quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A LEMBRANÇA DO R.E.M.



O R.E.M. anunciou seu fim até depois de um bom tempo sem um de seus integrantes. O baterista Bill Berry, depois de ter sobrevivido a um aneurisma cerebral, havia decidido se aposentar em 1998, o que fez o grupo se reduzir a um trio, com o baterista de apoio do projeto solo de Peter Buck, o guitarrista, no lugar de Berry.

Ouvi o R.E.M. pela primeira vez quando tinha 13 anos e sintonizava a Fluminense FM. Era o segundo semestre de 1984 e músicas de maravilhosa melodia como "Pretty Persuasion", "Don't Go Back To Rockville" e, sobretudo, "Pilgrimage", de longe a melhor música do grupo, me empolgavam naquela minha adolescência iniciante.

Depois, em 1985, vieram músicas como a divertida "Can't Get There From Here" e a maravilhosa "Driver 8th", do Fables Of The Reconstruction que chegava até nós pela série da CBS (atual Sony), que detinha o passe da IRS, gravadora que tinha o grupo como contratado. Essa série se chamava New Rock Collection, com seus discos lançados com uma tarja amarelo-limão nas beiradas.

Me lembro que em 1986, num belíssimo dia de sol, eu escutei "Driver 8th" pelo rádio, antes de me preparar para ir para o Liceu Nilo Peçanha, nos meus 15 anos. E, meses depois, a belíssima "Fall On Me" causava impacto, quando ouvi a música pela primeira vez na Flu FM.

Depois vieram várias músicas, grandes canções do grupo de Athens. O grupo, em 1988, trocou a IRS pela mega Warner Bros Records, mas está na cara que os dois discos, Document (1987), o último da IRS, e Green (1988), o primeiro pela Warner, são discos gêmeos, musicalmente idênticos.

O R.E.M. que se seguiu, depois, foi o R.E.M. que não era mais alternativo, em projeção. O grupo sempre manteve sua integridade, mas o som dos anos 90, em que pese ótimos momentos como "Shiny Happy People", não eram tão geniais quanto nos anos 80. Mas foi a década em que o grupo, assim como Red Hot Chili Peppers, outro ícone dos anos 80 (e breve no Rock In Rio), tornou-se mais conhecido.

Em todo caso, o R.E.M. lançou até o curioso disco Monster, de 1994, um disco de noisy rock, que teve até a participação de Thurston Moore, do Sonic Youth. O disco foi todo feito dedicado à tragédia de Kurt Cobain, músico do Nirvana, grupo mais popular e polêmico da época.

Mas o problema é que o R.E.M. fazia muitas músicas melancólicas nessa década, não que elas fossem ruins, mas diante das melodias impactuantes e inspiradas nos Byrds dos anos 80, elas deixam um pouco a desejar.

Nos últimos anos, o R.E.M. tentava recuperar seu fôlego e até a se acostumar com a ausência de Bill Berry (que hoje vive em sua fazenda, com a família). Mas chega um ponto em que os projetos individuais falam alto e o grupo decidiu acabar. Lamentável, mas essa é a vida.

Até que o R.E.M. durou bastante depois da saída do baterista, porque no começo da carreira, os integrantes prometiam que, se um deles saísse do grupo, ele seria extinto. E até durou além da estranha numeração colocada nos álbuns, uma suposta contagem regressiva que, se levada a sério, faria a banda se encerrar ainda nos anos 90.

Pelo menos o fim foi amigável. Pena que o grupo acabou. Mas seus integrantes talvez precisem trilhar cada um o seu caminho. Resta ainda a esperança de um futuro revival, daqui a alguns anos. De qualquer modo, os discos do R.E.M. e os registros de sua trajetória estão aí para a gente curtir.

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