segunda-feira, 21 de março de 2011

REINVENTANDO OS 40



Hoje completo 40 anos de vida. Finalmente sou um quarentão. Mas, certamente, nunca serei o que durante muito tempo imaginei ser um homem de 40 anos.

Já vivi muito tempo, muitas desilusões, mas vivi também tempos de transformações profundas na sociedade, e que fazem com que reavaliemos os conceitos de meia-idade que tínhamos até pouco tempo atrás.

Afinal, já se foram tempos como no século XIX, quando já aos 12 anos o indivíduo era educado para não ser alegre, desenvolvendo uma personalidade sisuda que determinava seu preço na juventude, onde a pessoa, sobretudo do século masculino, tendia a ter uma aparência mais "madura" do que a de hoje.

Imagine se o vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, voltasse ao tempo de seu tataravô, o Visconde de Ouro Preto, nos idos do século XIX! Dinho, um "senhor de 47 anos", seria uma aberração com sua aparência de garotão bem jovial.

Mas eu mesmo seria uma aberração - e olha que eu tive uma encarnação no século XIX, num perfil bem diferente da encarnação atual - , se fosse para essa época remota com a aparência de hoje, quase de um menino de 22 anos.

No século XX, o "mundo adulto" foi golpeado nos anos 1950 pela rebelião do rock'n'roll. E, nos anos 1960, essa rebelião se radicalizaria ainda mais com a utopia do "poder jovem". Nos anos 1970 houve um retrocesso, com a nostálgica revalorização do "mundo adulto" - que deslumbrou os então meninos Roberto Justus, Eduardo Menga e companhia - , que não preparou os born in the 50's sequer para se casarem com mulheres mais jovens e ainda os fez sentir um grande preconceito, por exemplo, com os anos 80.

Sim, porque esses homens, entrando lá pelos 30 e tantos anos, só conheceram os anos 80 da sobrecarga profissional ou acadêmica, a mesma década que marcou a memória de suas jovens esposas. Graças a isso, eles sentem um preconceito muito grande aos anos 80 - só tardiamente rompido por um Roberto Justus ou Malcolm Montgomery, e ainda assim "nas coxas" - , uma silenciosa aversão, um mórbido desprezo.

Esse desprezo os faz esquecerem que um Evandro Mesquita e um Kid Vinil são da mesma geração de Roberto Justus e Eduardo Menga, e que Roger Rocha Moreira tem idade para ter feito parte das rodas de bolinhas de gude ou do câmbio de figurinhas da infância de Almir Ghiaroni. Sem necessidade, cria-se uma "distância de gerações" numa mesma geração born in the 50's.

Eu, particularmente, senti mais aversão aos anos 90, época dos meus "vinte e tantos anos" do que aos anos 00, época dos meus "trinta". Ou seja, não pude, felizmente, vivenciar o "aborrecimento" de Justus, Ghiaronis, Mengas etc com seus "trinta anos" sem curtição.

Tive desilusões, tristezas, empecilhos, mas pude manter minha jovialidade intata. Não foi uma tarefa fácil. A vida tem muitas pressões e cobranças. O problema não é enfrentar menos pressões ou cobranças depois dos 35 anos. O problema é saber enfrentá-las com serenidade.

Sei que reinventar os 40 anos é hoje uma necessidade. As circunstâncias, a Medicina, as teorias sociais, tudo faz para que se supere aquela "maturidade" de gestos, de poses e gostos que o "mundo adulto" impôs para a humanidade.

Até porque essa "superioridade madura" em nada resolveu no bem-estar de homens e mulheres de meia-idade. Pelo contrário, agravou doenças, aumentou tristezas, não combateu o estresse, e não representou sabedoria alguma, porque à experiência "racional" do mercado de trabalho se contrapôs uma falta de intimidade com o lazer.

Em outras palavras, homens e mulheres adultos, depois da meia-idade, tentam reencontrar o prazer natural da vida que tinham na juventude, mas não o acham mais.

Mas, desde os anos 60, muitos "coroas" tentaram mudar isso, através de um ideal de liberdade que, tido como "fantasioso" e "irresponsável", foi depois legitimado por diversas correntes da Medicina e da Psicologia. Afinal, a jovialidade, mais do que fazer a pessoa ficar mais simpática, a faz salvar sua própria vida das pressões, condições e preconceitos do "padrão adulto".

Muita gente reinventou os 40 anos antes de mim. Nem todos aderiram a essa necessidade de jovialidade, preferindo perder a antiga forma física, o antigo humor juvenil, e, já desfeitos dos primeiros impulsos profissionais, já começam a se autopromover pelo aparato fácil do uso abusivo e sem critérios de ternos e gravatas ou de simples sapatos de verniz.

Eu não serei assim. Não buscarei a elegância compulsiva e viciada, que não passa de disfarce para a falta de elegância. Não buscarei a sisudez desanimadora mas tida como respeitável, que não é mais do que uma máscara para o desânimo e a antipatia.

Irei reinventar os 40 anos, buscando a alegria, mesmo estando triste por dentro. Não por conformismo, mas porque tenho que usar o ânimo como um remédio contra o desânimo. É, muitas vezes o desânimo, e não a vitalidade, que derrubam muitos "maduros".

A imaturidade é o homem de meia-idade ser, aos 40, 50 ou 55 anos, um homem extremamente diferente e até oposto do que era aos 20, 22 ou 25 anos.

Não serei assim. Posso ter mudado em muitas coisas, mas no geral não sou muito diferente do que eu era aos 16 anos. Posso dialogar constantemente com o que eu era nos anos 80, sem medo e sem qualquer grande contraste.

Por isso, hoje, no aniversário de 40 anos, estou curtindo o dia no mais puro espírito juvenil. Quero amadurecer na essência, e não na aparência. Muitas vezes os exageros da etiqueta emburrecem e produzem gente estúpida, enquanto o júbilo da jovialidade permanente pode aprender grandes lições de vida mesmo brincando.

Eu e meu irmão vamos nos divertir muito hoje. E continuaremos nos divertindo, sempre que pudermos. Porque amamos a vida.

Parabéns para a alegria de viver.

2 comentários:

Edilson Trekking disse...

Feliz aniversário, Alexandre!

A. F. disse...

Puxa, muito obrigado, Edilson! Um grande abraço!