quarta-feira, 20 de julho de 2011

LIVRARIA SARAIVA DEU PARA TOCAR MÚSICAS MEDÍOCRES



A Livraria Saraiva anda tocando um repertório mais rasteiro em algumas filiais, sobretudo aquelas que originalmente eram da Livraria Siciliano, adquiridas pela célebre editora.

Dias atrás, um CD inteiro de um jovem ídolo breganejo foi tocado mais de uma vez. Meses atrás foi de um grupo de poser metal, mas ainda fazia algum sentido. Mas a música breganeja rolando no sistema de som de uma livraria, criando um clima "Lojas Americanas" que perturba a leitura de bons livros?

Eu estava lendo A Era dos Extremos, de Eric Hobsbawn, num capítulo em que ele fala dos estudantes universitários do mundo no "breve século XX" (que ele delimita entre 1914, início da Primeira Guerra Mundial, e 1991, o fim dos regimes do Leste Europeu, inclusive a URSS), incomodado com o som, em volume alto, do jovem breganejo, que era considerado "universitário" mesmo antes de ir para a faculdade.

Esses ídolos têm seus espaços. Que sejam tocados nas lojas de eletrodomésticos, nas borracharias, nos botecos, mas invadir livrarias assim, não dá. O brega-popularesco cresceu tanto que já não consegue mais reconhecer seus próprios espaços. Quer muito mais, como toda expressão do capitalismo imperialista, mesmo sediada no Brasil.

Uma livraria tem que tocar aquilo que não tem acesso no meio radiofônico. Um jazz, uma Bossa Nova - que, ironicamente, rolava no interior do Plaza Shopping de Niterói, onde fica uma filial da livraria - , uma world music, mas repetir o que as rádios popularescas já tocam é gracejar do raciocínio humano.

Os fregueses da Saraiva merecem mais respeito.

Um comentário:

soulegal disse...

Será que a Livraria Saraiva tocou o LuEMO Santana? Daqui a pouco ela vai tocar Justin Biba, Fábio Júnior, Fi(lh)uk e Restart.