sexta-feira, 1 de abril de 2011

REACIONARISMO NA INTERNET


SOLDADOS EM PRONTIDÃO DURANTE OS PRIMÓRDIOS DO REGIME MILITAR DE 1964-1985.

O reacionarismo na Internet, em tempos em que até o deputado Jair Bolsonaro despeja comentários típicos da extrema-direita, é um fenômeno que surgiu junto com a rede. Afinal, num país de crise de valores e onde as forças do atraso sempre se empenharam em brecar os progressos sociais, existem pessoas que se irritam quando questionamentos são lançados, e não são raros os casos de gente mandando mensagens até ofensivas por causa disso.

Certamente, a letargia sócio, econômica e cultural de 1974-2002 fez com que vários privilegiados de toda ordem vivessem felizes no mar de mediocridade reinante. Havia corrupção, mas o dúbio "jeitinho brasileiro", palavra hoje tão pouco falada mas cuja ideia é tão comumente praticada, resolvia as coisas.

Mas, de repente, a expressão do senso crítico fazia o país questionar a fórmula "infalível" do crescimento sócio-econômico e cultural através da mediocridade, do vazio de valores éticos e sócio-culturais e dentro da prevalência de uma sociedade em crise.

Vieram as manifestações de raiva, seja para defender políticos influentes envolvidos em corrupção, ídolos culturais medíocres, fórmulas midiáticas retrógradas, privilégios econômicos dominantes.

Por isso, no meio do caminho, vemos "jovens inocentes" despejando comentários raivosos, mandando vírus por e-mail, mandando xingações, comentários jocosos, e por aí vai. Gente que parece moderna, mas como diz a música "A Dança" de Renato Russo, é igual, em conservadorismo, a seus pais.

Até pouco tempo atrás, ter senso crítico era visto como uma atitude anti-social. Você se surpreendia, porque você expressava seu senso crítico com seus colegas de escola, nos anos 80, e, de repente, na década seguinte, esses mesmos colegas tinham medo de seu senso crítico.

Durante anos o senso crítico tornou-se uma atividade marginal. Isso fez a Internet se acomodar durante muito tempo, virando o paraíso astral da mesmice, até mesmo no que se refere à memória do passado, cheia de distorções, visões oficiais de caráter duvidoso, "copidescagem" de fotos e fatos históricos.

Por isso, a Internet brasileira segue seu caminho de pedras e pedradas e vemos que a blogosfera - que representa uma alternativa à mídia dominante - se ascende não de uma forma pacífica.

Vários blogueiros e jornalistas, como Antônio Arles, Emílio Gusmão, Lúcio Flávio Pinto e Ricardo Gama sofrem de processos a atentados, como no caso deste último. Mas mesmo eu, Marcelo Delfino, Leonardo Ivo e até gente com visibilidade como Luiz Carlos Azenha e Eduardo Guimarães, já recebemos mensagens reacionárias.

São pessoas defendendo de José Serra a João Bosco & Vinícius, de Alexandre Pires a Solange Gomes, da padronização visual dos ônibus do RJ às rádios pseudo-roqueiras. Gente mais preocupada com o status quo do poder político e midiático do que pela qualidade de vida.

Descobri até que um conhecido busólogo carioca, cuja equipe possui um fotolog no Fotopages, trabalha para uma prefeitura na Baixada Fluminense, cujo partido político, PR, é aliada do governador fluminense Sérgio Cabral Filho e do prefeito carioca Eduardo Paes.

Esse busólogo também tem blog de ônibus pelo Blogger e andou alternando comentários agressivos contra mim e pedidos de "tolerância" com o projeto arbitrário de padronização visual dos ônibus por Eduardo Paes.

Já enfrentei gente reacionária que defendia a fase pseudo-roqueira da Rádio Cidade - que descobri depois que o formato acobertava um movimento juvenil de extrema-direita no Rio de Janeiro. Já enfrentei gente como Olavo Bruno e o direitista enrustido Eugênio Arantes Raggi, uma espécie de "Cabo Anselmo" dos professores mineiros no que se diz à adoção de uma postura falsamente de esquerda.

Isso sem falar de uma tal de "marcia", que não gostou das críticas que fiz contra "musas" como Solange Gomes, Valesca Popozuda e similares, porque associei a esse espetáculo de glúteos avantajados ao machismo. Foi um ato de coragem meu, apesar dos reacionários como "marcia" e um tal de Adriano AS (Adriano Apoia Serra?) tentarem "devolver" o adjetivo de machista em minhas costas.

Eu desmascarei o reacionarismo dessas pessoas noutras ocasiões, em vários sítios da Internet. Desmascarei o fascismo da dita "nação roqueira" da Rádio Cidade, cujo conservadorismo travestido de rebeldia era malvisto até pela maioria dos profissionais do Sistema Jornal do Brasil.

Mostrei o caráter duvidoso da "mídia boazinha" - a mídia conservadora que, a princípio, "não ladra nem morde" - bem antes de Domingos Alzugaray da Editora Três apoiar o corrupto Collor e depois se arrepender disso e de Bóris Casoy se ferrar com seu comentário sobre os garis.

Eu já escrevi, anos antes, que o forró-brega era feito de grupos liderados pelos seus empresários, quando não havia o Cabaré do Timpin para denunciar justamente essa realidade. E não canso de lembrar da associação dos ídolos breganejos com o coronelismo latifundiário, realidade que os "sertanejos universitários" também estão envolvidos.

Eu mesmo já contestei o poderio da Folha de São Paulo quando o jornal paulistano ainda era um poderoso totem entre parte da intelectualidade influente de nosso país. E isso muito antes de seus profissionais perderem a cabeça e mostrarem um reacionarismo cada vez mais grotesco.

Eu contestava o poderio regional de Mário Kertèsz na Rádio Metrópole de Salvador, antes de seus recentes surtos direitistas que fizeram o barão regional da mídia baiana se voltar contra toda a esquerda baiana que acreditou nele (apesar do histórico direitista do ex-prefeito de Salvador). E já considerava Marcos Medrado um "coronel", antes dele ser incluído na lista da bancada ruralista do Congresso Nacional.

Também ando desmascarando pseudo-esquerdistas, antes que eles mostrem posições retrógradas no meio do caminho. E, em muitos casos, pareço solitário neste esforço, já que muitos pseudo-esquerdistas são dotados de muita visibilidade, protegidos pelo silêncio de quem é indiferente com tais denúncias.

Mas até agora nenhum reacionário me escreveu desmentindo seu direitismo. Antes comprovasse seu caráter direitista, como um dirigente funqueiro, em mensagem anônima, deixou vasar que sua classe fala mal dos esquerdistas pelas costas. Outros me acusavam de "petista", "psolista" e coisa e tal, por causa de meus comentários.

Nem mesmo o professor Eugênio Raggi, que tem conta no GMail - que, sendo do Google, é ponto de partida para acessos no Orkut e no Blogger - , deu qualquer resposta quando às acusações de pseudo-esquerdista. Em vez disso, ele mostrou-se cada vez mais frouxo na postura "esquerdista", bajulando petistas e, no Twitter, aconselhando um amigo a não fazer mais críticas à mídia golpista. Detalhe: pretenso "inimigo da mídia golpista", Raggi participa numa boa nos fóruns da Globo.Com.

O reacionarismo continuará existindo, na medida em que os privilegiados por alguma coisa sentirem-se ameaçados nos seus privilégios. Seja favorecido por trás dos "sucessos do povão" do rádio, seja pelo clientelismo político por trás da busologia carioca, seja pelas manobras burocráticas que desviam verbas da saúde pública, seja trabalhando numa rádio pseudo-roqueira que manobra ideologicamente a juventude, o reacionarismo, enrustido ou não, é o reflexo de uma mentalidade golpista que muitos desses reaças atuais herdaram dos pais e avós que, um dia, foram para as passeatas Deus e Liberdade para pedir o golpe e o regime militares.

É essa gente brutalizada que mostra o seu (sem) valor, pela censura legal ou pelos comentários grosseiros que faz na Internet, entre outras atitudes infelizes. Esse pessoal é a sombra de abril de 1964 ameaçando o desenvolvimento de nosso país.

2 comentários:

Marcelo Delfino disse...

Tenho amigos (alguns deles temos em comum) me informado que, com o fim do Jornal do Brasil (outrora um jornal golpista de 1964, mas que depois virou direita moderada, principalmente se comparando com as Organizações Globo), vários ex-assinantes do JB em redutos de classe média da Zona Norte carioca (notadamente a Grande Tijuca) estão assinando em massa a Folha de São Paulo.

É uma coisa para o amigo Alexandre averiguar, e quem sabe comentar nos seus blogs.

O que esperar de um cidadão que acha que a reaça Folha de São Paulo pode substituir o Jornal do Brasil?

Boa coisa é que não é.

soulegal disse...

Será que a tchê music, assim como todos os outros estilos brega-popularescos ("brega de raiz", arrocha, axé-music, breganejo, "emo de batom", forró-calcinha, "funk carioca", pornopagode, sambrega e tecnobrega) também tem defensores fanáticos e reacionários?