domingo, 2 de outubro de 2011

60 ANOS DE STING E A IMPORTÂNCIA DO THE POLICE



Hoje o cantor e músico inglês Gordon Sumner, conhecido pelo nome artístico de Sting, completa 60 anos de idade.

A importância do talento do músico torna-se notável pela contribuição que ele deu como vocalista e baixista do grupo The Police - que havia se reunido temporariamente para uma inspirada e prestigiada excursão - , uma das grandes bandas de rock da história, mas cuja carreira solo nem sempre é vista pelo mesmo prisma.

Com boa vontade, Sting na sua carreira solo é um bom músico de pop adulto. Seu som pouco tem da ousadia e do vigor roqueiro do seu famoso grupo, mas uma investida em sons não-roqueiros, que até começou maravilhosamente bem, com The Dream Of The Blue Turtles (1985), com uma boa banda jazzística (e teve até o Darryl Jones que depois passou a tocar para os Rolling Stones e que recentemente tocou com Arnaldo Brandão num dos palcos paralelos do Rock In Rio 2011). Teve o Bring On The Night (1986), ao vivo, que seguiu a mesma linha.

Depois Sting fez discos pouco inspirados, embora tenha colocado vários sucessos nas rádios. Para os fãs do Police, é até uma grande decepção, porque Sting solo, por mais que grave versões de antigos sucessos de seu grupo, não consegue ter o mesmo vigor que os mesmos.

No entanto, vendo as coisas de forma mais objetiva, podemos aceitar que Sting solo é uma coisa, e que o Sting do Police é outra. São diferentes caminhos. Além do mais, o espírito do Police está mais vivo nos trabalhos solo de Andy Summers, guitarrista que recentemente gravou um disco com Roberto Menescal (Andy é fã do músico e produtor bossanovista), e Stewart Copeland, baterista que fez até a trilha sonora do filme O Que É Isso, Companheiro, este de forma ainda mais radical.

Aliás, vendo o currículo de Stewart Copeland, dificil não se lembrar da saudosa Fluminense FM e aquele estado de espírito roqueiro audacioso que vamos torcer que a Kiss FM consiga herdar. Stewart, que na verdade é multiinstrumentista (ele toca até guitarra e baixo), têm até uma "turma" de parceiros que inclui Peter Gabriel e o cantor do Wall Of Voodoo, Stan Ridgeway. Com Peter Gabriel, gravou "Big Time" e "Red Rain", do antológico álbum So. Com Stan, gravou "Don't Boxe Me In", da trilha do filme O Selvagem da Motocicleta.

O grande público, e mesmo o roqueiro médio, ou mesmo os fãs de pop que ouvem rádios de rock bastardas ou menos ousadas, acha "chato" ouvir Andy Summers solo ou "difícil" ouvir Stewart Copeland solo. Mas tais experiências seriam muito gratificantes. Respeita-se a carreira solo de Sting, afinal pop adulto e outras tendências musicais (ele fez música medieval e agora investe na música erudita) são suas opções naturais, ele tem todo o direito.

Em todo o caso, desejamos felicidades e sucesso a Sting. Se as saudades do Police são muito fortes, pelo menos o grupo tem disponível uma discografia respeitável de LPs oficiais, coletânea de quatro CDs com compactos e raridades (Message In a Box) e gravações ao vivo que mostram o quanto é inesquecível e forte a parceria de Sting, Andy Summers e Stewart Copeland.

Tanto isso é verdade que a turnê mais recente do Police só tinha material antigo, quando muito de 1983, mas do contrário que nossos ídolos brega-popularescos - que soam velhos em cada canção nova que lançam - , parecia que o Police estava com um repertório sempre novo e vigoroso. E eram só três músicos, mas eles deram tudo de si e mostraram muito mais música do que muito astro badalado que enche de tecladistas e sobretudo dançarinos no palco.

Parabéns, Sting, e sucesso. Que tenha saúde, longa vida e prosperidade. Não se preocupe conosco, fãs do Police, faça o que seu coração mandar. Mas se o Police voltar uma vez, a gente agradece e aplaude.

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