segunda-feira, 4 de abril de 2011

DEFENSOR DA RÁDIO CIDADE ASSUMIU SER DE DIREITA



Recebemos uma mensagem de um defensor da fase pseudo-roqueira da Rádio Cidade que, alegando que "riu muito" com o texto escrito pela rádio, indagou sobre a hipótese de "jovens rebeldes" desejarem a volta da emissora ao rock.

Embora o internauta questionasse que a campanha pela volta da suposta "rádio rock" seja uma obra de demotucanos - isso apesar do Sistema JB (apesar de achar a Rádio Cidade reacionária demais) ter sido politicamente favorecido por FHC na época - , ele disparou a acusação de "comuna", contra mim.

São justamente pessoas de direita que usam termos como "comuna", "comunista", "socialista", "psolista" e "petista" da forma mais pejorativa.

E a direita não se assume de direita. O próprio Reinaldo Azevedo, colunista de Veja, jornalista que, tal qual a revista onde trabalha é integrante da ideologia de extrema-direita no país (mas talvez uma extrema-direita menos escancarada que Jair Bolsonaro, mas tão fascista quanto ele), disse que "não existe imprensa de direita".

Se o jovem que mandou mensagem para este blog queria dar uma lição de "imparcialidade", atirou contra o próprio pé. E eu não rio de reações assim, apenas fico preocupado.

O verdadeiro rebelde nunca desejaria que uma rádio MEDÍOCRE voltasse para o rock. Ele desejaria, talvez, que uma Kiss FM entrasse de vez no RJ, ou, se sonhasse mais alto, desejasse que outras rádios mais competentes assumissem o perfil rock.

Enquanto nós temos que engolir que rádios realmente históricas como Fluminense, Estácio e Eldo Pop nunca mais voltassem para o dial irradiando cultura rock, há infelizes que querem que a Rádio Cidade volte para o rock "na marra".

Por trás desse engajamento estranho - a Cidade nunca foi grande coisa para o estilo - , certamente há o fato de que a Cidade é um reduto de comunicação entre jovens de extrema-direita no Rio de Janeiro. A conduta que a rádio e seus ouvintes tiveram entre 1995 e 2006 não deixa mentir.

Que "rebeldes" são esses que, entre outras coisas, diziam odiar ler livros,e pregar o fechamento do Congresso Nacional e mandar e-mails com vírus para todo aquele que não discordar de seus lamentáveis pontos de vista?

A Rádio Cidade, um roqueiro realmente rebelde nem morto desejaria vê-la novamente como "rádio rock". Na era da Internet, a rádio nem 1% do feijão-com-arroz roqueiro tinha o menor interesse em tocar. Pior: houve produtores que esculhambavam mesmo os grandes mestres do rock, como Who e Led Zeppelin. É sério.

E qual era a saída para o público roqueiro autêntico? Simplesmente fugiu dos 102,9 mhz e foi buscar bandas de rock pelo Shareaza, EMule, YouTube.

A Rádio Cidade nunca passou de uma "Jovem Pan 2 com guitarras", de uma "Junkie Rio" (trocadilho com a antiga concorrente Jovem Rio). E, no fundo, nunca passou de um "laboratório de emos", de uma rádio de playboyzinhos, que, numa certa altura, apedrejava os clássicos do rock sem dó.

Se deixarmos, seus defensores xingariam as mães de Ozzy Osbourne e Bruce Dickinson, enquanto canonizariam posers como Axl Rose e Jon Bon Jovi.

O carinha só fez comprovar o caráter extremo-direitista da tal "nação roqueira" da Rádio Cidade. Cujo único resultado de sua "histórica cultura rock" (a mesma da paulista 89 FM) foi gerar bandinhas como Restart ou influenciar, pelo resto do país, bobagens como Sertacore (cruzamento do emo fase CPM 22 com o "sertanejo universitário").

A direita tem dessas manobras. E não é por acaso que o carinha adotou o mesmo discurso "racional" que, em outros tempos, um Jair Bolsonaro era capaz de fazer. Sem dizer que é de direita, mas atacando a esquerda com adjetivos pejorativos. Só esse ataque é suficiente para ele se assumir de direita.

Um comentário:

M.V "Shogum" disse...

Não me surpreende.

Tenho amigos que trabalham na Cidade Web Radio e são tucanos assumidos.