quinta-feira, 28 de abril de 2011

AMPLA NADA AMPLA



É lamentável o desempenho da empresa de energia elétrica Ampla, que serve Niterói e cidades vizinhas.

Sem poder prever o crescimento de demanda no uso de energia elétrica, a Ampla permite que ocasionalmente o alto consumo de energia provoque constantes quedas, o que, em muitas casas, significa danificação de eletrodomésticos, até mesmo computadores, com perda de arquivos preciosos que dificilmente poderão ser recuperados.

Imagine um estudante fazendo um projeto de faculdade, um trabalho quase para se encerrar, mas que, por alguma inocência dele, não use estabilizador nem sequer no break - utensílio que permite que a energia elétrica usada num computador se prorrogue em alguns minutos - e, de repente, a energia elétrica oscila. O disco rígido do computador se queima e o universitário perde aquele seu trabalho escrito com tanto sacrifício, com tanta preocupação em acertar.

Sem falar nas geladeiras, televisões e outros móveis. E na explosão de eletrodomésticos que fez, durante o apagão de 2009 no Rio de Janeiro, causar um incêndio numa casa de um casal idoso que perdeu sua rara coleção de quadros.



Neste sentido, tenho que reconhecer que o serviço da Coelba - Companhia de Energia Elétrica da Bahia, do grupo espanhol Neoenergia - , que pude usufruir quando morei em Salvador, é mil vezes superior ao da Ampla aqui em Niterói.

E olha que a última residência onde morei na capital baiana sofria a ação dos "gatos" da vizinhança, e lá a oscilação de energia elétrica era em função desse problema e quase não havia queda de energia elétrica. E nos dias de muita chuva, a energia elétrica da Coelba quase sempre era excelente, só em raros momentos a energia caía ou havia apagão.

Aqui, porém, não há "gatos" e a energia oscila e ontem mesmo, mais de uma vez, a energia elétrica caiu. Estava escrevendo textos para um livro que quero publicar e a energia caiu. Os danos não foram graves, até porque deu para reescrever o que eu havia perdido - evidentemente, com outras palavras, mas de forma até melhor elaborada - , mas que isso incomoda, é verdade que sim.

O número de moradores de Niterói aumentou consideravelmente. As empresas de energia elétrica e também de saneamento na antiga capital fluminense não se dão conta disso. Infelizmente, nenhum trabalho preventivo é feito, quando muito só vão consertar quando o problema já ocorreu.

Recentemente, uma rede de esgoto no bairro niteroiense de Ponta d'Areia - que conheço desde minha infância, a partir de 1973 - estourou, gerando uma grande onda que alagou o local e causou ferimentos em oito pessoas. O mal poderia ter sido prevenido. Em vez disso, o desastre causou prejuízo até num restaurante próximo, que sofreu sérios danos por conta do esgoto que tomou conta do ambiente.

Ou seja, em vez de fazer trabalhos preventivos de manutenção e ampliação de seus serviços, antevendo o futuro crescimento de demanda por conta das construções de edifícios, as empresas relaxam. Param no tempo. Depois vão fazer propaganda, ou vão enviar um assessor falando sempre a mesma ladainha: "Estamos agindo para resolver o problema, estamos realizando estudos para ampliar nossos serviços" etc.

Então tá.

3 comentários:

MPierre disse...

Só a AMPLA? A Light não fica atrás. Agora, também, são os bueiros que explodem.

No caso da Light, quando era estatal, senti que os seus serviços eram bons apesar de ter havido alguns apagões, mas, não tem comparação essa Light privada. Sem contar de que, naquelas greves da Light, o consumidor se tornou refém com ameaças de deixar no escuro caso não atendesse as reindivicações dos funcionários como em 1990.

A verdade é que já vi esse filme nos ônibus, ou seja, pegando um gancho do Roberto Bandeira no "Busólogos do RJ", recorrer a ANEEL ou falar com o vento é a mesma coisa pelo sentimento que me passa a ANEEL.

A. F. disse...

Eu escrevi o texto porque moro em Niterói e a Ampla é uma empresa recente. A Light é uma desastrada antiguíssima, tanto que nós, busólogos, sabemos muito bem do episódio do governador-jornalista Carlos Lacerda que, em 1960, teve que encampar a Light, que prestava um péssimo serviço de bondes, para criar a nossa conhecida CTC.

A Light só foi importante, em parte, para inspirar a famosa marchinha, cantada sobretudo durante a época de construção de Brasília: "Rio de Janeiro / Cidade que seduz / De dia falta água / De noite falta luz".

A Light, na sua fase estatal, parecia mais eficaz. Não concordo que o Estado tenha que controlar todos os serviços, mas alguns mais essenciais, como Energia Elétrica, Saúde e Educação, ou mesmo uma empresa de ônibus estatal - mas não todo o sistema de ônibus - , tipo as antigas CTC e Serve (Niterói e Campos), tudo bem.

MPierre disse...

Agora, a Light está adotando de colocar a rede de 127 V lá em cima do poste como a AMPLA fez em São Gonçalo (vendo na TV) e em Niterói perto da estação das barcas. Na rede da Light, já se vê em Bangu na Rua da Chita (passam os ameaçados 741 e 743 com as renumerações desnecessárias).

Quanto a empresa de ônibus público, para tentar reduzir influência política, sou simpático que a hipotética CTC tivesse a mesma organização da Petrobrás, ou seja, ela não é 100% estatal, mas, o presidente é nomeado pelo(a) Presidente da República.