segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

INCÊNDIO ATINGE CIDADE DO SAMBA



O descaso e a demagogia da dupla que governa o Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral Filho e o prefeito carioca Eduardo Paes, mostra que eles não estão aí para prioridades.

Mais preocupados com tolices como padronizar o visual dos ônibus - causando desespero nas classes populares, já sem reconhecer qual o ônibus que terão que pegar - , e dar uma ênfase exagerada nas obras de vilas e praças olímpicas, em detrimento de outras necessidades como a desfavelização e o combate à criminalidade, a dupla deixou que ocorresse um incêndio em grandes proporções que atingiu quatro barracões de escolas de samba cariocas. A Grande Rio foi a maior prejudicada.

Provavelmente deve ter havido problemas tanto no armazenamento de material de desfiles, incluindo carros alegóricos, fantasias etc, e na instalação elétrica. Ou então alguém fumou e jogou o cigarro no chão, sem dar conta dos materiais inflamáveis lá instalados. Mas até agora não se sabe o que causou o grande incêndio nem qual teria sido a hipótese mais provável.

O incêndio gerou uma fumaça gigantesca que dava um tom sombrio ao céu no Rio. Mas a fumaça pôde ser vista até mesmo em áreas como o bairro de Icaraí, em Niterói.

O episódio, no entanto, mostra o quanto não se deve se iludir com a obsessão doentia por festas e espetáculos. A euforia excessiva é imprudente, não previne tragédias nem desastres.

Por pouco até agora não há indícios de que o incêndio na Cidade do Samba - prédio onde se situam os barracões atingidos pelas chamas - tenha causado vítimas, embora algumas pessoas já estivessem no local durante o dramático incidente.

Mas imagine se houvesse pessoas lá. E imagine se a tragédia tivesse ocorrido nos desfiles do Sambódromo. A tragédia teria sido muito grande.

A alegria carnavalesca, como em toda manifestação de alegria, não pode ser indiferente a cuidados, a prevenções. A melhor alegria é aquela que respeita a tristeza e o sofrimento do outro, num país que ainda tem muito que arrumar.

O "combate" à criminalidade, que tanto faz a população pobre sofrer, no entanto é muito brando. Seu alarde faz os criminosos fugirem, até mesmo no início da operação. Sem falar que é muito ingênuo acreditar que o tráfico de drogas desapareça com as UPP's.

Certa vez, o cartunista Carlos Latuff, no encontro dos blogueiros progressistas do Rio de Janeiro, alertou isso. Ele esteve no Complexo do Alemão, durante a famosa ocupação policial do ano passado, e declarou que as coisas não acabam assim imediatamente. Ele prefere ser realista a acreditar que, numa tarde de domingo, a Zona Norte carioca passou a viver uma era de prosperidade e de paz.

Afinal, uma operação que é feita com muito alarde e aponta falhas - como no caso da fuga de vários criminosos durante a fase da operação policial na Vila Cruzeiro, comunidade do bairro da Penha - , permite que criminosos se desloquem para outras áreas. Tudo muito ostensivo, que é visto pelos bandidos de longe, e eles mesmos haviam transformado as favelas em labirintos com saídas que só eles conhecem.

Mas num país onde é inútil prender os chefes do narcotráfico em prisões de segurança máxima, porque eles acabam comandando as operações criminosas de lá, pelo telefone celular e através de um código linguístico previamente criado, as autoridades cariocas ainda brincam com o fogo.

Só que o fogo não brinca com a brincadeira do Carnaval, e a estocagem inadequada de material carnavalesco fez causar esse incêndio.

E logo Sérgio Cabral Filho, cujo pai é um importante historiador carioca, estudioso dos inúmeros carnavais, deixa que parte do acervo das escolas de samba se perdesse pelo fogo.

Depois ele e Eduardo Paes querem ser os maiores governantes da história do Rio de Janeiro. O que eles não esperam é que a História, juiz coerente mas nunca condescendente, não é de ficar bajulando nem cortejando os astros provisórios do presente, que no futuro não passarão de inúteis e atrapalhados oportunistas.

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