sábado, 9 de abril de 2011

GRANDE MÍDIA CONTRIBUIU PARA DIFUNDIR VIOLÊNCIA


CHARLIE CHAPLIN É QUE ERA "PERIGOSO", SÓ PASSAVA NAS MADRUGADAS.

A grande mídia tem sua parte de culpa, ainda que indireta, no massacre ocorrido no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro.

Afinal, foi a crise de valores que produz pessoas agressivas que, durante anos, prevaleceu numa mídia que, sem saber se optava entre o espetáculo e a realidade, confundia libertinagem com liberdade, lançando mão de todo tipo de baixaria.

Na década de 90, durante muito tempo, a Rede Globo passava, em plena Sessão da Tarde, filmes de violência gratuita. Enquanto isso, os alegres, divertidos e poéticos filmes do ator e cineasta Charlie Chaplin, de cunho bem humanista, eram exibidos de madrugada, como se fossem impróprios para menores.

Durante anos Braddocks, Rambos, Rockys e outros "animavam" a criançada que ficava em frente da televisão nos horários da tarde. A geração de Wellington de Oliveira, quando não tinha escola nem ficava fora de casa brincando com os amigos, se "alimentava" desses filmes.

E o que os outros canais ofereciam? Havia o Aqui Agora, exibindo a criminalidade gratuitamente, chegando a transmitir cena de um suicídio. Tudo por conta da "realidade", do dito "jornalismo verdade". Depois veio o Cidade Alerta, figuras como Ratinho e Wagner Montes e hoje temos o Brasil Urgente com José Luiz Datena. Tudo, tudo no horário diurno, quando tais programas é que deveriam ser exibidos de madrugada.

Não fosse o empenho da campanha Ética na TV - Quem financia a baixaria é contra a cidadania, esse quadro prevaleceria até hoje. Rambos e similares foram para as altas horas da noite. Os noticiários policialescos, ainda que mantidos no horário diurno, foram "tosados", ainda que de vez em quando apelem para a baixaria policialesca.

Mas o estrago dos anos 90 - certamente, a década perdida do Brasil, quando o pior do que havia nos anos 80 nos EUA foi aqui introduzido - já foi feito e não era difícil ver jovens suburbanos perdendo tempo com jogos eletrônicos violentos nas máquinas colocadas nos bares.

E, mesmo assim, é de se pasmar que há gente que considere os filmes de violência gratuita como "pérolas cult", da mesma forma que o jornalismo policialesco que prefiro definir como "mídia jagunça". Porque é essa imprensa que mantém o povo "distraído", enquanto a mídia golpista tenta proteger os valores das aristocracias mais autistas.

Em vez disso, temos que defender a verdadeira cidadania. Não podemos achar que defender valores dignos é moralismo retrógrado. Pelo contrário, defender o respeito humano, a qualidade de vida e valores ligados ao otimismo, ao trabalho e ao altruísmo sempre são atuais e progressistas.

Realmente está na hora de repensarmos a mídia brasileira como um todo, inclusive a "popular".

Um comentário:

Boite Abandonada disse...

Quem ousaria disciplinar a mídia se esse é o espelho em que o povo se delicia em mirá-lo??? O pior é que esse, só aprende e copia aquilo que lhe é nefasto. Vc acha que os políticos e empresários donos da mídia estão preocupados com um povo que os têem como deuses??? eles acreditam que estão no caminho certo porque seus cofres estão cheios e o povo só acredita em pessoas ou organismos que tem dinheiro!!!Como estamos falando de mídia, talvez estejamos no início do ensaio de um filme que todos se arrependerão de assistir.