sexta-feira, 30 de setembro de 2011

QUANDO A MÚSICA SE ENCERRA



O grupo R. E. M. se separou definitivamente.

A cantora Césaria Évora se aposentou.

Redson, vocalista e guitarrista do Cólera, morreu, e praticamente a trajetória do grupo se encerrou.

Sou do tempo em que os cantores e músicos eram humanistas. Descontando o comercialismo que é um "planeta" à parte, uma espécie de "bolha de plástico" mantida pelo show business, tínhamos artistas de verdade, seres humanos até imperfeitos, mas verdadeiramente verdadeiros.

Hoje até causa constrangimento que o show business agora queira investir em ídolos "autênticos" com letras "confessionais", ou em ídolos "populares", no caso brasileiro, que ostentam até demais suas vidas particulares e se autopromovem às custas da própria origem pobre (que nem é tanta assim e que está há muito superada).

A mediocridade musical cresce e temos que aguentar esses ídolos até eles não poderem mais ficar em pé. Ou seja, durante cerca de 55 anos. Tudo bem que eles tenham o direito de se expressarem, gravarem discos etc, mas eles estão em todos os espaços.

O grande problema é esse. A mediocridade artística quer insistir, quer ocupar todos os espaços. Se acha acima do tempo e do espaço, e vemos o brega-popularesco pouco preocupado em ver se a MPB perde espaços, se o folclore perde espaços.

Ficamos à mercê da mediocrização, da estupidez, e ainda somos "massacrados" por troleiros que não querem ver senso crítico, verdadeiros "AI-5" de brinquedo que eles são.

Talvez se todos soubessem seus limites, a mediocrização não incomodaria tanto. Talvez fosse melhor que alguns ídolos medíocres pelo menos pensassem o que eles fariam se tivessem que encerrar a carreira. No passado, ídolos comerciais estavam preparados para quando tivessem que encerrar suas carreiras, em vez de enrolar o público com uma produtividade falsa que só repete as mesmas coisas.

Falta humildade, autocrítica, senso de limites, senso de ridículo. O problema não é quando grandes artistas encerram suas atividades pela natural consciência de que encerraram sua missão, ou quando de repente alguns deles morrem por uma ocasião ou outra. O problema é que não são muitos os que, à altura dos extintos, seguem adiante com seu brilhante talento, seu humanismo e sua humildade.

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