sábado, 11 de junho de 2011

CLUBE DO ÔNIBUS LEGAL ANUNCIA SEU FIM


A politicagem que corrompe parte da busologia fluminense - que tendenciosamente aderiu ao projeto de Eduardo Paes para o transporte público - está provocando até baixas em fotologs busólogos interessantes.

Depois do fim da CIA de Ônibus, de Sydney Júnior, e do Clube do Trecho, é a vez do Clube do Ônibus Legal, de André Neves, anunciar seu fim para daqui a um mês.

A busologia fluminense passa por uma situação delicada, quando "panelinhas" de busólogos tentam prevalecer na sua visibilidade, em detrimento do interesse público. A adesão à padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro mostra o quanto essa elite de busólogos anda muito nervosa com o contraste entre sua grande visibilidade e boas relações com os poderosos e o desprezo ao interesse público.

Só essa sensação de contraste faz com que, a partir dessa elite de busólogos, venham as reações mais agressivas e abjetas que se pode ver na Internet. O fenômeno "Jair Bolsonaro" chega a contaminar alguns busólogos, que manifestam seu "nojo" por aqueles que não concordam com tais busólogos.

"O que mais desanima nisso tudo, é ver os comentários sem noção do Sr. Neves. Na boa, a cada dia que passa a busologia se torna mais desanimante e ficando um nojo.", diz um desses busólogos pelegos contra o fotolog de André Neves, numa clara demonstração de nervosismo ao saber que o que essa elite pensa não traduz a vontade popular, por mais que tentem argumentar o contrário.

A situação é bem clara: visando contatos mais influentes ligados à midia, à política e aos dirigentes esportivos nos eventos mundiais de 2014 e 2016, os busólogos pelegos partem para a agressão para desmoralizar quem não concorda com os interesses privados que apoiam.

O nervosismo chega a tal ponto que desperta nos busólogos pelegos um instinto de censura (que eles, cinicamente, não admitem como tal), de pedir que busólogos discordantes retirem as fotos daqueles, a pretexto de terem sido usadas "sem autorização".

Isso dá uma ideia do que tais busólogos poderiam fazer com o Creative Commons (o protocolo de uso livre mas responsável de imagens na Internet). O que faria a atitude polêmica de Ana de Hollanda no Ministério da Cultura parecer café pequeno.

Por isso, vemos o quanto busólogos com visão mais coerente e humilde, como Sydney Júnior e André Neves, abandonarem o hobby, enquanto vemos a desnecessária multiplicação de fotos com ônibus de visual padronizado. Afinal, que diferença faz o novo carro da Real Auto Ônibus com o novo carro da Tijuquinha? E que graça tem apresentar o novo carro da Pégaso diante do novo carro da Bangu?

André Neves chegou a criar um personagem humorístico, o Buzzolango, que narrava absurdos relacionados à busologia. Mas a reação furiosa de busólogos pelegos fez o COL seguir o mesmo caminho da CIA de Ônibus, que é de parar e manter apenas o acervo até então publicado.

A arrogância da busologia pelega pode até garantir visibilidade na grande mídia. Mas é bom que tais busólogos passem a ter mais paciência para aceitarem críticas, e que assumam que estão mais do lado das autoridades que do povo.

Afinal, não é fácil convencer a opinião pública estando do lado de um grupo político - Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho - que reprime vendedores ambulantes, manda prender bombeiros e quer destruir até um estádio de futebol em Niterói, porque esse grupo político já demonstrou ser contra o interesse público, a favor apenas do clientelismo, da especulação imobiliária e de outros conchavos.

Será que tenho que omitir tudo isso e não fazer críticas ao grupo político de Paes e Cabral Filho? E qual será o próximo que "sentirá nojo" das mesmas críticas?

Infelizmente, o golpe de 1964 chegou na busologia carioca. E, como no regime militar, os ônibus agora circulam fardados. A população está enlouquecida, no pior sentido.

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