quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O APAGÃO NA CABEÇA DE GUIDO MANTEGA



Por Alexandre Figueiredo

A falta de cautela de certos integrantes da equipe do governo petista, muitas vezes, criam pretextos para a reação, exagerada mas demagógica, da oposição demotucana, que a certas alturas deve estar dizendo para o ministro da Fazenda, Guido Mantega: "Isso, isso, esculhamba com nós (sic) brasileiros!".

Pois Guido, num grande erro de atitude, e num grande apagão na sua mente, além de expressar resistência ao aumento do salário mínimo, cometeu a infeliz medida de cancelar os concursos públicos, as nomeações de novos aprovados, pesando nos cidadãos o amargo corte de R$ 50 bilhões no orçamento da União.

Isso dá um gancho para as vozes oposicionistas, que, por puro oportunismo, clamam agora "a favor do cidadão", como vimos no caso da intragável taxa da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira - cujo "P" há quem quisesse mudar para Permanente), o "imposto do cheque". Supostamente reservado à área da Saúde, a CPMF era tratada no entanto como se fosse o imposto que seria "benéfico" a todas as medidas promovidas pela Nação.

Pois agora, com o cancelamento dos concursos públicos e das nomeações, os brasileiros que querem ingressar no serviço público, sem qualquer outra opção - o mercado de emprego privado é dotado de inúmeros preconceitos (sobretudo de idade e de experiência, numa paranóica obsessão pelo "trabalhador jovem e experiente", qualidades muitas vezes opostas) - , acabam abandonados no meio do caminho.

A medida, disse Mantega, será por um ano. Mas alguém terá que esperar quase 370 dias para se tornar servidor público ou buscar alguma chance para assim sê-lo?

Enquanto isso, os salários exorbitantes dos parlamentares continuam altíssimos. Se eles negociarem um novo aumento, farão uma votação e conseguirão o novo valor imediatamente. Isso num país onde ainda existem focos de escravidão, em áreas do interior que parecem ainda presas no século XIX.

Por outro lado, as escolas da samba receberão empréstimos de milhões de reais para se recuperarem do incêndio na Cidade do Samba. Tudo bem. Mas se para as escolas de samba dinheiro não falta para se socorrerem, por que os aspirantes a servidores públicos terão que amargar 370 dias de espera?

E, quanto àqueles que fizeram concursos em 2009 e 2010, cujo processo de aprovação à posse caducam este ano, simplesmente terão a causa perdida em 2012? Ou será que a prorrogação garantida por lei para mais dois anos será adotada, nessas emergências?

Em tempos próximos à Copa do Mundo e às Olimpíadas, onde os políticos afirmam demagogicamente que "não faltarão investimentos" para as obras faraônicas de suas cidades, ou para a repintura dos ônibus no padrão visual que confundirá os passageiros com o fardamento uniforme de diferentes empresas, é de lamentar a atitude do ministro da Fazenda.

Portanto, para coisas supérfluas, ainda que envolvam a alegria coletiva, não falta dinheiro. Mas, para coisas sérias, que envolvem as vidas de muitos cidadãos, aí "falta" muito, e muito do dinheiro que seria necessário e imprescindível. Na verdade não falta, o problema é a falta de interesse em priorizar este investimento.

A propósito, muitos moradores do Morro do Bumba, em Niterói, ainda estão sem casa para morar.

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