sábado, 3 de setembro de 2011

MAIS DE 100 MIL HOMENS TERIAM SIDO IGNORADOS DOS ÚLTIMOS CENSOS NO BRASIL


POPULAÇÃO BRASILEIRA PODE SER, NA VERDADE, MAJORITARIAMENTE MASCULINA.

A situação nos põe a pensar. O Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizado em 1960, segundo informam Paulo Markun e Duda Hamilton no livro 1961: Que As Armas Não Falem (Senac SP, 2001), mostrava 70.070.457 brasileiros, sendo 35.055.457 homens e 35.015.000 mulheres. Era um número de 40 mil homens a mais do que o total de mulheres.

Naquela época, as mulheres não eram vulneráveis a riscos de saúde ou tragédias violentas, como as de hoje. Mas, nos últimos censos, aparentemente a população feminina tornou-se majoritária, mesmo quando os noticiários apontam para o crescimento de óbitos de mulheres, por causas que variam dos problemas de saúde à violência ou acidentes.

A violência que também atinge os homens em grande número, no entanto, não é fator que possa explicar a maioria feminina oficialmente anotada pelo Censo das últimas três décadas.

Afinal, o crescimento das cidades e da população brasileira criou uma sociedade complexa de tal forma que o que pode ter acontecido é a "exclusão" de um grande contingente de homens, tanto os das classes pobres quanto os das classes mais ricas, da população oficial registrada pelos últimos censos.

Os relatos foram fornecidos por um ex-recenseador do IBGE, que pediu para não ser identificado.

A QUESTÃO DO DOMICÍLIO - Um desses complicadores é o critério adotado pelo IBGE sobre o que é domicílio. Trata-se de um critério estranho, pois se alguém está tomando cafezinho em um bar, ele é "seu domicílio" no momento.

Esse critério faz com que muitos homens trabalhadores em trânsito praticamente "inexistam" estatisticamente. Eles não estão em casa, não estão nas ruas, se estão no trabalho estão em reunião, e o recenseador praticamente não consegue entrevistar muitos homens por causa da ausência deles, principalmente no lar, com a família.

LUGARES DE DIFÍCEIS ACESSOS - Outro fator que pode indicar que muitos homens foram "ignorados" pelos últimos recenseamentos pode ser o fato de que muitas localidades são de difícil acesso, como muitas favelas ou localidades distantes do Norte do país.

Isso impede que os recenseadores possam entrar em certos lugares, que são por vezes controlados pelo crime organizado, que normalmente faz ameaças a quem realizar alguma pesquisa que venha a identificar seus integrantes. Mas mesmo favelas sem ações criminosas de grande porte apresentam acessos tão difíceis que dá trabalho para alguém percorrer por lá.

INTERESSES TURÍSTICOS - O que pode ter feito o Censo do IBGE apostar numa "maioria feminina", apesar da vulnerabilidade crescente entre as mulheres que pode ter reduzido sua população nos últimos 30 anos (sobretudo crimes passionais, latrocínios, acidentes de trânsito, erros médicos e doenças graves), podem ser interesses de ordem turística, uma vez que, normalmente, a mão-de-obra decisiva para indústrias e outros setores estratégicos é masculina. Usa-se o mito do "país mulher" para que se estimule a migração de homens para certas cidades, ou mesmo para atrair homens vindos do exterior.

Além do mais, o próprio IBGE mantém métodos recenseadores viciados desde o tempo do regime militar. Se adotasse os critérios de 1960, os dados da população brasileira seriam outros, o que indicaria uma proporção média aproximada de 102 homens para 90 mulheres.

A própria realidade de haver, na maioria das cidades, um maior número de mulheres comprometidas ou um número equilibrado entre homens e mulheres solteiros - ou um desequilíbrio entre os homens numa cidade compensado no de mulheres em outra - , é um claro indício disso.

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