segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CONCURSOS PÚBLICOS SÓ QUEREM JURISTAS E MATEMÁTICOS


ESSE É O SERVIDOR PÚBLICO TIDO COMO IDEAL PELOS ORGANIZADORES DE CONCURSOS PÚBLICOS.

Há algo de muito errado nos concursos públicos realizados no Brasil. Mesmo aqueles que se exigem candidatos com apenas o 2º Grau (Ensino Médio) como formação contam com um programa de estudo típico de nível superior.

Os programas divulgados nos editais não deixam mentir. São carregados de matérias sobre Direito e Matemática, esta diluída sob os eufemismos de "raciocínio lógico" ou "raciocínio lógico-quântico".

A maioria desses concursos "para nível médio", na verdade, são concursos para nível superior em que a exigência flexível do ensino médio é apenas uma forma de arrecadar mais dinheiro nas inscrições, aumentando aparentemente o leque de candidatos.

As matérias chegam a ser exigidas até quando as funções não se relacionam diretamente com elas, como no caso de Matemática, exigida apenas por um duplo capricho de exigência, seja para "afunilar" a concorrência, seja como um moralismo antigo do ato de estudar, relacionado ao estudo torturante e associado ao ato quase autômato da decoreba.

Une-se, assim, o inútil ao desagradável, e essas exigências acabam tendo o preço caro dos péssimos servidores que são aprovados nesses concursos. No concurso do IPHAN, por exemplo, as duas últimas provas, uma de 2007 para o programa PAC das Cidades Históricas, e outro de 2009, para renovação do quadro de servidores, o raciocínio lógico torna-se uma matéria completamente inútil.

As respectivas instituições organizadoras desses concursos, o ESAF (ligado ao Ministério da Fazenda) e a Universa, acabam por exigir que os candidatos a cargos ligados a ciências sociais sejam matemáticos, e não cientistas sociais.

O ESAF é, inclusive, uma das instituições organizadoras de concursos, e pega muito pesado na elaboração de provas. Sua exigência é invariável em todo tipo de concurso: quer um candidato que, embora tenha apenas o nível médio de formação escolar, tenha um conhecimento que se equipare ao mesmo tempo a um grande jurista e a um eminente matemático.

Isso é uma atitude que remete a perspectivas retrógradas de estudo, relativas a padrões moralistas e aristocráticos do saber. E, comprovadamente, não mede a competência do candidato quanto à área que lhe interessa trabalhar.

Só essas exigências fazem com que os servidores errados é que sejam aprovados nos concursos. Sobretudo os "atletas de concursos", meros fazedores de provas que nem precisam trabalhar em novas instituições, mas vão lá e passam, tirando do páreo quem realmente precisa ser um servidor público.

E o que vemos, em consequência, é uma probabilidade maior de servidores burocráticos, indispostos, incompetentes e que, pelo tédio de suas atividades podem, se caso forem eticamente mais fracos, se corromperem com facilidade.

Além disso, as instituições de serviço público acabam perdendo porque acabam não contratando os servidores corretos, porque as provas foram mal organizadas pelo programa completamente alienado dos propósitos de cada instituição.

Das organizadoras de concursos públicos, a Fundação Carlos Chagas é que se melhor realiza provas de acordo com a natureza de cada concurso. Para cargos de Comunicação Social, por exemplo, suas provas não incluem matemática e a ênfase é exatamente relacionada às matérias vinculadas à respectiva área.

Já a pior delas é o CESPE, ligado à Universidade de Brasília, que além de exigir pesados tópicos de Matemática e Direito, ainda tem como critério subtrair dois pontos de cada questão erroneamente assinalada. Isso torna ainda mais injusta a seleção para concurso público, como se não fosse suficiente o programa alienado a cada habilidade do serviço público.

É bom que as demais organizadoras revejam seu programa de provas. Senão sua reputação será simplesmente prejudicada na medida em que exigem demais por coisa nenhuma.

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