sexta-feira, 30 de setembro de 2011

QUANDO A MÚSICA SE ENCERRA



O grupo R. E. M. se separou definitivamente.

A cantora Césaria Évora se aposentou.

Redson, vocalista e guitarrista do Cólera, morreu, e praticamente a trajetória do grupo se encerrou.

Sou do tempo em que os cantores e músicos eram humanistas. Descontando o comercialismo que é um "planeta" à parte, uma espécie de "bolha de plástico" mantida pelo show business, tínhamos artistas de verdade, seres humanos até imperfeitos, mas verdadeiramente verdadeiros.

Hoje até causa constrangimento que o show business agora queira investir em ídolos "autênticos" com letras "confessionais", ou em ídolos "populares", no caso brasileiro, que ostentam até demais suas vidas particulares e se autopromovem às custas da própria origem pobre (que nem é tanta assim e que está há muito superada).

A mediocridade musical cresce e temos que aguentar esses ídolos até eles não poderem mais ficar em pé. Ou seja, durante cerca de 55 anos. Tudo bem que eles tenham o direito de se expressarem, gravarem discos etc, mas eles estão em todos os espaços.

O grande problema é esse. A mediocridade artística quer insistir, quer ocupar todos os espaços. Se acha acima do tempo e do espaço, e vemos o brega-popularesco pouco preocupado em ver se a MPB perde espaços, se o folclore perde espaços.

Ficamos à mercê da mediocrização, da estupidez, e ainda somos "massacrados" por troleiros que não querem ver senso crítico, verdadeiros "AI-5" de brinquedo que eles são.

Talvez se todos soubessem seus limites, a mediocrização não incomodaria tanto. Talvez fosse melhor que alguns ídolos medíocres pelo menos pensassem o que eles fariam se tivessem que encerrar a carreira. No passado, ídolos comerciais estavam preparados para quando tivessem que encerrar suas carreiras, em vez de enrolar o público com uma produtividade falsa que só repete as mesmas coisas.

Falta humildade, autocrítica, senso de limites, senso de ridículo. O problema não é quando grandes artistas encerram suas atividades pela natural consciência de que encerraram sua missão, ou quando de repente alguns deles morrem por uma ocasião ou outra. O problema é que não são muitos os que, à altura dos extintos, seguem adiante com seu brilhante talento, seu humanismo e sua humildade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

MORRE REDSON, FUNDADOR DO CÓLERA E PIONEIRO DO PUNK ROCK NACIONAL



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Apesar do nome, a banda Cólera se destacava pela atitude pacifista e pelo altruísmo militante de seus músicos, sobretudo Redson, guitarrista e vocalista, que também foi um batalhador do punk rock e do cenário intependente do rock brasileiro. Perde-se uma grande figura do Rock Brasil, mas fica a sua lição de dignidade e luta.

Morre Redson, fundador do Cólera e pioneiro do punk rock nacional

Do Portal Terra

Fundador e vocalista da banda Cólera, Redson Pozzi morreu na noite dessa terça-feira (27), em São Paulo, aos 49 anos. A notícia foi dada por meio das redes sociais. "Redson (Cólera) meu amigo e ex-sócio na Ataque Frontal faleceu esta noite. Descanse em PAZ camarada, certeza que fez sua história!", postou o perfil do selo.

Segundo o baixista Val Pinheiro escreveu no Orkut, "Redson passou mal quando estava sozinho em sua residência por volta das 2h30 na madrugada de segunda-feira (26) para terça, foi socorrido por um amigo que acionou o SAMU e o conduziu ao Hospital João XXIII, na Mooca, onde foi atendido".

Por volta das 15h de ontem, o cantor teria recebido a visita de um amigo, com quem conversou por quase uma hora e meia, até que os seguranças pediram que ele se retirasse. Às 22h do mesmo dia, a família de Redson recebeu um telefonema pedindo que comparecessem ao hospital com os documentos do músico, ainda de acordo com Val Pinheiro.

Edson "Redson" Lopes Pozzi formou o Cólera em 1979 ao lado de seu irmão, Carlos "Pierre" Lopes Pozzi. Completando a formação, Kinno e Hélinho. Referência no punk nacional, a banda ajudou a construir a história do gênero no País e se tornou um dos grupos de maior longevidade no Brasiil.

Em 1981, Hélio e Kino deixam a banda. Valdemir "Val" Pinheiro entra para assumir o baixo e Redson toma a guitarra e os vocais. Nesse momento, o grupo encontra uma nova ideologia, agora com foco pacifista, antimilitarista e ecológica.

No ano seguinte, o Cólera é listado na compilação Grito Suburbano, primeiro registro do punk paulistano em LP, ao lado de Inocentes e Olho Seco. Ainda em 82, fazem uma participação no festival o Começo do Fim do Mundo, no Sesc Pompeia, ao lado de nomes internacionais.

Redson cria então o selo Estúdios Vermelhos, em 1983, e lança a compilação SUB, ao lado de Ratos de Porão e Fogo Cruzado. Dois anos depois, o selo muda de nome para Ataque Frontal lança o álbum de estreia, Tente Mudar o Amanhã. Ainda em 85, eles gravam o show de lançamento e lançam um split-LP junto com o Ratos de Porão e mais uma compilação, Ataque Sonoro.

Em 1986, o álbum Pela Paz em Todo Mundo vende 85 cópias, um número bastante expressivo para o lançamento independente. No ano seguinte é a vez de sair o EP É Natal!!!? e uma excurssão na Europa pelo circuito underground. Lá, Redson e seu grupo dividiram o palco com os alemães do Inferno e os britânicos do Disorder.

Os registros da turnê são lançados nos anos seguintes com o ao vivo European Tour '87 e um vídeo 20 Minutos de Cólera. Em 1989 sai Verde, Não Devaste!, pela Devil Records. Mesma época em que desenvolvem uma parceria com a banda Plebe Rude, de Brasília.

Em 1992 é lançado Mundo Mecânico, Mundo Eletrônico, que conta com uma regravação de seu primeiro álbum, a faixa 1.9.9.2. Após mais um hiato de lançamentos, o próximo disco, Caos Mental Geral, só sai em 1998. Em 2000, a Plebe Rude regrava Medo, do Cólera, no álbum ao vivo Enquanto a Trégua Não Vem. No mesmo ano, o Inocentes regrava Quanto Vale a Liberdade no disco O Barulho dos Inocentes.

Para celebrar mais um aniversário da banda, lançam 20 Anos Ao Vivo, em 2002, e Deixe a Terra em Paz, em 2004. Primeiros Sintomas é lançado em 2006, com diversas gravações de 1979 e 1980. Após mais uma turnê europeia em 2008, abriram em 2009 a excurssão 30 Anos Sem Parar! pelo Brasil.

DEPOIS DE 21 ANOS, ROCK VOLTA A TER FÔLEGO NO RÁDIO DO RJ



A revista Época já noticiou a entrada da Kiss FM no Rio de Janeiro, já confirmada. Apenas algumas questões burocráticas faltam ser resolvidas, mas assim que elas se concluírem, a emissora entrará no ar no dial do Grande Rio.

A entrada ocorrerá 21 anos e meio depois do radialismo rock sofrer sérios infortúnios. Entre os deslizes graves da Fluminense FM, a performance caricata da Rádio Cidade e da Transamérica e de tentativas efêmeras de novas rádios de rock, o rock no rádio fluminense literalmente encontrou um caminho de pedras que furou os pneus de sua caravana.

Mas, agora, a coisa promete mudar, e a Kiss FM faz até consultas com o público e com músicos para definir sua linha de programação, para não cair na cabra-cega e no "roquismo anti-roqueiro" de uma Rádio Cidade que mais parecia agir contra o público de rock.

A Kiss FM também vem para reaquecer o debilitado mercado da Frequência Modulada, abalado com o fim de emissoras segmentadas de referência - como a Antena Um FM - e a entrada das lamentáveis "rádios AM em FM", fenômeno que anda causando estresse e pânico no mercado publicitário.

As "rádios AM em FM", por sinal, andam levando uma surra violenta das emissoras de TV paga, e até automóveis e celulares passam a ter televisão cujas transmissões simplesmente derrubam o Ibope de FMs allnews, transmissões esportivas em FM e "rádios populares" que na Frequência Modulada chegam a ter audiência inferior a de rádios comunitárias.

Portanto, a Kiss FM é uma esperança para o rádio carioca que deixou de ouvir os seus ouvintes. A Kiss Rio FM, pelo contrário, prefere primeiro ouvir os fãs de rock para que possa ser ouvida por eles. Isso é que é Comunicação.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

HOJE ESTOU OCUPADO



Estou escrevendo um livro e fazendo pesquisas para isso, daí não poder me dedicar hoje ao blogue. Apenas escrevo este aviso, mas estarei ocupado demais para procurar um assunto para ser escrito ou reproduzido - com comentários meus - aqui.

Se o Mingau de Aço já tem textos publicados, eles foram colocados com antecedência. Mas mesmo assim não tive tempo para colocar textos antecipados aqui.

Mas quarta-feira, se puder, coloco alguma coisa aqui. Abraços.

sábado, 24 de setembro de 2011

BIOGRAFIA DE BRITTANY MURPHY SERÁ ESCRITA PELO PAI



A saudosa atriz Brittany Murphy - hoje na chamada pátria espiritual - terá sua biografia escrita não mais por sua mãe, Sharon Murphy, mas pelo pai, Angelo Benedotti, em parceria com a jornalista Julia Davis.

A informação foi dada pelo blogueiro Perez Hilton. A biografia contará sobre a infância da atriz, seu crescimento e a tragédia que a vitimou, em dezembro de 2009.

Sharon e Angelo geraram a filha Brittany em 10 de novembro de 1977. Os dois se separaram quando ela estava entre dois e três anos de idade. Praticamente, Brittany foi criada apenas por sua mãe, de quem a atriz afirmava constantemente ser sua melhor amiga. "Meu lar é onde minha mãe está", costumava dizer Brittany.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A LEMBRANÇA DO R.E.M.



O R.E.M. anunciou seu fim até depois de um bom tempo sem um de seus integrantes. O baterista Bill Berry, depois de ter sobrevivido a um aneurisma cerebral, havia decidido se aposentar em 1998, o que fez o grupo se reduzir a um trio, com o baterista de apoio do projeto solo de Peter Buck, o guitarrista, no lugar de Berry.

Ouvi o R.E.M. pela primeira vez quando tinha 13 anos e sintonizava a Fluminense FM. Era o segundo semestre de 1984 e músicas de maravilhosa melodia como "Pretty Persuasion", "Don't Go Back To Rockville" e, sobretudo, "Pilgrimage", de longe a melhor música do grupo, me empolgavam naquela minha adolescência iniciante.

Depois, em 1985, vieram músicas como a divertida "Can't Get There From Here" e a maravilhosa "Driver 8th", do Fables Of The Reconstruction que chegava até nós pela série da CBS (atual Sony), que detinha o passe da IRS, gravadora que tinha o grupo como contratado. Essa série se chamava New Rock Collection, com seus discos lançados com uma tarja amarelo-limão nas beiradas.

Me lembro que em 1986, num belíssimo dia de sol, eu escutei "Driver 8th" pelo rádio, antes de me preparar para ir para o Liceu Nilo Peçanha, nos meus 15 anos. E, meses depois, a belíssima "Fall On Me" causava impacto, quando ouvi a música pela primeira vez na Flu FM.

Depois vieram várias músicas, grandes canções do grupo de Athens. O grupo, em 1988, trocou a IRS pela mega Warner Bros Records, mas está na cara que os dois discos, Document (1987), o último da IRS, e Green (1988), o primeiro pela Warner, são discos gêmeos, musicalmente idênticos.

O R.E.M. que se seguiu, depois, foi o R.E.M. que não era mais alternativo, em projeção. O grupo sempre manteve sua integridade, mas o som dos anos 90, em que pese ótimos momentos como "Shiny Happy People", não eram tão geniais quanto nos anos 80. Mas foi a década em que o grupo, assim como Red Hot Chili Peppers, outro ícone dos anos 80 (e breve no Rock In Rio), tornou-se mais conhecido.

Em todo caso, o R.E.M. lançou até o curioso disco Monster, de 1994, um disco de noisy rock, que teve até a participação de Thurston Moore, do Sonic Youth. O disco foi todo feito dedicado à tragédia de Kurt Cobain, músico do Nirvana, grupo mais popular e polêmico da época.

Mas o problema é que o R.E.M. fazia muitas músicas melancólicas nessa década, não que elas fossem ruins, mas diante das melodias impactuantes e inspiradas nos Byrds dos anos 80, elas deixam um pouco a desejar.

Nos últimos anos, o R.E.M. tentava recuperar seu fôlego e até a se acostumar com a ausência de Bill Berry (que hoje vive em sua fazenda, com a família). Mas chega um ponto em que os projetos individuais falam alto e o grupo decidiu acabar. Lamentável, mas essa é a vida.

Até que o R.E.M. durou bastante depois da saída do baterista, porque no começo da carreira, os integrantes prometiam que, se um deles saísse do grupo, ele seria extinto. E até durou além da estranha numeração colocada nos álbuns, uma suposta contagem regressiva que, se levada a sério, faria a banda se encerrar ainda nos anos 90.

Pelo menos o fim foi amigável. Pena que o grupo acabou. Mas seus integrantes talvez precisem trilhar cada um o seu caminho. Resta ainda a esperança de um futuro revival, daqui a alguns anos. De qualquer modo, os discos do R.E.M. e os registros de sua trajetória estão aí para a gente curtir.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

LUMA COSTA VAI SE CASAR. E AS "BOAZUDAS"?



A bela e graciosa atriz Luma Costa, a Nanda da novela da TV Globo Fina Estampa, está noiva de um empresário com o qual se casará em 2012, conforme anunciou a imprensa recentemente.

Isso mostra o contraste que é o Brasil fictício e "caliente" de romances cucarachas que até recenseadores tentam reafirmar e a realidade nua e crua que o país vive.

Afinal, se um homem quer ter a mulher que realmente gosta, tem que montar uma empresa ou um escritório de advocacia ou então ser executivo de um banco.

É até constrangedor que certos machistas não-assumidos acreditem que mulher é que nem capim e que não é preciso ter afinidade de gostos, hábitos ou ideias para um homem se unir com uma mulher. Se acham tão "livres de preconceito" mas criam preconceitos mais cruéis ainda sobre o direito de escolha dos homens.

E aí, enquanto Luma Costa anuncia seu futuro casamento, as chamadas "boazudas" - das paniquetes às mulheres-frutas propriamente ditas, passando por ex-BBBs e ex-dançarinas de pagodão - , salvo exceções, continuam "solteiríssimas", evidentemente sem qualquer convicção.

É até irônico que o ator Carlos Machado, do mesmo núcleo de Luma Costa no enredo da novela, tenha se "envolvido" com a ex-dançarina do É O Tchan, Karen Loren, alguns dias atrás. Mas, a não ser que Machado seja o Fernando Scherer da vez, aparentemente nada foi além disso.

A sobra, muitas vezes forçada pelas circunstâncias, de solteiras com péssimos referenciais culturais, em contraste com outras com alguma relevância, mínima que seja, que ficam facilmente comprometidas, mostra o quanto o Brasil é um país dotado de estranhezas que fizeram, um dia, o saudoso Sérgio Porto investir no Febeapá.

Afinal, as "solteiríssimas" ligadas ao entretenimento popularesco, seja como fãs, seja como celebridades, não carecem de pretendentes. Eles existem, e são muitos. Mas elas, talvez por falsa modéstia, talvez pela ilusão de escolherem demais, ficam esperando que cidadãos como eu e você (no caso de ser leitor masculino) as levem para o altar, o que é impossível, porque elas nada têm a ver com o universo cultural que acreditamos.

Os reacionários que se irritam quando dissemos que não apreciamos tais "musas" e fazem contra nós acusações indevidas é que deveriam ficar com elas. As "boazudas" não são tão inacessíveis assim, vide o "encalhe" muitas vezes forçado pela "carreira". Elas é que fazem chilique quando seus pretendentes aparecem. E, se eles forem empresários ou advogados, pior ainda.

Semana passada Carla Vilhena, a bela jornalista da Globo, se casou com um advogado. Enquanto isso, quando humildemente falamos que uma Solange Gomes ou Nana Gouveia da vida poderiam se casar sem problema com advogados ou empresários, a turma reacionária de mini-Bolsonaros e equivalentes mirins do José Serra se irritam e dizem mil desaforos e ameaças.

Fazer o quê, né?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

REABILITAÇÃO DE WILSON SIMONAL NÃO REFLETE NO FILHO E HERDEIRO ARTÍSTICO


WILSON SIMONAL (E) E SEU FILHO, WILSON SIMONINHA - Filho foi testemunha da fase áurea do pai, mas não é beneficiado com a revalorização do falecido cantor.

É bastante merecida a reabilitação do cantor e compositor Wilson Simonal, que desfez vários equívocos relacionados à sua imagem. Desfez, sobretudo, um boato plantado por ex-seguranças, que haviam discutido com o cantor, de que ele teria sequestrado um antigo sócio e denunciado vários artistas de esquerda para o regime militar.

Simonal não era de esquerda nem de direita. Não era ingênuo, mas seu sucesso repentino pegou ele de surpresa, para o bem e para o mal, num tempo em que a repressão militar tornou-se intensa em razão do AI-5. Simonal foi tão vítima quanto Geraldo Vandré, cantor de protesto da música "Caminhando (Pra Não Dizer que Não Falei de Flores)", que aliás foi o último amigo que visitou o grande artista negro, num de seus últimos momentos de vida, em 2000, pouco antes de falecer, de complicações causadas pelo álcool.

Simonal era um artista ímpar, com um grande domínio de palco, muita informação musical e capaz de juntar soul music e samba sem soar forçado ou caricato, até porque Simonal tanto assimilava bem as informações musicais do ritmo estadunidense quanto entendia, de fato, de samba e de Bossa Nova.

O que se teme, com toda a reabilitação artística que alguém recebe, sobretudo de um artista que já morreu, é que ela pode ser distorcida ao sabor do oportunismo.

Raul Seixas, por exemplo, foi vítima desse oportunismo, com sua imagem de roqueiro de senso crítico afiado sendo diluída para a de um lunático místico e pateta, graças à interpretação equivocada da música "Maluco Beleza", que fala menos de loucura do que de excentricidade. E foi preciso que a viúva Kika Seixas movesse um processo judicial para evitar que se realizasse um "tributo" de axé-music do repertório do roqueiro, que assumidamente odiava o ritmo baiano.

O maior temor que se tem, com a reabilitação de Wilson Simonal, é que ela seja usada para o oportunismo pedante de ídolos esquecidos do "pagode romântico" ou mesmo de medalhões do mesmo estilo neo-brega.

Nomes supostamente injustiçados como Grupo Molejo e Leandro Lehart tentam uma carona na imagem recuperada de Simonal, enquanto os astros Alexandre Pires e Thiaguinho, este ex-Exaltasamba, ambos figurinhas fáceis na revista Caras e na Rede Globo, foram tendenciosamente jogados para um tributo ao falecido cantor, por ordens da gravadora, a multinacional EMI, que detinha o passe dos dois.

Aí, da "pilantragem" que Simonal, meio que de brincadeira, definia seu estilo, se passa para a picaretagem de grupos e cantores que mal conseguem fazer samba, fazendo ora uma diluição "sambista" de Julio Iglesias com Lionel Richie, ora uma imitação caricata do samba de Jorge Ben Jor, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e o que vier em evidência.

Pior ainda é comparar a reabilitação da imagem de Wilson Simonal com a de Waldick Soriano, rebaixando a imagem do primeiro e exaltando a do segundo, que, além de conservador, era musicalmente medíocre.

Primeiro, porque Simonal não era medíocre, e musicalmente passava longe da cafonice que as rádios latifundiárias e os barões do entretenimento empurravam para as classes populares naqueles anos de chumbo do regime militar.

Segundo, porque a própria "reabilitação" de Waldick já vem distorcida pela direita cultural enrustida, representada sobretudo pela pessoa do sr. Paulo César Araújo, que tentou promover o ídolo brega como se fosse um "cantor de protesto", coisa que ele nunca foi.

Além disso, aquele que seria o maior beneficiado pela reabilitação da imagem de Wilson Simonal, o filho Wilson Simoninha - que literalmente atualiza o estilo musical que herdou do próprio pai - , simplesmente é completamente ignorado pelos mesmos que agora bajulam o cantor de "Tributo a Martin Luther King".

Ou seja, Wilson Simonal é bom para recolocar nas paradas de sucesso aqueles grupos e cantores do "pagode mauriçola" de 1990-1992, vários deles agora se passando por "coitadinhos". Mas, para promover a popularidade do próprio filho, que era um menino pequeno quando seu pai vivia seus áureos tempos de sucesso, a reabilitação de Simonal não serve?

Pouco se fala de Wilson Simoninha, que faz sua batalha pelo reconhecimento artístico sem se passar por "coitadinho", até porque existe uma diferença muito grande entre artistas que enfrentam dramas e dificuldades e ídolos que usam o sofrimento como marketing e se preocupam mais com as críticas negativas que recebeu do que com a popularidade que, ainda que artificial e tendenciosamente, obtiveram.

Daí a grande incoerência de revalorizar Wilson Simonal, mas ignorar completamente seu filho, que não somente assume o DNA musical do pai, como é seu principal intérprete, já que Simonal não se encontra mais entre nós.

Ou seja, nada como Wilson Simoninha para, sozinho ou com seu irmão Max de Castro (que no entanto difere em estilo do pai, e nasceu quando o pai já sofria seu inferno astral), cantarem músicas do pai para os fãs relembrarem do tempo em que um artista negro chegava a se equiparar, em popularidade, com Roberto Carlos.

Pelo jeito, se as bocas de uns estão cheias de formiga, suas mentes devem estar cheias de cupins.

domingo, 18 de setembro de 2011

MAIS UMA VEZ: HOJE É DIA DO ROCK



Não nos custa repetir que hoje é o verdadeiro Dia do Rock. Porque, novamente, nos lembramos de Jimi Hendrix, que deixou uma lacuna muito forte ao deixar este planeta no dia 18 de setembro de 1970.

Hendrix virou a história da guitarra de cabeça para baixo e, no rock, foi o músico mais revolucionário, sintetizando, no seu estilo, uma mistura de rock, blues, folk, psicodelia e jazz.

Toda a nata do rock norte-americano e britânico ficou boquiaberta com o talento do negro de Seattle, que havia se destacado como músico acompanhante de vários nomes da soul music e do rhythm and blues, mas que começou sua carreira própria na Inglaterra, com o impactuante Jimi Hendrix Experience, sob o acompanhamento dos hoje também falecidos Noel Redding e Mitch Mitchell.

Se até mesmo grandes guitarristas como Pete Townshend e Eric Clapton se sentiram um pouco perturbados por não conseguirem ser tão revolucionários quanto Hendrix, é sinal de que a importância do guitarrista canhoto, também excelente compositor e ótimo vocalista, é indiscutível.

E, numa época em que se aproxima o dia do Rock In Rio - em que pese o uso discutível da palavra "rock" - , vale nos lembrarmos desse músico genial cuja obra vive sempre.

sábado, 17 de setembro de 2011

ROCK IN RIO TERÁ SAMBA DO CRIOULO DOIDO NOS ÔNIBUS CARIOCAS



A Prefeitura do Rio de Janeiro avisou que os interessados a ir ao Rock In Rio, a acontecer na próxima semana, não podem usar automóveis nem táxis, pois não haverá sequer estacionamento para carros.

Os interessados terão que pegar os ônibus fardados da "Viação Cidade do Rio de Janeiro" para o Terminal Alvorada e a linha especial destinada ao evento, em Jacarepaguá.

Certamente muitos jovens estrangeiros ficarão enlouquecidos na dificuldade de identificar o ônibus que devem pegar, pelo menos para a Barra da Tijuca. Se agora um Real Auto Ônibus para a Alvorada é igualzinho a um Transportes Futuro para Gardênia Azul e Cidade de Deus, aí é que a viagem será uma loucura, brou.

A julgar pelo tumulto que costuma haver nos pontos de ônibus da Avenida das Américas, a coisa então deve ficar mais caótica ainda. Portanto, moçada, muito cuidado na hora de pegar um ônibus, porque a coisa está um samba do crioulo doido. Ou então o pessoal vai correr o risco de trocar o Rock In Rio por um bom bangue-bangue ao vivo nas ruas de Jacarepaguá.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SERIADO 'A GRANDE FAMÍLIA' DEVERIA TER IMAGEM DE CINEMA: 'TAPAS E BEIJOS' NÃO



Algo está errado nos seriados da TV Globo. O uso de imagem de cinema, através de uma edição que faz determinadas produções da casa terem imagens de filmes, é até usado de forma arrojada em alguns casos, como na novela Cordel Encantado, o que parece que irá se repetir com a próxima novela das seis, A Vida da Gente. Também foi usado em algumas temporadas do jornalístico Globo Mar.

Mas em certos casos o uso dessa técnica torna-se equivocado. É o caso do seriado Tapas e Beijos, transmitidos às terças-feiras, cujo enredo cairia melhor em imagens de vídeo comuns.

Enquanto isso, na atual temporada do seriado A Grande Família, que já havia utilizado imagem de filme em várias de suas temporadas, carece dessa qualidade logo agora em que a dramaticidade dos episódios mais recentes pede essa técnica.

Por mais divertido que possa parecer Tapas e Beijos, o seriado não se compara a Os Normais. E sua comédia não soaria deslocada se transmitida com a imagem de vídeos comuns.

Por outro lado, a imagem de cinema força muito a barra em Tapas e Beijos, tratado com um preciosismo inexistente. Ainda que fosse a versão longa-metragem do seriado, vá lá. Mas o seriado soaria mais adequado se passasse em imagens de vídeo.

Espera-se que, nas próximas temporadas, possamos ver os episódios de A Grande Família novamente em imagens de filme e de Tapas e Beijos em imagem de vídeo comum. Mas se for ainda nas atuais temporadas, melhor ainda.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

MISS UNIVERSO E A VERDADEIRA MODERNIDADE FEMININA



A vencedora do concurso Miss Universo 2011, a angolana Leila Lopes, tornou-se um exemplo do que significa a mulher moderna no mundo inteiro.

Os concursos de miss haviam perdido o glamour na medida em que mostravam uma beleza artificial e padronizada das candidatas e até das favoritas, sobretudo pela manipulação estética de botox, silicones e outros artifícios.

Mas a vitória de Leila foi a vitória de uma reação justa daqueles que protestam contra a beleza forjada das falsas belas e elegeram a angolana que, pela foto acima, demonstra que possui uma beleza natural, que encanta por sua beleza e por sua sofisticação.

Leila, além disso, contraria os interesses racistas da "pureza racial" e estes, certamente, preferiam uma loura ou morena cheia de botox do que uma negra naturalmente bela. Nada contra louras ou morenas, há muitas delas que encantam, e muito, mas no concurso Miss Universo 2011 as candidatas negras se destacaram pela beleza graciosa e natural.

Quanto ao contexto brasileiro, Leila dá uma lição para um ideal machista da "mulher de plástico", das popozudas de corpo inchado e comportamento grotesco, vulgar e personalidade temperamental, verdadeiros brucutus de saia (ou melhor, de shortinho).

Da mesma forma, também é uma lição para o mercado das modelos anoréxicas, do abuso das plásticas (que, a princípio, são também válidas, mas quando se vê até adolescentes usando botox, é sinal que algo está errado), da ditadura da beleza padronizada. Só falta o mercado da moda criar mulheres-BRT de três metros e meio, mulheres-gigantes que possam render comentários elogiosos dos tecnocratas de plantão.

Por isso mesmo, a graciosa e formosa Leilinha teve uma vitória merecida. É uma vitória das nações lusófonas, uma vitória das mulheres verdadeiramente belas, das negras batalhadoras, enfim, uma vitória da coerência e da espontaneidade.

Parabéns, Leila, pela vitória. E boa sorte na sua carreira!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

BRASIL E EUA



Hoje é a comemoração dos 189 anos da declaração de Independência do Brasil em relação à monarquia portuguesa.



Mas hoje também seria o aniversário de 75 anos de nascimento do cantor e guitarrista de rock Buddy Holly (Charles Hardin Holley), prematuramente falecido em 1959.

Com este tópico, O Kylocyclo tira uma licença de uma semana. Boa sorte a todos.

sábado, 3 de setembro de 2011

MAIS DE 100 MIL HOMENS TERIAM SIDO IGNORADOS DOS ÚLTIMOS CENSOS NO BRASIL


POPULAÇÃO BRASILEIRA PODE SER, NA VERDADE, MAJORITARIAMENTE MASCULINA.

A situação nos põe a pensar. O Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizado em 1960, segundo informam Paulo Markun e Duda Hamilton no livro 1961: Que As Armas Não Falem (Senac SP, 2001), mostrava 70.070.457 brasileiros, sendo 35.055.457 homens e 35.015.000 mulheres. Era um número de 40 mil homens a mais do que o total de mulheres.

Naquela época, as mulheres não eram vulneráveis a riscos de saúde ou tragédias violentas, como as de hoje. Mas, nos últimos censos, aparentemente a população feminina tornou-se majoritária, mesmo quando os noticiários apontam para o crescimento de óbitos de mulheres, por causas que variam dos problemas de saúde à violência ou acidentes.

A violência que também atinge os homens em grande número, no entanto, não é fator que possa explicar a maioria feminina oficialmente anotada pelo Censo das últimas três décadas.

Afinal, o crescimento das cidades e da população brasileira criou uma sociedade complexa de tal forma que o que pode ter acontecido é a "exclusão" de um grande contingente de homens, tanto os das classes pobres quanto os das classes mais ricas, da população oficial registrada pelos últimos censos.

Os relatos foram fornecidos por um ex-recenseador do IBGE, que pediu para não ser identificado.

A QUESTÃO DO DOMICÍLIO - Um desses complicadores é o critério adotado pelo IBGE sobre o que é domicílio. Trata-se de um critério estranho, pois se alguém está tomando cafezinho em um bar, ele é "seu domicílio" no momento.

Esse critério faz com que muitos homens trabalhadores em trânsito praticamente "inexistam" estatisticamente. Eles não estão em casa, não estão nas ruas, se estão no trabalho estão em reunião, e o recenseador praticamente não consegue entrevistar muitos homens por causa da ausência deles, principalmente no lar, com a família.

LUGARES DE DIFÍCEIS ACESSOS - Outro fator que pode indicar que muitos homens foram "ignorados" pelos últimos recenseamentos pode ser o fato de que muitas localidades são de difícil acesso, como muitas favelas ou localidades distantes do Norte do país.

Isso impede que os recenseadores possam entrar em certos lugares, que são por vezes controlados pelo crime organizado, que normalmente faz ameaças a quem realizar alguma pesquisa que venha a identificar seus integrantes. Mas mesmo favelas sem ações criminosas de grande porte apresentam acessos tão difíceis que dá trabalho para alguém percorrer por lá.

INTERESSES TURÍSTICOS - O que pode ter feito o Censo do IBGE apostar numa "maioria feminina", apesar da vulnerabilidade crescente entre as mulheres que pode ter reduzido sua população nos últimos 30 anos (sobretudo crimes passionais, latrocínios, acidentes de trânsito, erros médicos e doenças graves), podem ser interesses de ordem turística, uma vez que, normalmente, a mão-de-obra decisiva para indústrias e outros setores estratégicos é masculina. Usa-se o mito do "país mulher" para que se estimule a migração de homens para certas cidades, ou mesmo para atrair homens vindos do exterior.

Além do mais, o próprio IBGE mantém métodos recenseadores viciados desde o tempo do regime militar. Se adotasse os critérios de 1960, os dados da população brasileira seriam outros, o que indicaria uma proporção média aproximada de 102 homens para 90 mulheres.

A própria realidade de haver, na maioria das cidades, um maior número de mulheres comprometidas ou um número equilibrado entre homens e mulheres solteiros - ou um desequilíbrio entre os homens numa cidade compensado no de mulheres em outra - , é um claro indício disso.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

GRUPO POLÍTICO DO PMDB CARIOCA FAZ DESCASO COM O TRANSPORTE



Bonde sem manutenção que se envolve em trágico acidente.

Funcionário da campanha Lei Seca dirigindo bêbado e atropelando quatro pessoas (e ainda matando uma).

Trem descarrilhando em horário movimentado.

Empresa de ônibus da cidade de Mesquita que só tem carros velhos e compra usados ruins.

Poucas medidas para reprimir o transporte ilegal por vans (e ainda deixam que possíveis envolvidos matem uma juíza).


Esse é o transporte fluminense, seja no âmbito do município do Rio de Janeiro, seja no âmbito do Estado. Mais preocupado em promover a irritante e anti-popular padronização visual dos ônibus do RJ, a única coisa que as autoridades fizeram foi praticamente "comprar" um "lote" de busólogos para ficar aplaudindo, que nem claque de auditório, tudo que o grupo de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho fazem de bom (ou de ruim?).

Para conhecer pessoalmente as celebridades esportivas em 2014 e 2016, vale contrariar o interesse público e bajular a padronização visual que, colocando empresas diferentes com um mesmo visual, confunde e irrita os passageiros que têm que decuplicar suas atenções para não pegar um ônibus errado, pois agora, por exemplo, uma Vila Real para Marechal Hermes e uma Paranapuan para Ribeira possuem exatamente a mesma pintura. Assim como um City Rio para a Penha e um Verdun para o Méier.

Isso mostra o quanto a "aventura" politiqueira, das medidas mirabolantes e pseudo-modernas vale muito mais do que o interesse público. Pior é que as autoridades falam em "interesse público", em "bem estar da população" e "defesa da cidadania", mas isso tudo soa discurso de palanque.

Eu fiquei estarrecido quando, na quarta-feira passada, fui com meu pai para o Lins de Vasconcelos, e peguei a (antes) tradicional Matias - agora completamente camuflada com o fardamento do consórcio Internorte - com seus carros da Marcopolo Torino 2007 (lote de 2008) sacolejando feito caminhão de entulho.

Os ônibus só estavam limpos, mas a má conservação dá conta de como uma "dublê de empresa estatal" (a SMTR, ou "Viação Cidade do Rio de Janeiro") bancada por empresas particulares - reduzidas a "sócias" de consórcios e sem qualquer identidade visual própria que facilite o reconhecimento pelo passageiro - pode fazer até mesmo com boas empresas, que acabam decaindo o serviço pelas pressões da verdadeira chefona do negócio, a Secretaria Municipal de Transportes.

Especialistas até duvidam que esse modelo de transporte, e mesmo a padronização visual que causa dor de cabeça nos passageiros, vá mesmo durar 20 anos ou mais. Seus prejuízos já começam a ser notados com certa evidência pela população.

Até mesmo a irritação de busólogos pelegos sobre tal realidade - que eles tentam desmentir, à custa até de xingações e desaforos tipo "tenho nojo do que você escreve" - só faz a realidade se tornar mais evidente, pois o problema não está só no transporte carioca, mas também de uma "panelinha" de busólogos que se preocupam em arrogantemente defender a padronização visual nos fóruns privativos do Orkut.

Essa busologia pelega acha-se uma "unanimidade" dentro de sua "maçonaria" digital no Orkut, mas demonstra seu nervosismo na medida em que seus membros, no fundo, são obrigados a admitir que suas opiniões não coincidem com as do povo, que já sente muita saudade da diversidade visual que alegrava muito as ruas do Rio de Janeiro.

E o grupo político de Paes e Cabral Filho está pouco se lixando com o povo carioca. O que eles pensam é criar um RJ para turista ver e investidor aplicar dinheiro. De resto, o povo tem que se virar. Seja para os bombeiros ganharem baixos salários, para os cidadãos encontrarem a morte num bonde danificado ou para os passageiros de ônibus quebrarem as cabeças para diferenciar um Acari da Matias, um Real da Braso Lisboa, um Pégaso da Bangu etc, na hora de esperar um ônibus.

Este é o descaso das autoridades, que só fazem falar.