sexta-feira, 27 de maio de 2011

PEDRO ALEXANDRE SANCHES HOJE É A FOLHA DE SÃO PAULO DE 1991



A julgar pela repercussão e reputação que o crítico musical Pedro Alexandre Sanches possui atualmente, por mais que ele tente se desvincular do passado da Folha de São Paulo, ele não deixa de ter a cara do famigerado periódico paulistano, sendo ainda o pupilo de Otávio Frias Filho, se não na teoria, pelo menos na prática.

Hoje Pedro Alexandre Sanches é tido como "jornalista de esquerda", mas por debaixo dos panos insere visões bastante conservadoras sobre "cultura popular", com base em abordagens herdadas de uma geração de intelectuais formada pelo padrão ideológico dos mesmos artífices acadêmicos do PSDB, como o próprio Fernando Henrique Cardoso.

É uma visão de "cultura popular" que não assusta a grande mídia, ainda que se baseie em falsas alegações de "vítima de preconceito", de "sucessos discriminados pela sociedade" e por aí vai. E que se fundamenta numa visão domesticada e estereotipada do povo pobre, bem ao sabor do mercado midiático dominante.

Mas Pedro Sanches talvez seja o reflexo da própria reputação que a Folha de São Paulo teve há 20 anos atrás. Também o periódico paulistano era um totem inatingível, quase que uma "vaca sagrada" da imprensa brasileira, e visto pelos incautos como "mídia de esquerda", "bastião da intelectualidade brasileira" etc.

Foi preciso alguns dissidentes mostrarem o que havia por trás do "Projeto Folha" para ele ser contestado pela opinião pública. E vieram denúncias de que o esquerdismo atribuído à FSP era muito falso. Mas isso poderia ser notado numa observação mais atenta nos textos do jornal, já que mesmo em 1991, auge do "Projeto Folha", ideias de cunho neoliberal e neoconservador já eram propagadas.

Pedro Alexandre Sanches só "convive" formalmente ao lado de outros analistas de esquerda, pelo fato de escrever para as revistas Fórum, Caros Amigos e Carta Capital. Mas, numa análise bem mais atenciosa, seus textos destoam completamente do nível de abordagem de nomes como Emir Sader e Rodrigo Vianna, enquanto, por outro lado, se afinam totalmente com a visão de "cultura" veiculada em O Globo e Folha de São Paulo.

Caetano Veloso, por exemplo, assinaria embaixo em praticamente tudo que Sanches escreve em seus textos. E não se fala do Caetano de 1967, mas do "caetucano cardoso" dos dias de hoje. Chega um ponto que a coluna "Paçoca" de Caros Amigos e a coluna de Caê em O Globo tornam-se verdadeiras irmãs-gêmeas.

Mas enquanto virou tabu falar contra o brega-popularesco que movimenta bilhões de reais por ano - somadas todas suas tendências, do "funk carioca" ao "sertanejo", passando pelo tecnobrega, tchê-music e outros ritmos "regionais" - , Pedro Sanches pode viver seus dias de "divindade", tal qual Hermano Vianna em 2005 e Paulo César Araújo em 2002. Como mais uma "vaca sagrada" da intelectualidade brasileira.

Mas a cultura brasileira já começa a mostrar problemas relacionados às elites políticas, acadêmicas e empresariais que estão por trás, vide escândalos relacionados ao ECAD, à Lei Rouanet (criada pelo tucano-uspiano Sérgio Paulo Rouanet) e ao próprio Ministério da Cultura.

E, por outro lado, surge a Frente pela Democratização da Comunicação, que pedirá restrições ao poder da mesma mídia que investe em idolos brega-popularescos, cuja reputação já começa a ser posta em xeque em Estados como Pará, Bahia, Ceará, Pernambuco e Paraíba.

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