quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A REDE DO MAL - O CARTEL DA MÍDIA E DO FORRÓ ELETRÔNICO


AVIÕES DO FORRÓ - LATIFUNDIÁRIOS USAM O ENTRETENIMENTO PARA DESTRUIR A CULTURA REGIONAL DO NORTE, NORDESTE E CENTRO-OESTE.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: As críticas feitas ao brega-popularesco ainda são tidas como "preconceituosas", "moralistas", "saudosistas", "elitistas" e outras qualidades terríveis.

Só que as críticas são pertinentes, afinal o que está em jogo é que esse brega-popularesco invade todos os espaços, destrói, dilui e usurpa a cultura regional do país, com o claro apoio de latifundiários, e ainda por cima há gente como Caetano Veloso e Pedro Alexandre Sanches que querem mais, querem que esse som pseudo-nordestino seja reconhecido pela MPB e servido até mesmo para as plateias de eventos e lugares como Rec Beat, Fundição Progresso e outros.

Mas pelo menos, por outro lado, tem gente que não compactua com essa "ditabranda do mau gosto" que toma conta da mídia de nosso país. Para quem vive nessas regiões, é muito bem sabido que o forró eletrônico (ou forró-brega, forró-calcinha, oxente-music) tem o apoio explícito de latifundiários, políticos, barões regionais da mídia e seu sucesso nada tem a ver com a "ação espontânea de pequenas mídias", como andam pregando por aí. O coronelismo também têm seus espaços nas "redes sociais" da Internet.

A Rede do Mal - O Cartel do Forró Eletrônico

Por Dihelson Mendonça - Jornal Chapada do Araripe

Um mundo de zumbis ! Um mundo de pessoas descerebradas, que perderam o questionamento do que a mídia lhes empurra. Pessoas sem qualquer formação cultural, sem a menor noção de valor, de educação, de história e de visão do mundo. Assim é o Ceará de hoje. Um Ceará que está tomado de ponta a ponta pelo chamado Forró eletrônico, formado pelas bandas de forró eletrônico que já ocupa todos os espaços na mídia, ou realisticamente falando: A mídia promoveu o forró eletrônico de tal modo, que não existe qualquer outra opção para o ouvinte escolher outro estilo de música no Ceará. E não apenas nas estações de rádio. Em qualquer parte, o mal está disseminado…

Através de uma cadeia de rádio chamada Somzoomsat, a que me refiro neste artigo como A REDE DO MAL, grandes produtores de eventos criaram uma espécie de CARTEL para a produção e perpetuação de um MONOPÓLIO de escravidão cultural que começou de forma sinistra nos anos 90 com a “invenção” do chamado forró eletrônico, uma espécie de forma degenerada do forró, quando musicalmente falando, não se identificam quaisquer semelhanças ao legítimo forró que seria o símbolo do povo nordestino. A grosso modo, o forró eletrônico se caracteriza pelo uso de instrumentos eletrônicos ( na maioria das vezes muito mal executados, por pessoas sem conhecimento suficiente para tocá-los ), por letras claramente obscenas, de fácil apelo às classes sociais desprovidas de contato com valores éticos, morais e culturais, além de outras características facilmente identificáveis. Na URCA – Universidade Regional do Cariri, existem hoje, sociólogos, historiadores e outros pesquisadores preocupados com o rumo que as coisas têm tomado, e escreveram diversos trabalhos sobre esse assunto, contendo muita informação e embasamento, para falar de forma detalhada sobre os fundamentos, a ascenção e a construção deste monopólio. Neste breve artigo, deter-me-ei apenas para que, de forma jornalística, eu possa aqui denunciar essa situação de cerceamento da liberdade da escolha e da retirada maléfica da diversidade musical na mídia cearense, apresentando um breve panorama da situação aos nossos leitores mais distantes.

Após a invenção nos anos 90 do forró eletrônico com a introdução no mercado fonográfico da banda “Mastruz com Leite”, por uma oposição ao Axé Music que vinha da Bahia, produtores cearenses gananciosos, viram que aquilo era um verdadeiro filão e cuidadosamente prepararam-se para a execução de um plano de massificação que levaria décadas para ser completado. Desde o início do novo milênio, o forró eletrônico vem se expandindo gradativamente entre a população cearense, utilizando-se de meios duvidosos, como a exploração do apelo francamente pornográfico, da exaltação do alcoolismo, incentivo à prostituição, a falta de respeito e responsabilidades, e a fuga de qualquer coisa que leve ao pensamento e o uso do intelecto. Essa expansão se deu, não por uma conscientização do público que aprecia o estilo, mas simplesmente pela retirada perniciosa e gradual de todos os outros estilos musicais da mídia, esvaziando-a completamente, de modo que ao povo só é dado a gostar do mesmo prato do dia, todos os dias…

Por imposição de uma mídia não compromissada com a diversidade, o povo cearense já não tem escolhas nas estações de rádio. No Ceará de hoje, de ponta a ponta do rádio, as estações são tragadas como numa espécie de avalanche do que de pior se pode ouvir. Aquilo que pode-se claramente definir como o fundo do abismo do ser humano, aonde todos os valores foram invertidos: Prática sistemática da supervalorização do Alcoolismo como meio máximo de divertimento e exibicionismo de uma sociedade não-pensante ( vide a letra da música “Beber, cair e Levantar” ); A desvalorização do papel da mulher na sociedade, instituindo a prostituição, o sexo abusivo, animal e sem controle como o maior valor da sociedade ( vide música “Beber e Raparigar” ); A rejeição e a depreciação sumária de qualquer uso da razão, do pensamento, e do intelecto. Daí o uso do termo “Zumbis” já no início deste artigo, pois algumas pessoas que apreciam o forró eletrônico, vivem numa espécie de hipnose, como se alguém lhes houvesse retirado o cérebro pensante. E uma coisa leva à outra: Como não há outra opção de divertimento, de música, e de integração das pessoas dentro da sociedade, pois que para frequentar e se sentir parte do meio social há que necessariamente estar em permanente contato e entrar também para a “máquina de zumbis”, a fim de não se sentirem excluídos do próprio meio, as pessoas perdem a cada dia a sua identidade enquanto seres humanos. Mesmo aqueles que de início a rejeitaram, e principalmente outras que por não terem formação cultural, tornam-se grandes propagadores desta aberração, aumentando a infecção no tecido social, que desta forma, se degenera gradativamente.

Assim é que no Cariri e em todo o Ceará, a maioria dos automóveis se locomove sempre ao som invariavelmente alto e TODOS tocando apenas uma mesma coisa: O forró eletrônico. Além de agirem de forma ilegal por perturbarem a paz e o silêncio, os propagadores do forró eletrônico com seus carros de som possantes não possuem qualquer respeito à pessoa humana. Vale lembrar apenas o caso de uma amiga deste cronista que foi agredida apenas por estar em local público e ter ido pedir para o proprietário baixar o som do veículo, pois estava se sentindo incomodada: Teve ossos quebrados de forma violenta pelo proprietário! E hoje em dia, quase todos os veículos rodam ao som do forró eletrônico e cachaça nos fins de semana, aumentando o volume de acidentes de trânsito, e sempre muito alto, perturbando a paz, até porque as pessoas que ainda gostam de outros estilos musicais têm a devida educação para saber que esse tipo de atitude perturbaria a paz das outras.

Portanto, vivemos numa época difícil, como se uma praga, uma espécie de vírus macabro, daqueles típicos que só víamos em filmes de terror há se apoderado da população, de tal modo que quase ninguém mais enxerga algo à sua frente.

O pior de tudo, é sabermos que a população não tem culpa pela cadeia de eventos que lhes trouxe até essa decadência cultural. O povo não pode de forma alguma ser considerado culpado pela degeneração da sua música, por consumir lixo cultural, pois que este é o ÚNICO prato do dia que eles têm acesso. Através de uma política perversa perpetrada pelo triângulo do mal, formado pelos proprietários de bandas de Forró Eletrônico, Promotores de eventos, e estações de rádio, fecharam contratos para a veiculação de um único tipo de música. E nessa avalanche de coisas decadentes, grandes mestres da música popular brasileira já estão caindo no esquecimento. As novas gerações nem sabem mais quem foi um LUIZ GONZAGA, um Jackson do Pandeiro, um Dominguinhos, ícones do autêntico forró nordestino. Até mesmo músicos de renome da Música Popular Brasileira tais como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos, e mesmo gente mais popularesca como Ivete Sangalo, Fábio Jr, e todo o resto, simplesmente “evaporou-se” do rádio cearense por conta do cartel da Mídia, para dar lugar a uma verdadeira praga urbana de “trogloditas” que tentando cantar, nem sequer aprenderam a falar as palavras direito.

No ceará HOJE, praticamente todas as estações de rádio, ( a não ser aquelas de caráter religioso ), tocam apenas o que o cartel divulgar. Não se escuta mais qualquer produto advindo de outras regiões. Não se escutam mais os grandes sucessos do restante do Brasil. Não se escuta nada que não faça parte do cartel. As pessoas são forçadas a escutar apenas aquilo que a mídia deseja que elas escutem. Não se consegue por exemplo, ir a uma sorveteria, Shopping Center, ônibus, praças, locadoras, lanchonetes, restaurantes, lojas de roupas, ou simplesmente andar na rua… todas elas estão a tocar o mesmo tipo de música. A coisa é tão grave que o somzoomsat ( que opera 24 horas por dia ), a fim de manter o monopólio, apresenta à noite um programa de músicas mais suaves do chamado “forró romântico” que de forró nada possui, e de romântico, pior, apenas para manter o ouvinte. Saibam os leitores que até a famosa “Ave Maria de Schubert” já foi gravada por gente ligada às bandas de forró e à máquina, assim como a grande maioria dos sucessos internacionais dos anos 70 e 80, todos vulgarizados e deturpados. No Ceará hoje, as pessoas estão vivendo como porcos de engorda: dentro de chiqueiros, aonde o proprietário empurra o que bem quiser, e o povo, por não possuir formação cultural, absorve tudo que lhe é jogado, criando um efeito bola-de-neve.

A pergunta que fica após essa breve análise é: Como se poderá quebrar essa REDE DO MAL, de inversão de valores, que se abateu sobre o povo cearense, se o próprio povo é ao mesmo tempo refém e propagador de um cartel que opera de modo sutil, ostensivo e maléfico em detrimento à diversidade cultural ? As respostas podem ser muitas, mas certamente que se as pessoas de bem da sociedade não se mobilizarem em defêsa de uma política de diversidade cultural, da boa educação e do respeito, estaremos fadados ao declínio enquanto seres humanos, e de grandes valores que levamos milênios para edificar. Valores estes que são os pilares de qualquer civilização, e que sem eles, movidos pelo forró eletrônico que empesteia o Ceará, voltaríamos ao ser troglodita, ao homem das cavernas, ao primitivo, que sem leis, educação e sem conhecimento algum, prolifera-se como um câncer, para a destruição da sociedade.

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