

George ancorou sua carreira solo no folk rock e seus discos quase sempre continham convidados, incluindo Elton John e Steve Winwood, entre outros. Até Ringo Starr tocou em vários discos solo de Harrison. Desde os anos 80, fez parcerias com Jeff Lynne e com ele integrou a banda folk Travelling Wilburys, com Tom Petty, Bob Dylan e, a princípio, Roy Orbison (ele morreu pouco depois) e dizem que até Del Shannon foi convidado para participar, mas ele recusou.

No final da carreira, ele entrosou artisticamente com o ex-Rolling Stones Bill Wyman e com o ex-Traffic Jim Capaldi, que apresentou ao ex-beatle a canção "Ana Júlia", do grupo Los Hermanos, que lembrava o que os Beatles faziam em 1965, com a diferença que seus músicos estavam tão barbudos quanto os britânicos na fase 1969-1970.

Harrison já estava com a voz cada vez mais frágil, mas parecia tranquilo e resignado. Até que anunciou à sua família, a esposa Olivia Harrison e o filho Dhani (que também toca guitarra), que não se sentia mais bem de saúde e, muito fraco, acabou morrendo em sua casa, em Los Angeles.

Aliás, foi irônica curiosidade dos Beatles terem virado ídolos mundiais quando visitaram os EUA, porque foi este o país do falecimento de John Lennon e George Harrison, os autores da lendária "Cry for a Shadow".

Atualmente, Martin Scorcese está envolvido na produção de um documentário sobre o ex-beatle, intitulado Living in the Material World, ainda em finalização.

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