quinta-feira, 28 de abril de 2011

AMPLA NADA AMPLA



É lamentável o desempenho da empresa de energia elétrica Ampla, que serve Niterói e cidades vizinhas.

Sem poder prever o crescimento de demanda no uso de energia elétrica, a Ampla permite que ocasionalmente o alto consumo de energia provoque constantes quedas, o que, em muitas casas, significa danificação de eletrodomésticos, até mesmo computadores, com perda de arquivos preciosos que dificilmente poderão ser recuperados.

Imagine um estudante fazendo um projeto de faculdade, um trabalho quase para se encerrar, mas que, por alguma inocência dele, não use estabilizador nem sequer no break - utensílio que permite que a energia elétrica usada num computador se prorrogue em alguns minutos - e, de repente, a energia elétrica oscila. O disco rígido do computador se queima e o universitário perde aquele seu trabalho escrito com tanto sacrifício, com tanta preocupação em acertar.

Sem falar nas geladeiras, televisões e outros móveis. E na explosão de eletrodomésticos que fez, durante o apagão de 2009 no Rio de Janeiro, causar um incêndio numa casa de um casal idoso que perdeu sua rara coleção de quadros.



Neste sentido, tenho que reconhecer que o serviço da Coelba - Companhia de Energia Elétrica da Bahia, do grupo espanhol Neoenergia - , que pude usufruir quando morei em Salvador, é mil vezes superior ao da Ampla aqui em Niterói.

E olha que a última residência onde morei na capital baiana sofria a ação dos "gatos" da vizinhança, e lá a oscilação de energia elétrica era em função desse problema e quase não havia queda de energia elétrica. E nos dias de muita chuva, a energia elétrica da Coelba quase sempre era excelente, só em raros momentos a energia caía ou havia apagão.

Aqui, porém, não há "gatos" e a energia oscila e ontem mesmo, mais de uma vez, a energia elétrica caiu. Estava escrevendo textos para um livro que quero publicar e a energia caiu. Os danos não foram graves, até porque deu para reescrever o que eu havia perdido - evidentemente, com outras palavras, mas de forma até melhor elaborada - , mas que isso incomoda, é verdade que sim.

O número de moradores de Niterói aumentou consideravelmente. As empresas de energia elétrica e também de saneamento na antiga capital fluminense não se dão conta disso. Infelizmente, nenhum trabalho preventivo é feito, quando muito só vão consertar quando o problema já ocorreu.

Recentemente, uma rede de esgoto no bairro niteroiense de Ponta d'Areia - que conheço desde minha infância, a partir de 1973 - estourou, gerando uma grande onda que alagou o local e causou ferimentos em oito pessoas. O mal poderia ter sido prevenido. Em vez disso, o desastre causou prejuízo até num restaurante próximo, que sofreu sérios danos por conta do esgoto que tomou conta do ambiente.

Ou seja, em vez de fazer trabalhos preventivos de manutenção e ampliação de seus serviços, antevendo o futuro crescimento de demanda por conta das construções de edifícios, as empresas relaxam. Param no tempo. Depois vão fazer propaganda, ou vão enviar um assessor falando sempre a mesma ladainha: "Estamos agindo para resolver o problema, estamos realizando estudos para ampliar nossos serviços" etc.

Então tá.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

KRISTIN CAVALLARI ESTÁ NOIVA



É claro que a fila tem que andar em muitos casos, mas o que entristece é que mulheres interessantes ficam cada vez mais comprometidas. Desta vez, Kristin Cavallari ficou noiva de um astro do futebol americano. Gisele Bündchen que o diga.

Kristin Cavallari é aquela gracinha meio parecida com a nossa conhecida jornalista Flávia Freire, é tão deliciosa quanto esta e, portanto, também dona de uma beleza facial estonteante de tanto fascínio que causa. Ela tornou-se conhecida pelo seriado The Hills.

Certa vez, um episódio do seriado Big Bang Theory ironizou o comprometimento das mulheres interessantes. Um dos personagens, creio que Howard, comentou que, para ter a mulher de seus sonhos, um homem tem que ser esportista ou advogado. Se bem que podemos entender o mesmo sentido dado aos advogados para os médicos, empresários e engenheiros, o que dá no mesmo.

Enquanto isso, muitas solteiras brasileiras ainda precisam aprender. No Orkut, uma balzaca de 39 anos - mas que já parece quarentona, no pior sentido - foi postar uma de suas fotos apertando o decote dos seios, numa forma meio grotesca. Ela quis ser jovial, mas se esqueceu que juventude tem um quê de gracioso e simples. Também há outros casos de mulheres da mesma geração que colecionam discos da Xuxa e botam tatuagem no corpo, achando que isso trará a juventude perdida.

Isso para não dizer as alucinadas marias-coitadas que poderiam muito bem namorar sósias do Thiaguinho ou do Vítor Chaves, por tanto gostarem de sambrega e breganejo. Mas cismam com o primeiro nerd que veem no Orkut ou pessoalmente na rua. Ou então há as fanáticas religiosas e as fanáticas por futebol, cujo convívio fica difícil por razões óbvias.

É uma prova do quanto muitas dessas mulheres são dotadas de referenciais confusos e, por vezes, péssimos. E são essas que sobram para a vida amorosa.

Por isso é que, quando alguma mulher interessante, não só pela beleza mas pela personalidade, que reúne graciosidade e inteligência, se torna comprometida, é coisa de fazer até careca arrancar os cabelos.

NÃO É SÓ RENATA CERIBELLI QUE MERECE UMA DIETA



A julgar por essa foto, de meados do ano passado, não é só a jornalista Renata Ceribelli que merece fazer uma dieta. Mais do que ela, quem também merece uma dieta é o atual marido dela, Gustavo Brigagão.

Isso devido a razões muito simples.

Primeiro, por conta da saúde. Segundo, por companheirismo. E, terceiro, para não cair na tentação de disfarçar a barriga com o terno e gravata.

Espera-se que Gustavo Brigagão acompanhe a dieta de sua mulher, e que seja realmente um "brigagão" com a balança. Dessa maneira, poderemos desejar boa sorte ao casal na luta pela saúde e boa forma.

terça-feira, 26 de abril de 2011

"QUE TCHAN É ESSE" E O PADRÃO INTELECTUAL DA "CULTURA POPULAR" DA ERA FHC



Tomei conhecimento há poucos dias de um livro escrito sobre o fenômeno É O Tchan e outros fenômenos da "música popular" dos anos 90, aquilo que eu chamo de Música de Cabresto Brasileira ou música brega-popularesca. Sabemos que o famigerado grupo de "pagodão" baiano é uma armação de mercado comandada pelo seu empresário, Cal Adan.

O livro é mais um daqueles livros, artigos, documentários e outros recursos midiáticos que as ciências sociais da Era FHC usaram para tentar salvar a mediocridade musical brasileira de seu natural desgaste.

O livro Que Tchan é Esse, de Mônica Neves Leme (Anna Blume, 2003), é um desses produtos da intelectualidade etnocêntrica que domina os meios acadêmicos no Brasil. Com texto de "orelha" de Hermano Vianna - o antropólogo que se vendeu para a Rede Globo - , por sinal, entusiasmado com o tema, o livro de Mônica Leme não deixa de ser ambicioso, na sua manobra discursiva.

Digamos que o recurso que Mônica usa pode ser denominado "costura historiográfica", que é o processo de associar um fenômeno a outro que nada tem a ver, mas que supostamente aponta algum aspecto genérico "comum".

Mônica tenta associar a vulgaridade explícita do É O Tchan a elementos tradicionais da cultura brasileira, como o lundu, no aspecto musical, e no aspecto "poético", à figura polêmica do poeta baiano Gregório de Matos (1636-1695), um dos maiores bodes expiatórios do "Brasil Pocotó" junto com Lupicínio Rodrigues e Vicente Celestino.

Além do mais, a antropóloga apelou para o clichê que eu defino como a "ditabranda do mau gosto". Afirmou que o É O Tchan foi hostilizado pela "intelectualidade moralista" preocupada com a preservação do "bom gosto". Virou um grande clichê, desculpa para fazer prevalecer a mediocridade musical, dentro de uma retórica sutil que tente comparar a música comercial de hoje com a arte genuína de outrora.

Até os ataques "moralistas", evidentemente, são comparados com os recebidos pelo lundu, por Gregório de Matos, que lembra muito o que o sociólogo baiano Milton Moura falou do mesmo "pagodão" local e o historiador Rodrigo Faour falou sobre o "funk carioca". Como se nada houvesse mudado na sociedade brasileira entre 1900 e os dias atuais.

Mônica Leme superestima os comentários de Marisa Monte e Paulinho da Viola sobre o Tchan. Como Marisa, ela recorre ao grave erro de definir o É O Tchan como "samba de roda", quando o som do grupo lembra mais um samba de gafieira malfeito. Eu mesmo tive essa constatação porque um vizinho meu, quando eu morava no bairro do Resgate, em Salvador, tocava os discos do grupo sem parar.

Paulinho da Viola, anos depois, se arrependeu pelos elogios ao grupo baiano. Sofreu cobranças por isso, ele que é um conhecedor de samba brasileiro. E cometeu um erro ingênuo de definir um grupo comercial como "não-comercial".

DISCURSO POUCO VARIADO

Sem ir muito nos detalhes escritos por Mônica Leme, é bom localizar o contexto da data de publicação da obra. O período 2000-2005, do apagão de FHC ao mensalão que quase derrubou o PT, foi a época de intensa campanha de defesa da Música de Cabresto Brasileira, evidentemente não com esse nome.

Com uma estrutura de engajamento e recursos midiáticos que lembra o antigo IPES (o suposto "instituto" de pesquisas e estudos sociais que defendia o neoliberalismo no Brasil), num empenho discursivo bastante persuasivo e sutil, essa campanha tentava maquiar o hit-parade à brasileira dos anos 80-90 e seus ritmos "populares" postiços e governados pelo princípio do "deus mercado" com uma retórica que reafirmasse os mesmos ritmos e tendências como se fossem o "novo folclore brasileiro".

É um discurso esquizofrênico, mas que funcionou na sua persuasão, prolongando os antigos modismos jabazeiros agora sob o rótulo de "nova cultura popular". Só que, em vez de cumprir a suposta finalidade de "proteger" a cultura popular, a campanha apenas reafirmou os mesmos sucessos comerciais da música brasileira patrocinados pela mídia oligárquica nacional e regional.

É essa a época de Eu Não Sou Cachorro, Não, de Paulo César Araújo, de Central da Periferia, produzido por Hermano Vianna, do texto de Bia Abramo sobre o "funk carioca", dos filmes Os Dois Filhos de Francisco, de Breno Silveira e Sou Feia Mas Tô Na Moda, de Denise Garcia, das primeiras entrevistas de Pedro Alexandre Sanches com ídolos popularescos (tipo Tati Quebra-Barraco), da visibilidade crescente de Milton Moura na mídia baiana. E também da tese de Mônica Neves Leme que resultou no citado livro sobre o É O Tchan.

De Waldick Soriano a Tati Quebra-Barraco, passando pelo "pagode romântico", "sertanejo", axé-music, forró-brega e outros, todo um discurso foi feito para "salvar" a mediocridade musical dominante, sem medir escrúpulos de tentar promover ídolos no auge do sucesso comercial como se fossem "vítimas de preconceito".

O discurso de seus vários autores - Paulo César Araújo, Bia Abramo, Rodrigo Faour, Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches, Milton Moura, Ronaldo Lemos, Mônica Neves Leme etc - , a uma análise muito profunda, nem chega a ser muito diversificado, apenas variando o tom da retórica de defesa. Por exemplo, PC Araújo tentando promover os ídolos bregas como "cantores de protesto", Pedro Alexandre Sanches atribuindo ao tecnobrega uma fictícia alusão do Modernismo de 1922 e Mônica Leme tentando definir o É O Tchan como um "lundu moderno da Boca do Inferno".

Em todos os discursos, o que se vê é a mesma apelação: os ídolos são "vítimas de preconceito", rejeitados pela "ira moralista dos patrulheiros do bom gosto", representam a "verdadeira cultura popular", foram lançados por "pequenas mídias" (que, na verdade, são apenas braços ou apêndices da grande mídia regional e oligárquica). Parece um mantra, uma pregação travestida de "crítica musical reflexiva" ou de "tese acadêmica de ciências sociais".

"FOLCLORE" TUCANO

Essa retórica, para se resultar em seus inúmeros livros, artigos, documentários, programas de TV, cinebiografias dramatizadas, tinha que ser planejada e elaborada. Afinal, fica muito estranho defender, a título de "verdadeira cultura popular", uma pseudo-cultura alimentada pelo jabaculê mercadológico, pela politicagem midiática, e cuja mediocridade artística gritante nada tem a ver com a riquíssima música que as classes pobres produziram no pré-1964 e que hoje, infelizmente, virou "coisa de museu".

Dar verniz "científico" foi coisa que até mesmo as teses racistas do fascismo recorreram. Fazer uma pregação ideológica acobertada por uma metodologia acadêmica soa como uma propaganda muito mais eficaz e sutil, porque teses discutíveis podem ser trabalhadas como "certezas" e "verdades" a partir de um discurso que envolve falsas alusões, "costuras historiográficas", apelações diversas.

Tudo isso foi pensado pelas elites da burocracia universitária ligadas aos tecnocratas da USP. Sim, os mesmos que compuseram os quadros do PSDB: Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Francisco Weffort e, sobretudo, Sérgio Paulo Rouanet.

Como secretário de Cultura do governo Fernando Collor, Rouanet - que criou a lei com seu sobrenome que "mercantilizou" as atividades culturais no Brasil - teria estabelecido a ligação entre a intelectualidade e os "ídolos de massa" dos tais "sucessos do povão" do rádio e TV aberta.

É a partir desse esquema de intelectuais que depois constituíram o grupo tucano é que se estabeleceu um modelo de abordagem da cultura popular, carregado de tendenciosismo ideológico. Dessa forma, defende-se a música brega-popularesca, que é a "música popular" de mercado, e todos os seus valores culturais associados ou derivados, como um modelo mercadológico travestido de "tradição cultural modernizada".

Ou seja, juntou-se, ao esquema "República Velha" aplicado à cultura brasileira - por isso é que eu defino essa suposta "música do povão" como Música de Cabresto Brasileira - , que inclui ídolos medíocres, empresários do entretenimento e oligarquias midiáticas, a intelectualidade dotada a exercer uma visão etnocêntrica, um etnocêntrico "bondoso" mas claramente paternalista.

Esse paternalismo tende a ver a domesticação midiática do povo pobre como uma "amostra de felicidade". Os intelectuais, a pretexto de "exaltar" as classes populares e "sua rica cultura", na verdade tentam fazer o possível para minimizar os riscos de manifestações sociais autênticas.

Não vamos entrar em detalhes diante do fato de que existe um abismo separando a inteligência de nomes como Luiz Gonzaga, João do Vale, Jackson do Pandeiro, Cornélio Pires, Marinês e Seu Conjunto, Ataulfo Alves e Cartola com os ídolos de "pagode romântico", "pagodão baiano", "sertanejo", "funk", axé-music e forró-brega de hoje. Apenas dizemos aqui que esse abismo em nenhum momento pode ser superado com "costuras historiográficas" que supostamente equiparem uns e outros.

O "MOLEIRO" DO CONTO DE OSCAR WILDE

O que se pode dizer é que essa retórica tem tudo a ver com todo o esquema clientelista de trocas de favores, de visibilidade fácil, de uma intelectualidade que pensa falar para o povo mas fica falando para si mesma, de preferência diante do espelho.

É uma intelectualidade que se comporta mais como o moleiro do conto "O amigo dedicado" de Oscar Wilde, um rico homem que explora o trabalho de um jovem humilde que cultiva flores. O moleiro fica com as flores desse jovem jardineiro, até que um dia lhe dá em troca um carrinho de mão em péssimo estado.

Os "moleiros" brasileiros ficavam com as "flores" do patrimônio cultural popular de outrora. E dava ao povo pobre os "carrinhos de mão" dos reles sucessos radiofônicos. O povo "morre" afogado, como o jovem jardineiro do conto de Wilde, pela "chuva" de elementos cafonas, de um ideal de "mau gosto" construído ideologicamente pela intelectualidade dominante, que molda uma concepção elitista de "povo pobre" que impeça as classes populares de lutarem por melhorias. Elas é que esperem as "melhorias" aparecerem através do espetáculo consumista da grande "pequena" mídia.

Que Tchan é esse? Ora, é o Tchan de uma intelectualidade clientelista que promove uma dócil visão de "cultura popular" baseada nos seus preconceitos paternalistas e na defesa do "deus mercado".

domingo, 24 de abril de 2011

A EXPLORAÇÃO MIDIÁTICA DA MULHER SOLTEIRA


A TOP ALESSANDRA AMBRÓSIO FAZ POSE SUPERGRACINHA. MAS ELA TEM "NAMORIDO". JÁ A ATUAL LOIRA DO TCHAN...

Enumere a maior parte das belas atrizes de TV, modelos e jornalistas. Faça uma lista. Você concluirá que a maior parte delas está casada ou namorando, e, quando termina um namoro, engata outro em seguida. Quando muito, passa apenas, e no máximo, um ano sem ter qualquer namorado.

O que dizer, então, das modelos internacionais? Gisele Bündchen é esposa de um atleta do futebol americano. Alessandra Ambrósio também mora com o pai de sua filha, o noivo da modelo, Jamie Mazur. E o símbolo de beleza sofisticada Ana Paula Arósio, além de também ser casada, deu um tempo na carreira de atriz para tornar-se mãe, segundo apontam rumores recentes.

Enquanto isso, ver que as atuais "solteiríssimas" do Brasil se chamam Ariadna (ex-BBB que, dizem, é um travesti), Nicole Bahls, Mirella Santos, Karol Loren (do abominável É O Tchan) e, na melhor das hipóteses, a esforçada mas piegas Francine Piaia, faria qualquer budista trocar seu relaxante som new age por um metalzão tipo Cannibal Corpse.

Claro que ser homem legal é um grande fardo no Brasil. Principalmente se for um verdadeiro nerd (nada de "cervejão-ão-ão", "judão", Se Beber Não Case ou coisa parecida), desses que sabem que Buddy Holly foi muito mais do que um título de uma canção do Weezer.

Se um homem solteiro no Brasil não for dono de um restaurante da Zona Sul de sua cidade, ou não ter uma lojinha de informática num bairro de classe média alta, nem ter um porte físico de um jogador de vôlei ou não ser de família rica, ele não pode ter mulheres legais. Pode até ter mulheres bem bonitas, desde que elas estejam associadas a referenciais lamentáveis, como dançar em grupos brega-popularescos, ser futebolista doente, ir a apresentações de duplas "sertanejas" (não se fala aqui de música caipira autêntica, ok?) etc.

Não dá para entender o porquê de haver, na maioria das solteiras brasileiras, moças com péssimos referenciais, sejam elas boazudas ou coitadinhas. E, o que é pior, elas recusam qualquer pretendente de status, mesmo que sejam sósias do Rodrigo Faro ou do jogador de vôlei Giba.

Não adianta bancar o politicamente correto e dizer que elas são "inteligentes à sua maneira". Certas versões juvenis de Jair Bolsonaro, algumas femininas, já escreveram querendo que se considere as popozudas como "feministas" e a pseudo-cultura brega-popularesca como "cultura de verdade". Em suma, queriam que a gente considerasse a burrice e a estupidez sócio-midiáticas como se fossem "novas formas de inteligência e lucidez". Artifício mais politicamente correto que isso, impossível.

Aliás, o que faz as Nicole Bahls da vida recusarem tudo quanto é pretendente? O que faz a mídia empurrar as popozudas para os losers, numa espécie de bullying politicamente correto - como se nós, nerds autênticos, fôssemos meros "punheteiros" - , porque os losers são as últimas pessoas na vida que pensariam em sair com uma paniquete ou com uma loira do Tchan, por mais que qualquer uma delas curse faculdade, faça jornalismo ou design ou diga que "é muito diferente do que a imagem da TV sugere".

Não, não somos bobos. Ser homem legal, ou seja, que não vê a mulher de forma sexista, que deseja uma namorada não só para fazer sexo, mas para conversar e trocar ideias, é um grande pecado num país ainda marcado por um machismo agonizante, enrustido mas ainda triunfante nos círculos midiáticos e jurídicos do país.

Pior é que a mídia manobra muito os desejos sociais, estabelecendo um discurso hipócrita e politicamente correto que tente maquiar a mediocrização sócio-cultural como uma "modernidade" que só os "moralistas" (sic) não compreendem.

Dessa forma, para a mídia e seus mini-Bolsonaros - que podem se chamar Olavo, Adriano, Márcia, Eugênio, Francielly etc - , todos "somos inteligentes", "somos vanguardistas", "somos progressistas" e "somos tudo de bom". No fundo pensam como o "senhor das trevas", jornalista Ali Kamel: "não, não somos racistas". Afinal, na prática, tome preconceitos vindos dessa moçada "sem preconceitos".

A mídia tenta definir a "solteira" como uma semi-vadia que só vai para a praia, só abusa de mostrar o corpo, a ponto de "mostrar demais" até em missa de igreja, mas que em dado momento na carreira, "cursa faculdade" ou "vira repórter de TV" (claro, desses programas de entretenimento idiotizado).

Essa moça é quase que uma "faquir" da vida amorosa, rejeitando tudo quanto é pretendente, até um cantor de "pagodão", de "sertanejo" ou um ex-BBB, que são considerados os homens mais conceituados de seu meio. Mas tentam parecer "acessíveis" aos homens comuns, sem se dar conta que seus corpos exagerados pelas próteses de silicone contrastam com qualquer simplicidade dos homens comuns que adorariam namorar mulheres mais discretas, porém mais inteligentes.

Isso porque, no Brasil, o que mais se vê é mulher ficando comprometida. Até mesmo as popozudas e as marias-coitadas têm pretendentes, mas ficam fazendo beicinho e mentem quando dizem que os homens têm medo delas. Elas é que tem medo dos homens. O problema é que elas cismaram com os losers que as rejeitam de forma irreversível, mas fogem daqueles pretendentes do seu meio e de sua afinidade.

Nem as paniquetes e as dançarinas do Tchan são tão "desimpedidas" quanto se parece. Recentemente, se descobriu que o celibato delas é contratual. Muitas delas têm até que "abandonar" seus namorados porque eles "atrapalham" suas carreiras. É apenas um mero recurso para a mídia do entretenimento dizer que "é fácil encontrar mulher solteira no país".

Fácil? É até uma piada ver que a gente não pode ter nossas próprias ex-colegas de escola ou faculdade, porque elas se casaram com o empresário X, o advogado Y ou o engenheiro Z, e "podemos" ter a dançarina de "pagodão" que estuda faculdade. Uma piada contra nós. E que por isso não tem a menor graça.

A mídia, que estabelece padrões de "inconsciente coletivo" para uma sociedade ainda marcada por desigualdades (a mídia ainda pensa como se estivéssemos ainda na Era FHC), tenta argumentar que a mulher que é dotada de inteligência e opinião própria, no entanto, tem que correr para ter um marido, de preferência aquele que possui uma empresa, ainda que seja uma micro-empresa.

Dessa forma, a imagem de "mulher solteira" trabalhada pela mídia é de uma desocupada, ou de uma calipígia arrogante e narcisista que diz não para os homens, ou de uma maria-coitada infantilizada que não sabe o que quer dos homens.

A mídia trabalha uma imagem negativa da mulher solteira, para que as mulheres dotadas de caráter, inteligência e sensatez sejam desestimuladas o máximo a serem solteiras por opção. Estas podem ser independentes, na profissão, nas aparições públicas etc, mas têm que guardar algum cônjuge masculino em casa, um empresário, profissional liberal, ou até um cineasta diretor de TV, nem que seu posto de "marido" seja apenas um mero enfeite, um mero adorno social.

Se a mídia empurra para muitas jornalistas de TV peguem como maridos médicos, economistas e empresários que, mesmo profissionalmente exemplares, são uns "bananas" na hora do lazer, também impede que popozudas se envolvam com axézeiros e ex-BBB que aparentemente as tenham agradado. Em outras palavras, impede os passos de quem quer andar, e empurra ladeira abaixo quem deseja parar um pouco.

Por isso é que há um grande abismo entre as solteiras de países como França e Bélgica, que leem livros, se vestem discretamente, sabem opinar até sobre política, possuem gosto musical relevante e, quando gostam de esporte, não apelam para o fanatismo, e as solteiras do Brasil que, quando gostam de esporte, já têm no Orkut uma galeria só relacionada a seu time, e um quarto todo feito com as cores do mesmo.

Aqui, tem solteira que odeia ler livros e se acha inteligente. Pior, fica recusando pretendentes de sua vizinhança ou do seu meio social e ainda se envaidece por isso. Acha que vai ser independente por nada, e nós temos que ser politicamente corretos, achar que no Brasil não existe estupidez, o que "entendemos" como estupidez é apenas "uma nova forma de inteligência".

E nós, homens legais, não temos que ter preconceito contra coisa alguma, apenas contra nossos desejos e valores. Temos que ser politicamente corretos: "somos todos inteligentes", "somos todos progressistas", "somos tudo de bom". E, de preferência, teremos que indicar Jair Bolsonaro e Ali Kamel para o Nobel da Paz, ou ao menos para a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul.

sábado, 23 de abril de 2011

BRITTANY SNOW PÕE A CAMISA PRA DENTRO DA CALÇA



É, mas mal acabou de terminar um namoro, a belíssima atriz Brittany Snow arrumou outro namorado. E ainda foi usar esse tipo de traje que combina sensualidade e charme e que anda sendo tratado com preconceito pelas moças comuns e pelas ditas "musas populares".

Nem mesmo paniquetes nem moças como Francine Piaia, por mais que se distanciem dos 25 anos de idade (idade atual da citada atriz norte-americana), se encorajam de vestir da forma que Brittany Snow se veste. Nem para eventos comportados, nada.

Enquanto isso, continua sendo um fardo ser um homem legal no Brasil. Se uma Brittany Snow, uma Rachel Bilson ou uma Eva Longoria são disputadas por muitos homens lá no exterior, imagine então o que acontece aqui.

E ainda tem balzaca indo para entrevista de emprego usando camisa abotoada curta demais, dessas que se compra para dar ao afilhado. Ou então aquelas moças que usam camisas tão curtas que elas ficam abaixando para tentar cobrir as barrigas, numa inquietação de deixarem pasmos os transeuntes ao redor.

Bah!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

VEJA E SEUS "BULLIES"



A revista Veja publicou, no último domingo - mas em edição creditada ao dia de ontem - , a matéria de capa do bullying, que é o fenômeno social da humilhação feita contra jovens típico nas escolas e nos ambientes sociais infanto-juvenis, e é um dos assuntos da moda na atualidade.

Eu mesmo já entendia muito o bullying desde meus 11 anos de idade, em 1982, e eu mesmo definia a violência psicológica como "implicância", na falta de um nome melhor. Os bullies, ou seja, "valentões", eu chamava de "implicantes".

E é uma pena que somente nos últimos cinco anos o tema tenha sido discutido com mais frequência, depois que tragédias envolvendo vítimas de bullying - seja cometendo chacinas, como na escola de Columbine, nos EUA, seja cometendo suicídios, como num episódio que inspirou a música "Jeremy" do Pearl Jam - aconteceram dos anos 90 para cá.

Mas esse é um assunto que mereceria mais destaque em outras discussões, porque não deixa de ser uma ironia um tanto hipócrita que Veja embarque na reportagem sobre bullying. Isso porque a própria Veja é praticante dessa mesma violência, num outro contexto, o contexto da imprensa e da sociedade em que se vive.

Veja chega a ser a mídia golpista nas suas últimas consequências. Vemos que O Globo, a Rede Globo, a Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e Zero Hora são tomadas constantemente de surtos anti-jornalísticos, condenando os movimentos sociais, esbanjando reacionarismo mal-humorado. E que mesmo veículos da "mídia boazinha" - que é capaz de fazer reportagens sobre Che Guevara e Fidel Castro sem xingá-los nem dizer desaforos sobre eles - , como a TV Bandeirantes e a baiana Rádio Metrópole, também sofrem eventuais ataques de neurose direitista aguda.

Mas nenhuma delas chega ao radicalismo extremo de Veja, que simboliza a grande imprensa com mau humor. Veja condena os movimentos sociais como um todo, como os movimentos estudantis, os movimentos operários, os movimentos camponeses e mesmo as populações indígenas. Não há como respirar diante de uma linha editorial tão rancorosa desse veículo da Editora Abril.

Colunistas como André Petry, o falecido Tales Alvarenga, e os atuais "feras" (no pior sentido) Reinaldo Azevedo e, sobretudo, Diogo Mainardi (que teve que arrumar as malas definitivamente para o exterior, talvez frustrado por ter nascido no Brasil), são os verdadeiros bullies da grande imprensa.

E não são poucos os momentos de puro bullying praticado pela valentona Veja. O Movimento dos Sem-Terra, então, pode se orgulhar em ser vítima de um verdadeiro bullying - ou "implicância", ou talvez algum termo em português que se criar para isso - dos calunistas da tenebrosa revista.

O próprio economista e filósofo Karl Marx, mais de cem anos depois de falecido, teve a oportunidade de também sofrer o bullying de Veja, que o implicou com os furúnculos sofridos pelo pensador do socialismo científico.

Estes calunistas aliás, como verdadeiros pitboys jornalísticos, tentam derrubar processos judiciais com equipes de advogados, mas as vitórias judiciais não são totais e o ringue jurídico desgasta sua imagem frente a opinião pública.

Por isso, é muito fácil falar da cidadania que ocorre fora de casa, quando ela é combatida dentro dela. A Veja condena a tirania dos valentões das escolas, mas deveria saber que ela mesma expressa a tirania dos valentões da grande imprensa. Que atacam, humilham, depreciam os movimentos sociais, as grandes personalidades e mesmo as tão sofridas populações indígenas.

Isso para depois, como todo bully tenta dizer quando denunciado, que tudo não passa de uma "inocente brincadeirinha".

quarta-feira, 20 de abril de 2011

MÚSICO DO ANGRA ACUSA PARANGOLÉ DE PLÁGIO



O guitarrista da banda de heavy metal Angra, Kiko Loureiro, reclamou no Twitter que a música "Nova Era" foi plagiada em 2007 pelo grupo baiano de porno-pagode Parangolé, no sucesso "Azevixe".

"Temos que nos conformar com a nova era do creative commons e tals. Eu concordo, mas só não queria que começasse pelo Parangolé... Os caras querem zoar geral... Que vergonha! 'Tomba ae Tomba'. Absurdo! Cara de pau! Que feio os parangolés roubando músicas dos outros", disse o músico, que processou os baianos.

A música "Azevixe" é anterior à atual formação do Parangolé, que não tinha o atual vocalista Léo Santana como integrante.

Não é a primeira investida da Música de Cabresto Brasileira contra o Angra (que, ironicamente, ainda é homônimo a uma esquecida cantora brega que namorou Amado Batista). O forró-brega também já havia usurpado uma música do grupo, em seu processo de trucidar versões de rock ou de sucessos estrangeiros.

As editoras relacionadas aos dois grupos já entraram em contato. Segundo a assessoria do Parangolé, o grupo vai arcar com o valor definido pela Justiça.

terça-feira, 19 de abril de 2011

NÃO, RACHEL BILSON NÃO ESTÁ SOLTEIRA!!



Não, Rachel Bilson não está solteira, do contrário de recentes rumores. Ela apareceu recentemente ao lado do namorado, o também ator Hayden Christensen, o Darth Wader da recente trilogia de Star Wars.

Como se vê, mulheres legais desimpedidas são mesmo uma raridade. Os homens também querem mulheres legais.

Se fosse no Brasil, então, as mulheres legais seriam muito mais raras ainda.

domingo, 17 de abril de 2011

FOTOLOGS DIVULGAM ÔNIBUS COM VISUAL DESPADRONIZADO



A FOTO NO ALTO É UMA MONTAGEM, MAS A FOTO ABAIXO DELA MOSTRA A TRISTE REALIDADE DOS ÔNIBUS CARIOCAS QUE CONFUNDEM OS PASSAGEIROS.

Com o objetivo de reagir à política de padronização visual dos ônibus de várias cidades brasileiras, sobretudo o recente caso do Rio de Janeiro, um novo blog é criado para mostrar ônibus com visual despadronizado, em certos casos com desenhos próprios criados pelo editor deste blog.

Este blog é o DESPADRONIZAÇÃO VISUAL: A LIBERDADE EM CORES - http://despadronizacaovisual.blogspot.com/ - , totalmente especializado em montagens que devolvam a diversidade visual nos ônibus brasileiros.

Outros fotologs também servirão de apoio a essa iniciativa, divulgando os ônibus "despidos" da padronização visual: Busdiversidade, Supercarioca e Ônibus no Mundo, entre outros.

Os autores das fotos originais não precisam se preocupar, porque os créditos de autoria original serão mantidos nas respectivas fotos. Para quem não concorda com a diversidade visual, pedimos sua compreensão pelo uso das imagens para a montagem digital.

Um aviso. Qualquer proibição será entendida como censura, já que nenhuma finalidade depreciativa ou usurpadora existe nas fotos aqui publicadas.

Até a última sexta-feira (15.04.2011), os três fotologs do Fotopages já divulgaram, juntos, 25 fotos de ônibus cariocas com pinturas despadronizadas.

A empresa com maior número de imagens é a Transportes Campo Grande, com oito fotos, seguida da Transportes Estrela, com cinco fotos.

Prestigiem e divulguem.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

ÁLBUM DOS SMITHS GANHA REMASTERIZAÇÃO DEPOIS DE 25 ANOS



O álbum dos Smiths The Queen is Dead - do qual fazem parte músicas como "Bigmouth Strikes Again", "There's a Light That Never Goes Out" e "The Boy With the Thorn in His Side" - , de 1986, ganhará nova remasterização para celebrar os 25 anos do disco.

É um álbum com uma postura mais política do grupo, sobretudo a faixa-título. Uma foto do ator francês Alain Delon em 1965 foi usada para a capa, bolada por Morrissey (o então cantor da banda fazia ele mesmo as concepções de capa dos discos da banda), que co-produziu o disco com o guitarrista Johnny Marr.

Johnny comanda o processo de remasterização, que a princípio será para uma edição limitada a 1500 cópias, a ser lançada na cerimônia do Record Store Day, o dia das lojas de discos a ser comemorado na Inglaterra no próximo sábado, 16.

Mas tudo indica que em breve a remasterização será aproveitada para a nova edição oficial do álbum, que eu pude comprar nos meus 15 anos em 1986, naqueles tempos em que a banda de Manchester marcou muito minha adolescência.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

JENNIFER LOPEZ PÕE A CAMISA PRA DENTRO DA CALÇA



A atriz Jennifer Lopez, que foi eleita pela revista People a mulher mais bela do mundo, aparece aqui na nossa conhecida combinação de charme e sensualidade, com a camisa abotoada para dentro de uma calça jeans justa. Sensual sem deixar de ser comportado, comportado sem deixar de ser sensual.

Enquanto isso, uma roupa dessas ainda faz "musas" brasileiras como as paniquetes tremerem de medo, por não diferirem uma roupa assim com o traje de freira. Preferem usar tops até fora do contexto, e também fora do clima.

Daí que as Nicole Bahls da vida perdem uma boa oportunidade de seduzir as pessoas com mais inteligência e sutileza. Depois ficam reclamando quando estão em baixa.

terça-feira, 12 de abril de 2011

HÁ 50 ANOS, YURI GAGARIN FOI O PRIMEIRO HOMEM A ENTRAR EM ÓRBITA



Por Alexandre Figueiredo

Não é de hoje que existe o desejo do homem em conhecer o Universo. E mesmo as viagens à Lua já se tornaram notórias em obras de ficção científica de Jules Verne, por exemplo.

Aos 15 anos de Guerra Fria, o sutil conflito político entre os capitalistas EUA e a comunista URSS, as duas potências, que haviam sido momentaneamente aliadas na Segunda Guerra Mundial por conta de um inimigo comum, o nazi-fascismo, disputavam não somente a supremacia política na Terra, mas a supremacia econômica e mesmo tecnológica.

No caso tecnológico, a ênfase, preocupante para a humanidade, estava no arsenal armamentístico e na corrida espacial. E a ascensão política da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas preocupava os Estados Unidos não somente pela sua tese internacionalista de "revolução permanente", mas pelo "apetite" com que os soviéticos exerciam na tecnologia espacial.

Em 1957 os técnicos soviéticos produziram e lançaram seu primeiro satélite artificial, o Sputnik (que teria sucessores com o mesmo nome), lançado na Unidade de testes de foguetes da União Soviética, atualmente conhecido como Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. A façanha indignou as autoridades norte-americanas, que perderam a oportunidade de serem pioneiros na iniciativa.

Pouco depois, ainda em 1957, os soviéticos lançaram o Sputnik II, que transportou o primeiro ser vivo a entrar em órbita, a cadelinha Laika (cujo nome, numa engraçada curiosidade, inspirou muitas famílias a batizarem suas filhas com este nome), que não pôde voltar para a Terra, morrendo no espaço sideral.

Isso fez os EUA correrem atrás e lançarem o Explorer em 1958 e, mais tarde, os três outros satélites artificiais Vanguard I, II e III.

A essas alturas Yuri Gagarin era um professor e aviador, com poucos anos de casado, e talvez não imaginasse que ele mesmo protagonizaria uma façanha, pouco tempo depois. Já como tenente-sênior da Força Aérea Soviética, foi um dos vinte aprovados, em 1960, para integrar o programa espacial soviético, depois de passar por difíceis testes de seleção física e psicológica.

Por causa de sua excelente dedicação nos treinos, Gagarin foi longe e foi escolhido o primeiro homem a enfrentar uma volta em órbita sobre a Terra. A origem camponesa também contou para a escolha, já que tal condição era de muito agrado para a política comunista da União Soviética, então governada pelo presidente Nikita Kruschev.

Também contou para o feito a personalidade cativante de Gagarin e seu diminuto tamanho, de 1,57 m, foi compatível para ele embarcar na nave Vostok, de tamanho pequeno. A nave deu uma volta inteira ao redor da Terra, ao longo de 108 minutos, ou seja, uma hora e 48 minutos.

Gagarin se impressionou com a vista do planeta quando esteve em órbita, e, encantado com a beleza, disse, entusiasmado: "A Terra é azul".

Por cálculos errados dos cientistas, a cápsula espacial de Yuri Gagarin aterrizou de volta ao solo soviético a 320 quilômetros do local previsto, e por conseguinte ninguém esteve à espera do cosmonauta em seu regresso à Terra.

Enquanto o cosmonauta foi promovido de tenente a major, a Agência Tass, a agência de notícias do governo soviético, anunciava que naquele dia, 12 de abril de 1961, marcou-se o início da Era Espacial.

Gagarin tornou-se uma celebridade na União Soviética e no mundo, mas sua popularidade e fama comprometeu seu casamento, na medida em que o major cosmonauta passou a beber muito, chegando a se envolver num acidente, em companhia de uma jovem enfermeira, em outubro de 1961.

Antes disso, no dia 03 de agosto de 1961, Yuri Gagarin visitou o Brasil, a convite do presidente Jânio Quadros, que promovia uma política externa independente dos interesses dos EUA. Já com o governo brasileiro em crise, Gagarin recebeu de Jânio a Ordem do Cruzeiro do Sul, prêmio dado a personalidades de grande importância para a humanidade), num episódio que era brando, diante do mesmo prêmio dado 16 dias depois para o ministro Ernesto Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana junto a Fidel Castro e seu irmão Raul Castro.

Yuri Gagarin morreu com 34 anos, num acidente aéreo em 27 de março de 1968, junto com seu instrutor Vladimir Seryogin, durante um treino de voo. O avião MiG-15 caiu na localidade de Kisznach, matando os dois na hora. Investigações posteriores constataram que uma turbulência talvez causada pelo choque com um pássaro em voo teria causado o desastre.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

LUÍS CARLOS LOPES: BULLYING E ASSÉDIO MORAL, OUTROS OVOS DA SERPENTE



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A tragédia escolar no bairro carioca do Realengo lança uma questão muito delicada, que é a questão do bullying, a violência psicológica típica dos ambientes escolares, um problema tardiamente reconhecido pela sociedade. Aqui está um texto que oferece subsídios para o debate, que com certeza só está no começo.

Luís Carlos Lopes: Bullying e assédio moral, outros ovos da serpente

Por Luís Carlos Lopes* - Fórum EcoDebate (16 de junho de 2010).

Muitas pessoas são perseguidas por pertencerem a grupos sociais, no contexto, em desvantagem. Ninguém revela, em profundidade, porque perseguiu ou está perseguindo. O preconceito imanente ao ato permanece secreto e negado pelos algozes.

Em vários ambientes, tem sido notada a presença de relações interpessoais baseadas em diversos tipos de agressão. Estas estão longe de ser os antigos apelidos, a tentativa de integração por meio de rituais de aceitação do novato pelo grupo ou o velho costume de afirmar moderadamente a superioridade real ou imaginária de uns sobre os outros. Essas novas práticas referem-se ao ataque radical aos mais fracos, aos que têm maiores dificuldades de se defender, aos diferentes etc. Em inúmeros casos, chega-se à agressão física e/ou ao constrangimento moral total.

As conseqüências destas práticas entre crianças e adolescentes são muito graves. Levam, por exemplo, ao abandono e à evasão escolar e à construção de personalidades formadas e tangidas pelo medo e pelo ressentimento. Não são menores, quando atingem adultos, podendo provocar a perda de empregos, o isolamento social e facilitar o desenvolvimento de doenças de natureza psicológica. Existem os casos que levam ao suicídio ou ao assassinato. O linchamento moral é algo que se assemelha ao linchamento físico. Deseja-se a morte de seu objeto. Se ela não é possível de fato, quer-se alcançar a destruição e/ou o afastamento/expulsão de seus alvos.

O bullying infanto-juvenil escolar é um tipo de assédio moral absurdamente irracional que rompe com as velhas regras de coleguismo e de espírito de grupo. É muito diferente das antigas brigas de turma de colégio, isto é, confrontos entre grupos de origens diversas. Ele ocorre no seio da mesma instituição, entre alunos que se conhecem e muitas vezes são vizinhos. São comuns entre adolescentes de várias faixas etárias. Alguém é escolhido para ‘pato’. Nesta pessoa, o ódio do grupo é depositado com vigor, incluindo-se xingamentos e episódios lamentáveis de violência física. Com as facilidades de gravação e difusão disponíveis, estas barbaridades chegam algumas vezes à Internet e até a TV.

O assédio moral no ambiente adulto assume inúmeras variações, que respeitam o contexto específico onde ele ocorre. Trata-se de uma forma de abuso, que usa de subterfúgios para tentar destruir o objeto escolhido. A ‘fofoca’ transforma-se na intriga, na invencionice e na maledicência. Os limites entre o público e o privado são abandonados e desconsiderados. As pessoas são atacadas de acordo com os preconceitos acreditados. São pressionadas, admoestadas e maltratadas, sem que isto se relacione de modo direto com as atividades que desenvolvem.

Há sempre objetivos não revelados nestes ataques. A variação é muito grande. Há quem tenha prazer pessoal sádico enlouquecido de agir assim, destruindo pessoas. O ódio pode ser alimentado por ciúmes, invejas e demais sentimentos dos baixos instintos. É comum que estas manifestações também escondam outros motivos de ordem política, ideológica e moral. Os que praticam o assédio raramente revelam os seus verdadeiros motivos para tentar destruir alguém que está tão próximo. Normalmente, eles projetam em seus alvos suas frustrações e incapacidades profissionais e pessoais.

Estes fatos ocorrem nas áreas públicas e privadas, sendo comum em sociedades com a vivência histórica e social de alto grau de violência real e simbólica. A existência de mídias centradas na exibição acrítica da violência explica parcialmente o problema. A fragilidade da capacidade de mobilização macropolítica atual tem outro quinhão. Há registros da ocorrência de casos em escolas de qualquer nível. Tais práticas refletem a dificuldade de integração dos grupos, porque não existe o entendimento mútuo, ou porque ele não é desejado por quem detêm o poder micropolítico em cada organização. Isto leva a algumas pistas para compreender o que vem acontecendo.

Com o desenvolvimento do capitalismo contemporâneo, o individualismo e a competição interpessoal cresceram muito. Quanto mais alienado e convencido pelas prédicas do sistema, as pessoas mais se imaginam como indivíduos isolados que deveriam disputar todo o dia uma espécie de corrida pela taça de ouro, pisando em quem estiver por perto ou possa atrapalhar. Junto a isto, o velho carreirismo transformou-se em algo natural. Quem não o adota é visto como uma avis rara, que precisa ser eliminada.

A vida para o prazer, isto é, o hedonismo radical cria um certo vazio, quando não se pode consumir o que a publicidade tanto alardeia. É neste vazio, nesta falta de sentido para a existência, que se forma a cultura da violência sem motivo ou razão aparente. A farsa da vida é preenchida por algo que lhe dê uma direção de poder, alimentando com o ódio o que não pode ser preenchido com os limites do sistema. Não posso comprar tudo o que vejo, mas posso tiranizar os mais próximos, sem maiores problemas.

Imaginando-se a situação de alguém mais produtivo e eficiente, é usual que o coletivo onde esteja inserido, se for fraco e descompromissado, o veja com desconfiança e incompreensão. Daí é um passo para se tentar destruí-lo, porque ele funciona como uma espécie de espelho das fraquezas dos demais. Algumas vítimas de bullying são os alunos mais esforçados e inteligentes. O assédio moral é fortemente usado para agredir os que, no ambiente de trabalho corrompido, têm um comportamento que os diferenciam pela responsabilidade, independência de qualquer fonte de poder, seriedade e capacidade profissional. As críticas recebidas pelos servis e bajuladores não se podem enquadrar em atos de assédio, até porque, no atual contexto, elas são raras e se vinculam a outra compreensão política do mundo.

O assédio moral é um conjunto de práticas violentas relacionadas às ideologias preconceituosas que assolam as mentes do tempo presente. Nos atos de violência que o caracterizam encontram-se facilmente elementos do racismo, do sexismo, da homofobia, do idadismo e do preconceito contrário à inteligência. A orientação político-ideológica e a formação moral também podem ser motivos. Muitas pessoas são perseguidas por pertencerem a grupos sociais, no contexto, em desvantagem. Ninguém revela, em profundidade, porque perseguiu ou está perseguindo. O preconceito imanente ao ato permanece secreto e negado pelos algozes.

A violência do bullying escolar transforma-se facilmente em vias de fato. O assédio moral, entre adultos, raramente, gera episódios físicos de contato direto. Todavia, são conhecidos inúmeros casos de violência verbal, de isolamento de pessoas e outros atos de hostilidade direta ou disfarçada. Os mestres do assédio são hábeis manipuladores, capazes de arregimentar a outros, com suas mentiras e intrigas. Procuram, como na inquisição medieval, ‘queimar’ suas vítimas, buscando um consenso de grupo sobre os alvos escolhidos. Os danos provocados são evidentes. Perde o grupo por produzir sua própria autofagia. Perde a vítima que nem sempre consegue suportar e resistir, desestruturando-se.

No assédio moral, há elementos do fascismo líquido já comentado em outras oportunidades. Não é necessário que os executores do assédio saibam sua coloração política ou compreendam a que deuses servem. Estando envolvidos no processo, eles simplesmente repetem o que apreenderam com outros manipuladores. Manipulam e acabam sendo presos da mesma teia que ajudam a tecer. Os verdadeiros donos da teia, por vezes, estão longe e são invisíveis para os algozes e suas vítimas. Urge rasgar a cortina e revelá-los.

Em todas sociedades humanas sempre existiram fortes e fracos. As crianças, principalmente as mais pobres, são os mais fracos de nosso tempo. Mas, há outros e outros grupos que precisam de proteção. Diz-se que há civilização, direitos humanos etc, se os fracos são protegidos dos que tem mais poder. Se isto não existe, vive-se em plena barbárie.

* Luís Carlos Lopes é professor e escritor.

** Colaboração do Centro de Estudos Políticos Econômicos e Culturais CEPEC para o EcoDebate, 16/06/2010

domingo, 10 de abril de 2011

SÓ MEMÓRIA CURTA FAZ POSER METAL PARECER "ROCK CLÁSSICO"



As gerações mais recentes, que não tiveram o contato com os referenciais do passado e foram desestimulados pela grande mídia a fazê-lo, acabam acreditando como "grandes coisas" valores ou personalidades que não são tão geniais assim quanto parece.

Por exemplo, o fato do poser metal agora ser visto como se fosse "rock clássico" para uma geração que só ouviu grunge, poppy punk, "nu metal" e emo.

Isso não é um fato exclusivo no Brasil, e o que assusta é que a imprensa especializada em heavy metal, até por uma bondade paternalista - e por um sentimento de boa-fé atípico do gênero - querer adotar os posers (aqui apelidados de "metal-farofa") como seus "filhos bastardos".

Chega-se ao ponto da mídia forjar uma pseudo-unanimidade em torno do Guns N'Roses, que ninguém se deu conta que nunca passou de uma cópia descarada do Led Zeppelin.

O Bon Jovi, então, pior ainda. Se o poser metal foi o "emo dos anos 80", o Bon Jovi fazia o papel do Restart.

Os mais jovens se irritam quando falamos mal dos posers, e chegam a disparar comentários arrogantes contra nós, sem se dar conta mesmo do que estão dizendo.

Afinal, se nós falamos mal de Guns N'Roses, Bon Jovi, Poison, Ratt e Mötley Crüe, entre tantos outros, é porque temos conhecimento de causa.

Da mesma forma que falamos mal de um Alexandre Pires porque conhecemos cantores muito superiores como Wilson Simonal, Robertinho Silva, Noite Ilustrada e, sobretudo, Agostinho dos Santos, falamos mal de Guns N'Roses porque conhecemos Led Zeppelin, Deep Purple, Thin Lizzy, Black Sabbath, AC/DC.

Mas uma juventude arrogante que se acha inteligente por nada, fica fácil para eles bancarem os donos da verdade. Foi assim que se formaram as fileiras de soldados do Exército que produziram o golpe militar de 1964 e, consequentemente, o regime militar e o AI-5.

Qual diferença tem uma geração que só defende o estabelecido, em detrimento a fatos lógicos mas de seu desagrado, e as gerações anteriores que pisoteavam a Constituição de 1946 com reles atos institucionais?

Mas, independente de fatos políticos, o que motiva esse endeusamento todo aos "farofeiros" é a memória curta que essa garotada tem. E que aceita facilmente esse "feijão com arroz" subnutrido do roquinho dos anos 90, sem ter a menor coragem de "garimpar" (termo usado para quem não se contenta com mais do mesmo).

Em vez de falarem tantas bobagens, esse pessoal deveria ouvir mais as bandas antigas de rock, e comparar com os sub-produtos que ouve no rádio e endeusa com um fanatismo neurótico.

Afinal, não é qualquer grupo novo que surge que é discípulo dos grandes clássicos. Mesmo sob o rótulo de "rock'n'roll", houve e continua havendo muita picaretagem, muita besteira, muita porcaria.

Mesmo dentro do rock, é bom separar o joio do trigo.

sábado, 9 de abril de 2011

GRANDE MÍDIA CONTRIBUIU PARA DIFUNDIR VIOLÊNCIA


CHARLIE CHAPLIN É QUE ERA "PERIGOSO", SÓ PASSAVA NAS MADRUGADAS.

A grande mídia tem sua parte de culpa, ainda que indireta, no massacre ocorrido no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro.

Afinal, foi a crise de valores que produz pessoas agressivas que, durante anos, prevaleceu numa mídia que, sem saber se optava entre o espetáculo e a realidade, confundia libertinagem com liberdade, lançando mão de todo tipo de baixaria.

Na década de 90, durante muito tempo, a Rede Globo passava, em plena Sessão da Tarde, filmes de violência gratuita. Enquanto isso, os alegres, divertidos e poéticos filmes do ator e cineasta Charlie Chaplin, de cunho bem humanista, eram exibidos de madrugada, como se fossem impróprios para menores.

Durante anos Braddocks, Rambos, Rockys e outros "animavam" a criançada que ficava em frente da televisão nos horários da tarde. A geração de Wellington de Oliveira, quando não tinha escola nem ficava fora de casa brincando com os amigos, se "alimentava" desses filmes.

E o que os outros canais ofereciam? Havia o Aqui Agora, exibindo a criminalidade gratuitamente, chegando a transmitir cena de um suicídio. Tudo por conta da "realidade", do dito "jornalismo verdade". Depois veio o Cidade Alerta, figuras como Ratinho e Wagner Montes e hoje temos o Brasil Urgente com José Luiz Datena. Tudo, tudo no horário diurno, quando tais programas é que deveriam ser exibidos de madrugada.

Não fosse o empenho da campanha Ética na TV - Quem financia a baixaria é contra a cidadania, esse quadro prevaleceria até hoje. Rambos e similares foram para as altas horas da noite. Os noticiários policialescos, ainda que mantidos no horário diurno, foram "tosados", ainda que de vez em quando apelem para a baixaria policialesca.

Mas o estrago dos anos 90 - certamente, a década perdida do Brasil, quando o pior do que havia nos anos 80 nos EUA foi aqui introduzido - já foi feito e não era difícil ver jovens suburbanos perdendo tempo com jogos eletrônicos violentos nas máquinas colocadas nos bares.

E, mesmo assim, é de se pasmar que há gente que considere os filmes de violência gratuita como "pérolas cult", da mesma forma que o jornalismo policialesco que prefiro definir como "mídia jagunça". Porque é essa imprensa que mantém o povo "distraído", enquanto a mídia golpista tenta proteger os valores das aristocracias mais autistas.

Em vez disso, temos que defender a verdadeira cidadania. Não podemos achar que defender valores dignos é moralismo retrógrado. Pelo contrário, defender o respeito humano, a qualidade de vida e valores ligados ao otimismo, ao trabalho e ao altruísmo sempre são atuais e progressistas.

Realmente está na hora de repensarmos a mídia brasileira como um todo, inclusive a "popular".

quinta-feira, 7 de abril de 2011

QUE CIDADANIA É ESTA?



Triste país que se acomoda numa crise de valores camuflada pelo pretexto de uma "liberdade" que favorece poucos em detrimento das limitações de muitos. Uma crise de valores que pressiona uns e favorece demais outros. Um país desigual, que pensa que é pela gororoba popularesca do entretenimento que chegará a cidadania com igualdade para todos.

Pois diante do marasmo sócio-cultural em que vivemos, sem qualquer trabalho preventivo de psicólogos nem a atenção de colegas, um ex-aluno de uma escola, a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, cometeu uma chacina que gerou 13 vítimas, entre elas o próprio atirador, Wellington de Oliveira, de 24 anos, que depois de baleado na perna por um policial, atirou contra a própria cabeça.

Vejo o quanto existe de demagogia quando empresários e dirigentes de "funk carioca" vão em massa para a Assembléia Legislativa dizer que "defendem a cidadania", quando aquele teatro todo de pseudo-engajamento só serviu para encher os bolsos deles. Quase dez anos de discurseria sobre "cidadania", "engajamento popular" e "atenção às favelas" (ou aos subúrbios em geral) e nenhuma melhoria concreta se deu para a população.

E ainda dizem, cinicamente, para os outros "melhorarem a educação" para que o "funk melhore". Então tá, mas os empresários-DJs, com todo o rio de dinheiro que possuem, nunca investiram em projetos de melhorias sociais. Depois dizem que não têm essa obrigação, mas a própria postura "engajada" que eles alardeiam requereria, em tese, tais responsabilidades.

A dupla Eduardo Paes - Sérgio Cabral também caiu em mais um malogro, e vários transtornos e tragédias ocorrem que põem em xeque a reputação da dupla, desejosa em se ostentar para autoridades esportivas em 2014 e 2016.

Paes então só pensa em repintar - desnecessariamente e quando não devia - os ônibus do Rio, mas seis meses após "expulsar" os traficantes do Complexo do Alemão, vê uma dessas quadrilhas instalar-se numa obra do PAC em Manguinhos. Ou seja, que prioridades sociais são essas? Falar é fácil.

Quanto a Wellington, não houve um acompanhamento para ao menos diminuir o sentimento de rancor dele. Mais uma vez, vidas foram sacrificadas pelo descaso público. A escola Tasso da Silveira era até considerada um bom colégio, o local onde ficava era relativamente seguro e raramente acontecia alguma violência. Mas o que ocorreu hoje de manhã foi demais, e repercutiu até nos noticiários internacionais.

Portanto, o fato é para pensar com cautela. Chega de sentimentalismo. Independente da opção religiosa do rapaz, teria sido necessário que algum trabalho preventivo, algum acompanhamento social e psicológico, acontecesse.

Mas também seria necessário que a mídia tida como "popular" não veiculasse tanta violência, tanto sensacionalismo barato, tanto banditismo "valentão", tanta revolta, e não subestimasse a inteligência do povo pobre.

A imprensa jagunça, as revistas fofoqueiras, as FMs bregas, tudo isso faz do povo pobre uma multidão domesticada e idiotizada, não por culpa dela, mas pelas limitações do povo pobre, diante das pressões do poder político e econômico, de pressionar contra seu domínio.

A própria mídia "popular" - no fundo, aliada da mídia golpista - impõe valores confusos, contraditórios, numa avalanche informativa que pressiona os indivíduos, o que faz com que, em certos casos, gere jovens agressivos e, eventualmente, casos extremos como o de Wellington de Oliveira.

Está na hora de buscarmos, em vez de libertinagem, dignidade. Cidadania não se faz com glúteos nem palavrões, se faz com respeito e bem-estar para os indivíduos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

DIRIGENTE FUNQUEIRO É COLUNISTA DE JORNAL DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO



Um conhecido dirigente do "funk carioca" decidiu fazer jogo duplo e, escrevendo para um periódico da imprensa esquerdista, agora é também colunista do jornal Expresso, concorrente das Organizações Globo para o jornal-jagunço Meia Hora.

O que mostra o quanto o "funk carioca" faz jogo duplo. Primeiro, tenta aliciar a opinião pública de esquerda, para vender a falsa imagem de "movimento social" (que, no fundo, não passa de conversa para boi dormir).

Depois, quando conseguiu o que queria, os barões do "funk carioca" recorrem à mídia golpista, coisa que toma de surpresa a esquerda festiva, mas não surpreende pessoas experientes como Emir Sader, Venício A. de Lima e José Arbex Jr., que nunca confiaram no estilo.

Até porque, se lermos com atenção os textos de Venício Artur de Lima, concluiremos que o "funk carioca" é um dos filhotes da propriedade cruzada dos meios de comunicação. Não passa de uma dance music metida a "canção de protesto".

NEM TUDO SÃO FLORES NA CARREIRA DE DIOGO NOGUEIRA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O maior problema de muitos artistas de MPB autêntica é uma certa condescendência com a mediocridade cultural dominante, que não pode ser confundida com a música que durante anos as classes pobres produziram com maestria. Até porque essa "música popular" de hoje é regida pelo "deus mercado". Isso é um ponto negativo que envolve até mesmo artistas de inegável talento e potencial, seja na MPB, seja no Rock Brasil.

Não se sabe se é por esperteza ou por boa-fé, mas Diogo Nogueira, ainda que seja um sambista de talento indiscutível, peca pelas concessões que faz ao sambrega, acreditando que a visibilidade que grupos como Revelação e Exaltasamba, que participaram do primeiro disco do cantor, e Alexandre Pires, autor de "Vestibular da Solidão", além de "Deus é Mais" do próprio Revelação, presentes no disco mais recente, um CD/DVD ao vivo, resenhado pelo jornalista Mauro Ferreira.

É um caminho muito perigoso para Diogo Nogueira, sobretudo numa época em que a MPB autêntica é criticada através do "milionário" blog de Maria Bethania, do establishment caetânico e da postura "mão fechada" da ministra da Cultura Ana de Hollanda, ela também uma cantora de MPB.

Mal comparando, Diogo Nogueira gravar Alexandre Pires é como se, no âmbito da análise política, o Viomundo de Luiz Carlos Azenha passasse a publicar artigos de Reinaldo Azevedo.

Para quem não sabe, Alexandre Pires, além de ser um dos artístas-símbolo da Era Collor e da Era FHC, cantou para George W. Bush e foi apadrinhado por um casal de cubanos direitistas, na sua tentativa de fazer carreira no exterior. E, musicalmente, Alexandre Pires mais parece um estereótipo de "sambista" que teria agradado muito o presidente Franklin Roosevelt, da "política da boa vizinhança".

Samba de Diogo já oscila entre a 'raiz' e o brega

Por Mauro Ferreira - Blog do Mauro Ferreira

Nem as presenças sempre ilustres de Chico Buarque e Ivan Lins na gravação ao vivo do segundo DVD de Diogo Nogueira, Sou Eu, atenuaram a sensação incômoda de que o samba do filho de João Nogueira (1941 - 2000) já cai eventualmente no brega.

Atrelado à figura respeitada do pai em sua estreia fonográfica, Diogo alçou voo próprio na indústria do disco - beneficiado por sua beleza, é fato - só que esse voo tem sido musicalmente rasteiro.

O nome de Alexandre Pires na autoria de Vestibular pra Solidão - uma das quatro inéditas inseridas no roteiro do reformulado show de 2009, originalmente intitulado Tô Fazendo a Minha Parte - reitera a intenção da gravadora EMI Music de jogar Diogo na vala comum dos artistas populistas.

Plano reforçado pela adequada participação de Alcione em sambrega, Amor Imperfeito (Leandro Fregonesi e Ciraninho), que tem toda pinta de hit radiofônico. É sintomática também a inclusão de Deixa Eu te Amar. Ao revisitar o sucesso de Agepê (1942 - 1995), já regravado por ele na série Samba Social Clube, Diogo explicita sensualidade que mexe com a libido do público feminino, alvo preferencial de seus discos e shows.

Em esfera mais romântica, o terno dueto com Ivan Lins na canção Lembra de mim (Ivan Lins e Vítor Martins, 1995) se pauta pela elegância e expõe a evolução de Diogo como cantor. Já o surpreendente encontro de Ivan com o recente parceiro Chico Buarque - para interpretar Sou Eu, o samba que deram a Diogo em 2009 - rendeu bem menos do que o esperado.

Em parte pelo tom protocolar da participação de Chico, iniciada no número anterior, Homenagem ao Malandro. Em parte pelo som baixo do microfone do compositor - o que impediu que o público ouvisse a voz de Chico.

E o fato é que Chico, Diogo e Ivan gravaram Sou Eu em um único take sem explorar as possibilidades da interpretação em trio - e a letra, na qual um homem conta vantagem na arte de seduzir mulher disputada, permitia que os cantores brincassem em cena. Sou Eu, o samba, contou com a intervenção de Hamilton de Holanda, cujo bandolim magistral adornou Lama das Ruas (Almir Guineto e Zeca Pagodinho).

Do naipe de inéditas, Contando Estrelas (Ciraninho e Rafael dos Santos) chamou mais atenção pelo recorte melodioso e pela cadência abaianada. Já A Vitória Demora mas Vem (do trio Juninho Thybau, Luiz Caffé e Baiaco) e Jangadeiro (de Diogo Nogueira, Ignácio Rios e Rafael Richaid) deixaram a impressão de serem sambas de inspiração mediana - como, de resto, quase todo o repertório de Diogo.

No fim, um pot-pourri com três incendiários sambas-enredos - Contos de Areia (Portela, 1984), Aquarela Brasileira (Império Serrano, 1964) e É Hoje (União da Ilha do Governador, 1982) - garante a animação, reativada no bis quando, após reviver o pai com Além do Espelho (João Nogueira e Paulo César Pinheiro), Diogo Nogueira traz o hit forrozeiro Pedras que Cantam (Dominguinhos e Fausto Nilo) para clima de samba que já oscila perigosamente entre a raiz e o brega.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

DEFENSOR DA RÁDIO CIDADE ASSUMIU SER DE DIREITA



Recebemos uma mensagem de um defensor da fase pseudo-roqueira da Rádio Cidade que, alegando que "riu muito" com o texto escrito pela rádio, indagou sobre a hipótese de "jovens rebeldes" desejarem a volta da emissora ao rock.

Embora o internauta questionasse que a campanha pela volta da suposta "rádio rock" seja uma obra de demotucanos - isso apesar do Sistema JB (apesar de achar a Rádio Cidade reacionária demais) ter sido politicamente favorecido por FHC na época - , ele disparou a acusação de "comuna", contra mim.

São justamente pessoas de direita que usam termos como "comuna", "comunista", "socialista", "psolista" e "petista" da forma mais pejorativa.

E a direita não se assume de direita. O próprio Reinaldo Azevedo, colunista de Veja, jornalista que, tal qual a revista onde trabalha é integrante da ideologia de extrema-direita no país (mas talvez uma extrema-direita menos escancarada que Jair Bolsonaro, mas tão fascista quanto ele), disse que "não existe imprensa de direita".

Se o jovem que mandou mensagem para este blog queria dar uma lição de "imparcialidade", atirou contra o próprio pé. E eu não rio de reações assim, apenas fico preocupado.

O verdadeiro rebelde nunca desejaria que uma rádio MEDÍOCRE voltasse para o rock. Ele desejaria, talvez, que uma Kiss FM entrasse de vez no RJ, ou, se sonhasse mais alto, desejasse que outras rádios mais competentes assumissem o perfil rock.

Enquanto nós temos que engolir que rádios realmente históricas como Fluminense, Estácio e Eldo Pop nunca mais voltassem para o dial irradiando cultura rock, há infelizes que querem que a Rádio Cidade volte para o rock "na marra".

Por trás desse engajamento estranho - a Cidade nunca foi grande coisa para o estilo - , certamente há o fato de que a Cidade é um reduto de comunicação entre jovens de extrema-direita no Rio de Janeiro. A conduta que a rádio e seus ouvintes tiveram entre 1995 e 2006 não deixa mentir.

Que "rebeldes" são esses que, entre outras coisas, diziam odiar ler livros,e pregar o fechamento do Congresso Nacional e mandar e-mails com vírus para todo aquele que não discordar de seus lamentáveis pontos de vista?

A Rádio Cidade, um roqueiro realmente rebelde nem morto desejaria vê-la novamente como "rádio rock". Na era da Internet, a rádio nem 1% do feijão-com-arroz roqueiro tinha o menor interesse em tocar. Pior: houve produtores que esculhambavam mesmo os grandes mestres do rock, como Who e Led Zeppelin. É sério.

E qual era a saída para o público roqueiro autêntico? Simplesmente fugiu dos 102,9 mhz e foi buscar bandas de rock pelo Shareaza, EMule, YouTube.

A Rádio Cidade nunca passou de uma "Jovem Pan 2 com guitarras", de uma "Junkie Rio" (trocadilho com a antiga concorrente Jovem Rio). E, no fundo, nunca passou de um "laboratório de emos", de uma rádio de playboyzinhos, que, numa certa altura, apedrejava os clássicos do rock sem dó.

Se deixarmos, seus defensores xingariam as mães de Ozzy Osbourne e Bruce Dickinson, enquanto canonizariam posers como Axl Rose e Jon Bon Jovi.

O carinha só fez comprovar o caráter extremo-direitista da tal "nação roqueira" da Rádio Cidade. Cujo único resultado de sua "histórica cultura rock" (a mesma da paulista 89 FM) foi gerar bandinhas como Restart ou influenciar, pelo resto do país, bobagens como Sertacore (cruzamento do emo fase CPM 22 com o "sertanejo universitário").

A direita tem dessas manobras. E não é por acaso que o carinha adotou o mesmo discurso "racional" que, em outros tempos, um Jair Bolsonaro era capaz de fazer. Sem dizer que é de direita, mas atacando a esquerda com adjetivos pejorativos. Só esse ataque é suficiente para ele se assumir de direita.

domingo, 3 de abril de 2011

ÔNIBUS NÃO-PADRONIZADOS INVADIRÃO A REDE




Com o objetivo de divulgar a campanha pela volta da diversidade visual nos ônibus cariocas, Menos Automóveis e Supercarioca estarão divulgando aquisições novas das empresas do município do Rio de Janeiro, mas repintadas com a cor tradicional.

Os ônibus aparecerão aos poucos na rede, mas a quantidade é ilimitada e o prazo é indeterminado.

Os créditos de autoria original são sempre preservados, por isso não existe qualquer ilegalidade em relação ao uso de imagens dos autores nem em qualquer leviandade no uso das mesmas.

Portanto, nada de reclamações desnecessárias e nem pedidos de "retirada das fotos", porque estes pedidos expressam anti-democracia e censura à liberdade de informação.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

REACIONARISMO NA INTERNET


SOLDADOS EM PRONTIDÃO DURANTE OS PRIMÓRDIOS DO REGIME MILITAR DE 1964-1985.

O reacionarismo na Internet, em tempos em que até o deputado Jair Bolsonaro despeja comentários típicos da extrema-direita, é um fenômeno que surgiu junto com a rede. Afinal, num país de crise de valores e onde as forças do atraso sempre se empenharam em brecar os progressos sociais, existem pessoas que se irritam quando questionamentos são lançados, e não são raros os casos de gente mandando mensagens até ofensivas por causa disso.

Certamente, a letargia sócio, econômica e cultural de 1974-2002 fez com que vários privilegiados de toda ordem vivessem felizes no mar de mediocridade reinante. Havia corrupção, mas o dúbio "jeitinho brasileiro", palavra hoje tão pouco falada mas cuja ideia é tão comumente praticada, resolvia as coisas.

Mas, de repente, a expressão do senso crítico fazia o país questionar a fórmula "infalível" do crescimento sócio-econômico e cultural através da mediocridade, do vazio de valores éticos e sócio-culturais e dentro da prevalência de uma sociedade em crise.

Vieram as manifestações de raiva, seja para defender políticos influentes envolvidos em corrupção, ídolos culturais medíocres, fórmulas midiáticas retrógradas, privilégios econômicos dominantes.

Por isso, no meio do caminho, vemos "jovens inocentes" despejando comentários raivosos, mandando vírus por e-mail, mandando xingações, comentários jocosos, e por aí vai. Gente que parece moderna, mas como diz a música "A Dança" de Renato Russo, é igual, em conservadorismo, a seus pais.

Até pouco tempo atrás, ter senso crítico era visto como uma atitude anti-social. Você se surpreendia, porque você expressava seu senso crítico com seus colegas de escola, nos anos 80, e, de repente, na década seguinte, esses mesmos colegas tinham medo de seu senso crítico.

Durante anos o senso crítico tornou-se uma atividade marginal. Isso fez a Internet se acomodar durante muito tempo, virando o paraíso astral da mesmice, até mesmo no que se refere à memória do passado, cheia de distorções, visões oficiais de caráter duvidoso, "copidescagem" de fotos e fatos históricos.

Por isso, a Internet brasileira segue seu caminho de pedras e pedradas e vemos que a blogosfera - que representa uma alternativa à mídia dominante - se ascende não de uma forma pacífica.

Vários blogueiros e jornalistas, como Antônio Arles, Emílio Gusmão, Lúcio Flávio Pinto e Ricardo Gama sofrem de processos a atentados, como no caso deste último. Mas mesmo eu, Marcelo Delfino, Leonardo Ivo e até gente com visibilidade como Luiz Carlos Azenha e Eduardo Guimarães, já recebemos mensagens reacionárias.

São pessoas defendendo de José Serra a João Bosco & Vinícius, de Alexandre Pires a Solange Gomes, da padronização visual dos ônibus do RJ às rádios pseudo-roqueiras. Gente mais preocupada com o status quo do poder político e midiático do que pela qualidade de vida.

Descobri até que um conhecido busólogo carioca, cuja equipe possui um fotolog no Fotopages, trabalha para uma prefeitura na Baixada Fluminense, cujo partido político, PR, é aliada do governador fluminense Sérgio Cabral Filho e do prefeito carioca Eduardo Paes.

Esse busólogo também tem blog de ônibus pelo Blogger e andou alternando comentários agressivos contra mim e pedidos de "tolerância" com o projeto arbitrário de padronização visual dos ônibus por Eduardo Paes.

Já enfrentei gente reacionária que defendia a fase pseudo-roqueira da Rádio Cidade - que descobri depois que o formato acobertava um movimento juvenil de extrema-direita no Rio de Janeiro. Já enfrentei gente como Olavo Bruno e o direitista enrustido Eugênio Arantes Raggi, uma espécie de "Cabo Anselmo" dos professores mineiros no que se diz à adoção de uma postura falsamente de esquerda.

Isso sem falar de uma tal de "marcia", que não gostou das críticas que fiz contra "musas" como Solange Gomes, Valesca Popozuda e similares, porque associei a esse espetáculo de glúteos avantajados ao machismo. Foi um ato de coragem meu, apesar dos reacionários como "marcia" e um tal de Adriano AS (Adriano Apoia Serra?) tentarem "devolver" o adjetivo de machista em minhas costas.

Eu desmascarei o reacionarismo dessas pessoas noutras ocasiões, em vários sítios da Internet. Desmascarei o fascismo da dita "nação roqueira" da Rádio Cidade, cujo conservadorismo travestido de rebeldia era malvisto até pela maioria dos profissionais do Sistema Jornal do Brasil.

Mostrei o caráter duvidoso da "mídia boazinha" - a mídia conservadora que, a princípio, "não ladra nem morde" - bem antes de Domingos Alzugaray da Editora Três apoiar o corrupto Collor e depois se arrepender disso e de Bóris Casoy se ferrar com seu comentário sobre os garis.

Eu já escrevi, anos antes, que o forró-brega era feito de grupos liderados pelos seus empresários, quando não havia o Cabaré do Timpin para denunciar justamente essa realidade. E não canso de lembrar da associação dos ídolos breganejos com o coronelismo latifundiário, realidade que os "sertanejos universitários" também estão envolvidos.

Eu mesmo já contestei o poderio da Folha de São Paulo quando o jornal paulistano ainda era um poderoso totem entre parte da intelectualidade influente de nosso país. E isso muito antes de seus profissionais perderem a cabeça e mostrarem um reacionarismo cada vez mais grotesco.

Eu contestava o poderio regional de Mário Kertèsz na Rádio Metrópole de Salvador, antes de seus recentes surtos direitistas que fizeram o barão regional da mídia baiana se voltar contra toda a esquerda baiana que acreditou nele (apesar do histórico direitista do ex-prefeito de Salvador). E já considerava Marcos Medrado um "coronel", antes dele ser incluído na lista da bancada ruralista do Congresso Nacional.

Também ando desmascarando pseudo-esquerdistas, antes que eles mostrem posições retrógradas no meio do caminho. E, em muitos casos, pareço solitário neste esforço, já que muitos pseudo-esquerdistas são dotados de muita visibilidade, protegidos pelo silêncio de quem é indiferente com tais denúncias.

Mas até agora nenhum reacionário me escreveu desmentindo seu direitismo. Antes comprovasse seu caráter direitista, como um dirigente funqueiro, em mensagem anônima, deixou vasar que sua classe fala mal dos esquerdistas pelas costas. Outros me acusavam de "petista", "psolista" e coisa e tal, por causa de meus comentários.

Nem mesmo o professor Eugênio Raggi, que tem conta no GMail - que, sendo do Google, é ponto de partida para acessos no Orkut e no Blogger - , deu qualquer resposta quando às acusações de pseudo-esquerdista. Em vez disso, ele mostrou-se cada vez mais frouxo na postura "esquerdista", bajulando petistas e, no Twitter, aconselhando um amigo a não fazer mais críticas à mídia golpista. Detalhe: pretenso "inimigo da mídia golpista", Raggi participa numa boa nos fóruns da Globo.Com.

O reacionarismo continuará existindo, na medida em que os privilegiados por alguma coisa sentirem-se ameaçados nos seus privilégios. Seja favorecido por trás dos "sucessos do povão" do rádio, seja pelo clientelismo político por trás da busologia carioca, seja pelas manobras burocráticas que desviam verbas da saúde pública, seja trabalhando numa rádio pseudo-roqueira que manobra ideologicamente a juventude, o reacionarismo, enrustido ou não, é o reflexo de uma mentalidade golpista que muitos desses reaças atuais herdaram dos pais e avós que, um dia, foram para as passeatas Deus e Liberdade para pedir o golpe e o regime militares.

É essa gente brutalizada que mostra o seu (sem) valor, pela censura legal ou pelos comentários grosseiros que faz na Internet, entre outras atitudes infelizes. Esse pessoal é a sombra de abril de 1964 ameaçando o desenvolvimento de nosso país.