quarta-feira, 25 de maio de 2011

NINGUÉM É OBRIGADO A SER NERD


ZACH GALIFIANAKIS - Paradigma do pretenso "nerd" brasileiro.

De repente certas pessoas tiveram a obsessão em ser nerd. Ontem, dia do Orgulho Nerd, faz essas pessoas não sentirem um orgulho nerd, mas sim uma pretensão obsessiva, paranóica, maníaca, em ser "nerd" de qualquer jeito, na marra.

Esses pretensos nerds acusam quem chama eles de pseudo-nerds de "ditar normas", de estabelecer um suposto regulamento sobre ser ou não ser nerd, como se fosse o maior barato encher a cara, ser fanático por futebol e, ao mesmo tempo, ser o "mais nerd da turma".

Não, o problema não é de regras ou procedimentos. Isso não existe. O que existe é uma ideia muito simples chamada ESTILO DE VIDA.

Cada pessoa tem uma identidade e caraterísticas básicas. Tem uma personalidade, suas particularidades. O estilo de vida pode envolver não só indivíduos isolados, mas grupos de pessoas que contenham caraterísticas comuns.

O problema é que essa obsessão em ser nerd tem o mesmo sentido de uma hipotética ideia de que alguém é considerado alemão pelo simples fato de falar inglês.

No Brasil, um país considerado o paraíso astral do pretensiosismo, vi gente pretensamente alternativa, pretensamente radical, pretensamente esquerdista, pretensamente roqueira, mas agora vem a patota pretensamente nerd.

Ora, ora, ninguém é obrigado a ser nerd. Sejamos sinceros. Se eu sou nerd é porque eu me identifiquei com os tipos que apareceram no filme Vingança dos Nerds. Mas isso não foi pretensão, e foi há muito tempo, num tempo em que ser nerd ainda não estava na moda.

Mas hoje muita gente, a pretexto de gostar de tecnologia ou, talvez, para ir na onda do momento, querendo impressionar amigos e possíveis pretendentes, quer se apropriar, na marra, do rótulo "nerd", sem se identificar com o estilo de vida próprio dessa "tribo".

Tem muita gente que vem com essa mania de "nerd à moda da casa", dizendo que não há regras para ser isso ou aquilo. Pelo contrário, acabam esses pretensos nerds impondo normas. Eles mais parecem uma mistura de Oger com Stan Gable, os personagens marombeiros que eram vilões em Vingança dos Nerds.

Tão afeitos à "liberdade de regras", eles é que impõem, por exemplo, que para ser nerd tem que beber um copázio de cerveja e não ficar tonto. Ou ser um carioca fanático por times paulistas. Essas pessoas é que ficam impondo normas, procedimentos, tudo em detrimento de um estilo de vida que eles, no fundo, odeiam.

Por isso, tantos pretensos nerds são, no fundo, anti-nerds. Querem se apropriar do rótulo, deter a patente, deter o copyright. Tudo pela "liberdade", pela "libertação das regras". Mas tudo pela criação de um tipo que nada tem a ver com o tradicional, que não tem estilo de vida próprio, que nada é mais do que aqueles fanfarrões de Se Beber Não Case ou dos idiotas dos comerciais brasileiros de cerveja. Nada menos nerd do que isso.

Espera-se que o Dia do Orgulho Nerd não se converta em Dia da Vergonha Nerd.

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Pode até ser coincidência. Ou proposital. Hoje a Rede Globo exibiu de manhã (creio que pela primeira vez) um episódio dos Simpsons que o canal Fox passa direto. Aquele em que o (verdadeiro) nerd Jeff Albertson (o "Cara dos Quadrinhos") fez sucesso ao lançar uma revista em quadrinhos com um super-herói criado por ele, o Overall. Ele vende os direitos do personagem para um filme, que acaba sendo um fracasso financeiro e operacional porque o ator escolhido foi o eterno gorducho e abestalhado Homer Simpson. O filme Overall sequer foi lançado no circuito comercial.