sexta-feira, 18 de março de 2011

LUZ NO FIM DO TÚNEL: FAVELA PRETENDE ROMPER COM BREGA-POPULARESCO



Começa amanhã o Favela Festival, no Rio de Janeiro, um concurso promovido pela Central Única das Favelas e que revelará talentos favelados para a nova música brasileira.

A novidade é que a geração promete de vez romper com a hegemonia brega-popularesca tão associada, pela grande mídia, às populações do morro, que até agora fez tão somente maquiar certos ídolos do neo-brega de 1990-1997 com clichês da chamada "MPB burguesa" (a fase da MPB de 1979-1988, tanto reprovada pela crítica).

Desta vez virão artistas que, em vez de fazer música brega disfarçada de samba ou música caipira, pretendem fazer MPB tanto com P maiúsculo como M maiúsculo de música e B maiúsculo de Brasil.

A vocalista da Banda Malunga, Tha Ferreira, de apenas 22 anos, dá o tom do recado, afirmando que o grupo foge da mesmice do "funk carioca" e do sambrega, ritmos oficialmente associados ao público residente das favelas.

O que mostra o quanto é errada a tese de alguns "especialistas" que, demonstrando um claro paternalismo elitista com o povo pobre, acha que o povo pobre "prefere" o brega-popularesco que rola nas rádios e na TV aberta.

O povo pobre quer se libertar dessa camisa-de-força musical. Desta vez, com samba de verdade, baião de verdade, MPB de verdade. Sem essa de "ditabranda do mau gosto" ou achar que "verdadeira MPB" é só "lotar plateias e vender muitos discos".

Finalmente, a cultura popular do pré-64 finalmente pode retomar seu rumo tranquilamente, depois de mais de 40 anos sob a escravidão do mau gosto e da cafonice que, patrocinada pelo latifúndio e pelos barões da grande mídia nacional e regional, tanto castigaram a cultura do povo pobre.

Sucesso para os novos talentos que se lançarem no Favela Festival.

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