sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

VALORIZAÇÃO DO CORPO NÃO É TUDO


"MUSAS" COMO CRISTINA MORTÁGUA FREQUENTEMENTE SÃO TEMPERAMENTAIS.

É muito delicado explicar, para muita gente, as desilusões que estão por trás do universo das "boazudas". Quando este blog começou a falar do caso da falecida Leila Lopez, do declínio de um tipo de mulher valorizada mais pelo corpo do que por qualquer outra coisa (apesar de Leila ter sido mais do que isso, mas, condenada ao ostracismo, teve que fazer filmes pornôs para sobreviver), muita gente não gostou.

No meio do caminho, venho sendo surpreendido por comentários agressivos toda vez que eu critico uma Solange Gomes ou similares. Alguns reacionários, mais politicamente corretos, tentam clamar pela "liberdade do corpo", me acusando de "moralista" ou coisa parecida.

Pois por trás desse mundo da fantasia de glúteos e peitos avantajados, de mulheres com caras e bocas rebolando até o chão, de pretensas musas "mostrando demais" até em missa de ação de graças, estão muitas desilusões, problemas, conflitos.

Recentemente, Cristina Mortágua, da geração de "musas" que teve Marinara Costa, Regininha Poltergeist (esta uma espécie de "ancestral" das paniquetes), e da qual vieram Solange e Nana, foi detida por agredir uma delegada por conta de problemas com o filho, fruto de uma relação com o jogador Edmundo.

O temperamentalismo de muitas dessas "musas" é evidente, e em vários episódios Joana Machado, Solange Gomes, Mulher Melão, Dani Sperle, Renata Banhara e outras mostraram ter um pavio bem curto. São essas mulheres que os caras legais devem se envolver amorosamente? Definitivamente, não.

A decadência desse tipo de mulher nada tem a ver com qualquer censura contra a sensualidade feminina. Nem com o nu, nem com o fato de vestir roupas sensuais. Nenhum moralismo existe por trás disso.

O grande problema é que essa sensualidade que as pretensas musas mostram é forçada, caricata, grotesca e exagerada, além de não medir contextos nem situações apropriadas para tal. Isso cria uma situação bastante complicada.

É só perceber que, no exterior, as "boazudas" existem, mas elas são poucas diante de outras mulheres que exibem sua sensualidade na medida certa, sem exageros nem grosserias. Lá há uma Pamela Anderson, Victoria Silvstedt, Tila Tequila (espécie de paniquete dos EUA), mas elas são poucas e não se sobressaem. Até uma atriz como Rachel Bilson, como símbolo sexual, é bem mais representativa que as "boazudas" do exterior.

O problema mais grave é que quem reage contra as críticas feitas a respeito dessas "boazudas" é um pessoal que tem vergonha de admitir que foi educado pelos valores machistas de sua família, e tem a cara-de-pau de falar em "liberdade do corpo", querendo se passar por "vanguardista".

Mas a liberdade do corpo dos movimentos teatrais dos anos 60 não se expressava sem a liberdade da alma, sem a liberdade da mente. Além disso, há um grande abismo que separa a personalidade brilhante da saudosa Leila Diniz com a personalidade lamentável de uma Solange Gomes.

Na verdade, essas reações se devem ao conservadorismo muito grande que existe no nosso país. Gente que ainda defende a velha grande mídia, desgastada, ranzinza. Assim como somos capazes de ver um Thiago Leifert com cara de choro diante da derrota da arrogante $ele$ão brasileira de futebol na Copa de 2010, e vemos uma Cristiana Lobo, colunista política da Globo News, fazer cara de choro diante da derrota eleitoral de José Serra, imagine então os fãs de Solange Gomes partirem para a ignorância contra um blog que reprova o fato dela odiar ler livros.

Isso porque Solange, infelizmente, é tida como "modelo de sucesso" e, pasmem, formadora de opinião dentro de uma camada jovem da periferia. Não é invenção minha, é o que vemos na mídia que se impõe para esse tipo de público. Eu lamento isso, mas como eu cito essas coisas desagradáveis, há quem venha disparar desaforos contra mim.

A valorização do corpo não é tudo, as mulheres modernas, entre uma demonstração de sensualidade, podem alternar tais momentos indo a livrarias ou teatros, vestindo roupas comportadas, dando entrevistas interessantes, etc.

As "boazudas" nem simpáticas são, e se elas são afeitas a explosões de raiva, dá para perceber que "modelo de sucesso" elas representam. "Mostram demais" o corpo, mas quando alguém diz que elas "vendem o corpo para a mídia", não gostam.

Querem ser lembradas até por portais estrangeiros, como "o melhor da mulher brasileira", mas com sua "sensualidade" forçada e grotesca, só poderiam ter suas fotos publicadas em sítios de prostituição. Também acho isso uma ilegalidade, porque esses sítios são de um cafajestismo nojento, mas o que esperariam essas "musas" que só ficam mostrando o corpo e mais nada? Que fossem aparecer num portal de anatomia humana da Europa?

No Brasil, as jornalistas de televisão estão ganhando em sensualidade das mulheres-frutas, paniquetes, Solanges, Valescas, que quanto mais rebolam mais perdem o destaque, diante de uma Flávia Freire, por exemplo, que com um simples sorriso consegue ser muito mais sedutora.

Isso para não falar das atrizes teen dos EUA e Reino Unido, que se destacam através de uma sensualidade discreta e admirável. Victoria Justice, a estrela adolescente de Victorious, da Nickelodeon, já tem uma aparência de mulheraça estonteante, naturalmente sexy sem deixar de ser charmosa e classuda. Perto de completar 18 anos, Victoria já posou numa sessão de muitas fotos homenageando Audrey Hepburn.

Por isso paradigmas do Brasil popularesco e medíocre começam a ser derrubados. Programas, ídolos, valores e veículos de mídia começam a decair, perdendo público e dinheiro. Isso irrita quem acreditava nesse tipo de país que escondia suas desigualdades sociais através de um processo de controle sócio-midiático que transformasse o povo pobre numa massa infantilizada e dócil.

Caem os funqueiros, cai o Fausto Silva, caem os BBB's, cai o jornal Meia Hora, cai a Folha de São Paulo, cai José Serra, caem as popozudas, caem os brega-popularescos. O novo Brasil não pode viver com esses resíduos que, em muitos casos, remetem ainda à Era Geisel.

Se algumas pessoas viviam felizes no Brasil medíocre que sempre prometia "melhorar aos poucos" e nunca melhorava, problema delas. O país está mudando, e certamente muitos não aceitam essas mudanças. No momento de crise os reacionários aparecem. Mas eles terão que engolir as mudanças de valores que, como um trem, avançam pelos trilhos de nosso país.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

Pois é, Alexandre, a luxúria anda solta nesse Brasilzinho atrasado... A Leila Lopes se foi junto com o locutor Lombardi (que trabalhava com Sílvio Santos), e a Miss Brasil 1954 Martha Rocha continua viva até agora e ninguém dá a mínima para aquela mulher...
Uma vez, você deve ter me respondido que o máximo de "boazuda" que existia na Grécia era a lenda de que a rainha Cleópatra da Macedônia era "feia".
Agora, por favor, me responda a seguinte pergunta: será que a ex-república soviética do Quirguistão e a Coréia do Norte (que alguns chamam de "Kimjonguistão") têm suas próprias "paniquetes"?