domingo, 30 de outubro de 2011

METRÔ RIO DESCONHECE QUEM REALMENTE FAZ POLUIÇÃO SONORA



Infeliz é a propaganda lançada pelo Metrô Rio sobre o uso de fones de ouvidos, acusando os roqueiros de praticarem poluição sonora.

É uma visão bastante preconceituosa, além de uma gritante falta de informação de quem fez o roteiro dessa estória em quadrinhos divulgada no informe publicitário.

Pois o público de rock é justamente o que menos pratica poluição sonora, apesar da visão distorcida e estereotipada que recebe o público do gênero. Sobretudo depois de uma década inteira com a ridícula Rádio Cidade e sua visão de "cultura rock" digna dos porões do DOI-CODI.

O fã de rock autêntico, hoje, está muito distante daquele "pestinha" que ouve rock pesado para se espernear pela cama e gritar feito um interno de hospício. O fã de rock autêntico é intelectualizado, ponderado e sabe muito bem que outras pessoas querem sossego. Portanto, é o que mais modera na hora de utilizar seus aparelhos de som.

Quem pratica poluição sonora, por outro lado, são justamente os fãs dos ritmos como axé-music e "pagode romântico", além do "funk carioca", que no entanto são vistos como "comportados" e "responsáveis". Principalmente os funqueiros, paranoicos em ver o seu estilo como "unanimidade" entre toda a multidão. Eles são os que justamente fazem poluição sonora, até de forma abusiva, como os "bailes funk" que acontecem madrugada adentro, queiram ou não queiram seus vizinhos.

Mas também a "informativa" e "divertida" programação das "rádios AM em FM" (Rádio Globo, Tupi, Band News etc), sobretudo durante as transmissões esportivas, é que mais expressam poluição sonora, em muitos casos praticada durante a noite, com o mais completo desprezo à necessidade das pessoas de ter um pouco de sossego.

Todavia, em se tratando de um Estado e uma cidade governados por um governador e prefeito totalmente insensíveis ao interesse e segurança públicos - eles deixam morrer gente nos hospitais, bondes e até em restaurantes com depósito ilegal de gás - , dá para compreender mesmo o sentido de "cidadania" descrito neste texto.

Um sentido completamente fora da realidade.

sábado, 29 de outubro de 2011

RENATO MARTINI: SISTEMA DE IDENTIFICAÇÃO BRASILEIRO MORREU



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, Renato Martini, propõe mudanças para os processos de identificação dos brasileiros, que ele considera bastante caducos e ineficazes para evitar a falsificação de documentos.

Renato Martini: Sistema de identificação brasileiro morreu

Por @emerluis - Reproduzido no blogue Viomundo

“O sistema de identificação brasileiro morreu e não tem mais condições de encarar o século XXI”

É assim que o presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Renato Martini, define os processos de identificação do cidadão baseados no papel por impressão digital, método implementado no Brasil por Félix Pacheco no século XX.

Para modernizar este processo e evitar fraudes, o ITI, participante de um comitê coordenado pelo Ministério da Justiça, trabalha pela substituição das carteiras de identidade de papel e plástico por um cartão com certificado digital, batizado de Registro de Identidade Civil (RIC). Rio de Janeiro, Distrito Federal e Bahia foram os estados escolhidos para iniciar o projeto piloto, e a partir de 2012, estima-se que com as correções e ajustes, o processo possa começar a ser implementado em todo o Brasil. Segundo Renato, atualmente o cidadão pode ter até 27 tipos de identificação no Brasil e as fraudes contra o governo federal e a sociedade começam com a falsificação da identidade.

O RIC é apenas o primeiro passo da Desmaterialização de Processos. Na prática, o termo significa a troca de documentos em papel por documentos eletrônicos. A desmaterialização já está em curso. Um exemplo é a Nota Fiscal Eletrônica utilizada em São Paulo. Os talões foram trocados por assinaturas digitais. O contador, ao invés de preencher o papel, utiliza o sistema da prefeitura, preenche a nota normalmente e gera automaticamente as cópias para a empresa, prefeitura e o seu cliente. Isso significa economia de recursos, menos sonegação fiscal e preservação do meio ambiente, uma vez que o consumo de papel diminui e veículos não são utilizados para o seu transporte.

Assista a entrevista completa com Renato Martini. O presidente do ITI explica o impacto da certificação digital na sociedade, fala do envolvimento dos militantes do meio ambiente no assunto (que ainda não se deram conta da importância) e explica o funcionamento da sala cofre do ITI, construída no Palácio do Planalto com alta tecnologia em equipamentos de segurança para proteger a Autoridade Certificadora Raiz, que dá credibilidade para todo o processo no Brasil. A entrevista tem 20 minutos e foi gravada com um Galaxy Tab 10.1.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

LIVRO SOBRE FLUMINENSE FM TERÁ EDIÇÃO COMEMORATIVA E PODE VIRAR FILME



A Rádio Fluminense FM, que faria 30 anos de existência em março do próximo ano, terá mais uma edição do livro A Onda Maldita, além da possibilidade de ser adaptada para o cinema, sob direção de Cacá Diegues.

A notícia surge no momento em que o radialismo rock, depois de duas décadas na Idade das Trevas - quando o filão se resumiu à fórmula duvidosa das rádios pop com vitrolão roqueiro - , renasce impulsionado pelas informações na Internet, que fazem o jovem roqueiro autêntico deixar de se contentar com o feijão-com-arroz "pópiroque".

A realidade radiofônica de hoje é completamente diferente. Para o bem e para o mal. O rádio melhorou em tecnologia, mas caiu em qualidade. A segmentação radiofônica transformou-se em palavra morta para anunciante dormir.

O "Aemão de FM" aumenta seu potencial jabazeiro "comprando" audiência em táxis, portarias e estabelecimentos comerciais. Rádios popularescas desalojam até emissoras de pop adulto mais criativas. A erosão cultural do rádio FM só começa a se resolver com a anunciada entrada da Kiss FM paulista no dial do Grande Rio, colocando a região de Niterói mais uma vez no mapa do radialismo rock, depois da digital Rocknet e da Venenosa FM tentarem a herança da niteroiense Flu FM.

Atualmente o espaço de sintonia da Fluminense FM está ocupado pelo Aemão noticioso da Band News Fluminense. Ironicamente, a Band News - cujo âncora Ricardo Boechat havia sido patrão de Luiz Antônio Mello - sobrevive com o mesmo nível baixo de audiência que a Fluminense FM enfrentou na fase decadente de 1991-1994. E sobretudo quando o jornalismo do Grupo Bandeirantes de Comunicação é arranhado com a proteção dada a figuras que fizeram comentários reacionários, como Bóris Casoy e Rafinha Bastos.

Resta torcer para que a Kiss FM monte um escritório em Niterói e que a lembrança da Fluminense FM inspire as atuais gerações que investem no radialismo rock, para que não caiam nas tentações que queimaram muitas rádios de rock, verdadeiras e falsas, no decorrer da década de 90 e do começo do século XXI.

domingo, 23 de outubro de 2011

DISPUTA BILIONÁRIA ENTRE GLOBO E RECORD



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Intensifica a competição entre Globo e Record, sobretudo no direito das transmissões de eventos esportivos. É uma competição que aquece o mercado, mas também é uma disputa de poder midiático, nas proximidades da copa do mundo de 2014.

Disputa bilionária entre Globo e Record

Por Valério Cruz Brittos e Anderson David Gomes dos Santos, no Observatório da Imprensa

Os últimos cinco anos têm sido marcados por uma intensa disputa pelos direitos de transmissão de torneios esportivos por parte das duas principais competidoras no mercado televisivo brasileiro. Trata-se de uma expansão do processo competitivo intenso – que sinaliza a Fase da Multiplicidade da Oferta das comunicações – também para o esporte, especialmente o futebol, de preferência infinitamente superior no país (e em grande parte do mundo). O tripé futebol, telenovela e jornalismo constitui o núcleo de disputa principal da TV nacional, com custos inflacionados por esse interesse dos operadores em torno desses bens.

Hoje parece estranho, mas até o ano de 2006 Globo e Record foram parceiras na televisão brasileira no denominado “Pacote Futebol”, que leva em consideração todos os campeonatos de clubes com participação de times brasileiros (Brasileiro, Paulista, Carioca e Copa Sul-Americana), excetuando-se a Taça Libertadores da América, cuja transmissão sempre foi exclusiva da emissora com sede no Rio de Janeiro. Por conta de restrições da TV das Organizações Globo, caso da obrigação de transmitir a mesma partida no domingo, a Record não renovou o contrato e foi além: passou a concorrer pelos direitos de exibição de torneios esportivos com sua antiga parceira.

A primeira tentativa de comprar diretamente os direitos de transmissão foi para os principais torneios estaduais de futebol do país, casos do Campeonato Carioca e do Campeonato Paulista. Mesmo apresentando propostas financeiras mais altas, a emissora comandada pelo bispo Edir Macedo perdeu a concorrência para a principal rival. Com forte barreira para a aquisição destas competições, a Record optou, nos anos seguintes, por incentivar as afiliadas, e especialmente as filiadas, a participarem dos processos licitatórios pelos direitos dos campeonatos de seus respectivos estados para fidelizar o público local.

Emissora em franca ascensão

Assim, foram comprados estaduais menores, casos de Alagoas, Paraíba e Sergipe, tendo havido ainda a surpresa a grandes afiliadas globais com as aquisições das transmissões dos torneios da Bahia e de Santa Catarina, vencendo a RBS TV (maior grupo de comunicação regional da América Latina) e a Rede Bahia (da família de Antônio Carlos Magalhães), que só retomaram os torneios em 2010 e 2011, respectivamente. A Record passou a ser importante em locais em que os campeonatos nunca foram transmitidos pela televisão, apesar da reconhecida importância deste produto para atrair audiência. Nos estados com larga tradição futebolística, forçou grandes afiliadas da Globo a cobrirem as propostas nos períodos seguintes, gerando uma concorrência (e elevação de preços) até então inexistente.

Quase da mesma forma aconteceu com a transmissão da Liga dos Campeões da Europa, o maior e mais rentável torneio interclubes do mundo. A Liga, que na década de 1990 chegou a ser transmitida pela TV Cultura, também foi alvo desta disputa a partir do momento em que a Record adquiriu os seus direitos de transmissão para as temporadas 2006-2007, 2007-2008 e 2008-2009, que lhe rendiam boas audiências às terças e quartas-feiras à tarde, horário até hoje com problemas para estabelecer uma programação efetivamente atrativa.

Em 2009, a Globo adquiriu esse torneio com o intuito precípuo de tirá-lo da concorrente, pois os horários das partidas poderiam prejudicar a hora das telenovelas. Por conta disso, comprometeu-se a transmitir apenas três jogos por temporada, repassando os direitos sobre as partidas das quartas para a Band. As partidas de terça-feira estão a cargo da TV Esporte Interativo, em franca ascensão no mercado de audiovisual brasileiro e que, a partir de uma concessão em UHF da Rede Eldorado, que pertencia ao Grupo Estado de S. Paulo, transmite para seis emissoras de televisão aberta, sistemas por assinatura e parabólicas.

O crítico mais ferrenho

Para renovar o contrato por mais três anos, em 2011, Globo, Esporte Interativo e ESPN (TV fechada) quadruplicaram o valor oferecido, que ficou na casa dos R$ 20 milhões, para vencer Record, portal Terra e Fox Sports. A Globo exibirá cinco jogos por temporada e tanto TV Esporte Interativo quanto ESPN transmitirão também via internet e plataformas móveis.

No caso do Campeonato Brasileiro de Futebol, cuja briga ainda gera efeitos, mesmo que a transmissão continue com a Globo até 2014 – ou 2015, dependendo do contrato com cada clube –, cogita-se que, dos R$ 500 milhões mínimos exigidos na licitação, inicialmente visto como absurdo pela emissora, ela irá gastar, pelo menos, R$ 800 milhões por temporada.

A principal vitória da emissora de Edir Macedo envolve a transmissão, com exclusividade na televisão brasileira (aberta ou fechada), dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, segundo evento do pacote olímpico adquirido pela Rede em 2007, atualmente em realização. No ano de 2010, transmitiu os Jogos Olímpicos de Inverno, com boa audiência, principalmente diante da falta de tradição brasileira naquelas modalidades esportivas, ocupando boa parte do horário vespertino. A emissora conta com 200 profissionais para a cobertura do evento no México. Muitos deles, ex-atletas, já trabalharam na Rede Globo, casos de Róbson Caetano (atletismo) e Oscar Schmidt (basquete).

Contudo, a última contratação da emissora veio depois da apresentação do produto aos anunciantes. O ex-jogador de futebol e atual deputado federal Romário de Souza (PSB-RJ) é comentarista das partidas de futebol do Pan (num caso estranho – pelo menos em termos internacionais – em que uma autoridade pública atua para uma concessionária de serviço público). Vale lembrar que Romário é o crítico mais ferrenho do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, no Congresso Nacional, a quem acredita que passou da hora de dar respostas ao povo brasileiro, inclusive sobre a Copa do Mundo de 2014, que dispenderá muitos recursos públicos, mesmo sendo um evento privado.

Disputa no plano econômico

O clima de “guerra” entre as duas emissoras, no entanto, não é novo. Algumas acusações da Globo à Record – contra a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) especificamente, que é a financiadora da emissora – processam-se faz mais tempo, incluindo a minissérie Decadência, de 1995, trazendo Edson Celulari no papel de um controvertido pastor que funda sua própria seita. A Record, sempre que pode, acusa a concorrente de práticas oligopolistas ou, num caso mais recente, de não ter pago pela TV Paulista, atual TV Globo São Paulo. Mas em 2011, após a Globo renovar o direito de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol, o ataque da emissora de Edir Macedo acirrou-se, com denúncias contra a emissora da família Marinho, Ricardo Teixeira e os dirigentes de alguns clubes, seus amigos.

Todos sabem das barreiras no mercado impostas pela Globo durante estes mais de 40 anos de liderança, mas nem por isso se deve enaltecer a Record como real alternativa. Pelo contrário, suas ligações com a expressão cultural religiosa representam um problema maior. Mas é inegável que as críticas a determinadas estruturas sociais, que sempre tiveram ampla recepção na líder, geram uma difusão jamais tida num meio de comunicação massivo. É no conflito intra-elites que os problemas sociais podem aparecer. Ainda se está longe de uma situação mais geral, mas, ao menos nos problemas relativos ao futebol, as relações político-institucionais de benefício à Rede Globo de Televisão são mostradas com grande frequência.

Além disso, mesmo sem a entrada de um grande grupo comunicacional transnacional na TV aberta, por ausência de regulamentação atualizada do setor, o crescimento da Record, a partir dos recursos extra-mídia injetados pela Iurd desde a década de 1990, modificou a disputa no mercado. Por não depender diretamente de verba publicitária, ela pode entrar com força em disputas como a dos direitos de transmissão de eventos esportivos. Nessa direção, adquiriu os direitos para transmitir os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, por R$ 60 milhões, valor muito superior aos R$ 12 milhões que a concorrente pagou pelas Olimpíadas de Pequim, em 2008. Onde as barreiras político-institucionais não prevalecem, a disputa vem se dando no plano econômico, no qual a emissora de Edir Macedo apresenta relativa vantagem.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

TRANSMIL AGONIZANTE EM LINHAS PARA MESQUITA



A aparente "melhoria" da Turismo Trans1000, através da compra de cerca de 20 velhos ônibus da Neobus Mega IV 2006, lote desse mesmo ano - mais antigos, portanto, que parte dos carros da Marcopolo Senior Midi que foram substituídos, os últimos comprados "zero" pela empresa em 2007 - , não se reflete nas linhas longas com ar condicionado para o centro do Rio de Janeiro.

A pior parte ficou, aliás, com as linhas destinadas à sede da empresa, a cidade de Mesquita, na Baixada Fluminense. São as linhas para Mesquita as mais maltratadas pela empresa, que já tem uma frota bastante velha, com vários ônibus sucateados.

Isso porque, não bastassem os ônibus bastante velhos, vários com ar condicionado enguiçado ou defeituoso - e, quando funciona, ainda está sujo, enferrujado e cheio de micróbios nocivos à saúde dos passageiros - , os carros para Mesquita não são muitos.

Pesquisas feitas nos dias úteis comprovaram que, num trecho entre o começo da Av. Rodrigues Alves, na Praça Mauá, até o Trevo das Margaridas, em Irajá, apenas três carros da Transmil para Mesquita são vistos, em média, somando todas as linhas que vão de Mesquita ao centro carioca: 478 Mesquita / Central, 479B Mesquita / Praça Mauá (Parador) e 005 Mesquita / Praça Mauá (Expresso).

"PEIXE GRANDE" - Isso é muito grave, mas o estranho é o conformismo da opinião pública - sobretudo de uma minoria "influente" de busólogos - em relação aos desmandos da Transmil. A coisa parece ser até mais séria do que a Transmil de Uberaba (MG), que tinha suas irregularidades mas teve sua concessão cassada.

Mas, ao que tudo indica, a Transmil da Baixada Fluminense possui um "peixe grande" por trás, já que a empresa, conhecida por suas inúmeras e humilhantes irregularidades, nunca perde concessões, nunca é punida, nada ocorre contra ela.

Pelo contrário, as autoridades deixam a Transmil enganar a população com paliativos - como os "micrões" recém-adquiridos vendidos a preço de banana por uma Pavunense "amarrada" pela paraestatal Viação Cidade do Rio de Janeiro - , deixam que suas linhas tenham pouquíssimos carros e o povo que aguente essa empresa.

Talvez isso ocorra porque não saiu algum jogador de futebol de fama internacional de Mesquita ou Nilópolis, o que permite que a sofrida população das duas cidades seja tratada com um simples gado na hora de usar ônibus para o Rio de Janeiro. E até agora NENHUM ônibus adaptado para deficientes se encontra na frota da Transmil.



O VERDADEIRO "MELHORAL" - Enquanto uma meia-dúzia de busólogos "donos da verdade" comemora a humilhante aquisição de "micrões" da Turismo Trans1000, em parte destinados à linha 481 Nilópolis x Melhoral, o verdadeiro Melhoral é visto nos carros longos de outra empresa de Mesquita, a Viação Nossa Senhora da Penha.

A NS Penha não tem ônibus com ar condicionado e opera linhas da Baixada Fluminense (Nova Iguaçu, Nilópolis e Belford Roxo) destinadas somente ao subúrbio carioca, sobretudo Zona Norte. Mas possui um ritmo ágil de renovação de frota e suas linhas contam sempre com muitos carros, o que diminui o tempo de espera das mesmas.

Aparentemente, os carros mais novos da NS Penha são do mesmo modelo Neobus Mega IV dos "novos carros" da Transmil. Mas há uma grande diferença entre eles: os da NS Penha são mais longos, adaptados para deficientes físicos e ainda dispõem de poltronas que, embora não reclináveis, são altas, permitindo o repouso do passageiro mais exausto.

Existem também carros mais curtos do mesmo modelo, mas os mais recentes da NS Penha são mesmo alongados. Os bancos se assemelham aos que a Auto Viação Jabour - do mesmo grupo empresarial da Penha - possui nos seus carros com ar, o que significa uma grande vantagem.
Link
BILHETE ÚNICO - Os carros da Turismo Trans1000 costumam ter demanda baixa. Só quando não há outro jeito os passageiros têm que pegar os ônibus velhos da empresa. Com o bilhete único, a situação até se agravou para a empresa, porque quem mora em Nilópolis e Mesquita prefere pegar ônibus de outras empresas para outros bairros cariocas e dali pegam outras empresas para estes municípios.

A Transmil deveria, pelo menos, reduzir sua área de atuação para linhas internas da Baixada Fluminense. A empresa mostrou não ter fôlego para linhas longas, sobretudo a 003 Nilópolis / Passeio, que chega ao calcanhar da Zona Sul, no comecinho da Glória. A grande dificuldade de adquirir carros semi-novos demonstra isso.

A petição que pede a saída da Transmil das linhas para o Centro do Rio continua. Seu endereço é
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N10041

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

MULTIMARKET FAZ EM NITERÓI O QUE O EXTRA DEVERIA TER FEITO



A rede de supermercados Multi Market havia adquirido a rede Premier Supermercados em Niterói e recentemente fechou a filial do bairro de Santa Rosa, no encontro das ruas Santa Rosa, Noronha Torrezão e Dr. Paulo César, para reformas.

Isso causa um grande incômodo, a princípio, mas trará uma instalação bem melhor e mais funcional. E hoje é a reinauguração dessa filial, depois de um tempo em obras.

É o que os Supermercados Extra deveriam ter feito com a filial da Av. Sete de Setembro, no mesmo bairro.

O Extra, ao adquirir a Sendas da Av. Sete, se limitou tão somente a pintar as paredes, trocar estantes e reposicionar algumas sessões. No caso da padaria, por exemplo, a coisa até piorou, virou coisa de supermercado de terceiro escalão.

Afinal, o distanciamento da sessão de pães de sua cozinha panificadora dá um aspecto provinciano e faz o entregador de pães andar uns metros a mais para colocar os produtos no acesso dos fregueses.

Outra coisa ruim é que o chão do Extra da Av. Sete ainda é dos tempos em que a filial era das Casas da Banha, lá dos anos 80. O chão apresenta rachaduras e está desbotado de tanto uso.

Outra coisa são as caixas registradoras situadas debaixo da escada para o andar de cima, uma coisa que ficou feia no seu aspecto. Em vez das caixas, deveria ter colocado, por exemplo, um balcão para o serviço de TV por assinatura, ou então um guarda-volumes, que falta na filial.

A rede Extra não quis fechar a filial da Av. Sete para reformas, achando que isso lhe traria prejuízo. Mas perdeu uma boa oportunidade de, provisoriamente, deixar de servir um bairro para melhorar sua instalação.

E perdeu, acima de tudo, uma boa oportunidade de oferecer um supermercado mais moderno, mais funcional e mais variado para os fregueses.

Ponto para a concorrente Multi Market.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

CHURRASCO EM NITERÓI: O PERIGO CONTINUA



Infelizmente, voltou à tona o perigo de uma grave tragédia para Niterói, no final da Rua São Sebastião, esquina da Rua Andrade Neves.

Continua a todo vapor a churrasqueira que se situa ao lado da banca que vemos nesta foto. E ela oferece um sério risco para a população que passa ou está no local.

No final da tarde, o fogaréu da churrasqueira é alto, e as labaredas, por razão do vento, se dirigem à banca aberta, o que pode atingir as revistas e jornais ali expostos, causando um incêndio.

Se esse incêndio ocorrer, ele pode refletir no posto de gasolina que se encontra no outro lado, o que pode dar numa violenta explosão.

Ocorrendo essa explosão, a tragédia será inevitável. Há um comércio na Rua Andrade Neves, do lado do Rink, residências na mesma rua, sobretudo no sentido São Domingos. Há uma parte do Plaza Shopping na proximidade, e há parte do Morro do Estado, com suas moradias precárias das pessoas mais pobres.

Além do mais, quase todas as linhas que passam pela Praia de Icaraí em direção ao Centro da cidade, além de muitos automóveis, passam pelo local.

É hora da Defesa Civil de Niterói tomar providências em relação ao caso e melhor seria se o dono da churrasqueira pudesse escolher uma outra atividade lucrativa e menos danosa, até porque ele mesmo corre o risco de morte diante de tamanho descuido.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

MORRE LEON CAKOFF, FUNDADOR DA MOSTRA DE CINEMA DE SÃO PAULO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A cada dia vemos o Brasil um pouco mais acéfalo, sem seus intelectuais mais empenhados. E, numa época de mediocridade cultural, cria-se lacunas sérias. Até porque aos poucos começa a desaparecer uma geração que realmente contribuiu para nossa cultura, enquanto os barões da mídia e do entretenimento enganam a opinião pública dizendo que tudo está um mar de rosas.

Morre Leon Cakoff, fundador da Mostra de Cinema de São Paulo

Crítico tinha 63 anos e lutava contra um câncer desde o ano passado

Do Portal Último Segundo - IG

Morreu nesta sexta-feira, aos 63, o crítico Leon Cakoff, fundador da Mostra de Cinema de São Paulo. Ele sofria de câncer e estava internado no Hospital São José. Seu corpo será velado no Museu da Imagem e do Som (MIS), das 17h desta sexta até as 12h do sábado. Depois, será levado ao Memorial Parque Paulista, em Embu das Artes, onde será cremado.

Nascido em 12 de junho de 1948 em Aleppo, na Síria e descendente da armênios, Cakoff (nome que ele adotou no lugar do Chadarevian da família por causa de problemas com o regime militar) emigrou para o Brasil com oito anos. Em 1974, começou a organizar sessões de cinema do Museu de Arte de São Paulo (MASP), que deram origem à Mostra em 1977.

A primeira edição do festival teve apenas 16 longas e sete curtas. O evento foi crescendo ano a ano e, no ano passado, exibiu mais de 400 títulos. Em seus mais de 30 anos de história, a Mostra foi responsável por revelar ao público brasileiro cineastas como Manoel de Oliveira, Quentin Tarantino, Pedro Almodóvar, Amos Gittai e Abbas Kiarostami.

Cakoff também dirigiu dois curtas em parceria com Renata de Almeida, "Volte Sempre Abbas" (1999) e "Natureza-Morta" (2004), e assinou um terceiro sozinho, "Esperando Abbas" (2004). Além disso, produziu outros dois filmes: "Bem-Vindo a São Paulo", reunião de curtas sobre a cidade dirigidos por 12 cineastas, e "O Mundo Invisível", filme inédito que reúne curtas de Manoel de Oliveira, Wim Wenders e Atom Egoyan, que terá exibição na 35ª Mostra.

Ele ainda escreveu os livros "Gabriel Figueroa – O Mestre do Olhar", resultado de uma grande entrevista com o lendário diretor de fotografia mexicano; "Ainda Temos Tempo", com crônicas de viagem ligadas a cinema; "Cinema Sem Fim", com a história dos 30 anos da Mostra; e "Manoel de Oliveira", sobre o cineasta português.

Veja abaixo a nota de falecimento divulgada pelo Mostra de Cinema de São Paulo:

"Um dos maiores nomes da resistência cultural no Brasil durante a ditadura, Leon Cakoff, fundador da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, morreu hoje, sexta-feira dia 14 outubro, às 13 horas, por conta de complicações decorrentes de um melanoma – câncer que atinge o tecido epitelial. Ele estava internado há duas semanas no Hospital São José, em São Paulo. O corpo vai ser velado no Museu da Imagem e do Som - MIS de São Paulo (Av. Europa, 158 - Jardim Europa) a partir das 17 horas de hoje até às 12 horas de amanhã (sábado, dia 15), para seguir para o Memorial Parque Paulista (R. Dr. Jorge Balduzzi, Nº 520, Jd. Das Oliveiras - Embu Das Artes) onde será cremado".

BATATAS ELMA CHIPS "PAGARAM A CONTA" DA PEPSI



Bom demais para ser verdade. Quem esperava um lanche completo com produtos da filial brasileira da Pepsico se decepcionou quando uma grande promoção com refrigerantes Pepsi se contrastava com o preço muito caro das batatas da Elma Chips, do mesmo grupo empresarial.

Recentemente, foi lançada uma promoção em que o freguês que comprasse uma garrafa de dois litros de Pepsi - incluindo suas variantes quanto ao sabor e à presença ou não de açúcar ou gordura - , por R$ 3, levava outra garrafa de graça.

É maravilhoso, afinal na proximidade do verão, quem gosta de um bom refrigerante pode estocar uma garrafa a mais para os almoços ou lanches da semana, e, se houver alguma festa de aniversário, fica para a criançada e os convidados.

No entanto, as batatas da Elma Chips é que passaram a pesar mais nos bolsos dos consumidores. Um pacote de 80g de Ruffles - que estava lançando novos sabores, inclusive o interessante Yakisoba - , na melhor das hipóteses, custa R$ 2,69. Já a Batata Palha Na Mesa, que agora tem o novo sabor temperado de Cebola e Salsa, só em poucos estabelecimentos possui esse preço, mas custa em média R$ 2,89 e, em certos casos, chega a custar mais de R$ 3.

Se é para fazer uma promoção que chamasse mais atenção das pessoas, que a Pepsico fizesse algo menos danoso. Teria sido melhor que produtos como Fandangos e Cheetos ficassem levemente mais caros, ou então que não houvesse essa "compensação" de refrigerantes baratos demais e batatas muito caras.

Dá para perceber que outras marcas concorrentes, mas algumas nem tão saborosas assim, de batatas chips ou de palha, ganharam com a carestia das batatas da Elma Chips.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

TEM GENTE QUE OUVE RÁDIO COM O UMBIGO



Tem gente que se esconde por trás de meros prenomes para defender posturas que só interessam ao empresariado. É como a pequena demanda que defende a Aemização das FMs (ou seja, FMs com roupagem de AM na programação), uma minoria barulhenta e que se acha dona da razão.

É uma minoria que não enche um estádio de futebol de quinta categoria, em partidas da série D do Brasileirão, mas costuma exercer supremacia nos pontos de vista nas comunidades, fóruns e colunas de rádio na imprensa e na Internet. Tudo porque seus pontos de vista, se não têm interesse público, agradam em cheio os barões da grande mídia que investem em rádios.

São os chamados "Fanáticos Modulados" que pouco importam em ser minoria. Afinal, eles parecem ouvir rádio com os umbigos, como se quisessem dizer "O Ibope sou eu, se eu ouço a FM tal, ela está sempre em primeiro lugar".

Vejam a pérola, publicada na coluna do amigo Marcelo Delfino no portal TVs do RJ, que um tal de Eduardo escreveu:

"Se tem a FM, pra quê a AM?

Não entendo isso!!! dividir o investimento em duas rádios, quando se pode fazer melhor com apenas uma???

Quem aqui ainda escuta rádio AM? meu aparelho de rádio nem tem mais a faixa do AM!!!!"

Puro desrespeito com a memória do rádio. O ideal é que ele defendesse o rádio AM e a melhoria de seu sinal - bem mais vantajoso que o de FM, porque a Frequência Modulada tem limites técnicos de alcance seu raio de transmissão - , e não a Aemização do rádio FM.

Certamente "Eduardo" não sabe que o "Aemão de FM" anda tomando a maior surra no mercado por causa da concorrência da Internet e da TV paga. Talvez até o comentário de "Eduardo" seja uma dor-de-cotovelo de algum radialista ou amigo de um profissional de rádio FM.

O que se sabe é que a concorrência da Internet e da TV paga anda tirando o sono de muitos gerentes das FMs com roupagem de AM, que estão arrancando os cabelos com o Ibope decadente de suas emissoras, cuja queda livre obriga as emissoras a "alugar" sintonias em botequins, bancas de jornal e até feiras-livres para não ficarem "no vewrmelho".

Vamos ver se, com a anunciada chegada do DAB (Digital Audio Broadcasting), que especialistas já definem como o "rádio AM passado a limpo", com som digital e interatividade, os futuros viúvos do "Aemão de FM" vão continuar mantendo suas convicções.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

JOSÉ VASCONCELOS MORRE AOS 85 ANOS


DISCO 'EU SOU O ESPETÁCULO' FOI UM GRANDE SUCESSO DE ZÉ VASCONCELOS LOGO QUANDO FOI LANÇADO, EM 1960.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: José Vasconcelos foi um dos grandes comediantes brasileiros que fez muito sucesso na década de 50 e 60. Foi uma geração cujo obituário cresce de forma acelerada. E, numa época em que os "modernos" humorísticos do Pânico na TV, CQC e Zorra Total, causam problemas sérios devido ao caráter ofensivo de certos "humoristas", o humor brasileiro hoje é um dos temas mais discutidos e controversos da atualidade. A morte de Zé Vasconcelos, figura da fase áurea do humor brasileiro, reforça ainda mais o debate.

José Vasconcelos morre aos 85 anos

Humorista ficou famoso com o gago Ruy Barbosa Sá Silva, da Escolinha do Barulho

Do Portal R7

Morreu nesta terça-feira (11) pela manhã o humorista José Thomaz da Cunha Vasconcellos Neto, que completou 85 anos em março deste ano.

“Zé Vasconcelos mostrou que dá para ser irreverente, sem ser indecente”, diz humorista Geraldo Magela

Ele estava internado na UTI (Unidade de Tratamento Intensiva) do Hospital das Clínicas de São Paulo e faleceu às 4h40.

O humorista sofria de Alzheimer e passou os últimos dias de sua vida na cidade do interior paulista, Itatiba.

Foi casado com dona Irene, com quem teve quatro filhos, e permaneceu até o fim de sua vida.

“O Zé Vasconcelos foi uma inspiração para mim”, diz Rick Régis, o novo Sá Silva da Escolinha do Gugu

Um amigo da família informou que eles desejam um sepultamento extremamente discreto e que deve ser feito ainda hoje.

Seu corpo deve ser cremado, por desejo do próprio Vasconcelos, e será removido para o crematório de Embu das Artes, em São Paulo, segundo o amigo.

José Vasconcelos marcou a todos com seu personagem Ruy Barbosa Sá Silva, o gago da Escolinha do Barulho (Record). Inclusive, seus personagens gagos viraram sua marca registrada.

"Me diverti muito assistindo ao Zé", diz Bruno Motta

Nascido em Rio Branco, no Acre, como a maioria dos atores e humoristas de seu tempo, ele começou no rádio, fazendo imitações.

Na década de 1960 criou um projeto divertido que acabou não se concretizando: a Vasconcelândia.

O projeto intencionava criar um parque de diversões semelhante à Disneylândia, em Guarulhos, São Paulo, mas o sonho não saiu do papel.

Nos últimos anos de sua vida esteve afastado da TV para cuidar da saúde.

A LEMBRANÇA POÉTICA DE RENATO RUSSO



Eu tinha 13 anos, em 1984, quando ouvi as demos da Legião Urbana, terceira investida musical de um rapaz franzino que havia integrado um grupo punk chamado Aborto Elétrico e uma breve experiência como cantor folk solo como "trovador solitário".

Renato Manfredini Jr. até nos brindou com o repertório dessas duas fases, ao longo do tempo, como sabemos. "Que País É Este?"é da fase Aborto Elétrico, por exemplo. Já "Eduardo e Mônica" remete ao "trovador solitário".

Ouvia a Fluminense FM quando ela divulgou a demo da Legião Urbana. E, em 1986, já ouvi até a entrevista com o grupo, quando lançou em primeira mão as músicas "Tempo Perdido" e "Eduardo e Mônica", para o disco Dois.

Eram grandes tempos. Via o clipe de "Será", e não tinha ideia da força poética e da profunda mensagem que aquele vocalista de cabelos crespos e óculos quadrados mostraria em sua breve carreira. Uma carreira que foi encerrada há 15 anos, quando Renato, sofrendo de AIDS, ainda estava deprimido, com anorexia e desiludido com o mundo, faleceu aos 36 anos.

Se naqueles anos 80, em que pese o galopante crescimento do brega-popularesco que atingiria níveis alarmantes nos anos 90 e ainda se carregaria de pretensiosismo "cultural" sob o apoio da intelectualidade etnocêntrica tempos depois, ainda vivíamos sob o signo de uma cultura mais humanista, em que poderíamos ouvir nas rádios artistas honestos, criativos e sinceros.

Passando tanto tempo depois que Renato faleceu, nota-se o quanto que a mediocrização social que o então vocalista da Legião Urbana (e que naquele 1996 já havia lançado dois discos solo), no final de sua vida, havia se desiludido com a crise de valores que atingiu o país e traria efeitos mais drásticos anos depois.

Só para se ter uma ideia, a direita cultural investiu pesado no "fenômeno" É O Tchan, que fez tornar ainda mais confusas, nas mentes de muitas famílias, as noções de ética, de emancipação feminina, de arte e cultura, onde o medíocre tornava-se "genial", o abjeto tornava-se "inocente", o machista virava "feminista" etc.

E os rebeldes sem causa amamentados pela segunda babá eletrônica depois de Xuxa, as caricatas, reacionárias e arrogantes "rádios rock" 89 FM (SP) e Rádio Cidade (RJ), logo chutaram o pau da barraca e tentaram promover um desdém a Renato Russo, como se desejassem a ele uma segunda morte.

Sob o pretexto de que Renato "nos traiu ao gravar música italiana", esses proto-troleiros que mais parecem terem saído de maternidades controladas pelo Comando de Caça aos Comunistas, preferiram endeusar o "ativismo" confuso de um Charlie Brown Jr., cuja "crítica social" não se sabe para quem se dirige, de tão vaga no conteúdo e tão imprecisa no noticiário. Tudo o que Chorão cantava para seus fanáticos fãs era "fique esperto (sic), galera" e "seja você mesmo".

Nada de criticar o capitalismo, nem fazer protestos dirigidos a corruptos. O Charlie Brown Jr., como uma anti-Legião Urbana, fazia "críticas" sem dar a menor ideia do que se está criticando, tudo muito vago e genérico.

Até porque o grupo tinha que aparecer no Planeta Xuxa, a madrinha loura que mostrou, para os roqueirinhos de butique da Cidade/89, a "liberdade juvenil", enquanto a verdadeira liberdade tinha sido mostrada anos antes para os roqueiros autênticos através da literatura beat de Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs.

E mal sabiam esses "rebeldes" que sua madrinha faz aniversário no mesmo dia de Renato, que havia nascido três anos antes dela. Renato hoje teria 51 anos, se ainda vivesse entre nós. E só tardiamente, no revival tosco dos anos 80, é que tais "roqueirinhos", assim como sua banda-símbolo, "homenageariam" a Legião Urbana depois de tanto desprezo em cara feia.

Essa geração de roqueirinhos forçados na pose e na irritabilidade - que eles confundem com rebeldia, que nem sempre tem pavio curto (o mestre Mahatma Gandhi que o diga) - havia sido profeticamente anunciada por Renato em "A Dança", embora, a princípio, a letra desta música tenha se dirigido aos playboys do bairro da Colina, onde muitos funcionários públicos e diplomatas, pais dos roqueiros brasileiros, moravam.

Pois um trecho do refrão de "A Dança" é contundente: "Você é tão esperto / Se acha tão moderno / Mas é igual a seus pais / É só questão de idade / Passando dessa fase / Tanto fez, tanto faz".

Muitos dos homens que integram a direita política e midiática brasileiras, na juventude, usavam a capa da juventude para se dizer "rebeldes". Também foram "rebeldes" os jovens que atearam fogo na sede da União Nacional dos Estudantes, em 1964, no momento imediato do golpe militar. Os reacionários falam muito palavrão, dirigem desaforos, se comportam com ironias.

Renato também criticava a televisão, a impunidade, as injustiças sociais. Sua poesia era "mais crua" nos tempos punk e na primeira fase da Legião Urbana, até 1987. A princípio, nem os fãs compreendiam a guinada da banda em As Quatro Estações, de 1989, mas o tempo mostrou que a poesia de Renato tornou-se mais complexa - como Bob Dylan em dado momento da carreira - e mais madura, além da sofisticação melódica do grupo que ecoava até Byrds e Ride.

Renato Russo, por isso, foi adotado pela MPB. "Andréa Dória" poderia ser gravada sem problemas por Chico Buarque. E Renato compôs até com Marisa Monte. Isso porque Renato nunca foi um coitadinho em busca de reconhecimento cultural, mas um artista que sabia bem do seu valor. E gravou discos italianos por escolha própria e por seu próprio contexto de descendente de italianos.

Nem todos conseguem compreender Renato Russo. E ele não está aqui para se explicar há 15 anos. Mas sua obra, seus depoimentos e sua trajetória permanecem como exemplo de um grande artista que não é fácil encontrar hoje em dia.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CONCURSOS PÚBLICOS SÓ QUEREM JURISTAS E MATEMÁTICOS


ESSE É O SERVIDOR PÚBLICO TIDO COMO IDEAL PELOS ORGANIZADORES DE CONCURSOS PÚBLICOS.

Há algo de muito errado nos concursos públicos realizados no Brasil. Mesmo aqueles que se exigem candidatos com apenas o 2º Grau (Ensino Médio) como formação contam com um programa de estudo típico de nível superior.

Os programas divulgados nos editais não deixam mentir. São carregados de matérias sobre Direito e Matemática, esta diluída sob os eufemismos de "raciocínio lógico" ou "raciocínio lógico-quântico".

A maioria desses concursos "para nível médio", na verdade, são concursos para nível superior em que a exigência flexível do ensino médio é apenas uma forma de arrecadar mais dinheiro nas inscrições, aumentando aparentemente o leque de candidatos.

As matérias chegam a ser exigidas até quando as funções não se relacionam diretamente com elas, como no caso de Matemática, exigida apenas por um duplo capricho de exigência, seja para "afunilar" a concorrência, seja como um moralismo antigo do ato de estudar, relacionado ao estudo torturante e associado ao ato quase autômato da decoreba.

Une-se, assim, o inútil ao desagradável, e essas exigências acabam tendo o preço caro dos péssimos servidores que são aprovados nesses concursos. No concurso do IPHAN, por exemplo, as duas últimas provas, uma de 2007 para o programa PAC das Cidades Históricas, e outro de 2009, para renovação do quadro de servidores, o raciocínio lógico torna-se uma matéria completamente inútil.

As respectivas instituições organizadoras desses concursos, o ESAF (ligado ao Ministério da Fazenda) e a Universa, acabam por exigir que os candidatos a cargos ligados a ciências sociais sejam matemáticos, e não cientistas sociais.

O ESAF é, inclusive, uma das instituições organizadoras de concursos, e pega muito pesado na elaboração de provas. Sua exigência é invariável em todo tipo de concurso: quer um candidato que, embora tenha apenas o nível médio de formação escolar, tenha um conhecimento que se equipare ao mesmo tempo a um grande jurista e a um eminente matemático.

Isso é uma atitude que remete a perspectivas retrógradas de estudo, relativas a padrões moralistas e aristocráticos do saber. E, comprovadamente, não mede a competência do candidato quanto à área que lhe interessa trabalhar.

Só essas exigências fazem com que os servidores errados é que sejam aprovados nos concursos. Sobretudo os "atletas de concursos", meros fazedores de provas que nem precisam trabalhar em novas instituições, mas vão lá e passam, tirando do páreo quem realmente precisa ser um servidor público.

E o que vemos, em consequência, é uma probabilidade maior de servidores burocráticos, indispostos, incompetentes e que, pelo tédio de suas atividades podem, se caso forem eticamente mais fracos, se corromperem com facilidade.

Além disso, as instituições de serviço público acabam perdendo porque acabam não contratando os servidores corretos, porque as provas foram mal organizadas pelo programa completamente alienado dos propósitos de cada instituição.

Das organizadoras de concursos públicos, a Fundação Carlos Chagas é que se melhor realiza provas de acordo com a natureza de cada concurso. Para cargos de Comunicação Social, por exemplo, suas provas não incluem matemática e a ênfase é exatamente relacionada às matérias vinculadas à respectiva área.

Já a pior delas é o CESPE, ligado à Universidade de Brasília, que além de exigir pesados tópicos de Matemática e Direito, ainda tem como critério subtrair dois pontos de cada questão erroneamente assinalada. Isso torna ainda mais injusta a seleção para concurso público, como se não fosse suficiente o programa alienado a cada habilidade do serviço público.

É bom que as demais organizadoras revejam seu programa de provas. Senão sua reputação será simplesmente prejudicada na medida em que exigem demais por coisa nenhuma.

sábado, 8 de outubro de 2011

"FUNK" NA NOVELA DEPRECIA IMAGEM DA ESCOLA PÚBLICA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O lobby do "funk carioca" é tão violento que envolve a velha grande mídia, mas tem a cara-de-pau de dizer que não tem espaço na mesma. É muita demagogia, muita mentira, que os "ativistas" funqueiros fazem. Um conhecido DJ de "funk" chegou a dizer que queria substituir as redações escolares pelas letras de "funk" e, pasmem, muitos educadores ingênuos aplaudiram. Daqui a pouco, os funqueiros vão dizer que o "funk" substitui a Educação e serão ovacionados. O Febeapá continua.

Depois os dirigentes funqueiros vão para a Caros Amigos dizer que "não é bem assim" e tentar "explicar" as besteiras que seus semelhantes disseram. Quanto ao texto abaixo, ele se refere à personagem Solange, da novela Fina Estampa, da Rede Globo.

Novela global denigre ainda mais imagem da escola pública

Por Marcos Niemeyer - Blogue Cararejadas & Ejaculadas

>> As novelas exibidas pela Rede Globo extrapolam os limites toleráveis diante da falta de senso crítico da maioria de seus telespectadores. Passívos e incapazes de assistir algo aproveitável – se é que existe nos canais abertos – não abrem mão, porém, de comprar em prestações a se perder de vista imensos televisores de tela plana ou LCD que vão exibir em suas casas o lixo exposto diariamente via satélite.

Um dos piores exemplos nesta reta final do ano tem sido protagonizado em “Fina Estampa”, onde uma jovem que tenta ser atriz interpreta com rebolados provocantes até a “boca da garrafa” a descartável figura periférica de funkeira.

O enredo mostra a garota como integrante de uma família problemática, o pai truculento e de um passado turbulento bate na esposa e castiga a filha com severos castigos e palavras rasteiras.

POPOZÃO

Para denegrir ainda mais a imagem da escola pública – com professores mal pagos, violência, ensino deficiente, etc – a personagem tem aparecido de uniforme escolar em cenas rebolando o “escapamento” e soltando a voz de matraca num funk cuja letra enaltece o “popozão” e dá risadas das notas baixas no boletim escolar.

No capítulo da última terça-feira (4), enquanto a sujeita berrava “Não sou boa no estudo/levo zero em quase tudo/ reprovada no provão tirei dez no popozão”, a mãe, interpretada por uma outra fazedeira de novela vibrava, orgulhosa, por conta do “talento” nato da cria.

CASO DE POLÍCIA

Como a Globo manda nas autoridades e faz o que bem entende, é praticamente impossível o Brasil ficar livre de algo tão nocivo e degradante. Em nome da liberdade de expressão, a mídia – sobretudo a televisiva – presta um desserviço ao país com seus programas toscos, cretinos e abomináveis.

No caso específico da emissora carioca, que vive a enaltecer o que existe de pior na música, seus conceitos só devem revistos quando uma atriz de seus quadros for esquartejada por traficantes em algum baile funk na periferia do Rio. Esses eventos, aliás, só terminam em pancadaria e tiroteio. É caso de polícia!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

MORRE STEVE JOBS, FUNDADOR DA APPLE



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Fecha-se um ciclo com o falecimento do fundador da Apple, Steve Jobs. Cientista, empresário e intelectual, Jobs foi uma das mentes brilhantes entre os vários estudantes de informática que revolucionaram a informática no Silicon Valley, nos EUA. Escreveu vários livros e deixou uma história riquíssima, que certamente renderá uma biografia, devido às realizações feitas por Jobs e pelas ideias e esclarecimentos que ele divulgou sobre seu complexo trabalho.

Ele fará muita falta, mas espera-se que a Apple sobreviva sem ele, com seus parceiros assimilando perfeitamente as lições do saudoso mestre.

Morre Steve Jobs, fundador da Apple

Da Carta Capital

Steve Jobs, fundador da Apple e considerado o maior gênio do mundo da tecnologia atual, morreu nesta quarta-feira (5). A empresa colocou uma foto do executivo e a inscrição “1955-2011″ em seu site. Ele vinha lutando contra um tipo raro de câncer de pâncreas nos últimos anos e deixara a presidência da companhia em agosto para se tratar.

Este foi o comunicado oficial da empresa em seu site: “A Apple perdeu um gênio criativo e visionário, e o mundo perdeu um ser humano incrível. Aqueles que tiveram a sorte de trabalhar com Steve perderam um querido amigo e um mentor inspirador. Steve deixou para trás uma companhia que só ele poderia ter construído e seue espírito será sempre a base da Apple”.

Vocação para as ideias e para os negócios

Jobs foi um dos muitos executivos que cresceram no Vale do Silício, região da Califórnia famosa pelas empresas de tecnologia de ponta. Ele fundou a Apple em 1976 com os amigos Ron Wayne e Steve Wozniak – ele projetou um computador pessoal na garagem da casa de seus pais. Quatro anos depois, a empresa abriu seu capital para investidores.

A revolução dos computadores pessoais dos anos 1980 teve a participação da Apple e de Jobs. Em 1984, ele apresentou o McIntosh. Nos anos seguintes, as vendas de computadores explodiu por todos os Estados Unidos.

Jobs deixou a Apple após problemas de relaciomento com os sócios em 1985 e viu a empresa começar a afundar. Onze anos depois, volta à direção da companhia e foca no lançamento de produtos com desenho simples, eficientes e de fácil utilização. Adotou a estratégia de fazer lançamentos de produtos de maneira bombástica, como um show. Lançou o ipod em 2001, o iphone em 2007 e o ipad em 2009, produtos que passaram a servir de inspiração para muitos concorrentes.

Jobs também foi fundador da Pixar, principal produtora de animações do mundo.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

CAROL CASTRO ESTÁ SOLTEIRA!!!!



A notícia mais recente é que a belíssima e estonteante atriz Carol Castro terminou seu casamento com Marcos Bravo. A separação foi amigável.

A beldade está no ar na novela Morde e Assopra e recentemente posou para uma marca de biquínis.

Curiosamente, Carol nasceu no mesmo dia, mês e ano que a atriz Olívia Wilde, em 10 de março de 1984. Olivia Wilde era uma atriz casada que, depois, tornou-se solteira. E agora Carol repete a dose.

Maravilhosas.

BLAKE LIVELY ESTÁ SOLTEIRA E VERUSKA DONATO APARECE SEM ALIANÇA



Pelo jeito começou nova temporada de neo-solteiras no Brasil e no mundo. Num ano em que Jennifer Lopez e Ana Paula Araújo retornaram ao time das solteiras, e musas como Sandra Bullock e Leighton Meester seguem livres, leves e soltas, temos pelo menos duas novas notícias.

Uma é que Blake Lively terminou seu namoro com Leonardo di Caprio, o que significa que a deliciosa atriz de Gossip Girl e Irmandade do Jeans Viajante voltou a ficar livre, leve e solta.

Outra é que a jornalista da TV Globo, a belíssima e sensual Veruska Donato, apareceu em reportagem recente do Jornal Hoje sem qualquer anel na mão esquerda, o que dá indício de que ela voltou a ficar solteira.

Pelo menos de vez em quando mulheres bacanas voltam ao "mercado", para nossa alegria.

domingo, 2 de outubro de 2011

60 ANOS DE STING E A IMPORTÂNCIA DO THE POLICE



Hoje o cantor e músico inglês Gordon Sumner, conhecido pelo nome artístico de Sting, completa 60 anos de idade.

A importância do talento do músico torna-se notável pela contribuição que ele deu como vocalista e baixista do grupo The Police - que havia se reunido temporariamente para uma inspirada e prestigiada excursão - , uma das grandes bandas de rock da história, mas cuja carreira solo nem sempre é vista pelo mesmo prisma.

Com boa vontade, Sting na sua carreira solo é um bom músico de pop adulto. Seu som pouco tem da ousadia e do vigor roqueiro do seu famoso grupo, mas uma investida em sons não-roqueiros, que até começou maravilhosamente bem, com The Dream Of The Blue Turtles (1985), com uma boa banda jazzística (e teve até o Darryl Jones que depois passou a tocar para os Rolling Stones e que recentemente tocou com Arnaldo Brandão num dos palcos paralelos do Rock In Rio 2011). Teve o Bring On The Night (1986), ao vivo, que seguiu a mesma linha.

Depois Sting fez discos pouco inspirados, embora tenha colocado vários sucessos nas rádios. Para os fãs do Police, é até uma grande decepção, porque Sting solo, por mais que grave versões de antigos sucessos de seu grupo, não consegue ter o mesmo vigor que os mesmos.

No entanto, vendo as coisas de forma mais objetiva, podemos aceitar que Sting solo é uma coisa, e que o Sting do Police é outra. São diferentes caminhos. Além do mais, o espírito do Police está mais vivo nos trabalhos solo de Andy Summers, guitarrista que recentemente gravou um disco com Roberto Menescal (Andy é fã do músico e produtor bossanovista), e Stewart Copeland, baterista que fez até a trilha sonora do filme O Que É Isso, Companheiro, este de forma ainda mais radical.

Aliás, vendo o currículo de Stewart Copeland, dificil não se lembrar da saudosa Fluminense FM e aquele estado de espírito roqueiro audacioso que vamos torcer que a Kiss FM consiga herdar. Stewart, que na verdade é multiinstrumentista (ele toca até guitarra e baixo), têm até uma "turma" de parceiros que inclui Peter Gabriel e o cantor do Wall Of Voodoo, Stan Ridgeway. Com Peter Gabriel, gravou "Big Time" e "Red Rain", do antológico álbum So. Com Stan, gravou "Don't Boxe Me In", da trilha do filme O Selvagem da Motocicleta.

O grande público, e mesmo o roqueiro médio, ou mesmo os fãs de pop que ouvem rádios de rock bastardas ou menos ousadas, acha "chato" ouvir Andy Summers solo ou "difícil" ouvir Stewart Copeland solo. Mas tais experiências seriam muito gratificantes. Respeita-se a carreira solo de Sting, afinal pop adulto e outras tendências musicais (ele fez música medieval e agora investe na música erudita) são suas opções naturais, ele tem todo o direito.

Em todo o caso, desejamos felicidades e sucesso a Sting. Se as saudades do Police são muito fortes, pelo menos o grupo tem disponível uma discografia respeitável de LPs oficiais, coletânea de quatro CDs com compactos e raridades (Message In a Box) e gravações ao vivo que mostram o quanto é inesquecível e forte a parceria de Sting, Andy Summers e Stewart Copeland.

Tanto isso é verdade que a turnê mais recente do Police só tinha material antigo, quando muito de 1983, mas do contrário que nossos ídolos brega-popularescos - que soam velhos em cada canção nova que lançam - , parecia que o Police estava com um repertório sempre novo e vigoroso. E eram só três músicos, mas eles deram tudo de si e mostraram muito mais música do que muito astro badalado que enche de tecladistas e sobretudo dançarinos no palco.

Parabéns, Sting, e sucesso. Que tenha saúde, longa vida e prosperidade. Não se preocupe conosco, fãs do Police, faça o que seu coração mandar. Mas se o Police voltar uma vez, a gente agradece e aplaude.

A CBN E O CORONELISMO ELETRÔNICO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Luís Nassif faz uma análise sobre o perfil ideológico da CBN, esclarecendo aquilo que o Preserve o Rádio AM já descrevia há dez anos, quando setores mais ingênuos da opinião pública ignoravam a associação da rede radiofônica com a linha ideológica conservadora das Organizações Globo.

A CBN e o coronelismo eletrônico

Por Luis Nassif - Brasilianas.Org

Não se discute o alto nível do radio-jornalismo da CBN. Critica-se sua parcialidade. Mais que isso, os paradoxos entre seu discurso político e sua prática de alianças.

No discurso, seus analistas ignoram completamente as limitações do federalismo brasileiro, a política de alianças – que garante a governabilidade -, a necessidade de pragmatismo político. Dividem o Brasil entre o supostamente país moderno (dos quais eles são porta-vozes) e o Brasil anacrônico, dos Sarneys e companhia. Aliás, é um contraponto salutar, para reduzir o poder de influência dos coronéis.

Mas hoje em dia a principal fonte de poder dos coronéis regionais é a rede Globo e a rede CBN de rádio.



De onde emana o poder político dos coronéis regionais? Em grande parte, do controle da mídia local. E esse poder deriva fundamentalmente da política de alianças com as redes nacionais de rádio e TV. Especialmente das Organizações Globo e da rede CBN.

No âmbito político, o chamado presidencialismo de coalizão é uma amarra fantástica: sem maioria, governos não governam. No caso das redes nacionais de comunicação, a definição dos sócios regionais é uma questão meramente econômica: seleciona-se o parceiro que dê melhor retorno econômico. Como a imprensa regional depende bastante das forças políticas locais, aceita-se o que tem de mais retrógrado por motivação financeira – não por governabilidade.

Ou seja, a Globo e seu braço CBN são polos centrais da força política de coronéis regionais. E, no âmbito nacional, praticam a crítica contra a força... dos coronéis regionais dos quais são associados.

É o que explica a Rede Globo ter como afiliados ACM, na Bahia, Sarney, no Maranhão, os Collor, em Alagoas – entre outros.

Volte-se, agora, ao caso CBN, especificamente a Manaus.

No momento, a CBN Manaus empreende uma campanha terrível contra uma cidadã, uma médica sem vinculações políticas – simpatizante de José Serra nas últimas eleições – que, nos confins do país, tenta exercer uma função cidadã denunciando os esbirros dos coronéis políticos locais.

Ela denunciou ações do prefeito de Manaus e passou a sofrer represálias terríveis, uma perseguição pessoal que afeta sua vida profissional e familiar – é mãe de uma recém-nascida. Indagada sobre a perseguição, a direção nacional da CBN respondeu que ela que se defendesse na Justiça. Mariza Tavares, bela jornalista, endossou a atuação de Ronaldo Tirandentes, representante do coronelismo eletrônico mais truculento e anacrônico.

A partir das pesquisas do nosso Stanley Burburinho, algumas informações sobre o braço da CBN Manaus, o empresário Ronaldo Tiradentes, com fortes ligações com o coronel local Amazonino Mendes.

Tiradentes já foi denunciado por compra do diploma de jornalista. O autor da denúncia é o jornalista Marcos Losekann no livro "O ronco da pororoca: histórias de um repórter na Amazônia". Detalhe: Losekann é correspondente da própria Globo em Londres (clique aqui). Tiradentes já admitiu publicamente a compra do diploma de segunda grau.

Mais: Tiradentes incumbiu a repórter Andréa Vieira da perseguição à médica Bianca Abidaner. A repórter foi nomeada Assessora Técnica da Prefeitura de Manaus pelo próprio Amazonino Mendes. No mesmo dia, Marcos Paz Tiradentes, irmão de Ronaldo, foi nomeado DAS-1 da Secretaria Municipal de LImpeza Pública, pelo mesmo Amazonino.

Aqui os dados sobre a assessora. Aqui o documento de sua nomeação para a assessoria da prefeitura. Aqui, a nomeação de Marcos Paz.

De que lado, afinal, está a CBN? Do suposto país moderno ou do que mais atrasado existe na política nacional?