segunda-feira, 23 de maio de 2011

UM NOVO VÍRUS DESCOBERTO: O PSEUDO-NERD


CERVEJÃO-ÃO-ÃO - O pseudo nerd ainda quer se achar o verdadeiro, como toda fraude social.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Pretensão e água benta, todo mundo toma quem quer. Da segunda, poucos aderem, mas da primeira, a adesão é quase total. Tem pretensioso para tudo: esquerdistas com ideias de direita, egoístas que se dizem altruístas, retrógrados se passando por modernos. E agora temos o pseudo-nerd que vem com toda a arrogância, achando que é "mais democrático" o pretenso perfil do "nerd à moda da casa", que NADA tem a ver com o verdadeiro espírito nerd.

Vai ver que tem muito mauricinho que, só por passar mais de quatro horas direto diante de um computador, já está se achando, e, pior, se achando o "maior nerd". Pretensão-ão-ão.

Um novo vírus descoberto: o pseudo-nerd

Do blogue Universo Nerd

Já houve um tempo em que ser nerd era algo quase marginal. Já escrevi a respeito e acho que o assunto é tão batido que nem preciso me aprofundar nisso. Contudo as mudanças vieram, os nerds deixaram de ser losers e passaram a ser os donos do mundo, controlando as maiores empresas em atividade, se destacando em áreas como artes, economia e até mesmo política – Obama é fã do Homem-aranha, jogador de Wii e completamente dependente de seu Blackberry.

É, jovens gafanhotos, os novos tempos não trouxeram apenas uma violenta mudança de paradigma, trouxeram também algo que nunca pensei que veria antes: trouxeram os pseudo nerds, os nerds wannabe.

Em tempos onde ser nerd se tornou cool não demorou para que começássemos a ver surgir uma nova tribo, essa tribo dos nerds wannabe. O que motivou o surgimento desses seres? Eu diria que são muitos os fatores. Textos endeusando os nerds – Yes, guilty as charged , a grande cobertura que os veículos de comunicação de massa estão dando a alguns temas antes restritos a esfera nerd (como blogueiros em novelas, twitters e nerds em capas de grandes revistas semanais), a disseminação da cultura nerd no cinema (os filmes de maiores bilheterias como Senhor dos Anéis, Cavaleiro das Trevas, Homem-aranha, Homem de Ferro e muito outros são de temática nerd), e por ultimo, mas não menos importante, a dura e fria realidade.

"Legolas é a puta que lhe pariu!"

"Legolas é a puta que lhe pariu!"

Como assim, Eden? Dura e fria realidade? Sim, jovem padawan, a realidade que não pode ser negada. Cada dia que passa a famosa frase de nosso conhecido Severino Portões se torna mais e mais real: “Trate bem o nerd na escola. Mais tarde você acabará trabalhando para ele”. Há como negar isso? Há como negar que em uma geração a grande maioria dos postos de comando de nossa hierarquia capitalista estará sob o julgo de gente que sabe quem é Leonard Nimoy, que joga RPG, que usa Twitter e que acha Big Bang Theory uma das melhores séries de todos os tempos – ao lado de Battlestar Galactica e Star Trek? Não, não há.

E a não ser que você tenha acesso a tecnologia da Skynet ou a chave do Delorean de Doc Brown, não vejo muito que se fazer a respeito além de… aderir. Começa a fazer sentido? Se antes os nerds eram motivo de chacota hoje eles são um modelo a ser seguido. Ser nerd se tornou maneiro. Nerd é o novo preto. Vale, mais uma vez, a máxima: se não pode vencê-los, junte-se a eles.

Como muitos de vocês já sabem – estou certo que meus leitores, cientes de que vão dominar o mundo, são absurdamente bem informados – a matéria de capa da mais recente edição da revista Época fala justamente sobre a menina dos olhos da comunidade nerd: o Twitter (se você não sabe do que se trata, por favor volte para o Kibe Loco).

Mal as revistas chegaram às bancas começou o mimimi por todo canto. Mimimi, para quem ainda não sabe – vou dar um desconto – é o termo que descreve a choradeira digital, ou seja, a turma começou a “chiar di cum força”. A ferramenta, que é absurdamente útil, ágil e prática, pode, ao chegar à mídia de massa, sofrer o que o Orkut sofreu. Inclusive já discutimos sobre este assunto em um Podcast aqui do BQEG, o temor do processo de destruição virótico – como defendido pelo agente Smith em uma cena de Matrix – deflagrado pelos incluídos digitalmente. Eles chegam, se multiplicam, destroem e partem para outra. O Orkut foi simplesmente destruído. De rede social para prova cabal de inaptidão social. Sim, porque 80% daqueles que frequentam o Orkut atualmente não deviam ter direito nem de limpar a própria bunda, quanto mais ter acesso a uma rede social.
smith

"Eu te disse, eu te disse! Eu bem que te disse!"

Cruel? Não, real! Não vai demorar para vermos perfis no twitter soltando pérolas como “Show de Belo! Indo com a galera #pagoderox”, “Churrasco na laje no domingão é o que há! #prontofalei”, “Cobrei R$ 15 no bola gato e o boyzinho veio com mimimi! #prontofelei”, “Os mano tão na aera, se derruba é penalty! #periferia”. Não vai demorar para localizarmos @latino, @mgoldschmidt, @manotreta e coisas do mesmo nível. Você, amigo nerd, quer mesmo ver isso?

Lógico que tem gente acusando a nerdalhada de estar sendo protecionista – e estamos mesmo, alegando que não existe essa de “é nosso” no mundo digital e que o povão tem direito a isso, tem direito a se tornar nerd wannabe.
Direito? Sim, tem. Mas isso não significa que devamos achar bom ver ferramentas que até então são muito bem utilizadas serem floodadas por gente que está apenas seguindo uma hype.

Eu já defendi que está cada vez mais complicado definir quem é e quem não é nerd. A definição de nerd de 15 anos atrás (nerd é quem gosta de computador) simplesmente tornaria mais da metade da população nerd automaticamente. Eu acredito que a diferença de um nerd para um nerd wannabe está simplesmente no uso que se dá as tecnologias que vão surgindo, a forma como se interage com o novo, como trabalha para ao crescimento e não para o fim. O nerd de verdade reconhece a importância de tudo àquilo que pesa positivamente em seu modo de vida e zela por ele, procurando o crescimento sustentável, a melhoria.

Certo, posso até estar sendo um tanto ingênuo, às vezes acontece, mas acredito que vocês tenham entendido minha linha de raciocínio.
robocop

"Eu também detesto idiotas"

Sabe o que é pior? O pior é não termos como evitar. O pior é termos que curtir as coisas “enquanto é tempo” e esperar que as novas ferramentas sejam cada vez mais projetadas prevendo a ação de flooders, spammers e idiotas. O grande problema é que, como já disse Murphy – não o Alex, nosso herói biônico, mas o Murphy pessimista mesmo – “É muito difícil se criar algo à prova de idiotas, os idiotas são muito inventivos”.

Agora começo a entender porque os antigos nerds eram arredios, distantes e excluídos socialmente. Começo a acreditar que eram assim por opção, por saber que se misturar estraga. Medo, muito medo, né não Regina Duarte?

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