sexta-feira, 18 de março de 2011

OBAMA VEM AÍ. E AGORA?



Chega a ser cômico quando a mídia direitista, há alguns anos atrás, tenha considerado o presidente dos EUA, Barack Obama, um "político de esquerda". Por razões muito óbvias, isso é muito incoerente, afinal Barack é um político de direita, conservador, só que de uma linha mais flexível do que o antecessor.

Para quem é mais jovem, é bom explicar que o Partido Republicano é uma espécie de versão estadunidense do PSDB de hoje, enquanto o Partido Democrata corresponde ao PMDB daquele país.

Obama não tem muitos diferenciais políticos, como John Kennedy, o presidente dos EUA, também do mesmo partido, não tinha há 50 anos atrás. Dos políticos do PD, talvez Jimmy Carter tenha tido um diferencial, sim, por adotar uma postura mais humanista, mas é uma exceção à regra.

O Partido Democrata é flexível e receptivo aos movimentos sociais, dentro dos EUA. Para os estadunidenses, o PD é um partido moderado, ainda que conservador de todo jeito, mas mesmo assim com alguma inclinação para o diálogo social.

Evidentemente, essa inclinação é muito longe da ideal, mas é suficiente para dar ao Partido Democrata uma visibilidade que, pela máquina eleitoral norte-americana, o faz ter destaque suficiente para manter a hegemonia bipartidária nos EUA.

Afinal, é bom deixar claro que existem outros partidos políticos nos EUA, inclusive de esquerda e de inclinação socialista, mas eles ficam ofuscados pelo espetáculo bipartidário dos dois partidos que se alternam no poder, num processo eleitoral dito democrático, mas cujas eleições presidenciais são decididas pelo Colégio Eleitoral, que avalia se o sufrágio popular é válido ou não.

Claro que está é uma "democracia" que intervém nas questões de outros países e promove sessões de tortura a um simples acusado como Bradley Manning, o jovem militar que ajudou na divulgação de informações confidenciais no sítio Wikileaks. E que define decisivamente as caraterísticas do moderno imperialismo em voga desde há cerca de cem anos, quando os EUA forneciam tecnologia bélica para os países que lutavam na Primeira Guerra Mundial.

E quanto a visita de Barack Obama ao Brasil?

É a velha história de um país imperialista visitar um dos países que as autoridades estadunidenses definem (e desejam que assim seja) como "subordinados". E que tenta estabelecer relações "cordiais" com governantes brasileiros, desde que seja reconhecida a condição inferiorizada do nosso país.

Não deixa de preocupar os EUA o avanço das conquistas sociais no Brasil, obtidas até pouco tempo atrás. O começo do governo Dilma Rousseff ainda mostra seus descaminhos, com alguns retrocessos, enquanto seu receituário econômico, de cortes pesados de gastos, além de uma política externa inferior ao do corajoso Celso Amorim - com o Ministério das Relações Exteriores nas mãos de Antônio Patriota, ou Anthony Patriot segundo o anedotário esquerdista - , parece agradar os interesses dos EUA.

Hilary Clinton, a chefe do Departamento de Estado, e que havia sido colega de senado de Obama e, depois, concorrente dele na corrida interna do PD para a candidatura à Presidência da República, já havia dado sua política da boa vizinhança, saudando Dilma Rousseff na posse desta, no começo deste ano.

A grande mídia já está festejando a vinda de Barack Obama como um "presidente moderno", como o "maior líder do mundo", deve estar aproveitando as munições restantes da cobertura do Carnaval.

Claro, evidentemente, a grande mídia é dotada de verdadeiros "macacos de auditório" do imperialismo estadunidense. Até parece que não virá um presidente da República, mas um mega-astro pop.

Tudo bem, é o ponto de vista de uma mídia subordinada, satélite dos interesses imperialistas. Uma mídia que discrimina movimentos sociais, que defende o Estado anoréxico, que comete deslizes no seu jornalismo. E que, talvez orfã de um astro negro como Michael Jackson, talvez veja no Barack Obama um subtituto, já que não existe diferença entre agenda setting e hit-parade, fora o fato de que este opera no esquema do dó-re-mi.

Mas, para a sociedade brasileira, será mais um evento que requer cautela. Afinal, os EUA sempre agem para evitar o progresso sócio-econômico do Brasil. Seria uma afronta ao poder da "grande nação".

Portanto, esse encontro político não será um espetáculo, até porque o espetáculo mexe muitas vezes com uma aura de sonho e fantasia. E o que está em jogo aqui é a realidade. A nossa realidade, na condição de povo brasileiro.

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