domingo, 10 de abril de 2011

SÓ MEMÓRIA CURTA FAZ POSER METAL PARECER "ROCK CLÁSSICO"



As gerações mais recentes, que não tiveram o contato com os referenciais do passado e foram desestimulados pela grande mídia a fazê-lo, acabam acreditando como "grandes coisas" valores ou personalidades que não são tão geniais assim quanto parece.

Por exemplo, o fato do poser metal agora ser visto como se fosse "rock clássico" para uma geração que só ouviu grunge, poppy punk, "nu metal" e emo.

Isso não é um fato exclusivo no Brasil, e o que assusta é que a imprensa especializada em heavy metal, até por uma bondade paternalista - e por um sentimento de boa-fé atípico do gênero - querer adotar os posers (aqui apelidados de "metal-farofa") como seus "filhos bastardos".

Chega-se ao ponto da mídia forjar uma pseudo-unanimidade em torno do Guns N'Roses, que ninguém se deu conta que nunca passou de uma cópia descarada do Led Zeppelin.

O Bon Jovi, então, pior ainda. Se o poser metal foi o "emo dos anos 80", o Bon Jovi fazia o papel do Restart.

Os mais jovens se irritam quando falamos mal dos posers, e chegam a disparar comentários arrogantes contra nós, sem se dar conta mesmo do que estão dizendo.

Afinal, se nós falamos mal de Guns N'Roses, Bon Jovi, Poison, Ratt e Mötley Crüe, entre tantos outros, é porque temos conhecimento de causa.

Da mesma forma que falamos mal de um Alexandre Pires porque conhecemos cantores muito superiores como Wilson Simonal, Robertinho Silva, Noite Ilustrada e, sobretudo, Agostinho dos Santos, falamos mal de Guns N'Roses porque conhecemos Led Zeppelin, Deep Purple, Thin Lizzy, Black Sabbath, AC/DC.

Mas uma juventude arrogante que se acha inteligente por nada, fica fácil para eles bancarem os donos da verdade. Foi assim que se formaram as fileiras de soldados do Exército que produziram o golpe militar de 1964 e, consequentemente, o regime militar e o AI-5.

Qual diferença tem uma geração que só defende o estabelecido, em detrimento a fatos lógicos mas de seu desagrado, e as gerações anteriores que pisoteavam a Constituição de 1946 com reles atos institucionais?

Mas, independente de fatos políticos, o que motiva esse endeusamento todo aos "farofeiros" é a memória curta que essa garotada tem. E que aceita facilmente esse "feijão com arroz" subnutrido do roquinho dos anos 90, sem ter a menor coragem de "garimpar" (termo usado para quem não se contenta com mais do mesmo).

Em vez de falarem tantas bobagens, esse pessoal deveria ouvir mais as bandas antigas de rock, e comparar com os sub-produtos que ouve no rádio e endeusa com um fanatismo neurótico.

Afinal, não é qualquer grupo novo que surge que é discípulo dos grandes clássicos. Mesmo sob o rótulo de "rock'n'roll", houve e continua havendo muita picaretagem, muita besteira, muita porcaria.

Mesmo dentro do rock, é bom separar o joio do trigo.

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